Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal

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O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM)[1] analisa o desenvolvimento socioeconômico de cada um dos mais de 5 mil municípios brasileiros, em três áreas: Emprego & Renda, Educação e Saúde. Elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados oficiais disponibilizados pelos Ministérios da Economia, da Educação e da Saúde, o IFDM possibilita recorte municipal, estadual, regional, nacional, por áreas de interesse, entre outros.[2]

Abrangência[editar | editar código-fonte]

O IFDM analisa o desenvolvimento socioeconômico de todos os municípios brasileiros.[3]

Indicadores[editar | editar código-fonte]

O estudo é composto por três indicadores:

Emprego & Renda[editar | editar código-fonte]

O foco é no mercado formal de trabalho, analisando geração de emprego com carteira assinada, taxa de formalização do mercado de trabalho, geração de renda, massa salarial real no mercado de trabalho formal, Índice de GINI de desigualdade de renda no trabalho formal. A fonte dos dados é o Ministério da Economia, que incorporou o extinto Ministério do Trabalho.

Educação[editar | editar código-fonte]

As informações utilizadas para análise são atendimento à educação infantil e cinco dados a respeito do Ensino Fundamental: abandono, distorção idade-série, docentes com ensino superior, média de horas-aula diárias, resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os dados trabalhados são do Ministério da Educação.

Saúde[editar | editar código-fonte]

São considerados os seguintes componentes: proporção de atendimento adequado de pré-natal, óbitos por causas mal definidas, óbitos infantis por causas evitáveis e Internação Sensível à Atenção Básica (Isab). A fonte dos dados é o Ministério da Saúde.

Metodologia e leitura[editar | editar código-fonte]

O IFDM utiliza como referência para a metodologia as metas e parâmetros nacionais e o padrão de desenvolvimento encontrado em países mais avançados. O estudo disponibiliza dados a partir de 2005 e permite que cada município seja analisado de forma independente ou comparado aos demais, com os indicadores “Emprego & Renda”, “Educação” e “Saúde” agregados ou separados, e ao longo dos anos.

O índice varia de 0 a 1 ponto, sendo que quanto mais próximo de 1 maior o desenvolvimento socioeconômico do município. Com base na pontuação alcançada, cada um deles é classificado nos conceitos de alto desenvolvimento, com resultados superiores a 0,8 ponto; desenvolvimento moderado, entre 0,8 e 0,6 ponto; desenvolvimento regular, entre 0,6 e 0,4 ponto; ou baixo desenvolvimento, inferiores a 0,4 ponto.

Recortes e resultados[editar | editar código-fonte]

Alguns resultados IFDM 2018 / Ano-base 2016:

Nacional / Geral[editar | editar código-fonte]

A edição do IFDM 2018, ano base 2016, traz comparações com outros anos da série histórica, iniciada em 2005, e mostra o impacto da crise econômica no desenvolvimento dos municípios brasileiros.[4] O IFDM voltou a subir em 2016, interrompendo uma série de duas quedas seguidas, e alcançou 0,6678 ponto.

A análise de anos anteriores mostra que, a partir de 2014, o país mergulhou em uma forte recessão, o que fez com que os indicadores de mercado de trabalho acumulassem perdas recordes. Com isso, em 2015, o IFDM Brasil recuou ao menor nível desde 2011, refletindo, sobretudo, o desempenho negativo da vertente Emprego & Renda,[5] que anulou o progresso observado nas áreas de Educação e Saúde.

Essa crise custou ao menos três anos ao desenvolvimento dos municípios[6]. Então, em 2016, o IFDM Brasil ficou abaixo do nível observado em 2013[7], apesar do crescimento, inclusive nas três vertentes que compõem o estudo.

Por vertente[editar | editar código-fonte]

·        Educação – Brasil tem 1/5 das crianças em idade pré-escolar fora das salas de aula.[8]

·       Emprego & Renda – Crise pode causar década perdida no mercado de trabalho das cidades.[9]

·       Saúde – Rio Grande do Sul e Paraná lideram em cidades com a saúde mais desenvolvida do Brasil.[10]

Por município[editar | editar código-fonte]

·        Florianópolis é a capital com melhor desenvolvimento socioeconômico do país.[11]

·        Rio é a capital que mais perdeu posições na recessão.[12]

·        Londrina, no Paraná, sobe 74 posições no IFDM 2018.[13]

·        Itaperuna e Nova Friburgo se destacam no estado do Rio.[14]

·        Região de Campinas tem 11 cidades entre as 100 mais desenvolvidas.[15]

·        Andradas é a cidade mais bem colocada do Sul de Minas Gerais.[16]

·        As 100 cidades mais desenvolvidas do Brasil.[17]

Por estado[editar | editar código-fonte]

·        91,8% das cidades do Ceará têm desenvolvimento socioeconômico alto ou moderado.[18]

·        99% dos municípios paulistas têm desenvolvimento alto ou moderado.[19]

·        Número de municípios do estado do Rio com alto rendimento cai entre 2013 e 2016.[20]

Por região[editar | editar código-fonte]

·        Região Centro-Oeste se destaca na vertente Emprego & Renda.[21]

·        Nordeste tem apenas 1,6% das cidades mais desenvolvidas do país.[22]

·        Sul e Sudeste concentram 91% dos municípios mais desenvolvidos.[23]

Análise especial[editar | editar código-fonte]

Dois “Brasis” – O Brasil continua sendo um país fortemente dividido,[24] com extremos cada vez mais evidentes. O Sul continua sendo a região mais desenvolvida, com 98,8% dos municípios classificados com desenvolvimento moderado ou alto e nenhum classificado em baixo desenvolvimento. A região Sudeste tem perfil semelhante. Já entre as 100 cidades mais bem colocadas, 58 estão no estado de São Paulo.[25]

O Centro-Oeste alcançou o padrão Sul-Sudeste, com 92,4% dos municípios com desenvolvimento moderado ou alto e nenhum com baixo desenvolvimento. Já as regiões Norte e Nordeste tiveram, respectivamente, 60,2% e 50,1% das suas cidades com desenvolvimento regular ou baixo e juntas respondem por 87,2% do total de municípios nessas classificações.[26]

O ranking dos 500 mais desenvolvidos (Top 500) foi composto, essencialmente, por municípios das regiões Sudeste (50%) e Sul (41%). A região Centro-Oeste ficou com 7% das cidades. O Nordeste ocupou apenas oito posições entre os 500 maiores IFDMs do país. Já na região Norte, apenas a capital do Tocantins, Palmas, ficou entre os 500 maiores. No grupo dos 500 municípios menos desenvolvidos, o domínio é das regiões Nordeste (68%) e Norte (28%). A região Sudeste ficou com apenas 2,6% dos municípios nessa lista e o Centro-Oeste com 1%, ao passo que o Sul não teve nenhuma cidade entre os piores IFDMs do país.[27]

Declaração de dados[editar | editar código-fonte]

O ranking geral compreende 5.471 cidades brasileiras, onde vivem 99,5% da população. Foram excluídos da análise os novos municípios para os quais ainda não existiam dados. São eles: Pescaria Brava e Balneário Rincão, em Santa Catarina; Mojuí dos Campos, no Pará; Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul; e Paraíso das Águas, no Mato Grosso do Sul, que eram distritos e foram emancipados em 2013. Também foram excluídos 94 municípios em que foram observadas ausência, insuficiência ou inconsistência de dados.

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. Oliveira, Nielmar (28 de junho de 2018). «Índice que mede desenvolvimento dos municípios cresce em 2016». Agência Brasil. Consultado em 21 de abril de 2021 
  2. «Nível de desenvolvimento dos municípios brasileiros retrocedeu três anos». G1. 28 de junho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  3. Costa, Daiane (28 de junho de 2018). «Saiba quais são as cidades brasileiras com os melhores índices de desenvolvimento, segundo a Firjan». O Globo. Consultado em 21 de abril de 2021 
  4. Pereira, Renée (28 de junho de 2018). «Crise derruba índice de desenvolvimento dos municípios para nível abaixo de 2013». O Estado de S.Paulo. Consultado em 21 de abril de 2021 
  5. Carro, Rodrigo (29 de junho de 2018). «Municípios vão levar 10 anos para recuperar perdas entre 2013 e 2016». Valor Econômico. Consultado em 21 de abril de 2021 
  6. Lima, Flavia (28 de junho de 2018). «Crise tirou três anos de desenvolvimento das cidades brasileiras, diz Firjan». Folha de S. Paulo. Consultado em 21 de abril de 2021 
  7. Pereira, Renée (28 de junho de 2018). «Crise derruba índice de desenvolvimento dos municípios para nível abaixo de 2013». Portal Terra. Consultado em 21 de abril de 2021 
  8. Costa, Daiane (28 de junho de 2018). «Brasil tem 1/5 das crianças em idade pré-escolar fora das salas de aula». O Globo. Consultado em 21 de abril de 2021 
  9. Caleiro, João Pedro (28 de junho de 2018). «Crise pode causar década perdida no mercado de trabalho das cidades». Exame. Consultado em 21 de abril de 2021 
  10. Calegari, Luiza (7 de julho de 2018). «As cidades com a saúde mais desenvolvida do Brasil — RS e PR lideram». Exame. Consultado em 21 de abril de 2021 
  11. «Florianópolis é a 1ª colocada em desenvolvimento entre as capitais, revela Firjan». G1. 28 de junho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  12. Costa, Daiane;, Santos, Ana Carolina (28 de junho de 2018). «No ranking do desenvolvimento, Rio é a capital que mais perdeu posições na recessão». O Globo. Consultado em 21 de abril de 2021 
  13. Bortolin, Nelson (6 de julho de 2021). «Londrina sobe 74 posições em ranking de desenvolvimento». Folha de Londrina. Consultado em 21 de abril de 2021 
  14. Faccioli, Cesar (29 de junho de 2018). «Firjan aponta Itaperuna e Nova Friburgo como destaques no Estado - Eu, Rio!». Eu, Rio!. Consultado em 21 de abril de 2021 
  15. «Com Louveira em 1º lugar no Brasil, região de Campinas tem 11 cidades entre as 100 mais desenvolvidas, aponta Firjan». G1. 2 de julho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  16. «Andradas é a cidade melhor colocada do Sul de MG no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal». G1. 3 de julho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  17. «As 100 cidades mais desenvolvidas do Brasil». Época Negócios. 29 de junho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  18. «Mais de 91% das cidades do Ceará têm desenvolvimento socioeconômico alto ou moderado». O Povo. 28 de junho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  19. Boehm, Camila (28 de junho de 2018). «São Paulo: 99% dos municípios têm desenvolvimento alto ou moderado». Agência Brasil. Consultado em 21 de abril de 2021 
  20. Oliveira, Nielmar (28 de junho de 2018). «Rio: número de municípios com alto rendimento cai entre 2013 e 2016». Agência Brasil. Consultado em 21 de abril de 2021 
  21. Carro, Rodrigo (29 de junho de 2018). «Agronegócio impulsiona renda e emprego no Centro-Oeste». Valor Econômico. Consultado em 21 de abril de 2021 
  22. Jr., Marco Antônio (30 de junho de 2018). «NE tem apenas 1,6% das cidades mais desenvolvidas do País». A Tarde. Consultado em 21 de abril de 2021 
  23. Vilela, Pedro Rafael (28 de junho de 2018). «Sul e Sudeste concentram 91% dos municípios mais desenvolvidos». Agência Brasil. Consultado em 21 de abril de 2021 
  24. «País dividido pela desigualdade». Diário da Amazônia. 1 de julho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021 
  25. Abrantes, Talita (29 de junho de 2018). «As 100 cidades mais desenvolvidas do Brasil, segundo a FIRJAN». Exame. Consultado em 21 de abril de 2021 
  26. Camarotti, Gerson (28 de junho de 2018). «Crise econômica impede redução da desigualdade entre regiões do país, aponta pesquisa da Firjan». G1. Consultado em 21 de abril de 2021 
  27. «Os lados extremos da desigualdade». Diário de Pernambuco. 29 de junho de 2018. Consultado em 21 de abril de 2021