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Robert Fripp

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Robert Fripp

Fripp em 2024
Informações gerais
Nascimento 16 de maio de 1946 (80 anos)
Origem Wimborne Minster, Dorset, Inglaterra
País Reino Unido
Género(s) rock progressivo
ambient
art rock
new wave
música experimental
música eletrónica
Instrumento(s) guitarra
teclados
sintetizadores
sintetizador de guitarra
Modelos de instrumentos Gibson Les Paul (anos 1970)
Tokai Love Rock (anos 1980)
Fernandes com Sustainer (Soundscapes)
PRS modificadas (NST)
Período em atividade 1968 - presente
Gravadora(s) Discipline Global Mobile
Afiliação(ões) King Crimson
David Sylvian
Andy Summers
Brian Eno
Página oficial DGMLive!

Robert Fripp (Wimborne Minster, 16 de maio de 1946) é um guitarrista, compositor, produtor e pensador musical inglês cuja obra atravessa mais de seis décadas e diversos movimentos estéticos.[1] Reconhecido pela sua abordagem singular ao instrumento, pelo rigor intelectual aplicado à criação artística e pela recusa sistemática de compromissos fáceis, Fripp tornou‑se uma das figuras mais influentes da música contemporânea.[2] A sua identidade musical assenta numa combinação rara de disciplina técnica, experimentação sonora e pensamento filosófico. Desenvolveu métodos próprios de execução — como os chamados Frippertronics e a New Standard Tuning — e criou sistemas de ensino e prática musical que influenciaram gerações de guitarristas.[3] A sua visão estética, marcada por estruturas rítmicas entrelaçadas, minimalismo, improvisação controlada e um sentido quase arquitetónico da composição, tornou‑o uma referência transversal a géneros tão distintos como o rock progressivo, a música ambiental, o pós‑punk, o art rock e a música eletrónica.[4]

Embora seja amplamente conhecido como fundador e força motriz da banda King Crimson, a sua carreira ultrapassa largamente o âmbito do grupo. Fripp colaborou com alguns dos artistas mais inovadores do século XX, entre eles Brian Eno, David Bowie, Peter Gabriel, Daryl Hall, David Sylvian e Andy Summers, deixando uma marca profunda em discos que se tornaram marcos culturais.[5] Para além da atividade musical, Fripp desenvolveu um corpo de pensamento próprio sobre criatividade, disciplina, ética artística e o papel do músico no mundo moderno. O seu trabalho pedagógico através do projeto Guitar Craft e da League of Crafty Guitarists consolidou a sua reputação como mentor e inovador, enquanto a sua escrita — em diários, notas de estúdio e reflexões públicas — revela uma mente analítica, metódica e profundamente comprometida com a integridade artística.[6]

Figura reservada, avessa ao estrelato e frequentemente crítica da indústria musical, Fripp construiu uma carreira que desafia classificações simples. A sua obra, vasta e multifacetada, continua a ser estudada, reinterpretada e celebrada, mantendo‑o como uma das vozes mais singulares e duradouras da música contemporânea.

Primeiros anos e formação

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Robert Fripp nasceu a 16 de maio de 1946 em Wimborne Minster, uma pequena vila histórica no condado de Dorset, no sudoeste de Inglaterra.[7] Cresceu na aldeia de Witchampton, num ambiente rural marcado pelo silêncio, pela vida comunitária e por uma forte ética de trabalho transmitida pelos pais: Arthur Henry Fripp, proprietário de uma pequena empresa de bens domésticos, e Edith Fripp, agente imobiliária.[8] Recebeu a sua primeira guitarra aos 11 anos, no Natal de 1957, iniciando uma prática disciplinada que rapidamente se tornou central na sua vida. Estudou inicialmente com o guitarrista local Don Strike, que lhe incutiu rigor técnico, e mais tarde com Anthony Rooley, futuro fundador do Consort of Musicke, que o expôs à música renascentista e barroca.[9]


Aos 16 anos, Fripp decidiu tornar‑se músico profissional após ouvir Please Please Me, dos The Beatles, experiência que descreveu como uma revelação. Outras influências marcantes da juventude incluíram Jimi Hendrix, o jazz moderno e compositores como Béla Bartók.[10]


Apesar da vocação musical, Fripp trabalhou durante algum tempo na empresa da família, como era esperado. Contudo, em 1967 decidiu abandonar definitivamente o negócio e dedicar‑se em exclusivo à carreira musical, iniciando o percurso que o levaria à formação dos Giles, Giles and Fripp e, posteriormente, dos King Crimson.[11]

King Crimson (1969–1971)

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Robert Fripp tornou‑se amplamente conhecido como guitarrista e principal força criativa do King Crimson, banda formada em Londres em janeiro de 1969. A formação original incluía Michael Giles (bateria), Greg Lake (baixo e voz), Ian McDonald (teclados, flauta e saxofone) e Peter Sinfield (letras e iluminação). O grupo rapidamente se destacou pela combinação inédita de rock, jazz, música erudita e improvisação livre.[12]

O álbum de estreia, In the Court of the Crimson King (1969), é frequentemente considerado um marco fundador do rock progressivo. A mistura de passagens sinfónicas, improvisação e poesia surrealista estabeleceu uma estética singular, amplamente influenciada pela guitarra de Fripp e pelas composições coletivas do grupo. O concerto no Hyde Park, em julho de 1969, perante cerca de 500 mil pessoas, consolidou a reputação da banda como uma das mais inovadoras da época.[13]

Apesar do sucesso, a formação original dissolveu‑se no final de 1969. Fripp manteve o nome King Crimson e, com colaboradores como Gordon Haskell, Andy McCulloch, Mel Collins e Peter Giles, gravou In the Wake of Poseidon (1970) e Lizard (1970), álbuns que aprofundaram a experimentação harmónica e rítmica. Em 1971, com Boz Burrell, Ian Wallace e Mel Collins, lançou Islands, marcado por uma sonoridade mais pastoral e jazzística. Esta fase encerrou‑se no final de 1971, quando Fripp decidiu reestruturar completamente o projeto para uma nova direção musical.[14]

King Crimson (1972–1974)

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Robert Fripp ao vivo com os King Crimson, 1973–1974.

Após um período de instabilidade e várias mudanças de formação, Robert Fripp reorganizou o King Crimson em 1972 com uma nova abordagem musical, mais experimental e centrada na improvisação. A formação clássica deste período incluía John Wetton (baixo e voz), Bill Bruford (bateria), David Cross (violino e teclados) e Jamie Muir (percussão), embora este último tenha deixado o grupo após as primeiras gravações.[15]

O álbum Larks’ Tongues in Aspic (1973) marcou uma viragem estética, combinando elementos de rock progressivo, música contemporânea, improvisação livre e polirritmia. A presença de Muir e a interação entre violino, guitarra e percussão criaram uma sonoridade única, que se tornou emblemática desta fase.[16]


Em 1974, o grupo lançou Starless and Bible Black e Red, dois álbuns frequentemente considerados entre os mais influentes da história do rock progressivo. Red, em particular, destacou‑se pela sonoridade pesada e minimalista, antecipando tendências posteriores do rock alternativo e do metal progressivo. Pouco depois do lançamento, Fripp decidiu suspender as atividades da banda, descrevendo o momento como “o fim de King Crimson como uma forma de vida”.[17]

Frippertronics

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Os Frippertronics constituem um sistema de gravação e performance desenvolvido por Robert Fripp no final da década de 1970, baseado na utilização de dois gravadores de bobina Revox A77 ligados em circuito de retroalimentação. O método permitia criar loops de fita de longa duração, sobre os quais Fripp improvisava em tempo real, produzindo texturas sonoras contínuas, atmosféricas e em constante transformação.[18]

A técnica foi desenvolvida em colaboração conceptual com Brian Eno, que já explorava sistemas de repetição e atraso em trabalhos como No Pussyfooting (1973) e Evening Star (1975). Embora Eno utilizasse equipamentos semelhantes, o termo Frippertronics foi cunhado para descrever a abordagem específica de Fripp, caracterizada pela interação direta entre execução, gravação e reprodução num ciclo contínuo.[19]

Entre 1979 e 1981, Fripp realizou dezenas de concertos solo em lojas de discos, galerias e pequenos auditórios, apresentando peças improvisadas exclusivamente com Frippertronics. Estas performances foram documentadas em álbuns como God Save the Queen / Under Heavy Manners (1980) e Let the Power Fall (1981), que demonstram a amplitude expressiva do sistema, desde drones meditativos até estruturas rítmicas densas.[20]


Os Frippertronics influenciaram profundamente o trabalho posterior de Fripp, servindo de base conceptual para os Soundscapes da década de 1990 e para a sua abordagem à improvisação em várias formações do King Crimson. O sistema é amplamente reconhecido como uma das contribuições mais inovadoras de Fripp para a música eletrónica e experimental.[21]

League of Gentlemen

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A League of Gentlemen foi uma banda formada por Robert Fripp em 1980, durante o período que se seguiu às suas experiências com os Frippertronics. O grupo apresentava uma sonoridade híbrida entre new wave, pós‑punk e minimalismo, marcada por linhas de guitarra angulares, ritmos dançáveis e estruturas repetitivas. A formação incluía Barry Andrews (teclados), Sara Lee (baixo) e Johnny Toobad (bateria), substituído posteriormente por Kevin Wilkinson.[22]

O grupo realizou uma série de concertos nos Estados Unidos e na Europa ao longo de 1980, explorando um repertório instrumental que combinava precisão rítmica com improvisação controlada. O álbum homónimo, The League of Gentlemen (1981), documenta esta fase e inclui gravações ao vivo e de estúdio, refletindo a estética crua e energética do projeto.[23]


Embora de curta duração, a League of Gentlemen desempenhou um papel fundamental na transição de Fripp para a década de 1980. Muitos dos conceitos rítmicos e estruturais desenvolvidos neste período seriam posteriormente aprofundados no renascimento do King Crimson em 1981, com a formação que gravou Discipline.[24]

King Crimson (1981–1984)

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Em 1981, Robert Fripp reativou o King Crimson com uma formação inteiramente nova, marcada por uma estética radicalmente diferente da fase dos anos 1970. O grupo incluía Adrian Belew (guitarra e voz), Tony Levin (baixo e Chapman Stick) e Bill Bruford (bateria), estabelecendo uma sonoridade baseada em polirritmia, minimalismo, texturas interligadas e influências da música africana e do new wave.[25]

O álbum Discipline (1981) marcou o início desta fase, apresentando composições intricadas como “Frame by Frame”, “Thela Hun Ginjeet” e a faixa‑título, caracterizadas por guitarras entrelaçadas e estruturas rítmicas complexas. Seguiram‑se Beat (1982), inspirado na literatura da geração Beat, e Three of a Perfect Pair (1984), que explorou contrastes entre material mais acessível e peças experimentais.[26]

Durante este período, o King Crimson consolidou‑se como uma das bandas mais inovadoras da década de 1980, combinando precisão técnica com uma abordagem quase matemática à composição. No entanto, tensões internas e diferenças criativas levaram ao encerramento das atividades do grupo em 1984, quando Fripp anunciou que a banda entraria novamente em hiato. Esta fase, embora relativamente curta, é amplamente considerada uma das mais influentes da história do rock progressivo e alternativo.[27]

Guitar Craft

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O Guitar Craft foi um programa pedagógico e artístico criado por Robert Fripp em 1985, concebido como uma abordagem integrada ao estudo da guitarra, da disciplina pessoal e da prática musical consciente. O projeto combinava técnica instrumental, exercícios de atenção, trabalho em grupo e uma filosofia de vida baseada em presença, responsabilidade e precisão.[28]

O Guitar Craft introduziu a New Standard Tuning (NST), uma afinação alternativa (C–G–D–A–E–G) criada por Fripp para promover uma relação mais ergonómica e estruturada com o instrumento. A NST tornou‑se um dos pilares do método, influenciando tanto a técnica como a composição e a improvisação dentro do grupo.[29]

Os cursos de Guitar Craft eram realizados em retiros intensivos, frequentemente em regime residencial, onde os participantes praticavam exercícios de coordenação, circulação rítmica, trabalho coletivo e técnicas específicas de mão direita e esquerda. A pedagogia enfatizava a atenção plena, a postura correta, o silêncio interior e a ideia de que “a qualidade da atenção determina a qualidade do resultado”.[30]

Do Guitar Craft emergiu a League of Crafty Guitarists, um conjunto de guitarristas que se apresentou internacionalmente e gravou vários álbuns, explorando repertório original baseado na NST, em polirritmia e em estruturas interligadas características do trabalho de Fripp. O projeto evoluiu, a partir da década de 2010, para o Guitar Circle, uma continuação da mesma filosofia com novos formatos de ensino e prática.[31]

League of Crafty Guitarists

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A League of Crafty Guitarists (LCG) é um conjunto de guitarristas formado por Robert Fripp em 1986, composto por alunos avançados do programa Guitar Craft. O grupo tornou‑se a face pública da pedagogia de Fripp, apresentando‑se internacionalmente e explorando repertório baseado na New Standard Tuning (NST), em estruturas polirrítmicas e em técnicas coletivas de circulação musical.[32]

A LCG caracteriza‑se por performances altamente coreografadas, onde os guitarristas tocam em formação circular ou semicircular, enfatizando a escuta ativa, a precisão rítmica e a interação entre os membros. O repertório inclui peças compostas por Fripp, arranjos coletivos e improvisações estruturadas, frequentemente baseadas em padrões interligados e em texturas densas criadas a partir de múltiplas guitarras em NST.[33]

O grupo lançou vários álbuns ao longo das décadas de 1980 e 1990, incluindo The League of Crafty Guitarists Live! (1986) e Show of Hands (1991), ambos documentando a abordagem coletiva e a estética minimalista e interligada característica do projeto. As apresentações ao vivo tornaram‑se conhecidas pela intensidade, pela disciplina e pela atmosfera quase ritualística.[34]

A partir da década de 2010, a LCG evoluiu para o Guitar Circle, uma continuação da mesma filosofia, com novos formatos de ensino, prática e performance. Apesar das mudanças, a League of Crafty Guitarists permanece uma das expressões mais emblemáticas do trabalho pedagógico e artístico de Fripp.[35]

Soundscapes

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Os Soundscapes representam a evolução dos Frippertronics e constituem uma das vertentes mais distintivas da obra solo de Robert Fripp a partir da década de 1990. Utilizando processadores digitais, sintetizadores de guitarra e sistemas de looping em tempo real, Fripp criou paisagens sonoras expansivas, meditativas e de longa duração, frequentemente apresentadas em concertos solo ou como prelúdios a atuações do King Crimson.[36]

Ao contrário dos Frippertronics, baseados em tecnologia analógica de fita magnética, os Soundscapes utilizam processamento digital, permitindo maior controlo sobre textura, densidade e harmonia. Fripp descreveu esta abordagem como “música para o presente”, enfatizando a improvisação estruturada e a interação entre intenção e acaso. Os concertos de Soundscapes incluem peças como “A Blessing of Tears”, “Radiophonics” e “The Gates of Paradise”, que exploram atmosferas etéreas e contemplativas.[37]

Os Soundscapes influenciaram não apenas o trabalho posterior de Fripp, mas também a estética de várias formações do King Crimson, especialmente nas fases de 1994–2003 e 2014–2021. A técnica tornou‑se uma assinatura artística de Fripp, consolidando‑o como uma figura central na música ambiental e na exploração de sistemas de looping digital.[38]

King Crimson (1994–2003)

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Em 1994, Robert Fripp reativou o King Crimson com uma formação expandida conhecida como Double Trio, composta por Fripp e Adrian Belew (guitarras), Tony Levin e Trey Gunn (baixo, Stick e Warr Guitar), e Bill Bruford e Pat Mastelotto (baterias). Esta configuração permitiu explorar texturas densas, polirritmia avançada e uma abordagem estrutural altamente experimental.[39]


O álbum THRAK (1995) marcou o regresso oficial da banda, combinando elementos de rock pesado, improvisação controlada e paisagens sonoras atmosféricas. A digressão subsequente levou ao desenvolvimento dos ProjeKcts (1997–1999), subgrupos derivados do King Crimson que funcionavam como laboratórios de improvisação, explorando novas ideias musicais em formações reduzidas. Estes projetos resultaram em múltiplos lançamentos ao vivo e influenciaram diretamente a direção futura do grupo.[40]

Em 2000, o King Crimson regressou como um quarteto com Fripp, Belew, Gunn e Mastelotto, abandonando a estrutura do Double Trio. Esta fase produziu os álbuns The ConstruKction of Light (2000) e The Power to Believe (2003), caracterizados por uma sonoridade mais austera, angular e eletrónica, com forte ênfase em polirritmia, texturas digitais e guitarras interligadas. A digressão de 2003 encerrou esta encarnação da banda, que entrou novamente em hiato após o lançamento de The Power to Believe.[41]


King Crimson (2014–2021)

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Em 2014, Robert Fripp reativou o King Crimson após um hiato de mais de uma década, apresentando uma formação expandida e inédita, com três bateristas na linha da frente: Gavin Harrison, Pat Mastelotto e Bill Rieflin (posteriormente substituído por Jeremy Stacey). A formação incluía ainda Mel Collins (sopros), Jakko Jakszyk (guitarra e voz) e Tony Levin (baixo e Chapman Stick), estabelecendo um dos alinhamentos mais versáteis e tecnicamente sofisticados da história da banda.[42]

A sonoridade desta fase combinou elementos de todas as encarnações anteriores do grupo, reinterpretando material clássico ao mesmo tempo que introduzia novas composições, como “Meltdown”, “Radical Action” e “Level Five”. Os concertos caracterizaram‑se por arranjos complexos, polirritmia avançada e uma abordagem quase orquestral, com os três bateristas a desempenharem papéis complementares em vez de redundantes.[43]

Entre 2014 e 2021, o King Crimson realizou várias digressões internacionais, documentadas em álbuns ao vivo como Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind (2016), Live in Chicago (2017) e Music Is Our Friend (2021). A pandemia de COVID‑19 interrompeu temporariamente as atividades do grupo, mas a banda regressou aos palcos em 2021 para aquela que seria a sua última digressão até ao momento.[44]


Esta fase é amplamente reconhecida como uma das mais celebradas da carreira de Fripp, combinando maturidade artística, excelência técnica e uma abordagem renovada ao repertório histórico do King Crimson.

New Standard Tuning

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A New Standard Tuning (NST) é uma afinação alternativa para guitarra desenvolvida por Robert Fripp em 1985, no contexto do projeto pedagógico Guitar Craft. A afinação, concebida para promover uma abordagem mais disciplinada, ergonómica e musicalmente aberta, difere radicalmente da afinação tradicional em mi (EADGBE).[45]

A NST é afinada, da 6.ª para a 1.ª corda, da seguinte forma:

C – G – D – A – E – G

Esta estrutura baseia‑se predominantemente em quartas justas, com exceção da última corda (E–G), criando uma geometria mais regular no braço da guitarra e permitindo novas possibilidades harmónicas e melódicas. A corda mais grave, afinada em dó (C), confere ao instrumento uma extensão mais profunda e um timbre mais tenso e brilhante do que a afinação tradicional.[46]


Fripp utiliza a NST em praticamente todas as suas guitarras desde meados da década de 1980, incluindo modelos da PRS especialmente modificados para o seu trabalho com Frippertronics, Soundscapes e com a League of Crafty Guitarists.[47]

A NST tornou‑se um elemento central da pedagogia de Fripp, sendo ensinada em cursos de Guitar Craft e, posteriormente, no Guitar Circle. A afinação é frequentemente associada a uma filosofia de prática que enfatiza atenção plena, precisão técnica e disciplina pessoal.[48]

Fripp é também conhecido pela sua disciplina pessoal, influenciada pelos ensinamentos do Guitar Craft, pela meditação e por uma rotina diária estruturada que combina prática musical, leitura e exercícios de concentração.

Vida pessoal

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Robert Fripp é casado desde 1986 com a cantora, atriz, apresentadora e performer britânica Toyah Willcox. O casal tornou-se conhecido pela sua relação duradoura e pela colaboração ocasional em projetos artísticos.

Desde 2020, Fripp e Toyah mantêm uma presença regular no YouTube através do canal oficial de Toyah, que ultrapassa os 230 mil seguidores. Todas as semanas publicam a série Toyah & Robert’s Sunday Lunch, onde interpretam versões descontraídas de clássicos do rock. O formato tornou-se viral durante a pandemia de COVID-19 e contribuiu para renovar a visibilidade pública de Fripp.

Reddish House, — residência de Robert Fripp e Toyah Willcox.

Residências

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Ao longo da vida, Robert Fripp residiu em várias localidades do sul de Inglaterra, particularmente nos condados de Dorset e Wiltshire.

Uma das suas residências mais conhecidas é Reddish House, em Broad Chalke, Wiltshire — anteriormente habitada pelo fotógrafo e cenógrafo Cecil Beaton. Fripp e Toyah Willcox viveram na propriedade durante vários anos, mantendo a ligação histórica do local ao meio artístico britânico.


Equipamento

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Ao longo da sua carreira, Robert Fripp desenvolveu uma abordagem altamente pessoal ao equipamento musical, privilegiando precisão, estabilidade e controlo tonal. A sua configuração evoluiu significativamente desde os anos 1970, acompanhando as transformações estéticas do King Crimson e dos seus projetos a solo.

Guitarras

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Fripp é amplamente associado às guitarras Gibson Les Paul, especialmente modelos da década de 1950 e 1970, modificados para maior estabilidade e sustain. A partir da década de 1980, passou também a utilizar guitarras Fernandes com sistema de sustentação eletrónica, particularmente úteis nos Soundscapes.[49]

Amplificação

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Nos anos 1970, Fripp utilizou amplificadores Hiwatt e Marshall, conhecidos pela clareza e headroom elevado. A partir dos anos 1990, adotou sistemas de amplificação mais compactos e processados, incluindo racks digitais e unidades de modelação, integrados no seu sistema de Soundscapes.[50]

Processamento e efeitos

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O processamento de sinal é um elemento central no estilo de Fripp. Entre os dispositivos mais utilizados encontram‑se:

  • unidades Eventide (H3000, H8000), fundamentais para os Soundscapes;
  • pedais de delay e looping, desde os Revox A77 dos Frippertronics até sistemas digitais modernos;
  • sintetizadores de guitarra Roland e controladores MIDI.

Estes elementos permitem a criação de texturas complexas, harmonias sustentadas e camadas rítmicas interligadas, características marcantes do seu trabalho.

Sistema de looping

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Fripp foi pioneiro na utilização de sistemas de looping em tempo real. A sua evolução tecnológica pode ser resumida em três fases:

  • **Frippertronics** – dois gravadores de bobina Revox A77 em retroalimentação;
  • **Digital Frippertronics** – sistemas digitais de delay e looping nos anos 1980;
  • **Soundscapes** – processamento digital avançado com Eventide e racks dedicados.

A New Standard Tuning

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Desde 1985, Fripp utiliza predominantemente a New Standard Tuning (NST), introduzida no contexto do Guitar Craft. Esta afinação influenciou profundamente a sua técnica, composição e escolha de instrumentos, especialmente guitarras com maior tensão e estabilidade estrutural.[51]

Discografia selecionada

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  • Exposure (1979)
  • God Save the Queen / Under Heavy Manners (1980)
  • Let the Power Fall: An Album of Frippertronics (1981)
  • 1999 Soundscapes: Live in Argentina (1994)
  • A Blessing of Tears (1995)
  • That Which Passes (1996)
  • The Gates of Paradise (1998)
  • Love Cannot Bear: Soundscapes – Live in the USA (2005)

Com King Crimson

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  • In the Court of the Crimson King (1969)
  • In the Wake of Poseidon (1970)
  • Lizard (1970)
  • Islands (1971)
  • Larks’ Tongues in Aspic (1973)
  • Starless and Bible Black (1974)
  • Red (1974)
  • Discipline (1981)
  • Beat (1982)
  • Three of a Perfect Pair (1984)
  • THRAK (1995)
  • The ConstruKction of Light (2000)
  • The Power to Believe (2003)

Com Brian Eno

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  • (No Pussyfooting) (1973)
  • Evening Star (1975)
  • The Equatorial Stars (2004)
  • Beyond Even (1992–2006) (2007)

Com David Sylvian

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  • Gone to Earth (1986)
  • The First Day (1993)
  • Damage: Live (1994)

Com Andy Summers

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  • I Advance Masked (1982)
  • Bewitched (1984)

Com Peter Gabriel

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  • Peter Gabriel (II) (1978)
  • Peter Gabriel (III) (1980)

Participações selecionadas

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  • David Bowie – “Heroes” (1977)
  • Blondie – Parallel Lines (1978)
  • Talking Heads – Fear of Music (1979)
  • Daryl Hall – Sacred Songs (1980)
  • The Roches – The Roches (1979)

Ver também

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Ligações externas

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Referências

  1. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  2. «Robert Fripp's Online Diaries». Discipline Global Mobile. Consultado em 20 de junho de 2026
  3. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  4. «Robert Fripp – Profile». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  5. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  6. «Robert Fripp's Online Diaries». Discipline Global Mobile. Consultado em 20 de junho de 2026
  7. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  8. «Robert Fripp's Online Diaries». Discipline Global Mobile. Consultado em 20 de junho de 2026
  9. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  10. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  11. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  12. «King Crimson – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  13. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  14. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  15. «King Crimson – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  16. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  17. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  18. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  19. «Brian Eno – Official Site». Consultado em 20 de junho de 2026
  20. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  21. «Robert Fripp – Artist Profile». BBC Music. Consultado em 20 de junho de 2026
  22. «The League of Gentlemen – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  23. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  24. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  25. «King Crimson – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  26. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  27. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  28. «Robert Fripp's Online Diaries». Discipline Global Mobile. Consultado em 20 de junho de 2026
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  30. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  31. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  32. «Robert Fripp's Online Diaries». Discipline Global Mobile. Consultado em 20 de junho de 2026
  33. «League of Crafty Guitarists – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  34. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  35. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  36. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
  37. «Robert Fripp – Diaries». DGM Live. Consultado em 20 de junho de 2026
  38. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  39. «THRAK – Album Page». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  40. «Robert Fripp – Diaries». DGM Live. Consultado em 20 de junho de 2026
  41. «The Power to Believe – Album Page». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
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  43. «King Crimson – Tour History and Live Documentation». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
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  47. «Robert Fripp – Biography». AllMusic. Consultado em 20 de junho de 2026
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  49. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
  50. «Robert Fripp – Diaries». DGM Live. Consultado em 20 de junho de 2026
  51. «The Guitar Circle». Discipline Global Mobile. Consultado em 21 de junho de 2026
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