A8 (autoestrada)

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A8-PT.svg

A 8 - Autoestradas de Portugal
Nome: Autoestrada do Oeste
Traçado actual: Lisboa (IC17) – Leiria (A 1)
Traçado previsto: Lisboa (IC17) – Leiria (A 1)
Tráfego médio diário: 21 658[1] Ano: 2017 (Dez.)
A 8
138
Cruza com: Concessionário: Regime:
 A 1 ,  A 9 ,  A 15 ,
 A 17 ,  A 19 ,  A 21 ,  A 36 ,  IP 6 ,  IC 2 , N 8,
N 113, N 114, N 115, N 242, N 248, N 250, N 360, N 374, N356-2
Auto-Estradas do Atlântico Portagens (106 km)
Gratuito (32 km)
Mapa da auto-estrada A 8.

A  A 8  - Autoestrada do Oeste é uma autoestrada portuguesa. Com uma extensão de 138 km, liga Lisboa (IC17 — CRIL) a Leiria (A1), atravessando estes dois distritos e a região Oeste de Portugal. Neste percurso, a A8 permite ligações à  A 9 (CREL)  (em Loures),  A 21  (na Malveira),  A 15  (nas Caldas da Rainha),  A 17   (na Marinha Grande) e à  A 19  (em Leiria). É paralela à N8 de Lisboa a Alfeizerão, e à N242 daí até Leiria.

Desenvolve-se numa orientação de sul para norte e faz parte da segunda ligação por autoestrada entre Lisboa e o Porto. No entanto, enquanto que a  A 1  segue um percurso pelo interior, primeiro junto ao Rio Tejo e depois a leste das Serras de Aire e dos Candeeiros, a  A 8  desenvolve-se pela região Oeste, atravessando diversas cidades e vilas numa zona de grande desenvolvimento e servindo como eixo estrutural e de ligação às capitais de distrito.

A A8 foi construída em várias fases; alguns troços desta autoestrada foram construídos como parte do IC1, uma via rápida com perfil de autoestrada, e foram renomeados para A8 em finais da década de 1990. O primeiro troço da Autoestrada do Oeste foi inaugurado em 1984, entre Olival Basto e Frielas tendo-se desclassificado o traçado original da EN8 em prol deste. Em 1991, já com numeração separada (A8), a autoestrada foi prolongada até à Venda do Pinheiro/Malveira e em 1996 chegou a Torres Vedras. Entretanto, em 1993, foi aberta uma variante ao Bombarral, integrada no IC1, evitando a travessia desta vila[2]. Em 1995, inauguraram-se os troços Torres Vedras (sul)-Torres Vedras (norte), assim como Bombarral (norte)–Caldas da RainhaTornada, tendo estes também assumido a classificação do Itinerário Complementar em que a maior parte da A8 se insere, o IC1. Em 1997 a variante a Torres Vedras foi renomeada para A8 e com a conclusão do troço entre Torres Vedras e Bombarral, passou a ser assumida esta designação para todo o traçado construído até então. A autoestrada chegou a Leiria em 2002 e o último troço (a ligação à A1) foi aberto em 2011.

Esta auto-estrada é actualmente concessionada pela empresa Auto-Estradas do Atlântico, administrando-a em regime de portagem, existindo contudo dois troços não-taxados: entre Lisboa e Loures (7 km) e entre o Bombarral e as Caldas da Rainha (zona industrial) (21 km). Nos troços Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte (6 km) e Caldas da Rainha (zona industrial)–Tornada (4 km) o tráfego local não paga portagens (por tráfego local entende-se veículos que só utilizem esses troços). Um percurso entre Lisboa e Leiria custa €8,65 para um veículo Classe 1.

Traçado da A 8 no Google Maps

Estado dos Troços[editar | editar código-fonte]

Troço Situação (2011) km
Lisboa (  IC 17 - CRIL ) - Frielas Em serviço (1984)
4,3
Frielas - Malveira (  A 21  ) Em serviço (12 de setembro de 1991)
14,8
Malveira (  A 21  ) - Torres Vedras (sul) Em serviço (29 de abril de 1996)
17,3
Torres Vedras (sul) - Torres Vedras (norte) Em serviço (15 de julho de 1995)
5,9
Torres Vedras (norte) - Bombarral (sul) Em serviço (29 de agosto de 1997)
20,1
Bombarral (sul) - Bombarral (norte) Em serviço (1993)
3,6
Bombarral (sul) - Tornada Em serviço (1995)
16,3
Tornada - Marinha Grande (este) Em serviço (9 de outubro de 2001)
42,3
Marinha Grande (este) - Leiria (sul) Em serviço (28 de março de 2002)
4,4
Leiria (sul) - Leiria (nascente) Em serviço (16 de novembro de 2011)
6,5

História[editar | editar código-fonte]

A partir da década de 1960, começou a verificar-se que muitas ligações em Portugal eram servidas por estradas obsoletas. A principal estrada da região Oeste era a N8, uma estrada sinuosa que atravessava o interior de muitas localidades (notavelmente as vilas de Loures, Torres Vedras, Bombarral e Alcobaça assim como a cidade das Caldas da Rainha). Em 1972, o governo de Marcello Caetano concessionou à Brisa, por 25 anos, a manutenção e construção de uma projetada rede de autoestradas (que na sua maioria teria portagens).[3] Na altura, foram entregues à Brisa os (curtos) troços de autoestrada que já existiam e a empresa foi encarregada de construir e depois manter vários novos troços. O objetivo era concluir (até 1981) a construção de uma rede de mais de 400 km de autoestradas, localizadas no eixo Setúbal–Lisboa–Porto–Braga.[3] No início da década de 1970 já existia um projeto para construir uma autoestrada entre Lisboa e Malveira (e pedidos para que essa futura autoestrada fosse prolongada até Torres Vedras),[4] mas este projeto acabou por não ser incluído na rede concessionada à Brisa.[3]

Lisboa–Loures[editar | editar código-fonte]

Uma vez que a construção de uma autoestrada no Oeste não foi incluída na concessão da Brisa, a responsabilidade por construir eventuais autoestradas ou vias rápidas nessa região continuou nas mãos da Junta Autónoma de Estradas. Em 1978 já estavam a decorrer as expropriações para a construção do troço LisboaLoures daquela que viria a ser a Autoestrada do Oeste.[5] O troço Lisboa–Loures (ou mais precisamente Olival BastoFrielas) acabou por ser aberto em 1984. Este troço de 4 km tinha 2 vias por sentido e não tinha portagens; uma vez que na altura as autoestradas não tinham uma numeração própria, o lanço Lisboa–Loures foi incluído na N8. O marcos quilométricos da N8 eram de betão (iguais aos que então eram usados nas outras estradas nacionais) e localizavam-se no sentido Sul-Norte. Mais tarde foram colocados marcos metálicos da A8 (de ambos os lados da autoestrada), que no sentido sul-norte ladeavam os marcos de betão da N8. Os marcos da N8 foram mantidos até às obras de alargamento (para 3 vias) deste troço de autoestrada, iniciadas em 2008. Em consequência da construção deste lanço de autoestrada, o traçado original da N8 entre Olival Basto e Frielas/Santo António dos Cavaleiros foi desclassificado.

Em 1985 foi publicado o novo Plano Rodoviário Nacional, que substituiu o de 1945. Na região Oeste, este plano previa a construção da estrada rápida IC1 entre Lisboa, Torres Vedras, Caldas da Rainha e Leiria e que a N8 fosse desclassificada para estrada municipal.[6] A autoestrada Lisboa–Loures foi naturalmente integrada no IC1. O Plano Rodoviário Nacional de 1985 não clarificava quais os troços do IC1 que teriam perfil de autoestrada, mas no mínimo seria uma via rápida com uma faixa de rodagem.

Loures–Malveira–Torres Vedras Sul[editar | editar código-fonte]

A A8 perto da Malveira, antes das obras de alargamento.

A Junta Autónoma de Estradas foi encarregada de prolongar a autoestrada Lisboa–Loures até à Malveira. Ao contrário do troço Lisboa–Loures, o troço Loures–Malveira foi construído com o formato de autoestrada com portagens. Em 1991, o governo de Cavaco Silva reviu o contrato de concessão da Brisa: de acordo com o novo contrato, a exploração e manutenção do lanço Loures–Malveira seria transferida para a Brisa quando esse troço fosse aberto (o troço Lisboa–Loures não seria transferido).[7] Na altura, as autoestradas já tinham uma numeração separada do resto das estradas (composta pela letra "A" seguida de um número, uma nomenclatura criada em 1985[8]) e a autoestrada Lisboa–Malveira era identificada como A8.[7] Uma vez que foi a Junta Autónoma de Estradas quem construiu o troço Loures–Malveira da A8, a Brisa teve que pagar os custos de construção à Junta para que a transferência pudesse ocorrer; os custos de construção foram de 4 800 milhões de escudos (ou 4,8 milhões de contos).[7] O lanço Loures–Malveira da A8 foi aberto em 12 de Setembro de 1991, pelo que esta autoestrada ficou com um comprimento de 19 km. Na altura, as portagens entre Loures e a Malveira (e logo, entre Lisboa e Malveira) custavam PTE 100 em classe 1.[9]

Em Maio de 1993, foi adicionado à concessão da Brisa a construção (e manutenção) do lanço MalveiraTorres Vedras da A8.[10] Estava previsto que este lanço (que também teria portagens) estivesse concluído no 2.º semestre de 1995.[10] O projeto deste lanço de 17 km já tinha sido feito pela Junta Autónoma de Estradas e previa a construção de um nó intermédio em Pero Negro, com a N9-2. Inicialmente, a Brisa não pretendia construir esse nó, justificando que teria pouco tráfego.[11] Contudo, a concessionária acabou por o construir; a Junta Autónoma de Estradas fez pressão para que o nó de Pero Negro fosse construído, pois melhorava as acessibilidades daquela zona e já estava incluído nos planos diretores dos municípios que seriam servidos pelo nó.[11] O lanço Malveira–Torres Vedras da A8 foi aberto ao tráfego em 29 de abril de 1996. Na altura, um condutor pagava PTE 200 (em classe 1) para percorrer esse lanço (e PTE 300 para percorrer toda a autoestrada entre Lisboa e Torres Vedras).[12] Estes valores geraram controvérsia na região, tendo sido argumentado que as taxas de portagem foram agravadas em relação ao que estava inicialmente previsto.[13]

Em setembro de 1995, foi aberta ao tráfego a A9 — CREL, que interseta a A8 em Loures.

IC1 Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte e Bombarral–Caldas da Rainha–Tornada[editar | editar código-fonte]

Enquanto a Brisa ia completando a A8 entre Lisboa e Torres Vedras, a Junta Autónoma de Estradas estava a construir o IC1, uma via rápida com perfil de autoestrada (e sem portagens), a norte de Torres Vedras. Em 1993 foi aberto ao tráfego o troço Bombarral Sul–Bombarral Norte (variante do Bombarral) e em 1995 abriram os lanços Bombarral Norte–Caldas da Rainha–Tornada e o Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte (variante de Torres Vedras). O nó de Torres Vedras Norte foi construído de modo a, no futuro, permitir a ligação com o IC11. Em meados da década de 1990 estava previsto que a região Oeste fosse servida pela autoestrada A8 entre Lisboa e Torres Vedras e pela via rápida com perfil de autoestrada IC1 entre Torres Vedras e Caldas da Rainha. Não estava claro se entre Caldas da Rainha e Leiria a via rápida IC1 também teria perfil de autoestrada. Na altura, estava em construção o troço Torres Vedras Norte–Bombarral Sul do IC1, que incluía dois nós intermédios.

Lançamento da concessão Oeste e guerra das portagens no Oeste[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1996 o governo (de António Guterres) decidiu avançar com a criação da duas novas concessões rodoviárias, a concessão Norte e a concessão Oeste.[14] Ambas as concessões seriam predominantemente financiadas por portagens reais; no caso da concessão Oeste, a empresa que ganhasse a concessão teria que assegurar a manutenção de toda a A8 (entre Lisboa e Torres Vedras), das duas secções do IC1 que já estavam em funcionamento (Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte e Bombarral SulCaldas da RainhaTornada) e da secção do IC1 que estava em construção (Torres Vedras Norte–Bombarral Sul); a empresa que ganhasse a concessão teria que construir o troço Tornada–Leiria da A8 e toda uma nova autoestrada entre Caldas da Rainha e Santarém.[15] Estava previsto que o IC1 seria integrado na A8, pelo que seria criada uma autoestrada contínua entre Lisboa e Leiria.[15] O aspeto mais controverso desta concessão era as portagens: por um lado estava previsto que o lanço Tornada–Leiria seria uma autoestradas com portagens (em vez da via rápida gratuita que até então estava planeada); contudo, de longe o aspeto mais controverso foi o facto de a concessão Oeste permitir que fossem introduzidas portagens no IC1, quer no troço que estava em construção (Torres Vedras Norte–Bombarral Sul), quer nos dois troços que já estavam em funcionamento (variante de Torres Vedras e lanço Bombarral Sul–Caldas da Rainha–Tornada).[15] O governo de António Guterres tinha abolido as portagens nalguns troços de autoestrada em Lisboa e Porto (e mais tarde lançou várias concessões com portagem virtual) mas no caso do Oeste o governo inicialmente pretendia que o troço do IC1 em construção tivesse portagens reais para todo o tráfego e que nos troços que já estavam em funcionamento apenas não fossem cobradas portagens para o tráfego local.[16] A introdução de portagens no IC1 acabou por gerar um forte movimento de contestação na região Oeste que envolveu populações, associações representativas de vários setores da economia e autarquias.[17]

Em 1997 foi aprovada na Assembleia Municipal do Bombarral uma moção que mandatava o seu presidente, o jovem advogado Feliciano Barreiras Duarte, a criar e liderar uma comissão de luta contra as portagens.[17] A Comissão de Luta Contra as Portagens nas Vias Rápidas do Oeste realizou no Bombarral várias reuniões ao longo de um ano para, a partir daí, encetar ações aos mais diversos níveis.[17] Outro importante líder do movimento contra as portagens foi o agricultor Júlio Sebastião, o Presidente da Associação de Agricultores do Oeste (que morreu ainda em 1997[18]).[19] A Comissão argumentava que as pessoas servidas pelo IC1 tinham sido enganadas pois "tinham sido cedidos terrenos por via de expropriações amigáveis, a preços da chuva, no pressuposto de que iam ter uma via rápida para melhor escoar os produtos e atrair turistas".[17] Entretanto, foram construídas praças de portagem nos nós da variante de Torres Vedras e os nós do troço Torres Vedras Norte–Bombarral Sul (recorde-se que este troço estava em construção) tiveram que ser completamente reconstruídos para criar praças de portagem.[20][21] O governo decidiu incluir temporariamente o lanço Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte–Bombarral Sul na concessão da Brisa, para que essa empresa pudesse explorar a autoestrada enquanto não fosse atribuída a concessão Oeste.[22] O troço Torres Vedras Norte–Bombarral Sul abriu ao tráfego em 29 de agosto de 1997, integrado na A8 e com portagens, gerando mais contestação. No dia da inauguração, ocorreu uma marcha lenta em protesto contra o pagamento de portagens. Na altura, uma viagem no troço recém-inaugurado custava entre PTE 250 (em classe 1) e PTE 600 (em classe 4) e na variante de Torres Vedras as portagens (que tinham sido introduzidas) custavam entre PTE 70 e PTE 180 (note-se contudo que se um condutor apenas percorresse a variante de Torres Vedras não pagava portagem, pois era considerado tráfego local).[23] O Tribunal de Contas acabou por dar razão ao movimento cívico contra as portagens, considerando que o IC1 não podia ser transformado numa autoestrada com portagens pois mais de 70% do investimento provinha de fundos da União Europeia.[17] O Tribunal Constitucional, o então Provedor de Justiça José Menéres Pimentel e o então Presidente da República Jorge Sampaio também deram razão ao movimento anti-portagens.[17] Em 6 de novembro de 1997, o Parlamento aprovou (com os votos favoráveis de todos os partidos da oposição) uma proposta de lei que abolia as portagens no troço Torres Vedras–Bombarral da A8.[24] Tudo isto levou o governo de António Guterres a ceder e procurar um compromisso. Foi alcançado um acordo segundo o qual as portagens no troço Torres Vedras Norte–Bombarral Sul se manteriam, mas seriam suspensas para o tráfego local até que ficassem concluídas as obras de reabilitação do troço equivalente da N8 (por tráfego local entendia-se tráfego que só usasse aquele troço da A8).[25][26] Nos termos do acordo, o lanço Bombarral Sul–Zona Industrial de Caldas da Rainha (21 km) continuaria totalmente gratuito e não seriam cobradas portagens ao tráfego local nos lanços Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte (6 km) e Zona Industrial de Caldas da Rainha–Tornada (4 km). As portagens no lanço Torres Vedras Norte–Bombarral Sul foram suspensas em fevereiro de 1998;[27] devido ao acordo entre o governo e o movimento anti-portagens, o Presidente Jorge Sampaio vetou no mesmo mês a proposta de lei aprovada em novembro de 1997 pelo Parlamento.[28][24] Nos anos seguintes, o troço Torres VedrasBombarral da N8 sofreu obras que incluíram a correção de curvas, reforço da pavimentação, drenagem, sinalização e segurança e construção de vias de lentos para ultrapassagens.[29] As portagens na A8 foram repostas em 7 de Agosto de 2000.[25][29]

Em finais da década de 1990 e inícios da de 2000 foi publicado um novo Plano Rodoviário Nacional, que substituiu o de 1985.[30][31][32] Em concordância com os projetos que na altura já existiam, o Plano Rodoviário Nacional de 2000 previa que o IC1 fosse construído em perfil de autoestrada em toda a região Oeste (A8).[30] O Plano Rodoviário Nacional de 2000 classificou especificamente algumas rodovias como Estradas Nacionais para servirem de alternativa a autoestradas com portagem.[30] No caso da região Oeste, o Plano previa a manutenção da N8[33] enquanto única estrada estatal alternativa à A8 entre Loures, Torres Vedras, Bombarral, Caldas da Rainha e Alfeizerão (embora tivesse ficasse acordado que a A8 não teria portagens entre Bombarral e Caldas da Rainha).[30] A norte de Alfeizerão, haveriam duas rotas alternativas à A8: a primeira seria através da N8 até Alcobaça, IC9 entre Alcobaça e o nó com o IC2, e IC2 daí até Leiria. A segunda rota alternativa à A8 segue mais próxima da autoestrada, e é composta pela N242 entre Alfeizerão, Nazaré e Marinha Grande.[30] O troço Marinha Grande–Leiria da N242 não foi incluído no Plano Rodoviário Nacional (nem como Estrada Nacional, nem como Estrada Regional);[30] contudo, desde 1993 que este lanço é uma via rápida com uma faixa de rodagem. Em 2011 foi construída uma variante da N242 à Nazaré.

Tornada–Leiria (IC2)[editar | editar código-fonte]

A empresa Auto-estradas do Atlântico venceu o concurso para a concessão Oeste. O contrato de concessão foi assinado em 21 de dezembro de 1998, em Leiria.[34] A concessão durava 30 anos e a responsabilidade pela manutenção do troço LisboaTornada da A8 (que já estava construído) foi transferida para a Autoestradas do Atlântico. Os lanços Lisboa–Loures e Bombarral SulTornada provieram da Junta Autónoma de Estradas enquanto que o lanço Loures–Bombarral Sul proveio da Brisa. Pelo contrato, a Autoestradas do Atlântico tinha que prolongar a A8 até Leiria (IC2) até ao 3.º trimestre de 2001.

O lanço Tornada–Marinha Grande (43 km) foi inaugurado em 9 de outubro de 2001; no mesmo dia, foi inaugurada a A15 — Autoestrada Caldas da Rainha–Santarém (36 km).[35] Ambas os troços (que tinham portagens) foram inaugurados com um atraso em relação ao que estava no contrato, o que foi justificado pelas fortes chuvas que caíram durante parte do ano de 2001.[35] A cerimónia de inauguração contou com a presença do então Primeiro-Ministro António Guterres e de vários autarcas; na cerimónia foi cumprido um minuto de silêncio em homenagem a 8 trabalhadores que morreram durante a construção da A15.[35] No dia da inauguração, vários autarcas criticaram a existência de portagens nos novos troços.[36]

A construção do lanço seguinte da A8, os 4,5 km[35] entre Marinha Grande e Leiria (IC2), também se atrasou, mas devido a alterações ao projeto inicial exigidas pelo governo.[37] Este troço foi inaugurado em 28 de março de 2002, numa cerimónia onde esteve José Vieira da Silva, o então Secretário de Estado das Obras Públicas.[37] A concessão Oeste não incluía a construção do troço Leiria (IC2)–Leiria (A1), pelo que a A8 ficou a terminar provisoriamente no nó com o IC2. No total, o prolongamento da A8 desde Tornada até Leiria (IC2) e a construção da A15 representaram um investimento de 83 milhões de contos (44,8 milhões de euros).[35]

A concessão Oeste termina em 21 de dezembro de 2028.

Leiria (IC2)–Leiria (A1)[editar | editar código-fonte]

Em 2008 foi anunciado pelo Governo português que a ligação entre o actual final da  A 8  e a  A 1  , na zona de Leiria, estaria concluída até 2012, num troço com uma extensão de 6 km e em regime de portagem eletrónica. O projecto, que se insere na Concessão Litoral Oeste, foi adjudicado e as obras foram concluídas em 2011, tendo sido aberto o novo troço a 16 de novembro de 2011[38]. Este lanço faz parte do IC36 e está integralmente sinalizado como A8.

Capacidade[editar | editar código-fonte]

Perfil[editar | editar código-fonte]

Troço Perfil Extensão
 A 36 (CRIL)  - Malveira
Spain traffic signal s11b.svg
18 km
Malveira - Caldas da Rainha
Spain traffic signal s11a.svg
66 km
Caldas da Rainha -  A 17 
Spain traffic signal s11b.svg
42 km
 A 17  - Leiria (sul)
Spain traffic signal s11a.svg
5 km
Leiria (sul) - Leiria (nascente)
Spain traffic signal s11a.svg
6 km

Tráfego[39][editar | editar código-fonte]

Troço Tráfego médio mensal,

setembro de 2016

CRIL (A36) - Frielas 55.313
Frielas - Loures 86.403
Loures - CREL (A9) 49.388
CREL - Lousa 54.224
Lousa - A21 49.684
A21 - Enxara 27.289
Enxara - Torres Vedras Sul 26.368
Torres Vedras Sul - Torres Vedras Norte 21.358
Torres Vedras Norte - Ramalhal 23.267
Ramalhal - Campelos 17.265
Campelos - Bombarral 16.817
Bombarral - Delgada 19.881
Delgada - São Mamede 22.312
São Mamede - IP6 23.333
IP6 - Óbidos 28.476
Óbidos - Arnóia (A15) 29.225
Arnóia (A15) - Gaeiras 28.105
Gaeiras - Caldas da Rainha 25.708
Caldas da Rainha - Zona Industrial 21.968
Zona Industrial - Tornada 17.958
Tornada - Alfeizerão 12.607
Alfeizerão - Valado dos Frades 12.351
Valado dos Frades - Pataias 11.797
Pataias - Marinha Grande Sul 11.750
Marinha Grande Sul - A17 12.329
A17 - Marinha Grande Este 7.728
Marinha Grande Este - Leiria Sul (A19) 7.070
Leiria Sul (A19) - Cortes 4.398
Cortes - Pousos (EN113) 4.096

Saídas[editar | editar código-fonte]

Nó com o IP 6, próximo de Óbidos.

Lisboa - Leiria[editar | editar código-fonte]

Número da Saída km Nome da Saída Estrada que liga
502 0.svg 0 Lisboa Calçada de Carriche
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 1 2-4 Odivelas / Olival Basto
Sacavém / Algés
N 8
 A 36 (IC17-CRIL) 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 2 4 Frielas
Santo António dos Cavaleiros
N 8
N 250
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 3 7 Loures
Bucelas
N 115
Peaje.png Praça de Portagem de Loures (km 8)
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 3A 9 Alverca
Cascais
 A 9 (CREL) 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 4 16 Lousa
Montachique
N 374-2
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 5 19 Ericeira
Mafra
Malveira
Venda do Pinheiro
 A 21 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 6 27 Enxara dos Cavaleiros
Enxara do Bispo
Sobral de Monte Agraço
Pero Negro
N 9-2
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 7 36 Torres Vedras (Sul) N 8
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 8 42 Torres Vedras (Centro)
Alenquer
Cadaval
N 115-2
N 9
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 9 44 Ramalhal
Lourinhã
N 8
N 8-2
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 10 54 Campelos N 361-1
Peaje.png Praça de Portagem do Bombarral (km 57)
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 11 62 Bombarral
Lourinhã
N 8
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 12 65 Bombarral Norte
Carvalhal
Paul
Delgada
N 8
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 13 71 São Mamede
A-da-Gorda
N 8
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 14 71 Peniche  IP 6 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 15 74 Óbidos N 8
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 16 76 Rio Maior
Santarém
 A 15 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 17 77 Gaeiras
Caldas da Rainha (Sul)
N 8
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 18 81 Caldas da Rainha
Foz do Arelho
N 360
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 19 83 Caldas da Rainha (Zona Industrial)
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 20 86-87 Tornada N 8
Peaje.png Praça de Portagem de Tornada (km 86-87)
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 21 93 Alfeizerão
São Martinho do Porto
N 242
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 22 106 Valado dos Frades
Nazaré
Alcobaça
N 8-5
Spain traffic signal tp18.svg  IC 9 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 23 113 Pataias N 242-4
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 24 123 Marinha Grande (Sul) N 242
Spain traffic signal s63.svg 24A 127 Figueira da Foz
Aveiro
 A 17 
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 25 127 Marinha Grande (Este) N 242
Peaje.png Praça de Portagem de Leiria
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 26 132 Leiria (Sul)
Batalha
 A 19 
Portico portagem.JPG Pórtico de Portagem sublanço Leiria-Cortes - € 0,25
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 27 135 Cortes
Leiria
N356-2
Portico portagem.JPG Pórtico de Portagem sublanço Cortes-Pousos - € 0,25
Sinnbild Autobahnausfahrt.svg 28 138 Pousos
Leiria (este) / Ourém
N 113
Spain traffic signal s63.svg 138 Leiria (Norte)
--------
Coimbra
Santarém
COL /  A 8-1 


 A 1 

Nota: O preço das portagens indicado na tabela corresponde à tarifa paga por um veículo pertencente à classe 1.

Áreas de Serviço[editar | editar código-fonte]

  • Aire d'autoroute - station essence.png Área de Serviço de Loures (km 14) Logo de Repsol.jpg
  • Aire d'autoroute - station essence.png Área de Serviço de Torres Vedras (km 49) Galp Energia logo.jpg
  • Aire d'autoroute - station essence.png Área de Serviço de Óbidos (km 79) Cepsa Logo.png
  • Aire d'autoroute - station essence.png Área de Serviço da Nazaré (km 110) Bp-logo.jpg

Projectos de Execução[editar | editar código-fonte]

  1. Relatório do Projecto de Execução (RECAPE) da A 8 / IC 36 - Leiria Sul / Leiria Nascente: [1]

Referências

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