Élcio Álvares

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Élcio Álvares
Élcio Álvares
38.° Governador do  Espírito Santo
Período 15 de março de 1975
15 de março de 1979
Antecessor(a) Arthur Carlos Gerhardt Santos
Sucessor(a) Eurico Vieira de Resende
Senador pelo  Espírito Santo
Período 1991 - 1999
Ministro da Defesa do  Brasil
Período 1999 - 2000
Presidente Fernando Henrique Cardoso
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil Brasil
Período 1994 - 1995
Presidente Itamar Franco
Deputado Federal pelo  Espírito Santo
Período 1970 - 1975
Deputado Estadual do  Espírito Santo
Período 2006 - 2010
2010 - 2014
Vida
Nascimento 28 de agosto de 1932 (83 anos)
Ubá
Nacionalidade  brasileira
Dados pessoais
Alma mater Universidade Federal do Espírito Santo
Esposa Irene Álvares
Partido Democratas
Religião Evangélico
Profissão Advogado
Professor universitário
jornalista
Website [[1]]

Elcio Alvares (Ubá, 28 de setembro de 1932) é um advogado, professor universitário e político brasileiro. Apesar de ter nascido em Minas Gerais, desenvolveu toda a sua carreira no estado do Espírito Santo.

Os primeiros passos políticos do Deputado Elcio Alvares foram dados na política estudantil, sendo que a primeira experiência foi, ainda, no curso médio, quando concorreu e venceu a disputa pelo Grêmio Estudantil do Colégio Americano. Depois, já na Faculdade de Direito envolveu-se um pouco mais, ajudando na criação da União Estadual dos Estudantes (UEE) e sendo um dos seus primeiros Presidentes. Como presidente da entidade estadual ajudou a fundar a União Nacional dos Estudantes (UNE). Já formado em Direito e advogando, Elcio Alvares teve uma breve passagem pelo Governo do Estado, que, então, tinha à frente o Governador Jones dos Santos Neves. A convite da esposa do Governador, dona Alda, dirigiu a Legião Brasileira de Assistência (LBA), deixando o cargo para dedicar-se integralmente à advocacia, transformando-se em um dos mais conhecidos advogados do Espírito Santo com casos que ganharam destaque na imprensa local.

Élcio Álvares já havia disputado uma vaga na câmara dos deputados em 1966, mas como não tinha base política e era oposição ao então governador, mesmo ficando na primeira suplência não conseguiu tomar posse. Na eleição seguinte, seu apoio foi ampliado, pois acabou capitalizando a insatisfação com o Governador Christiano Dias Lopes Filho e obtendo apoio de lideranças municipais de todo o Espírito Santo. No final, apurados os votos, ele foi o candidato a [[Deputado Federal] mais votado, com mais de 33 mil sufrágios, correspondendo a 13,8 dos votos apurados no Estado. Já eleito para o mandato que começaria em 1971, no final do ano de 1970, Élcio Alvares assumiu o lugar na Câmara como suplente, faltando apenas 12 dias para o fim do período legislativo. No início de 1971, ele retornou a Brasília e assumiu em definitivo o seu lugar na Câmara dos Deputados como o parlamentar mais votado no Estado e, proporcionalmente, um dos mais votados de todo o Brasil. Tendo obtido sucesso na sua segunda empreitada eleitoral, o Deputado Federal Elcio Alvares assumiu o mandato no início de 1971 e, devido à sua experiência e militância como advogado, acabou sendo indicado pelo Líder do Governo, Geraldo Freire, para integrar a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, uma das mais importantes da Casa. Nela, participou ativamente dos trabalhos, como integrante e como relator de vários projetos.

Representando estes municípios, ele levou reivindicações de obras, como asfaltamento de rodovias, construção de infraestrutura, intermediou reivindicações de Prefeitos e entidades e cuidou da defesa de agricultores, professores, farmacêuticos práticos. Toda essa atividade levou-o a ser reconhecido como um dos mais influentes e atuantes Deputados Federais brasileiros pelos jornalistas que cobriam a Câmara dos Deputados. Esta escolha foi feita nos anos de 1972 e 1974. Após quatro anos de muitas atividades como parlamentar, no exercício do mandato que a população do Espírito Santo o haviam conferido, o Deputado Federal Elcio Alvares despediu-se da Câmara no dia 04 de dezembro de 1974, anunciando, da tribuna do Plenário, que deixaria o Parlamento para assumir, no início de 1975, o Governo do Espírito Santo, pois para ele havia sido eleito. Elcio Alvares assumiu o Governo do Espírito Santo diante de um cenário desanimador, com quatro meses de atraso do funcionalismo público, tendo de pagar um aumento que duplicou o valor da folha e não tendo nenhum recurso disponível em caixa. Contando com a parceria do Governo Federal e recebendo suporte do Presidente Ernesto Geisel e do Ministro Golbery do Couto e Silva, Elcio Alvares superou os primeiros problemas, colocando, ainda no início do Governo, o funcionalismo em dia e, desde então, nunca mais atrasando os salários, que tinham cronogramas anuais de pagamento, com o dia de depósito sendo fixado neste calendário.

Ao longo dos seus quatro anos de Governo, Elcio Alvares concedeu reajustes de mais de 430% aos servidores capixabas, mantendo o pagamento dos salários absolutamente em dia, além de gerar recursos de caixas que permitiram um ousado plano de investimentos em rodovias, escolhas, centros de saúde e a implantação do que é, até hoje, marco da gestão pública no Espírito Santo: a Terceira Ponte, a Rodoviária de Vitória, a Rodovia do Sol, a construção do Centro de Reabilitação Físico e Motora de Vila Velha, a construção de quase toda a Segunda Ponte e a conclusão do Porto de Capuaba. Foi no Governo de Elcio Alvares que ficou definida a implantação no Espírito Santo da Companhia Siderúrgica de Tubarão e de outros grandes investimentos, que ajudaram no desenvolvimento do Espírito Santo. Além disso, no seu Governo foram construídas de milhares de casas e apartamentos para os capixabas dentro do programa de habitação do Governo Federal. No setor de saneamento, os investimentos ultrapassaram os Cr$ 1,2 bilhão e quantia semelhante foi investida pela Companhia Habitacional do Espírito Santo (Cohab-ES) em habitações voltadas para as camadas de mais baixa renda.

Apesar de ter ampla simpatia popular, como mostravam as pesquisas de opinião pública da época, Elcio Alvares não tinha o apoio e a simpatia do seu sucessor. O candidato do Governador ao Palácio Anchieta era o médico Carlito von Schilgen, que fora Vice-Governador de Elcio Alvares. Os dois foram para a disputa na convenção da ARENA que escolheria o candidato do partido ao Governo. Com o peso do Governo a seu favor, Carlito acabou ganhando a convenção e enfrentou nas urnas o então Deputado Federal Gerson Camata, que saiu como candidato de oposição, concorrendo ao Governo pelo MDB.

Foi a campanha do “Volta, Elcio”, cuja música foi cantada em todo o Espírito Santo e uma das mais memoráveis campanhas eleitorais que o Estado já teve e que ficou na lembrança do povo. O jingle dizia, dentre outras coisas, que o povo queria Elcio Alvares de volta ao Governo e as pesquisas de opinião pública pareciam confirmar isso, com o candidato conseguindo largas margens na preferencia popular sobre o seu adversário político. Com o envolvimento popular, a eleição era dada como certa pelos meios de comunicação e pelos analistas políticos do Estado. O Brasil vivia o momento da hiperinflação, com preços sendo remarcados todos os dias, com o valor do dinheiro diminuindo a cada hora. Qualquer medida de estabilização de preços ganhava o apoio popular e faltando pouco mais de dois meses para a eleição, o então Presidente José Sarney anunciou a instituição de plano que congelava os preços, garantindo a manutenção do poder aquisitivo da população e evitava qualquer tipo de remarcação de produtos. Chamado de Plano Cruzado, ele foi anunciado como capaz de mudar os rumos do Brasil. O que aconteceu, na verdade, é que mudou os rumos da eleição. O MDB, partido de Sarney, que vinha enfrentando problemas em vários Estados, inclusive o Espírito Santo, venceu a eleição de ponta a ponta. Desde o lançamento do plano, os rumos eleitorais no Estado também mudaram, com o candidato do MDB e do Governo, crescendo, com os índices de Elcio Alvares caindo. Nas ruas, a população continuava cantando o “Volta, Elcio”, mas na hora de votar, o voto foi para o candidato do Governo, que venceu as eleições por pequena margem e chegou ao Palácio Anchieta.

Sem mandato eletivo, Elcio Alvares voltou à advocacia, mas acabou sendo atraído novamente para a política em 1990, quatro anos depois da campanha do Volta, Elcio. Era o momento de uma nova eleição, e o seu partido precisava de um candidato ao Senado Federal. Era o momento, diziam seus aliados, de mostrar que o povo do Estado lhe era grato e essa gratidão seria demonstrada com sua eleição como Senador. De início, ele não queria concorrer, mas acabou sendo convencido e o que se viu, ao final da apuração, é que tivera mais votos do que seus adversários reunidos. Com um novo mandato, ele assumiu o posto de Senador no início de 1991 e, de imediato, transformou-se em integrante da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, devido não só à sua experiência como advogado, mas também devido à sua experiência política. Como aconteceu durante seu mandato na Câmara dos Deputados e no Governo do Estado, Elcio Alvares logo se destacou e foi assumindo mais e mais responsabilidades, não só na Comissão, mas também no Plenário do Senado, tendo sido convidado pelo Senador Marco Maciel para ser um dos Vices-Líderes do Governo.

Outros importantes projetos que Elcio Alvares relatou e ajudou a aprovar no Congresso Nacional foram o que instituiu o Programa de Crédito Educativo, o seguro desemprego, a organização e atribuições do Ministério Público da União e a criação dos Serviços Sociais dos Transportes e Agricultura. Uma das participações mais importantes, no entanto, foi a Presidência da Comissão que estudou o impeachment do então Presidente Fernando Collor. Elcio Alvares comandou todos os trabalhos da Comissão, estabelecendo, junto com o Ministro Sidney Sanches, do Supremo Tribunal Federal todo o rito do processo, indo do recebimento da denúncia contra o Presidente, sua defesa e acusação, até o julgamento, que determinaria o seu afastamento da Presidência da República, o que acabou não acontecendo devido à sua renúncia ao cargo.

Com o destaque conseguido no Senado Federal, onde foi considerado pelo DIAP um dos mais importantes parlamentares federais, Elcio Alvares foi indicado Ministro da Indústria, Comércio e Turismo do Presidente Itamar Franco, fazendo parceria com o Ministro Fernando Henrique Cardoso na montagem e criação do Plano Real. Cumprido o seu termo como Ministro, retornou ao Congresso e, com a posse de Fernando Henrique Cardoso no Governo Federal, foi convidado para ser o Líder do Presidente no Senado Federal, cargo que exerceu por todo o mandato presidencial. Como Líder, Elcio Alvares ajudou a aprovar medidas importantes para a estabilização do país e seu desenvolvimento, como a quebra parcial do monopólio do petróleo, que permitiu a licitação de campos petrolíferos, aumentando a produção brasileira e praticamente acabando com a dependência do petróleo estrangeiro. Foi também na gestão de Elcio Alvares no Ministério da Indústria, Comércio e Turismo que foi instituída a Política Nacional de Turismo cujo objetivo era o de ampliar o turismo interno no Brasil, partindo do princípio que a atividade é uma das que mais geram renda e empregos. Para divulgar o Brasil, o Ministro viajou aos Estados Unidos e Japão, participando de feiras e eventos em que as belezas do país foram divulgadas. Ao final do Governo Itamar Franco, Elcio Alvares voltou ao Senado Federal, reassumindo o mandato. No exercício da liderança, Elcio Alvares ajudou a aprovar, ainda, a flexibilização no monopólio das telecomunicações, permitindo a modernização das comunicações no Brasil e, sobretudo, o grande avanço da telefonia celular, feita a partir do Governo de Fernando Henrique Cardoso. Outra legislação cuja aprovação Elcio Alvares supervisionou foi o Código de Trânsito. Não conseguindo se reeleger Senador, Elcio Alvares havia decidido retornar ao Espírito Santo e, como já acontecera depois de mandatos anteriores, reassumir a advocacia, sua profissão de origem. O plano acabou sendo frustrado pelo convite do Presidente Fernando Henrique Cardoso para que coordenasse a implantação do Ministério da Defesa no Brasil.

Em 2007, eleito Deputado Estadual pelo Democratas, Elcio Alvares assumiu o mandato e, logo de início, foi escolhido Líder do Governo Paulo Hartung e já no posto ajudou a articular a eleição da Mesa da Assembleia Legislativa. Como Líder, nos dois primeiros anos do mandato, ele participou de todas as decisões e votações importantes do Legislativo Estadual, contribuindo para o bom desempenho do Governo. Com o apoio dos colegas Deputados, em 2009 Elcio Alvares foi eleito Presidente da Assembleia Legislativa. Foi a primeira vez na história do Espírito Santo que um Deputado foi eleito por unanimidade para esta função. Na Presidência, adotou medidas que ampliaram a transparência do Legislativo, promoveu reforma administrativa que acabou com cargos comissionados e instituiu cargos efetivos, só preenchidos por concurso, além de outras medidas administrativas para agilizar os trabalhos legislativos e aperfeiçoar e melhorar a área administrativa. Em 2010 foi reeleito deputado estadual.

Fonte: [[2]]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Artur Carlos Gerhardt Santos
Governador do Estado do Espírito Santo
1975 — 1979
Sucedido por
Eurico Resende
Precedido por
Ailton Barcelos Fernandes
Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo
1994 — 1995
Sucedido por
Dorothea Werneck
Precedido por
Ministro da Defesa do Brasil
1999 — 2000
Sucedido por
Geraldo Magela da Cruz Quintão


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