Ação comunicativa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde julho de 2015).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.

Ação comunicativa refere-se a uma teoria desenvolvida por Jürgen Habermas - filósofo e sociólogo alemão. Trata-se de uma análise teórica e epistêmica da racionalidade como sistema operante da sociedade. Habermas contrapõe-se à ideia de que a razão instrumental constitua a própria racionalização da sociedade ou o único padrão de racionalização possível, e introduz o conceito de razão comunicativa. Partindo da perspectiva que nós seres humanos fazemos coisas com as palavras e que a linguagem constitui uma importante ferramenta de transformação, Habermas argumenta que, através da ação comunicativa, podemos transformar os aspectos objetivos, subjetivos e sociais do mundo. Seu objetivo é propor uma alternativa racional à razão instrumental como fundamento da modernidade a partir de uma ampliação e refinamento da própria ideia de razão. Isso o diferencia dos principais frankfurtianos da primeira geração, Adorno e Horkheimer, os quais procuraram alternativas fora do âmbito da racionalidade, a exemplo da arte e do amor. Habermas também cria uma dicotomia entra a ação estratégica e a ação comunicativa.[1][2].

A ação comunicativa geraria razoabilidade, racionalidade e criticidade, representado uma alternativa à ação estratégica, que seria voltada apenas para os interesses de um grupo ou indivíduo específico. Habermas propõe a ação comunicativa como forma de fazer com que todos os envolvidos em uma deliberação passem a buscar o consenso em torno de uma solução que beneficie a todos igualmente.

Além disso, ele considera que a reflexividade multidimensional aberta pela ação comunicativa e pelos intercâmbios comunicativos foram essenciais para o deslocamento das estruturas simbólicas do mundo da vida, tomadas como dadas e encarnadas em estoques culturais, práticas sociais e processos de formação de personalidade.

Habermas também buscou definir as normas universais da ação comunicativa. Segundo ele, para que o intercâmbio de argumentos, como procedimento para resolução de questões ético-morais, seja realmente efetivo, faz-se necessário uma aproximação da situação ideal de fala, a qual é caracterizada por:[3]

- Imparcialidade.

- Expectativa de que todos os participantes transcendam suas preferências iniciais.

- Inclusão de todos os afetados por uma decisão.

- Igualdade, liberdade e facilidade de interação, com ausência de formas de coerção externas e internas.

- Não restrição de tópicos nas discussões.

- Revisibilidade de resultados.

Influências[editar | editar código-fonte]

Habermas constrói sua teoria a partir de um diálogo frequente com vários autores de diferentes perspectivas teóricas, muitas delas divergentes. Há a incorporação de vários aspectos e temas oriundos do marxismo, pragmatismo, funcionalismo, positivismo e a própria Escola de Frankfurt. Esta incorporação não significa necessariamente uma aceitação, mas um processo de reconstrução/superação[1].

Dentre os teóricos que influenciaram Habermas, é necessário destacar as ideias de George Herbert Mead. Na visão de Habermas ele foi o primeiro a montar um modelo que situava o surgimento do indivíduo na interação social, um aspecto crucial na teoria da ação comunicativa[4]. Assim como Mead, Habermas acreditava que o processo de construção da linguagem humana ocorreu por etapas, começando na linguagem gestual e culminando na Linguagem simbólica.

Entretanto, ele acrescentou a estas etapas o estágio da linguagem diferenciada. Mead teoriza que esta evolução aconteceu devido a seleção natural, uma explicação que Habermas complementa com o conceito de 'seguir uma regra' como definido por Ludwig Wittgenstein. Há um resgate da diferenciação entre o mundo objetivo, social e subjetivo. Essa diferenciação é utilizada por Habermas para construir as chamadas 'pretensões de validade' do agir comunicativo, sendo elas criticáveis, a saber, em termos de:

- Verdade (Wahrheit) referente ao mundo objetivo;

- Validade (ou correção) normativa (Gültigkeit) referente ao mundo social;

- Sinceridade ou autênticidade (Wahrhaftigkeit) referente ao mundo subjetivo;

- Inteligibilidade (Intelligibilität) referente ao mundo intersubjetivo (social) no uso da linguagem[5].

Referências

  1. a b A teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas: conceitos básicos e possibilidades de aplicação à administração escolar. Por José Marcelino de Rezende Pinto. Paidéia n° 8-9. Ribeirão Preto, fev-ago, 1995.
  2. Habermas clássico sai no Brasil. Resenha da Teoria do Agir Comunicativo, de Habermas . Por Luiz Repa. Revista Cult, n°170, julho de 2012.
  3. Mendonça, Ricardo Fabrino. «Antes de Habermas, para além de Habermas: uma abordagem pragmatista da democracia deliberativa v.31, p. 741-768» (PDF). Consultado em 18 de março de 2017 
  4. «Dialética positiva: de Mead a Habermas» (PDF). Consultado em 1 de Abril de 2017 
  5. Habermas, Jürgen. Theorie des kommunikativen Handelns: Handlungsrationalität und gesellschaftliche Rationalisierung. [S.l.: s.n.] pp. 49–51 
Ícone de esboço Este artigo sobre filosofia/um(a) filósofo(a) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.