Étienne Balibar

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Étienne Balibar, 2011

Étienne Balibar (Avallon, Yonne, 23 de abril de 1942) é um filósofo e professor universitário francês. Até 2002, ensinou Filosofia Política e Moral na Universidade Paris Oeste Nanterre La Défense (antes Universidade Paris X - Nanterre), da qual é professor emérito .

Atualmente leciona francês, italiano e Literatura Comparada e é professor associado do departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos. Foi também professor visitante do Departamento de Francês e Filologia Românica da Universidade Columbia. [1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Graduado em filosofia na Sorbonne em 1962, no ano seguinte otém seu DSS (diplôme d'études supérieures), sob a orientação de Georges Canguilhem, na mesma universidade. [2]

Em 1960, Étienne Balibar ingressa na École normale supérieure, onde teve como professor Louis Althusser, que viria a ter uma grande influência sobre ele. Em 1961, estava entre os opositores da guerra da Argélia. Nessa ocasião, adere ao Partido Comunista.

Em 1964, é classificado em primeiro lugar no disputado concurso para o magistério do ensino público secundário (agrégation) de filosofia (à frente de seu colega Jacques Rancière). No ano seguinte, vai para a Argélia, como voluntário do Serviço Nacional da Cooperação, atuando na Universidade de Argel, como assistente, de 1965 a 1967.

Em 1981, é expulso do Partido Comunista, após publicar o artigo De Charonne à Vitry, [3] na revista Nouvel Observateur. No texto, Balibar denuncia o racismo presente no PCF, citando a iniciativa do prefeito comunista de Vitry-sur-Seine, de mandar uma escavadeira obstruir a entrada de uma pensão habitada por trabalhadores malineses[4] . Também enumera os erros do partido, notadamente suas ambiguidades em relação aos estrangeiros, e o "espantoso culto da personalidade de "Georges"".[3] O artigo é uma carta de ruptura, um adeus metódico. Na semana seguinte, l'Humanité anuncia, em primeira página, a exclusão de Balibar dos quadros do PCF.[5] .

Em 1982, cria, com Dominique Lecourt a coleção Pratiques théoriques na editora Presses universitaires de France.

Em 1987, obtém seu doutorado em filosofia (cum laude), na Katholieke Universiteit Nijmegen (Bélgica), com a tese intitulada "La contradiction infinie : éléments d'une philosophie dans l'histoire".[2]

Balibar é, há vários anos, um militante pela causa palestina[6] e faz parte do comitê de apoio ao Tribunal Russell sobre a Palestina [7] cujos trabalhos tiveram início em 4 de março de 2009.

Também tem atuado em favor dos imigrados clandestinos, que ele designa como "proletários em sentido estrito". Defende o direito à cidadania dos estrangeiros na Europa e afirma que "a fronteira é, assim como o exército e a polícia, uma instituição não democrática que, paradoxalmente, acompanha a soberania do povo". [8]

Étienne Balibar é casado com a física e historiadora da ciência Françoise Balibar . É pai da atriz Jeanne Balibar.

Principais obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • 1965 : Lire le Capital (com Louis Althusser, Pierre Macherey, Jacques Rancière, Roger Establet), Éditions François Maspero.
  • 1974: Cinq études du matérialisme historique, F. Maspero.
  • 1976: Sur la dictature du prolétariat, F. Maspero
  • 1985: Spinoza et la politique, P.U.F.
  • 1988: Race, Nation, Classe, com Immanuel Wallerstein). La Découverte.
  • 1991: Écrits pour Althusser, La Découverte.
  • 1997: La Crainte des masses. Politique et philosophie avant et après Marx, Galilée.
  • 1998: Droit de cité. Culture et politique en démocratie, Editions de l'Aube (reedição aumentada, em 2002, Presses Universitaires de France, Collection Quadrige)
  • 1999: Sans-papiers : l’archaïsme fatal, La Découverte.
  • 2001: Nous, citoyens d’Europe ? Les frontières, l’État, le peuple, La Découverte.
  • 2003: L'Europe, l'Amérique, la Guerre. Réflexions sur la médiation européenne, La Découverte.
  • 2005: Europe, Constitution, Frontière, éditions du Passant, Bordeaux.

Referências

  1. Página de Etienne Balibar no site do Departamento de Francês e Filologia Românica da Universidade Columbia.
  2. a b (em francês) Biografia e bibliografia detalhada no site da Universidade de Paris X-Nanterre
  3. a b Étienne Balibar, De Charonne à Vitry. Centre international d'étude de la philosophie française contemporaine (CIEPFC)
  4. Pierre Sauvêtre e Cécile Lavergne, Pour une phénoménologie de la cruauté. Entretien avec Étienne Balibar; Tracés - Revue de Sciences humaines, 19/2010.
  5. Eric Aeschimann, Balibar, le philosophe de l'égaliberté. Nouvel Observateur, 5 de outubro de 2011
  6. Etienne Balibar, Universalité de la cause palestinienne, Le Monde diplomatique, maio de 2004
  7. Russell Tribunal on Palestine. Members of the Support Committee
  8. Etienne Balibar : “La condition d’étranger se définit moins par le passeport que par le statut précaire”. Entrevista concedida a Catherine Portevin e Mathilde Blottière. Télérama, 24 de abril de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]