20.º Grupo de Artilharia de Campanha Leve

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20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve
Pavilhão Cmdo.jpg
País  Brasil
Estado  São Paulo
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel)
Sigla 20º GAC L
Criação 1915
Lema Tradição, Lealdade, Trabalho!
Grito de Guerra Existimos para atirar além da vanguarda!
História
Guerras/batalhas Revolta Paulista de 1924

Revolução Constitucionalista de 1932

2ª Guerra Mundial:

Comando
Comandante Ten Cel Art ADERSON Iwamoto da Silva
Subcomandante Maj Art Marcelo de MENEZES
Comandantes
notáveis
Tenente-Coronel JOSÉ DE SOUZA CARVALHO - Comandante do III Grupo 105 FEB, atual 20º GAC L, durante a 2ª Guerra Mundial.
Sede
Guarnição Barueri
Bairro Jardim Belval
Endereço Estrada de Jandira Km 29 - Jardim Belval

O 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, "Grupo Bandeirante", é uma tradicional unidade militar do Exército Brasileiro, subordinado à 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel) e situado na cidade de Barueri, São Paulo.[1][2]

Origens e Formação[editar | editar código-fonte]

A história do Grupo pode ser vista a partir de duas ramificações de antigas Unidades do Exército Brasileiro.

A primeira segue a do Corpo de Artilharia da Bahia de 1625, com parada em Salvador-BA, onde recebeu diversas denominações com o passar dos anos até que, como 2º Batalhão de Artilharia a Pé, teve parada alterada para Corumbá-MT, em 1857, tendo participação na invasão paraguaia que iniciou a Guerra da Tríplice Aliança. Em 1910, teve parada alterada para Cuiabá como 3º Batalhão de Artilharia de Posição (3º BAP). Em 23 de fevereiro de 1915, o Decreto nº 11.498, decidiu reestruturar a Força. Assim, as 4ª, 5ª e 6ª Bia do 3º BAP juntaram-se ao 6º Grupo do 2º Regimento de Artilharia Montado (6º/2º RAM) de Curitiba-PR, formando o 7º Regimento de Artilharia Montado (7º RAM) em Itu-SP. Ali teve alterada a denominação para 4º RAM, em 1921, e 2º Regimento de Obuses 105 (2º RO 105), em 1 Jan 1951. Em março de 1973, o 2º RO 105, foi desmembrado em 2º GAC e 20º GAC. O 20º GAC foi ativado em 1 Jan 1977, ao ocupar as instalações do 2º Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreo (2º GCanAuAAe) em Barueri-SP.

Na segunda ramificação, em 23 de fevereiro de 1915, ainda no projeto de reestruturação da Força, foi criado o 4º Grupo de Obuses (4º GO) em Jundiaí-SP, com origem na Bateria de Obuseiros da 2ª Brigada Estratégica, do Mato Grosso. Em março de 1922, como 2º Grupo Independente de Artilharia Pesada (2º GIAP), mudou sua parada para Quitauna (Osasco-SP) à época um bairro da cidade de São Paulo. Foi denominado 2º Grupo de Obuses (1934), 6º Grupo de Artilharia de Dorso (1938) e I/2º Regimento de Obuses Autorebocado (1943). Ao integrar a Força Expedicionária Brasileira, foi chamado de III Grupo 105 FEB. Retornou vitorioso da Itália e, em 15 de maio de 1946, passou a ser chamado de I/2º Regimento de Obuses 105, com parada no Parque Dom Pedro II, São Paulo-SP, vindo em julho do mesmo ano receber a designação histórica de GRUPO BANDEIRANTE. Teve alterado seu material e sua constituição para Artilharia Antiaérea em 1 Jan 1951, denominando-se de 2º GCanAuAAe, trazendo em sua memória o Estandarte, Símbolo, designação e acervo históricos. Em 1957, ocupou as instalações em Barueri-SP, e, em 1973, foi alterada sua denominação para 2º Grupo de Artilharia Antiaérea (2º GAAAe). Esse último foi extinto, e em 1 Jan 1977, o 20º GAC de Itu-SP foi ativado nas instalações de Barueri, tendo sido seu pessoal incorporado a esse, retornando a origem da artilharia de campanha, o que lhe permitiu herdar toda tradição histórica do III Grupo 105 FEB. Em 19 de junho de 1995, o Grupo passou a denominar-se 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve (20º GAC L), pioneiro no Exército como Unidade de artilharia de campanha aeromóvel.

Participações em Campanhas e Conflitos[editar | editar código-fonte]

A Guerra da tríplice Aliança iniciou em dezembro de 1864. Cinco mil paraguaios subiram o rio Paraguai e atacaram o Forte de Nova Coimbra.  Os defensores abandonaram a fortaleza e se retiraram rio acima a bordo da canhoneira Anhambaí, em direção a Corumbá. Os paraguaios avançaram rumo ao norte, tomando em janeiro de 1865, as cidades de Albuquerque, Corumbá e apreendendo a canhoneira Anhambaí[3]. Nessa ocasião, comandava, em Corumbá, o 2º Batalhão de Artilharia a Pé o Cel Carlos de Morais Camisão[4]. Em janeiro de 1867, o Cel Camisão assumira o comando da primeira coluna que chegou de Minas Gerais para enfrentar os paraguaios. Em abril de 1867 invadiram o território paraguaio chegando até Laguna. Perseguida pela cavalaria inimiga, a coluna foi obrigada a recuar, ação que ficou conhecida como a retirada da Laguna[5].

Na Revolução Paulista de 1924, dentro do contexto das Revoltas Tenentistas, o 2º GIAP, fez-se presente. O Tenente  Custódio de Oliveira do 2º GIAP participou do planejamento do levante ao lado dos revolucionários Gen Isidoro Dias Lopes, Maj Miguel Costa, Ten Eduardo Gomes e Ten Juarez Távora, na maior revolução armada da capital paulista. Cabe destacar que nesse período, o Grupo teve parada alterada de Jundiaí para Quitaúna, então bairro da capital paulista.

Em 1932 o 2º GIAP, lutou ao lado do povo paulista na Revolução Constitucionalista. Seus canhões Krupp enfrentaram as Forças Legalistas de Getulio Vargas na região do Vale do Paraíba, no intuito de convocar uma nova Assembleia Constituinte.

Em 1941, com a denominação de 6º Grupo de Artilharia de Dorso (6º GADo) e sob o comando do Maj Souza Carvalho, a Unidade foi inspecionada pelo Comandante da 2ª Região Militar, Marechal Mascarenhas de Moraes, nos campos de Utinga em Sorocaba-SP. O futuro Comandante da FEB ficou impressionado com o desempenho dos tiros precisos do 6º GADo e convidou o Maj Souza Carvalho para comandar o I/2º Regimento de Obuses Autorebocado, que integraria a FEB, sendo montado com base no efetivo do 6º GADo, fazendo da Unidade a única do estado de São Paulo da Arma de Artilharia a participar da II Guerra Mundial. Na Itália, recebeu a designação de III Grupo 105 FEB, participando ativamente da conquista de Monte Castelo, Castelnuevo, Montese, Collechio e Fornovo di Taro, onde em 29 de abril de 1945 executou o Ultimo Tiro da Artilharia brasileira. Nessa ocasião, participou da rendição da 148ª Divisão de Infantaria e da 90ª Panzergrenadier-Division alemãs.

Por ocasião da Revolução de 1964, o Grupo recebeu ordem para se deslocar e integrar o Grupamento Tático-4 em Curitiba-PR. Foi feita uma Marcha forçada ao longo da BR-116, para que a cidade não ficasse desguarnecida.

Emprego[editar | editar código-fonte]

Obus M56 Oto Melara
Obus Oto Melara sendo helitransportado

No período de 1986 a 1994, o 20º GAC foi incumbido de, juntamente com a Escola de Sargentos das Armas (EsSA), formar Sargentos de carreira da Arma de Artilharia.

Em 1995, o Exército Brasileiro designou a 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel) e suas Organizações Militares diretamente subordinadas como Força de Emprego Estratégica (FEE). Com isso, o 20º GAC L pode ser empregado em qualquer parte do território nacional para defender a Pátria, garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem.

Na defesa da Pátria, o Grupo Bandeirante está preparado para ser transportado por helicopteros da Aviação do Exército, aviões da Força Aerea Brasileira (FAB), ou por suas viaturas orgânicas. Emprega seu armamento Obuseiro 105mm Oto Melara, de fabricação italiana, e o Morteiro Pesado 120mm, de fabricação nacional, adestrando seu pessoal nos diversos ambientes brasileiros: selva, montanha, caatinga e pantanal. Em Operações de Cooperação e Coordenação com Agências pode atuar na garantia da lei e da ordem, quando solicitado por um dos poderes constituídos e autorizado pelo Presidente da República, com patrulhamento ostensivo, operações de busca e apreensão, efetuar prisões em flagrante delito, proteger instalações importantes, realizar fiscalização de produtos controlados, controlar vias urbanas e rodovias. Além disso, pode cooperar com a defesa civil em missões de auxilio e ajuda humanitária.

Nos últimos anos o Grupo Bandeirante foi empregado na segurança da Copa das Confederações 2013, Jornada Mundial da Juventude 2013, Copa do Mundo 2014, Olimpíada Rio 2016, Greve da Polícia Militar em Salvador, Greve dos Caminhoneiros 2018, Intervenção Federal no Rio de Janeiro 2018. Ainda, a Unidade ostenta o orgulho em ter enviado diversos contingentes para Missão de Estabilização do Haiti, integrando do Batalhão Brasileiro de "peacekeepers" da Organização das Nações Unidas, promovendo a segurança, a estabilidade e a paz daquela nação amiga.

Tradições[editar | editar código-fonte]

O Grupo Bandeirante busca manter viva suas tradições históricas. Presente em todos os fatos marcantes do século XX, o 20º GAC L comemora anualmente em uma brilhante cerimônia, o Ultimo Tiro de Artilharia da FEB no final do mês de abril. A solenidade conta com a participação de diversas autoridades militares e civis, e com nossos valorosos "pracinhas" que combateram o nazi-fascismo na Itália.

O Grupo possui um museu com material de emprego militar utilizado pela FEB e também o capturado do exército alemão, dentre eles a bandeira da 148ª Divisão de Infantaria, apreendida pela 1ª Bia O. Há ainda, um monumento em homenagem à FEB, onde constam todos os militares que integraram o III Grupo 105 FEB.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Centro de Comunicação Social do Exército. «20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, Grupo Bandeirante». Consultado em 19 de dezembro de 2014 
  2. Comando Militar do Sudeste. «20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, Grupo Bandeirante». Consultado em 19 de dezembro de 2014 
  3. «Guerra do Paraguai». Wikipédia, a enciclopédia livre. 8 de dezembro de 2020. Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  4. Dalmolin, José Vicente (10 de abril de 2016). «NIOAQUE E A HISTÓRIA: GUERRA DO PARAGUAI - 4 - CHEGADA DAS TROPAS EXPEDICIONÁRIAS À MATO GROSSO». NIOAQUE E A HISTÓRIA. Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  5. «Guerra do Paraguai». Wikipédia, a enciclopédia livre. 8 de dezembro de 2020. Consultado em 27 de dezembro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]