Este é um artigo bom. Clique aqui para mais informações.

Área de Comando do Sul da RAAF

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Área de Comando do Sul
RAAFAreaCommands1940.png
Fronteiras provisórias das áreas de comando da RAAF, em Fevereiro de 1940
País  Austrália
Corporação Real Força Aérea Australiana
Missão Defesa aérea
Reconhecimento aéreo
Protecção aérea da orla costeira
Período de atividade 1940–53
História
Guerras/batalhas Segunda Guerra Mundial
Comando
Comandantes
notáveis
Henry Wrigley (1940)
Adrian Cole (1940–41)
Frank Bladin (1941)
Ian McLachlan (1944–45)
Charles Eaton (1945)
Allan Walters (1948–50)
Alan Charlesworth (1951–53)
Sede
Quartel-general Melbourne

A Área de Comando do Sul foi um de vários comandos geográficos criados pela Real Força Aérea Australiana (RAAF) durante a Segunda Guerra Mundial. Foi formada em Março de 1940, e inicialmente controlava as unidades da RAAF em Vitória, Tasmânia, Austrália Meridional e da zona sul de Nova Gales do Sul. Com quartel-general em Melbourne, o comando era responsável pela defesa aérea, reconhecimento aéreo e protecção da orla costeira dentro das suas fronteiras. A partir da 1942 as suas responsabilidades deixaram de se fazer cumprir na zona sul de Nova Gales do Sul.

O comando continuou a operar após o cessar das hostilidades, tornando-se num centro de unidades de treino; mais tarde, em Outubro de 1953, seria re-formado como o Comando de Treino, sob o novo sistema de comando e controlo funcional.

História[editar | editar código-fonte]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Head-and-shoulders portrait of man in light-coloured military uniform with ribbons and pilot's wings on chest, wearing dark peaked cap
Comodoro-do-ar Wrigley, comandante inaugural da área de comando, março de 1940

Antes da Segunda Guerra Mundial, a Real Força Aérea Australiana era pequena o suficiente para que todos os seus elementos e unidades estivessem directamente subordinados ao Quartel-general da RAAF em Melbourne. Depois do despoletar da guerra em Setembro de 1939, a RAAF começou a descentralizar a sua estrutura de comando, dada a expectativa do aumento do número de unidades e efectivos.[1][2] A sua primeira jogada nesta direcção foi através da criação do Grupo N.º 1 e N.º 2 para controlar as unidades aéreas em Vitória e Nova Gales do Sul, respectivamente.[3] Então, entre Março de 1940 e Maio de 1941, a RAAF dividiu a Austrália e a Nova Guiné em quatro zonas de comando e controlo baseadas na geografia: a Área de Comando Central, a Área de Comando do Sul, a Área de Comando Ocidental e a Área de Comando do Norte.[4] A missão de cada uma das áreas de comando era a defesa aérea, a protecção da orla costeira e o reconhecimento aéreo. Cada uma das áreas era chefiada por um Oficial Aéreo Comandante (AOC), responsável pela administração e pelas operações de todas as bases aéreas e unidades dentro das suas fronteiras.[2][4]

O Grupo N.º 1, que havia sido estabelecido no dia 20 de Novembro de 1939, foi re-formado como um dos dois primeiros comandos, a Área de Comando do Sul, no dia 7 de Março de 1940. Com quartel-general em Melbourne, a Área de Comando do Sul ficou a comandar todas as unidades da força aérea em Vitória, Tasmânia, Austrália Meridional e uma parte do sul de Nova Gales do Sul.[5] O seu comandante inaugural foi o Comodoro-do-ar Henry Wringley, que já havia comandado o Grupo N.º 1.[6] O oficial sénior administrativo era o Capitão de grupo Joe Hewitt.[7] Em Novembro de 1940, Wringley entregou o comando da área ao Comodoro-do-ar Adrian Cole, anterior comandante da Área de Comando Central.[6]

Em Agosto de 1941, o programa de instrução da RAAF em constante expansão necessitava que fosse estabelecido um sistema de treino semi-funcional e semi-geográfico. De acordo com esta necessidade, a 2 de Agosto de 1941, o Grupo de Treino N.º 1 foi formado em Melbourne para assumir a responsabilidade pelas unidades de treino dentro das fronteiras da Área de Comando do Sul, enquanto o Grupo de Treino N.º 2 foi formado em Sydney e ficou responsável pelas unidades de treino dentro da Área de Comando Central, que foi extinta; o controlo das unidades da força aérea dentro desta área foi distribuído, conforme conveniente, por entre as áreas de comando do sul e do norte.[8][9] Entre Setembro e Dezembro de 1941, o Comodoro-do-ar Frank Bladin foi o comandante da Área de Comando do Sul.[6]

Map of Australia showing state borders, with RAAF area command boundaries superimposed
Áreas de comando da RAAF, em dezembro de 1941

No dia 20 de Abril de 1942, a autoridade operacional sob todas as infraestruturas de combate da RAAF, incluindo as áreas de comando, foi investida no recém-estabelecido Quartel-general das Forças Aéreas Aliadas (AAF), que por sua vez era controlado pelo Comando da Área do Sudoeste do Pacífico (SWPA).[10][11] No dia 15 de Maio, a Área de Comando do Sul, que era considerada como estando muito dilatada, entregou a responsabilidade pelas unidades operacionais e de manutenção dentro de Nova Gales do Sul a um novo comando, a Área de Comando Oriental. Entretanto, o controlo das unidades de manutenção na Área de Comando do Sul passou para o recém-estabelecido Grupo N.º 4, com quartel-general em Melbourne, no dia 14 de Setembro.[12] Setembro também foi o mês que viu a formação do Comando da RAAF, liderado pelo Vice Marechal-do-ar William Bostock, para supervisionar a maior parte das unidades aéreas da Austrália sob a direcção da SWPA.[13][14] Bostock exercia o controlo das operações aéreas através das áreas de comando, embora o Quartel-general da RAAF continuasse a deter a definitiva autoridade administrativa sob as unidades aéreas australianas.[15]

Por necessidade geográfica, as responsabilidades operacionais das áreas do sul concentravam-se na patrulha marítima e na guerra anti-submarina, enquanto que os comandos do norte concentravam-se na defesa aérea e no bombardeamento ofensivo.[15] Em Fevereiro de 1943, a Área de Comando do Sul começou a incorporar escoltas de comboios no programa de treino dos Beaufort da Unidade de Treinamento Operacional N.º 1 em Bairnsdale, Victoria.[16] Em Abril de 1943, a Área de Comando do Sul operava duas unidades de combate: o Esquadrão N.º 67, que realizava missões de reconhecimento marítimo e guerra antisubmarina com aviões Avro Anson a partir da Base aérea de Laverton, e o Esquadrão N.º 86, equipado com aviões P-40 Kittyhawk, colocado em Gawler, na Austrália Meridional.[17] O Esquadrão N.º 67 foi uma das várias formações de reserva da RAAF criadas à pressa para aumentar o esforço de guerra anti-submarino, tripulado por funcionários e alunos de unidades de treino operacional.[18][19] O Capitão de grupo Ian McLachlan comandou a área de Março de 1944 até Janeiro de 1945, quando passou a pasta ao Capitão de grupo Charles Eaton.[6]

O submarino U-862 operou perto das águas do sul do continente australiano durante os primeiros meses de 1945, e as poucas unidades de combate da Área de Comando do Sul estiveram empenhadas em patrulhas anti-submarinas, cujo esforço acabou por não ser bem sucedido por não conseguirem localizar o submarino do eixo.[20] Os Anson eram considerados deficientes quando se tratava de operações noturnas, e a Área de Comando do Sul teve que solicitar aeronaves da Área de Comando Oriental e de unidades de treino e manutenção para reforçar o seu esforço de patrulha.[21] Em Abril, Eaton reportou a Bostock que a inteligência da Frota Britânica do Pacífico sobre os movimentos dos seus navios para leste fora da Área de Comando Ocidental estava horas desatualizada no momento em que foi recebida na Área de Comando do Sul, fazendo com que aeronaves da RAAF não conseguissem interceptar os navios e desperdiçassem horas de voo valiosas à procura de algo num oceano vazio. Já não houve nenhum ataque de submarinos a partir de Fevereiro e, em Junho, as autoridades navais indicaram que não havia necessidade urgente de cobertura aérea, excepto para os navios mais importantes.[20] Eaton liderou esta área durante a rendição do Japão em Setembro, e permaneceu no comando até Dezembro de 1945.[6][22]

Reorganização no pós-guerra[editar | editar código-fonte]

Map of Australia showing state borders, with RAAF area command boundaries superimposed
Limites das áreas de comando da RAAF em 1947. A organização de comando geográfico foi substituída por um sistema funcional em 1953-1954

Com o cessar das hostilidades em Agosto de 1945, a Área do Sudoeste do Pacífico foi dissolvida e o Quartel-general da RAAF voltou a assumir o total controlo de todas as suas formações operacionais, incluindo as áreas de comando.[23] A força aérea encolheu dramaticamente à medida que o pessoal foi desmobilizado e as unidades iam sendo dissolvidas; a maioria das bases e aeronaves da RAAF empregues em operações após a guerra estavam situadas na esfera de controle da Área de Comando Oriental em Nova Gales do Sul e no sul de Queensland.[24] Em Setembro de 1946 o Chefe do Estado-maior da RAAF, o Vice Marechal-do-ar George Jones, propôs uma redução no número de áreas de comando de cinco para três: a Área de Comando do Norte, cobrindo Queensland e o Território do Norte, a Área de Comando Oriental, cobrindo Nova Gales do Sul, e a Área de Comando do Sul, cobrindo a Austrália Ocidental, Austrália Meridional, Vitória e Tasmânia. Esta proposta fazia parte de um grande plano de reestruturação da RAAF do pós-guerra, contudo, o governo federal rejeitou o plano e as áreas de comando do tempo da guerra continuaram intactas.[25][26] Em Agosto de 1947 o Colégio da RAAF (que 1961 passou a ser conhecido como Academia da RAAF) foi estabelecido em Point Cook, Vitória, sob a Área de Comando do Sul.[27] Os restantes comandantes desta área incluíram os comodoros do ar Allan Walters, entre 1948 e 1950, e Allan Charlesworth, o último comandante, entre 1951 e 1953.[28][29]

O governo federal retirou Jones do comando da RAAF em 1952 e substituiu-o pelo Marechal-do-ar Donald Hardman, um militar da RAF, com a intenção que este procedesse à re-organização da RAAF para um sistema de comando e controlo baseado na função, estabelecendo o Comando Operacional, o Comando de Treino e o Comando de Manutenção. O primeiro foi criado a partir da existente Área de Comando Oriental, que era considerada como a organização operacional "de facto" devido à predominância de unidades de combate dentro da sua esfera. O segundo foi criado a partir da Área de Comando do Sul, que era já a área onde estavam aglomeradas a maior parte das unidades de treino. O terceiro e último comando foi formado a partir Grupo de Manutenção, com quartel-general em Melbourne. A transição do sistema geográfico para o sistema funcional foi completada em Fevereiro de 1954, quando os três novos comandos assumiram o controlo de todas as operações, treino e manutenção do ramo aéreo.[30][31]

Rescaldo[editar | editar código-fonte]

Os comandos funcionais estabelecidos entre 1953 e 1954 foram revisados em 1959, com a fusão do comando de treino e de manutenção para formar o Comando de Suporte.[32] Em 1987 o Comando Operacional foi re-nomeado Comando Aéreo, e três anos mais tarde o Comando de Suporte foi dividido para formar dois novos organismos, o Comando de Logística e o Comando de Treino.[33] Em 2006, o Comando de Treino foi re-formado como o Grupo de Treino da Força Aérea, subordinado ao Comando Aéreo.[34]

Ordem de Batalha[editar | editar código-fonte]

No dia 30 de Abril de 1942, a ordem de batalha da Área de Comando do Sul englobava as seguintes unidades:[35]

Referências

  1. Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 111–112
  2. a b «Organising for war: The RAAF air campaigns in the Pacific» (PDF). Pathfinder. Air Power Development Centre 
  3. Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 66–67
  4. a b Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 91–92
  5. Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. xix–xx, 27–29
  6. a b c d e Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. 302–304
  7. «Many Air Force promotions appointments». The Courier-Mail. Brisbane: National Library of Australia. 25 de abril de 1940. p. 2. Consultado em 16 de março de 2019 
  8. Gillison, Royal Australian Air Force, p. 112
  9. Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. xx, 38
  10. Gillison, Royal Australian Air Force, p. 473
  11. Odgers, Air War Against Japan, pp. 15–16
  12. Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. xxi, 134–135
  13. Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 585–588
  14. Odgers, Air War Against Japan, pp. 4–6
  15. a b Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 144–145
  16. Wilson, The Eagle and the Albatross, pp. 79–80
  17. Odgers, Air War Against Japan, p. 141
  18. Odgers, Air War Against Japan, p. 140
  19. Wilson, The Eagle and the Albatross, pp. 73–74
  20. a b Odgers, Air War Against Japan, pp. 351–354
  21. Stevens, A Critical Vulnerability, p. 269
  22. «Eaton, Charles». World War 2 Nominal Roll. Department of Veterans' Affairs. Consultado em 16 de março de 2019 
  23. Ashworth, How Not to Run an Air Force!, p. 262
  24. Stephens, Going Solo, pp. 11–12, 72–73
  25. Helson, The Private Air Marshal, pp. 321–325
  26. Stephens, Going Solo, pp. 68, 462
  27. Frost, RAAF College & Academy, pp. 6, 45
  28. «Air Vice-Marshals (L–Z)». Air Marshals of the RAAF. Air Power Development Centre. Consultado em 20 de julho de 2015. Cópia arquivada em 1 de junho de 2011 
  29. «Honorary Air Vice-Marshals». Air Marshals of the RAAF. Air Power Development Centre. Consultado em 20 de julho de 2015. Cópia arquivada em 1 de junho de 2011 
  30. «Sir Donald Hardman's reorganisation of the RAAF» (PDF). Pathfinder. Air Power Development Centre 
  31. Stephens, Going Solo, pp. 73–76, 462–463
  32. Stephens, Going Solo, pp. 76–77
  33. Dennis et al, The Oxford Companion to Australian Military History, pp. 150–151
  34. «Air Force Training Group». Royal Australian Air Force. Consultado em 10 de julho de 2015. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2017 
  35. Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. 299–300

Bibliografia[editar | editar código-fonte]