Édipo e a Esfinge (Ingres, Louvre)

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Édipo e a Esfinge
Autor Jean-Auguste-Dominique Ingres
Data 1808, ampliado em 1827
Técnica Pintura a óleo sobre tela
Dimensões 189 cm  × 144 cm 
Localização Museu do Louvre, Paris


Édipo e a Esfinge (em francês: Œdipe explique l'énigme du sphinx ) é uma pintura a óleo sobre tela do pintor francês Jean-Auguste-Dominique Ingres datada de 1808, mas retomada e modificada em 1827 para apresentação no Salão de pintura e de esculture de Paris desse ano.

O quadro evoca o mito da Esfinge da mitologia grega tendo sido legado em 1878 ao Museu do Louvre pela condessa Duchâtel.

Descrição[editar | editar código-fonte]

No quadro, Édipo está nu (trata-se certamente de um modelo pintado em estúdio), com excepção de um pano vermelho. Está armado com duas lanças e recebe o foco da luz. A esfinge, criatura mitológica com cabeça da mulher e corpo de leão, domina Édipo. No promontório podemos ver um cadáver e os ossos. Abaixo, à direita, um homem parece fugir quando avista a esfinge. Atrás dele divisa-se a cidade de Tebas. A cena desenrola-se numa cavidade rochosa.

O nome do autor e a data inicial da obra, 1808, aparecem na rocha onde Édipo tem pousado o pé esquerdo.

Mito grego da esfinge[editar | editar código-fonte]

A Esfinge foi enviada por Hera para a Beócia após Édipo, sem o saber, ter morto o seu pai Laio, o rei de Tebas. Começou a devastar os campos e a aterrorizar as pessoas, e tendo aprendido com as Musas um enigma ameaçou que só abandonaria a província quando alguém o resolvesse e quem falhasse a resposta seria estrangulado (daí o nome esfinge, que deriva do grego sphingo, que significa estrangular). Então o regente de Tebas, Creonte, prometeu dar em casamento a rainha viúva Jocasta e a coroa de Tebas a quem libertasse a Beócia do flagelo. Muitos pretendentes tentam, mas todos perecem. Chega então Édipo e a Esfinge faz a pergunta enigmática: "Que criatura pela manhã tem quatro pernas, ao meio-dia tem duas e à tarde tem três?"

Édipo encontra a solução: era o ser humano. De fato, quando ainda criança gatinha e tem assim quatro pernas, depois enquanto adulto marcha com as duas pernas e, finalmente, na velhice usa a bengala e tem três pernas. Furiosa pela descoberta do enigma, a Esfinge atira-se do rochedo (ou das muralhas de Tebas segundo outros) e morre.

E é assim que, mantendo Creonte a sua promessa, Édipo cumpre o seu destino e se torna, também sem saber que era a sua mãe biológica, o marido de Jocasta, contraindo uma união incestuosa.

História[editar | editar código-fonte]

A pintura foi iniciada em Roma, para onde Ingres tinha ido em 1806 após ter ganho o Grand Prix de Rome em 1801. Trabalhando num estúdio da Villa Medici, Ingres continuou os seus estudos e, como exigido a todos os vencedores do Grand Prix, envia obras regularmente para Paris para apreciação do seu progresso artístico. Na sua Remessa de 1808 Ingres envia os nus a corpo inteiro da Figura de Édipo e da A Banhista de Valpinçon (em Galeria), procurando provar com as duas pinturas a sua maestria dos nus masculino e feminino.[1] Os académicos foram moderadamente críticos do tratamento de luz em ambas as pinturas, e consideraram as figuras insuficientemente idealizadas.[2]

Ingres manteve a Figura de Édipo no seu estúdio. Por volta de 1825 decidiu refazê-la para transformar o que era essencialmente um estudo de figura numa cena narrativa mais desenvolvida.[3] Ampliou a tela, acrescentando 20 cm para a esquerda, 31 cm no topo, e 31 cm para a direita.[1] No espaço ampliado da imagem, criou um contraste cénico entre a paisagem iluminada que se vê à distância, e as sombras que envolvem a Esfinge.[1] Ingres também modificou a pose da Esfinge e acrescentou os restos humanos que se vêem no canto inferior esquerdo.[3] O homem a fugir na direita, cuja atitude e expressão revelam o estudo de Poussin por Ingres, também foi acrescentado nessa altura.[3]

Em Novembro de 1827, Ingres apresentou a obra reelaborada, junto a dois retratos, no Salão de Paris onde teve bom acolhimento.[4] Ingres vendeu Édipo e a Esfinge em 1829 tendo entrado no Louvre em 1878.[3]

Um pequeno esboço a óleo em que Ingres testou a sua composição antes de reelaborar a pintura encontra-se na National Gallery de Londres.[1] Pertenceu a Edgar Degas, que o comprou em 1897 ou antes.[5]

Em 1864, Ingres pintou uma terceira versão de Édipo e a Esfinge (em Galeria), menor do que a versão inicial, em que as figuras estão em posição oposta e tendo muitos detalhes diferentes, a qual se encontra no Museu de Arte Walters, de Baltimore (EUA).[3]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Complexo de Édipo

Notas e Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d Condon et al. 1983, p. 38.
  2. Tinterow, Conisbee et al. 1999, pp 98–101.
  3. a b c d e Radius 1968, p. 91.
  4. Mongan & Naef 1967, p. xxi.
  5. Dumas & Degas 1996, p.71.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Condon, Patricia; Cohn, Marjorie B.; Mongan, Agnes (1983). In Pursuit of Perfection: The Art of J.-A.-D. Ingres. Louisville: The J. B. Speed Art Museum. ISBN 0-9612276-0-5
  • Dumas, Ann, e Degas, Edgar (1996). Degas as a Collector. Londres: Apollo Magazine. ISBN 1857091310
  • Mongan, Agnes; Naef, Dr. Hans (1967). Ingres Centennial Exhibition 1867-1967: Drawings, Watercolors, and Oil Sketches from American Collections. Greenwich, Conn.: Distribuido pela New York Graphic Society. OCLC 170576
  • Radius, Emilio (1968). L'opera completa di Ingres. Milão: Rizzoli. OCLC 58818848
  • Tinterow, Gary; Conisbee, Philip; Naef, Hans (1999). Portraits by Ingres: Image of an Epoch. Nova Iorque: Harry N. Abrams, Inc. ISBN 0-8109-6536-4