Óbolo de Caronte

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Caronte e Psique (1883), interpretação Pré-Rafaelista do mito por John Roddam Spencer Stanhope
Óbolo ateniense cunhado c. 454-404 a.C.. Nele há a efígie de Atena e a coruja

Óbolo de Caronte é um termo alusivo para uma moeda colocada em ou sobre a boca de um defunto antes de seu sepultamento. As fontes literárias gregas e romanas especificam a moeda como um óbolo, e explicam-o como um pagamento para Caronte, o barqueiro que conduzia as almas através do rio que dividia o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Exemplos arqueológicos destas moedas, de várias denominações na prática, tem sido chamados "os mais famosos bens mortuários da Antiguidade".[1]

O costume é primariamente associado com os antigos gregos e romanos, embora é também encontrado no Antigo Oriente Próximo. Na Europa Ocidental, um uso similar de moedas em enterros ocorre em regiões habitadas por celtas e as culturas galo-romanos, hispano-romanos e romano-britânicas e entre os germânicos da Antiguidade Tardia e o começo da era cristã, com exemplos esporádicos no começo do século XX.

Embora a arqueologia tenha demostrado que o mito reflete um costume real, a colocação de moedas com o morto não era nem difundida nem confinado a uma única moeda na boca do falecido.[2][3] Em muitos túmulos, tabuletas de folhas de metal inscritos ou exonúmios tomaram o lugar da moeda, ou cruzes de folhas de ouro no começo da era cristã. A presença de moedas ou um tesouro escondido em barcos funerários germânicos sugerem um conceito análogo.

A frase "óbolo de Caronte" como utilizada pelos arqueólogos às vezes pode ser entendida como referência a um rito religioso particular, mas frequentemente serve como um tipo de taquigrafia para cunhagem abreviada para cunhagem como bens mortuários presumidos para promover a passagem do falecido à vida após a morte.[1] No latim, óbolo de Caronte às vezes chama-se viático, ou "sustento para a jornada"; a colocação da moeda sobre a moca também tem sido explicada como um selo para proteger a alma do morto ou evitar seu retorno.

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Óbolos de Caronte
Óbolo de Caronte. século V-I a.C.. Estas pseudo-moedas não tem sinais de ligação, são muito finas para uso normal e são frequentemente encontradas em sítios mortuários.
Dracma do mar Negro do final ou meados do século IV a.C. com efígie de Medusa, de um tipo às vezes utilizado como óbolo de Caronte, com âncora e crustáceo no reverso.

A moeda de Caronte é convencionalmente referida na literatura grega como um óbolo (em grego: ὀβολός; transl.: obolós), uma das denominações básicas da cunhagem grega antiga, que valia dum dracma, dependendo se o padrão utilizado era cobre ou prata.[4][a] Entre os gregos, moedas em túmulos também são às vezes uma dânaca (em grego: δανάκη; transl.: danakē) ou outra denominação relativamente pequena em ouro, prata, bronze ou cobre de uso local. Na literatura romana, a moeda é geralmente de bronze ou cobre.[5][6][7][8] Do século VI ao IV a.C., na região do mar Negro, moedas de baixo valor descrevendo pontas de flechas ou golfinhos estavam em uso principalmente para o propósito de "troca local e para servir como óbolo de Caronte".[9] O pagamento é por vezes especificado com os termos "naulo" (em grego: ναῦλον; transl.: naulon; em latim: naulum , lit. "taxa do barco"), "portmeu" (em grego: πορθμήϊον/πορθμεῖον; transl.: porthmeion , lit. "taxa para transporte") e "portório" (em latim: portorium , lit. "pedágio da hidrovia").

A palavra "naulo" é definida pelo lexicógrafo da era cristã Hesíquio de Alexandria como a moeda colocada na boca do morto; um dos significados de dânaca é dado como "o óbolo para o morto". a Suda define dânaca como uma moeda tradicionalmente enterrada com o morto para pagamento do barqueiro para cruzar o rio Aqueronte,[2][10] e explica a definição de portmeu como uma taxa do barqueiro com uma citação do poeta Calímaco, que nova o costume de carregar o portmeu na "ressequidas bocas dos mortos".[11]

Óbolo de Caronte como viático[editar | editar código-fonte]

No latim, o óbolo de Caronte é por vezes chamado viático (em latim: viaticum),[8][b] que no uso cotidiano significa "provisão para uma jornada", abrangendo alimentos, dinheiro e outros suprimentos. A mesma palavra pode referir-se ao subsídio de subsistência concedido para aqueles despojados de sua propriedade e condenados ao exílio,[12][13] e por extensão metafórica ao preparo para a morte no fim da jornada da vida.[14][15] Cícero, em seu diálogo filosófico Sobre a Velhice (44 a.C.) no qual tem o interlocutor Catão, o Velho, combina duas metáforas — aproximação do fim da jornada, e amadurecimento do fruto — ao falar da aproximação da morte:

Esqueleto romano com um óbolo (dupôndio de Antonino Pio) na boca
Eu não entendo qual cobiça deveria querer para si na velhice; para poder qualquer coisa ser mais tolo que adquirir mais provisões (viático) com menos da jornada restando?[16][c] [...] Frutas, se estão verdes, podem dificilmente ser arrancadas das árvores; se elas estão maduras e suavizadas, elas caem. Da mesma forma, violência remove a vida dos jovens; velhos, a plenitude do tempo. Para mim isso é são ricamente gratificante que, mais próximo eu aspirar a morte, eu pareço dentro da vista de terra firme, como se, num momento marcado, eu entrarei no porto após uma longa viagem.[17]

Com base neste sentido metafórico de "provisão para a jornada na morte", o latim eclesiástico pegou emprestado o termo viático para a forma da eucaristia que é colocada na boca duma pessoa que está morrendo como provisão para a passagem da alma para a vida eterna.[18][19] A mais antiga evidência literária deste uso cristão aparece no relato de Paulino de Nola da morte do santo Ambrósio de Milão em 397.[20][21][d] O Sínodo da Hibérnia oferece uma explicação etimológica: "esta palavra 'viático' é o nome da comunhão, que é dizer, 'a tutela do caminho', pois guarda a alma até dever estar diante da cadeira de julgamento de Cristo."[22][23] Tomás de Aquino explica o termo como "uma prefiguração da fruta de Deus, que estaria na terra prometida. E devido a isso é chamada o viático, uma vez que nos proporciona a maneira de chegar lá"; a ideia dos cristãos como "viajantes na procura da salvação" encontra expressão precoce nas Confissões de Santo Agostinho.[24][25][26]

Uma palavra equivalente grega é "efódio" (em grego: ἐφόδιον; transl.: ephódion); como viático, a palavra era utilizada na Antiguidade para significar "provisão para uma jornada" (literalmente, "algo para a estrada," do prefixo ἐπ-, "sobre" + ὁδός, "estrada, caminho")[27] e mais tarde na literatura patrística grega para a eucaristia administrada no momento da morte.[18]

Na literatura[editar | editar código-fonte]

Caronte recebendo uma criança (desenho baseado na cena de um lécito)[28]

As fontes literárias greco-romanas do século V a.C. até o II d.C. são consistente na atribuição de quatro características para o óbolo de Caronte:

  • É uma moeda de baixa denominação;
  • É colocada na boca;
  • A colocação ocorre no tempo da morte;
  • Representa uma taxa do barco.[29]

Epigramas gregos que eram versões literárias de epitáfios referem-se ao "óbolo que paga a passagem do falecido," com alguns epigramas referindo-se a crença ao zombá-la e desmenti-la.[30] O satirista Luciano de Samósata afirma que Caronte, num diálogo de mesmo nome, coleta "um óbolo de todos que fazem a jornada para baixo."[31] Numa elegia de consolação que fala duma mulher morta, o poeta augustano Propércio expressa a finalidade da morte pelo pagamento dela da moeda de bronze ao coletor da taxa infernal (portidor).[6][32] Vários outros autores mencionam a taxa. Frequentemente, um autor usa o baixo valor da moeda para enfatizar que a morte não faz distinção entre rico e pobre; todos devem pagar o mesmo, pois todos podem morrer, e uma pessoa rica pode tomar nenhuma quantidade maior para a morte:[33]

Minha bagagem é apenas um franco, uma carteira, um relógio velho, e o óbolo que paga a passagem do falecido.[34]

A incongruência do pagamento que é, em efeito, a admissão para o Inferno, encorajou um tratamento cômico ou satírico, e Caronte como um barqueiro que deve ser persuadido, ameaçado ou comprado para fazer seu trabalho parecer ser uma construção literária que não é refletida na arte clássica antiga. Christiane Sourvinou-Inwood mostrou que em descrições de Caronte do século V a.C., como sobre os vasos funerários chamados lécitos, ele é uma presença não ameaçadora ou mesmo tranquilizadora que guia mulheres, adolescentes e crianças para a vida após a morte.[35][e] Humos, como uma catábase cômica no As Rãs de Aristófanes, "faz a jornada para Hades menos ameaçadora por articulá-la explicitamente e trivializá-la." Aristófanes faz piada sobre a taxa, e um personagem reclama que Teseu deve tê-lo introduzido, caracterizando o herói ateniense em seu papel de organizador da cidade como um burocrata.[36]

Luciano satiriza o óbolo em seu ensaio Sobre Funerais:

Tão completamente tomadas estão as pessoas por tudo isso que quando alguém da família morre, imediatamente elas trazem um óbolo e colocam-o em sua boca para pagar o barqueiro para levá-lo, sem considerar que tipo de cunhagem é comum e corrento no mundo inferior e se é o óbolo ateniense ou macedônio ou egineta que é curso forçado lá, nem de fato que ele seria muito melhor não para pagar a taxa, uma vez que naquele caso o barqueiro não levaria-os e eles seria escoltados para a vida novamente.

[37][38]

Em outro trabalho satírico de Luciano, os Diálogos da Morte, um personagem chamado Menipo morreu recentemente e Caronte está pedindo por um óbolo de modo a carregá-lo através do rio do submundo, Menipo recusa-se a pagar o óbolo, e consequentemente entra o mundo da morte alegando que:

Você não pode obter sangue [ou seja, óbolos] duma pedra [ou seja, de quem não o tem][39]

Evidência arqueológica[editar | editar código-fonte]

O uso de moedas como bens mortuários mostra uma variedade de práticas que lança dúvidas sobre a exatidão do termo "óbolo de Caronte" como uma categoria interpretativa. A frase continua em uso, contudo, para sugerir o ritual ou significância religiosa da moeda no contexto funerário. As moedas são encontradas em túmulos gregos pelo século V a.C., tão longo quando a Grécia foi monetizada, e aparecem por todo o Império Romano no século V, com exemplos em conformidade com o óbolo de Caronte tão longe quanto a Península Ibérica no oeste, a Grã-Bretanha no norte, e o rio Vístula, na atual Polônia, no leste.[40]

Mandíbulas de caveiras encontradas em certos túmulos da Britânia romana estão esverdeados devido o contato com moeda de cobre; moedas romanas são encontradas mais tarde nos túmulos anglo-saxões, mas frequentemente perfuradas para serem utilizadas como amuletos ou colares.[41][42][f] Entre os gregos antigos, apenas aproximados 5 a 10% dos túmulos conhecidos continham alguma moeda; em alguns cemitérios de cremação romanos, contudo, ao menos metade dos túmulos abrigavam-as. Muitas, senão a maioria, destas ocorrências estão segundo o mito do óbolo de Caronte, seja no número das moedas ou em seu posicionamento. Variações no posicionamento e número são características em todos os períodos e lugares.[43]

Mundo helenizado[editar | editar código-fonte]

Lécito de fundo branco (c. 450 a.C.), Hermes Psicopompo prepara uma mulher para sua jornada para a vida após a morte

Algumas das moedas mais antigas dos túmulos do mar Mediterrâneo foram encontrados em Chipre. Em 2001, Destrooper-Georgiades, um especialista em numismática aquemênida, disse que investigações em 33 túmulos revelaram 77 moedas. Embora de denominação variada, como acontece com o número em qualquer túmulo, pequenas moedas predominam. Elas começaram a ser depositadas nos sepulcros quase tão logo quando começaram a circular na ilha no século VI a.C., e algumas antecedem a primeira emissão do óbolo e qualquer referência literária à taxa de Caronte.[44] Embora apenas uma pequena porcentagem de túmulos gregos contêm moedas, entre estes há exemplos difusos duma única moeda posicionada na boca da caveira ou com restos de cremação. Em urnas de cremação, a moeda por vezes adere à mandíbula da caveira.[45]

Em Olinto, 136 moedas (principalmente de bronze, mas algumas de prata) foram encontradas com os sepulcros; em 1932, arqueólogos relataram que 20 túmulos continham quatro moedas de bronze cada um, que eles acreditaram eram destinadas para a colocação na boca.[46] Alguns em Olinto continham duas moedas, mas mais frequentemente uma única moeda de bronze foi posicionada na boca ou dentro da cabeça do esqueleto. Em túmulos do período helenístico num cemitério de Atenas, moedas, geralmente de bronze, foram encontradas mais frequentemente na boca do falecido, embora às vezes na mão, solta no túmulo ou em um vaso.[1][47] Em Chania, originalmente o assentamento minoico de Cidônia, em Creta, um túmulo datando da segunda metade do século III a.C. abrigava uma rica variedade de bens tumulares, incluindo finas joias em ouro, uma bandeja de ouro com a imagem dum pássaro, um vaso de argila, um espelho de bronze, uma estrígil de bronze e um "óbolo de Caronte" de bronze descrevendo Zeus.[48] Em escavações de 91 túmulos num cemitério em Anfípolis durante meados para finais dos anos 1990, a maioria dos mortos foram encontrados com uma moeda na boca. Os túmulos datam do século IV para o final do II a.C..[49]

Um notável uso duma dânaca ocorreu no túmulo duma mulher do século IV a.C. na Tessália, uma provável iniciada nos mistérios órficos ou dionisíacos. A parafernália religiosa dela inclui tabletes de ouro inscritos com instruções para a vida após a morte e uma figura em terracota dum adorador báquico; sobre os lábios dela foi colocada uma dânaca de ouro estampada com a cabeça da Górgona.[50] Moedas começaram a aparecer com maior frequência nos túmulos durante o século III a.C., junto com grinaldas de ouro e unguentários planos (pequenas garrafas para óleo) em substituição aos mais antigos lécitos. Lécitos em figuras negras frequentemente descreviam cenas dionisíacas; os posterior vasos de fundo branco frequentemente mostram Caronte, geralmente com seu bastão, mas raramente (ou duvidosamente) aceitando a moeda.[51][52][53][g]

A região do mar Negro também produziu alguns exemplos do óbolo de Caronte. Em Apolônia Pôntica, o costume foi praticado de meados do século IV a.C.; no cemitério, por exemplo, 17% dos túmulos continham pequenas moedas locais de bronze na boca ou cabeça dos defuntos.[54] Durante as escavações de 1998 de Pichunari na costa da atual Geórgia, sete túmulos continham uma moeda, e dois um par delas. As moedas, trióbolos de prata da cunhagem colca local, estavam localizadas próximo a boca, com a exceção duma que estava próximo da cabeça. É incerto, contudo, se os mortos eram colcas ou gregos. Os arqueólogos que investigaram-os não consideram a prática como típica da região, mas especulam que a geografia local prestou-se a adaptar o mito grego, como corpos dos mortos na realidade tendo que ser transportados através do tio da cidade para o cemitério.[55]

Oriente Próximo[editar | editar código-fonte]

Antigos ossuários judeus dentro dos quais às vezes encontra-se moedas junto do corpo do defunto

O óbolo de Caronte é geralmente reconhecido como helênico, e moedas em túmulos é frequentemente considerado como marca de helenização,[56] mas a prática pode ser independente da influência grega em algumas regiões. A deposição de uma moeda na boca do defunto é encontrada no Império Parta e Sassânida, no atual Irã. Curiosamente, a moeda não era uma dânaca de origem persa, como por vezes era entre os gregos, mas geralmente um dracma grego.[57] Na região de Iazd, objetos consagrados em túmulos podem indicar uma moeda ou pedaço de prata; pensa-se que este costume é talvez tão antigo quanto o Império Selêucida e pode ser uma forma de óbolo de Caronte.[58][59][60]

Descobertas de um moeda próximo a caveira em túmulos do Levante sugerem uma prática similar entre os fenícios no período persa.[61][62] Ossuários judeus às vezes contêm uma moeda; por exemplo, num ossuário portando o nome "Miriam, filha de Simão", uma moeda cunhada durante o reinado de Herodes Agripa I, datado de 42/43, foi encontrada na boca da caveira.[63][64] Embora a colocação de uma moeda dentro da caveira é desconhecido na antiguidade judaica e foi potencialmente ato de idolatria, a literatura rabínica preserva alusão a Caronte numa lamentação pelos mortos "caindo a bordo da balsa e tendo que pedir emprestado sua taxa". Barcos são geralmente descritos em ossuários ou muros de criptas judaicas, e uma das moedas encontradas dentro duma caveira pode ter sido escolhida, pois descrevia um barco.[65]

Europa Ocidental[editar | editar código-fonte]

Cemitérios no Império Romano do Ocidente variam consideravelmente: em uma comunidade do século I a.C. na Gália Cisalpina, moedas foram colocadas em mais de 40% dos túmulos, mas nenhuma delas estava na boca dos mortos; em cremações em Ampúrias na Hispânia e Eboraco (atual Iorque) na Britânia, o número é de apenas 10%. Na Península Ibérica, evidência interpretada como o óbolo de Caronte foi encontrada em Tarraco (atual Tarragona).[66] Na Gália Belga, variados depósitos de moedas são encontrados com os mortos do século I ao III, mas são mais frequentes no final do século IV e começo do V. 30 túmulos galo-romanos encontrado próximo de Ponte de Pasly, em Soissons, continham uma moeda de Caronte cada um.[67] Túmulos germânicos mostram uma preferência por moedas de ouro, mas mesmo dentro dum mesmo cemitério e num curto espaço de tempo, a deposição delas varia.[68][69][70]

Em um cemitério merovíngio de Frenuvila, na Normandia, que esteve em uso por quatro séculos, moedas são encontradas numa minoria de túmulos. De uma vez, o cemitério foi considerado como exibindo duas fases distintas: um período galo-romano mais antigo quando os mortos foram enterrados com vasos, notadamente de vidro, e óbolo de Caronte; e uma posterior, quando eles receberam vestimentas e bens funerárias à moda franca. Esta divisão, contudo, tem-se mostrado enganosa. Na área do cemitério datada dos séculos III-IV, moedas foram colocadas próximo das caveiras ou mãos, às vezes protegidas por um bolsa ou vaso, ou foram encontradas no interior do túmulo como se jogadas dentro. São de bronze e geralmente conta-se uma ou duas por túmulo, como seria esperado do costume do óbolo de Caronte, embora há um túmulo contendo 23 moedas de bronze, e outro com um soldo e um semisse. Os últimos exemplos indicam que moedas podiam ter representado relativo estatuto social. Na porção mais recente do cemitério, que permaneceu em uso através do século VI, o padrão de deposição das moedas foi similar, mas elas não foram contemporâneas dos sepultamentos, e algumas foram furadas serem vestidas. O uso de moedas mais antigas reflete um escassez de novas cunhagens, ou pode indicar que moedas antigas mantinham um sentido simbólico independente de seu valor denominal. "A deposição variada das moedas de diferentes valores [...] demonstra ao menos parcial se não completa perda do entendimento da função religiosa original do óbolo de Caronte," lembra Bonnie Effros, um especialista em túmulos merovíngios. "Estes fatores tornam difícil determinar a significância ritual."[71]

Bracteata germânica da ilha de Fiônia, Dinamarca, com uma inscrição rúnica referindo-se ao deus Odin
Tampa ornamental da bolsa do tesouro escondido do barco funerário de Sutton Hoo, contendo moedas, presumivelmente para pagar os remadores do outro mundo

Embora o rito do óbolo de Caronte foi praticado não mais uniformemente na Europa Setentrional do que na Grécia, há exemplos de túmulos individuais ou pequenos grupos em conformidade com o padrão. Em Broadstairs, em Câncio, um jovem foi enterrado com um tremisse de ouro merovíngio (ca. 575) em sua boca.[72] Uma moeda banhada em outro encontrada na boca dum jovem na Ilha de Wight em meados do século VI; seus outros bens mortuários incluem vasos, um chifre para beber, uma faca, e contadores de jogos[h] de marfim com um peça de vidro de cobalto-azul.[73]

Bracteatas de ouro escandinavas e germânicas encontradas em túmulos dos séculos V e VI, particularmente aqueles na Britânia, também tem sido interpretados à luz do óbolo de Caronte. Estes discos de ouro, similares a moedas embora geralmente de um único lado, foram influenciados por moedas e medalhões imperiais romanos tardios, mas exibem iconografia dos mitos nórdicos e inscrições rúnicas. O processo de estampagem criava uma borda estendida que forma um quadro com um presilha para rosqueamento; as bracteatas frequentemente aparecem em túmulos como um colar feminino. Uma função comparável àquela do óbolo de Caronte é sugerida por exemplos como de um túmulo masculino em Monkton em Câncio e um grupo de vários túmulos masculinos em Gotlândia, na Suécia, nos quais a bracteata foi depositada em uma bolsa ao lado do corpo. Nos túmulos da Gotlândia, as bracteatas carecem de borda ou presilha, e não mostram sinais de uso, sugerindo que não haviam sido destinadas ao uso diário.[74][75]

Segundo uma interpretação, o tesouro escondido duma bolsa no barco funerário de Sutton Hoo (Suffolk, Ânglia Oriental), que contém uma variedade de moedas de ouro merovíngias, une a tradicional viagem germânica para a vida após a morte com "um uma forma esplêndida incomum de óbolo de Caronte." O túmulo abriga 37 tremisses de ouro datando do final do século VI e começo do VII, três moedas não emitidas, e dois pequenos lingotes de ouro. Tem sido conjecturado que as moedas eram para pagar o barqueiro que remaria o navio para o outro mundo, enquanto os lingotes foram feitos para os timoneiros.[76][77][78][79] Embora Caronte é geralmente uma figura solitária nas descrições da Antiguidade e Idade Moderna, há algumas ligeiras evidências de que o navio podia ser provido com remadores. Um fragmento de cerâmica do século VI a.C. foi interpretado como Caronte sentado na popa como timoneiro de um barco equipado com 10 pares de remos e remados por ídolos (em grego: εἴδωλα; transl.: eidola), sombras dos mortos. Uma referência em Luciano parece também implicar que as sombras podiam remar o barco.[80][81][82]

Na Escandinávia, exemplos esparsos do óbolo de Caronte foram documentados da Idade do Ferro romana ao Período Migratório; na Era Viquingue, a Suécia Oriental produziu a melhor evidência, Dinamarca raramente, e Noruega e Finlândia inconclusivamente. Nos séculos XIII e XIV, o óbolo de Caronte aparece em túmulos da Suécia, Escânia e Noruega. O folclore sueco documenta o costume do século XVIII ao XX.[83]

Entre os cristãos[editar | editar código-fonte]

O costume do óbolo de Caronte não só continuou na era cristã,[84] mas foi adotado pelos cristãos, como uma moeda que era colocada na boca para enterros cristãos;[85][86][87] há exemplares desde tipo de sepultamento em túmulos da Gália do século IV,[88] muito embora por vezes é difícil distinguir nesta região os sepultamentos cristãos daqueles tradicionais.[89] Em Arcy-Sainte-Restitue na Picardia, um túmulo merovíngio abrigou uma moeda de Constantino, o primeiro imperador cristão, que foi utilizada como óbolo de Caronte.[90] Na Britânia, a prática foi muito frequente, se não mais comum, entre os cristãos e persistiu até mesmo o fim do século XIX.[91] O escritor folclorista Ronald Burn em 1914 foi capaz de documentar um testemunha na Grã-Bretanha que havia visto um pêni colocado na boca dum idoso dentro de seu sarcófago.[92] Em 1878, papa Pio IX foi sepultado com uma moeda.[93][94] A prática foi amplamente documentada por volta da virada dos séculos XIX e XX na Grécia, onde a moeda era por vezes acompanhada por uma chave.[95][96]

Moedas "fantasma" e cruzes[editar | editar código-fonte]

Tetradracma da década de 450 a.C. estampado com a coruja de Atena

As chamadas "moedas fantasmas" também aparecem com os mortos. Nelas há impressões duma moeda real ou ícone numismático emitido numa pequena peça de lâmina de ouro.[97] Num túmulo do século V ou IV a.C. de Siracusa, na Sicília, uma pequena folha de ouro retangular estampada com uma figura com duas faces, possivelmente Deméter/Cora, foi encontrado na boca dum esqueleto. Num caixote de cremação feito em mármore de meados do século II a.C., a "peça de Caronte" tomou a forma dum pedaço de lâmina de ouro estampada com uma coruja; além de fragmentos de osso carbonizados, o caixote também contém folhas de ouro duma coroa de flores do tipo por vezes associado com a religião de mistérios.[98][99][100] Dentro do túmulo duma família ateniense do século II a.C., um fino disco de ouro similarmente estampado com a coruja de Atena foi colocado na boca de cada homem.[101]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Michael Vickers, pelo tempo que escreveu seu artigo, apontou que com o ouro em $368,75 por onça, um óbolo valeria 59 centavos (dólar dos Estados Unidos).[102]
[b] ^ Em O Fulaninho de Cartago de Plauto relata-se que um rico homem carece o viático para sua jornada, devido a mesquinhez de seu herdeiro.[103]
[c] ^ Comparar a metáfora da morte como uma jornada de Cícero com aquela presente no Das Coisas Rurais de Marco Terêncio Varrão: "Meu octogésimo aniversário me avisa para empacotar minhas malas antes que eu parta dessa vida."[104]
[d] ^ O uso da eucaristia para a morte, como sugerido por muitos autores, já era uma prática estabelecida pelo século IV, uma vez que fora prescrita pelo Primeiro Concílio de Niceia em 325.[105] Para outros como Éric Rebillard, os exemplos eucarísticos dos séculos III e IV são exceção, com o viático sendo regularmente administrado apenas pelo século VI.[106]
[e] ^ Nem adultos masculinos (que esperava-se estarem preparados para enfrentar a morte iminente no curso do serviço militar) nem mulheres idosas são representados, com o comportamento mais suave de Caronte podendo ser entendido como facilitador da transição para aqueles que enfrentaram uma morte inesperada ou intempestiva.[35]
[f] ^ Sobre a ambiguidade da evidência posterior ver debate de Barbara J. Little.[107] Para as moedas perfuradas anglo-saxãs e sua possível função amulética e mágica em túmulos ver debate de T. S. N. Moorhead.[108]
[g] ^ Exemplos de lécitos representando Caronte foram descritos por Arthur Fairbanks[109] Exemplos com moedas também foram descritos por Fairbanks[110] e Edward T. Cook[111] Alguns exemplares estão abrigados em alguns museus famosos: Caronte e Hermes guiando uma alma do Pintor de Sabouroff no Museu Metropolitano de Arte; Caronte do Pintor de Caniço no Museu de Arte da Escola de Desenho da Ilha de Rodes; Caronte do Pintor de Timbos no Museu Ashmolean; Caronte e Hermes Psicopompo no Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
[h] ^ Para jogos de tabuleiro como o latrúnculo romano, o fidchell irlandês ou os tafl germânico.

Referências

  1. a b c Morris 1992, p. 106.
  2. a b Grabka 1953, p. 8.
  3. Stevens 1991, p. 215-229.
  4. Schuman 1952.
  5. Babelon 1901, p. 430.
  6. a b Propércio século I a.C., 4.11.7–8.
  7. Juvenal século I/II, 3.267.
  8. a b Apuleio século II, 6.18.
  9. Reden 1997, p. 159.
  10. Anônimo 1931, p. II 5f..
  11. Hesíquio 1858–1868, p. III.142; I.549.
  12. Braginton 1944, p. 397-398.
  13. Sêneca século I, 12.4.
  14. Glare 1982, p. 2054.
  15. Lewis 1879, p. 1984.
  16. Cícero 44 a.C., 18.66.
  17. Cícero 44 a.C., 19.71.
  18. a b Grabka 1953, p. 27.
  19. Stevens 1991, p. 220–221.
  20. Paulino de Nola século IV/V, 47.3.
  21. Migne século XIX, 14:43.
  22. Anônimo século VIII, II.16.
  23. Smith 1870, p. 2014.
  24. Tomás de Aquino século XIII, III.73.5.
  25. Brand 2003, p. 261-262.
  26. Carozzi 1994.
  27. Liddell 1843, p. 745=746.
  28. Fairbanks 1914, p. 85.
  29. Stevens 1991, p. 216.
  30. Constantino Céfalas século X, 7.67.1–6; 7.68, 11.168, 11.209..
  31. Luciano século IIa, 11.
  32. Curran 1968.
  33. Stevens 1991, p. 216-223.
  34. Constantino Céfalas século X, 7.67.1–6.
  35. a b Sourvinou-Inwood 1996, p. 316 ff.
  36. Sourvinou-Inwood 1996, p. 316.
  37. Luciano século IIb, 10.
  38. Stevens 1991, p. 218.
  39. Luciano século IIc, 22.1.
  40. Beare 1964, p. 74.
  41. Grinsell 1957.
  42. Toynbee 1996, p. 49.
  43. Stevens 1991, p. 225.
  44. Destrooper-Georgiades 2001.
  45. Walters 1903, p. 186.
  46. Robinson 1932, p. 125.
  47. Stevens 1991, p. 224–225.
  48. Blackman 1999–2000, p. 149.
  49. Blackman 1996–1997, p. 80–81.
  50. Tasntsanoglou 1987, p. 3-16.
  51. Grinsell 1957, p. 261.
  52. Grinder-Hansen 1991, p. 210.
  53. Stears 2000, p. 222.
  54. Panayotova 1998, p. 103.
  55. Vickers 2001, p. 66.
  56. Mgaloblishvili 1998, p. 35-36.
  57. Bivar 1985, p. 622-623.
  58. Boyce 1994.
  59. Boyce 1991, p. 66; 191.
  60. Boyce 1977, p. 155.
  61. Wolff 2002, p. 136.
  62. Lipiński 2003.
  63. Evans 2006, p. 329, nota 13.
  64. Schwartz 2001, p. 156, nota 97.
  65. Evans 2003, p. 106-107.
  66. McKenna 2015, nota 39.
  67. Pichon 2002, p. 451.
  68. Stevens 1991, p. 223–226.
  69. Grinder-Hansen 1991, p. 210–213.
  70. Halsall 1992, p. 199ff.
  71. Effros 2006, p. 204–205.
  72. Gaimster 1992, p. 7.
  73. Hinton 2006, p. 32–33.
  74. Gaimster 1992.
  75. Kromann 1992.
  76. Williams 2006, p. 147–179, especialmente p. 178.
  77. Grierson 1970, p. 14–18.
  78. Grierson 2007, p. 124–125.
  79. Stahl 1992, p. 9ff.
  80. Cary 1937, p. 52–53.
  81. Furtwängler 1905, p. 1901.
  82. século IIc, 22.
  83. Fuglesang 1989, p. 22.
  84. Rautman 2006, p. 11.
  85. Stevens 1991, p. 226.
  86. Snoek 1995, p. 103, nota 8.
  87. MacMullen 1997, p. 218, nota 20.
  88. Effros 2002, p. 82.
  89. Johnson 1997.
  90. Pichon 2002, p. 95.
  91. Grinsell 1957, p. 265 e 268.
  92. Burn 1914, p. 365.
  93. Pekáry 1994, p. 96.
  94. MacMullen 1997, p. 218 (nota 20) e 268.
  95. Grabka 1953, p. 13.
  96. Rodd 1892, p. 126.
  97. Grinsell 1957, p. 263.
  98. Boulter 1963, p. 115 e 126.
  99. Marco Minúcio Félix século III, 28.3–4.
  100. Johnson 1997, p. 45.
  101. Dunbabin 1944, p. 80.
  102. Vickers 1990, p. 613, notas 4 e 6.
  103. Plauto século III/II a.C., 71.
  104. Varrão século I a.C., 1.1.1..
  105. Paxton 1990, p. 33.
  106. Rebillard 2009, p. 130.
  107. Little 1991, p. 139.
  108. Moorhead 2006, p. 99–109.
  109. Fairbanks 1914, p. 13–18, 29, 39, 86–88, 136–138.
  110. Fairbanks 1914, p. 173–174; 235.
  111. Cook 1903, p. 370–371.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anônimo (1931). «δανάκη». In: A. Adler. Suidae Lexicon. Lípsia: [s.n.] 
  • Anônimo (século VIII). «Sínodo da Hibérnia». In: Hermann Wasserschleben. Coleção dos cânones da Hibérnia. [S.l.: s.n.] 
  • Apuleio (século II). Metamorfoses. [S.l.: s.n.] 
  • Babelon, Ernest (1901). Traité des monnaies grecques et romaines. 1. Paris: Leroux 
  • Beare, W. (1964). «Tacitus on the Germans». Greece & Rome. 11 
  • Bivar, A. D. H. (1985). «Achaemenid Coins, Weights and Measures». The Cambridge History of Iran. Vol. 2 The Median and Achaemenid Periods. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Blackman, David (1996–1997). «Archaeology in Greece 1996–97». Archaeological Reports. 43 
  • Blackman, David (1999–2000). «Archaeology in Greece 1999–2000». Archaeological Reports. 46 
  • Boulter, Cedric G. (1963). «Graves in Lenormant Street, Athens». Hesperia. 32 
  • Boyce, Mary (1994). «Death (1) among Zoroastrians». Enciclopédia Irânica Vol. VII, Fasc. 2. [S.l.: s.n.] pp. 179–181 
  • Boyce, Mary; Grenet, Frantz (1991). A History of Zoroastrianism: Zoroastrianism Under Macedonian and Roman Rule. Leida e Nova Iorque: Brill 
  • Boyce, Mary (1977). A Persian Stronghold of Zoroastrianism. [S.l.]: Clarendon Press 
  • Braginton, Mary V. (1944). «Exile under the Roman Emperors». Classical Journal. 39 
  • Brand, Benjamin (2003). Viator ducens ad celestia: Eucharistic Piety, Papal Politics, and an Early Fifteenth-Century Motet. Journal of Musicology. 20. [S.l.: s.n.] 
  • Burn, Ronald (1914). «Folklore from Newmarket, Cambridgeshire». Folklore. 25 
  • Cary, A. L. M. (1937). «The Appearance of Charon in the Frogs». Classical Review. 51 
  • Carozzi, Claude (1994). «Les vivants et les morts de Saint Augustin à Julien de Tolède». Le voyage de l’âme dans l’Au-Delà d’après la littérature latine (Ve–XIIIe siècle) Collection de l’École Française de Rome. 189. Palácio Farnésio, Roma: Escola Francesa de Roma. pp. 13–34 
  • Cícero (44 a.C.). Sobre a Velhice. [S.l.: s.n.] 
  • Cook, Edward T. (1903). A Popular Handbook to the Greek and Roman Antiquities in the British Museum. Londres: [s.n.] 
  • Constantino Céfalas (século X). Antologia Palatina. [S.l.: s.n.] 
  • Curran, Leo C. (1968). «Propertius 4.11: Greek Heroines and Death». Classical Philology. 63: 134–139 
  • Destrooper-Georgiades, A. (2001). Témoignages des monnaies dans les cultes funéraires à Chypre à l’époque achéménide (Pl. I). Paris: Gabalda 
  • Dunbabin, T.J. (1944). «Archaeology in Greece, 1939–45». Journal of Hellenic Studies. 64 
  • Effros, Bonnie (2002). Creating Community with Food and Drink in Merovingian Gaul. [S.l.]: Macmillan 
  • Evans, Craig A. (2003). Jesus and the Ossuaries. [S.l.]: Baylor University Press 
  • Evans, Craig A. (2006). «Excavating Caiaphas, Pilate, and Simon of Cyrene: Assessing the Literary and Archaeological Evidence». Jesus and Archaeology. [S.l.]: Eerdmans Publishing 
  • Effros, Bonnie (2006). «Grave Goods and the Ritual Expression of Identity». In: Thomas F.X. Noble. From Roman Provinces to Medieval Kingdoms. [S.l.]: Routledge 
  • Fairbanks, Arthur (1914). Athenian Lekythoi with Outline Drawing in Matt Color on a White Ground. [S.l.]: Macmillan 
  • Fuglesang, Signe Horn (1989). «Viking and Medieval Amulets in Scandinavia». Fornvännen. 84 
  • Furtwängler, Adolf (1905). Archiv für Religionswissenschaft. [S.l.: s.n.] 
  • Gaimster, Märit (1992). «Scandinavian Gold Bracteates in Britain: Money and Media in the Dark Ages». Medieval Archaeology. 36 
  • Glare, P.G.W. (1982). Oxford Latin Dictionary. Oxford: Clarendon Press 
  • Grabka, Gregory (1953). «Christian Viaticum: A Study of Its Cultural Background». Traditio. 9 
  • Grierson, Philip (1970). «The Purpose of the Sutton Hoo Coins». Antiquity. 44 
  • Grierson, Philip; Blackburn, Mark (2007). «Medieval European Coinage: The Early Middle Ages (5th–10th Centuries)». Cambridge University Press. 1 
  • Grinder-Hansen, Keld (1991). «Charon's Fee in Ancient Greece?». Acta Hyperborea. 3 
  • Grinsell, L. V. (1957). «The Ferryman and His Fee: A Study in Ethnology, Archaeology, and Tradition». Folklore. 68: 264-268 
  • Halsall, G. (1992). «The Origins of the Reihengräberzivilisation: Forty Years On». Fifth-Century Gaul: A Crisis of Identity?. [S.l.]: Cambridge University Press 
  • Hesíquio (1858-1868). «δανάκη». In: Schmidt, M. Lexicon. Jena: [s.n.] 
  • Hinton, David A. (2006). Gold and Gilt, Pots and Pins: Possessions and People in Medieval Britain. Oxford University Press: [s.n.] 
  • Johnson, Mark J. (1997). «Pagan-Christian Burial Practices of the Fourth Century: Shared Tombs?». Journal of Early Christian Studies. 5: 37–59 
  • Juvenal (século I/II). Sátiras. [S.l.: s.n.] 
  • Kromann, Anne (1992). «DN ODINN P F AUC? Germanic 'Imperial Portraits' on Scandinavian gold bracteates». Acta Hyperborea. 4 
  • Lewis, Charlton T.; Short, Charles (1879). A Latin Dictionary. Oxford: Clarendon Press 
  • Liddell, Henry George; Scott, Robert; Jones, Henry Stuart; McKenzie, Roderick (1843). A Greek–English Lexicon. Oxford: Clarendon Press 
  • Little, Barbara J. (1991). Text-aided Archaeology. [S.l.]: CFC Press 
  • Lipiński, E. (2003). «Phoenician Cult Expressions in the Persian Period». Symbiosis, Symbolism and the Power of the Past: Canaan, Ancient Israel and Their Neighbors from the Late Bronze Age through Roman Palestinae. [S.l.]: Eisenbrauns. pp. 297–208 
  • Luciano (século IIa). Caronte. [S.l.: s.n.] 
  • Luciano (século IIb). Sobre Funerais. [S.l.: s.n.] 
  • Luciano (século IIc). Diálogos da Morte. [S.l.: s.n.] 
  • MacMullen, Ramsay (1997). Christianity and Paganism in the Fourth to Eighth Centuries. [S.l.]: Yale University Press 
  • Marco Minúcio Félix (século III). Otávio. [S.l.: s.n.] 
  • McKenna, Stephen (2015). «Paganism and Pagan Survivals in Spain During the Fourth Century». The Library of Iberian Resources 
  • Mgaloblishvili, Tamila (1998). Ancient Christianity in the Caucasus. [S.l.]: Routledge 
  • Migne, Jacques Paul (século XIX). Patrologia Latina. [S.l.: s.n.] 
  • Moorhead, T. S. N. (2006). «Roman Bronze Coinage in Sub-Roman and Early Anglo-Saxon England». Coinage and History in the North Sea World, c. AD 500–1250: Essays in Honor of Marion Archibald. Leida e Nova Iorque: Brill 
  • Morris, Ian (1992). Death-ritual and Social Structure in Classical Antiquity. [S.l.]: Cambridge University Press 
  • Paulino de Nola (século IV/V). Vida de São Ambrósio. [S.l.: s.n.] 
  • Panayotova, K. (1998). «Apollonia Pontica: Recent Discoveries in the Necropolis». The Greek Colonisation of the Black Sea Area. [S.l.]: Franz Steiner Verlag 
  • Paxton, Frederick S. (1990). Christianizing Death: The Creation of a Ritual Process in Early Medieval Europe. [S.l.]: Cornell University Press 
  • Pekáry, Thomas (1994). «Mors perpetua est. Zum Jenseitsglauben in Rom». Laverna. 5 
  • Pichon, Blaise (2002). L’Aisne. [S.l.]: Académie des inscriptions et belles-lettres 
  • Plauto (século III/II a.C.). Pênulo. [S.l.: s.n.] 
  • Propércio (século I a.C.). Elegias. [S.l.: s.n.] 
  • Rautman, Marcus Louis (2006). Daily Life in the Byzantine Empire. [S.l.]: Greenwood Publishing Group 
  • Rebillard, Éric (2009). The Care of the Dead in Late Antiquity. [S.l.]: Cornell University Press. ISBN 0801457920 
  • Reden, Sitta von (1997). «Money, Law and Exchange: Coinage in the Greek Polis». Journal of Hellenic Studies. 117 
  • Robinson, David M. (1932). «The Residential Districts and the Cemeteries at Olynthos». American Journal of Archaeology. 36 
  • Rodd, Rennell (1892). The Customs and Lore of Modern Greece 2 ed. [S.l.]: D. Stott 
  • Schuman, Verne B. (1952). «The Seven-Obol Drachma of Roman Egypt». Classical Philology. 47: 214–218 
  • Schwartz, Seth (2001). Imperialism and Jewish Society 200 B.C.E. to 640 C.E. [S.l.]: Princeton University Press 
  • Sêneca (século I). Ad Helviam matrem de consolatione. [S.l.: s.n.] 
  • Smith, Sir William; Cheetham, Samuel (1870). Dictionary of Christian antiquities. [S.l.]: Little, Brown and Company 
  • Snoek, G.J.C. (1995). Medieval Piety from Relics to the Eucharist: A Process of Mutual Interaction. Leida: [s.n.] 
  • Sourvinou-Inwood, Christiane (1996). "Reading" Greek Death: To the End of the Classical Period. Oxford: Oxford University Press 
  • Stahl, Alan M. (1992). The Nature of the Sutton Hoo Coin Parcel. Voyage to the Other World: The Legacy of Sutton Hoo. [S.l.]: University of Minnesota Press 
  • Stears, Karen (2000). «Losing the Picture: Change and Continuity in Athenian Grave Monuments in the Fourth and Third Centuries B.C.». In: Rutter, N. K.; Sparkes, Brian A. Word and Image in Ancient Greece. Edimburgo: Edinburgh University Press 
  • Stevens, Susan T. (1991). «Charon's Obol and Other Coins in Ancient Funerary Practice». Phoenix. 45 
  • Tasntsanoglou, K.; Parássoglou, George M. (1987). «Two Gold Lamellae from Thessaly». Hellenica. 38 
  • Tomás de Aquino (século XIII). Suma Teológica. [S.l.: s.n.] 
  • Toynbee, J. M. C. (1996). Death and Burial in the Roman World. [S.l.]: JHU Press 
  • Varrão, Marco Terêncio (século I a.C.). Das Coisas Rurais. [S.l.: s.n.] 
  • Vickers, Michael (1990). «Golden Greece: Relative Values, Minae, and Temple Inventories». American Journal of Archaeology. 94 
  • Vickers, M.; Kakhidze, A. (2001). «The British-Georgian Excavation at Pichvnari 1998: The 'Greek' and 'Colchian' Cemeteries». Anatolian Studies. 51 
  • Walters, H. B. (1903). Catalogue of the Terracottas in the Department of Greek and Roman Antiquities. Londres: Museu Britânico 
  • Williams, Gareth (2006). «The Circulation and Function of Coinage in Conversion-Period England». Coinage and History in the North Sea World, c. AD 500–1250. [S.l.]: Brill 
  • Wolff, Samuel R. (2002). «Mortuary Practices in the Persian Period of the Levant». Near Eastern Archaeology. 65 
  • Young, Bailey K. (1977). «Paganisme, christianisation et rites funéraires mérovingiens». Archéologie médiévale. 7: 46–49