Ópera Khedivial

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A Ópera Khedivial ou Ópera Real (em árabe: دار الأوبرا الخديوية / ASA-LC : Dār Awbirā al-Khudaywī) era um edifício para ópera no Cairo, Egipto, o mais antigo de toda a África.[1] Inaugurou-se no dia 1 de novembro de 1869 e incendiou-se no dia 28 de outubro de 1971.


História[editar | editar código-fonte]

O teatro da ópera construiu-se por ordem do Quediva Ismail Paxá para celebrar a abertura do Canal de Suez. Os arquitectos Pietro Avoscani (de Livorno) e Rossi desenharam o edifício. Tinha aproximadamente 850 assentos com um grande uso de madeira na construção do edifício. Estava localizado entre os distritos de Azbakeya e Ismaília, na capital do Egipto.

Para a primeira apresentação aberta ao público, no dia 1 de novembro de 1869, elegeu-se a ópera Rigoletto de Giuseppe Verdi.[1] Ismail Paxá teve em mente para a inauguração uma representação com um arranjo muito luxuoso. Depois de sucessivos adiamentos e atrasos devidos à guerra franco-prussiana, a estreia de outra ópera de Verdi, Aida[2] dirigida por Giovanni Bottesini, realizou-se no 24 de dezembro de 1871.[1] Na temporada 1871/1872, a ópera foi representada 16 vezes, não tendo abandonado o palco até à última temporada. «Aida» foi um triunfo para o compositor e o ponto mais alto do apogeu da Ópera Khedivial.

Desenho de palco para o quadro 2 do Acto 1 ("Templo de Vulcano") da ópera Aida de Verdi, que se realizou pela primeira vez na Ópera Khedivial no 24 de dezembro de 1871.
Desenho de cenografia para o quadro 2 do Acto 2 ("Entrada a Tebas") da ópera Aida de Verdi, interpretada pela primeira vez na Ópera Khedivial no 24 de dezembro de 1871.

Na temporada 1876/1877, realizaram-se 80 representações, após as quais o teatro fechou devido à impossibilidade de se auto-sustentar: os preços do algodão alteraram-se e o Egipto esteve à beira da quebra; em 1879, Ismail Paxá abdicou do trono. Até finais do século XIX, o edifício unicamente usava-se de forma ocasional como lugar para celebrar danças, celebrações e outros eventos únicos. Há provas de que a princípios do século XX o teatro voltou a funcionar como tal, e nele se encontravam óperas italianas e francesas.

Incêndio[editar | editar código-fonte]

Nas primeiras horas da manhã do 28 de outubro de 1971, um incêndio destruiu completamente o edifício. Todas as estruturas de madeira foram consumidas pelo fogo e unicamente duas estátuas feitas por Mohammed Hassan sobreviveram, sendo, mais tarde, transladadas para o jardim da nova Ópera do Cairo.[3]

No lugar que ocupou a Ópera Khedivial construiu-se um estacionamento para automóveis, de vários andares de altura. A praça —ao sul da estação de metro de Al Atava— que dava a vista do edifício, ainda se chama Ópera Mīdān (Praça da Ópera).

A nova ópera[editar | editar código-fonte]

A nova Ópera do Cairo.
Ver artigo principal: Ópera de El Cairo

Após a destruição do teatro original, a cidade permaneceu durante quase vinte anos sem um teatro de ópera até à abertura do novo teatro de ópera, no dia 10 de outubro de 1988, pelo presidente Mohamed Hosni Moubarak e a presença do príncipe Tomohito de Mikasa, irmão do imperador do Japão.[4]

Encontra-se situada em parte a sul de Gezira a 280 metros da torre do Cairo, e a sua arquitectura deve-se ao desenho de um arquitecto japonês, com formas geométricas islâmicas que projectam a tradição de «mashrabiyas» ou portas talhadas.[5][1][2]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d Lhe Caire - ART LYRIQUE - L'Opéra du Caire - Lepetitjournal.com [1] Arquivado em 2 de agosto de 2008, no Wayback Machine..
  2. a b Arts et culture - L'Opéra du Caire [2].
  3. Sobhy Al Sharony. Fineart Sector= Biographies, ed. «Mohamed Hassan Mohamed Biek» (em inglés) 
  4. Maison de l'Opéra du Caire [3] Arquivado em 23 de maio de 2013, no Wayback Machine..
  5. L'opéra du Caire, Lhe Caire [4] Arquivado em 11 de janeiro de 2012, no Wayback Machine.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Abdún, Salih. Dar al Shuruq, ed. Khamsun aman al-musiqa wa-l-ubira (Fitty year of Music and Opera). Al-Qahira: [s.n.]