A Cabana do Pai Tomás

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre uma telenovela brasileira. Para outros significados, veja Uncle Tom's Cabin (desambiguação).
A Cabana do Pai Tomás
Anúncio para a estreia da telenovela.
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero
Duração 55 minutos
Estado Finalizada
Criador(es) Hedy Maia
Glória Magadan
Walther Negrão
Baseado em Uncle Tom's Cabin, de Harriet Beecher Stowe
País de origem Brasil
Idioma original português
Produção
Diretor(es) Fábio Sabag
Daniel Filho
Walter Campos
Régis Cardoso
Elenco Sérgio Cardoso
Ruth de Souza
Paulo Goulart
Miriam Mehler
(ver mais)
Tema de abertura "Cabana do Pai Tomás", Lyrio Panicali (instrumental)[1]
Localização São Paulo, SP
Exibição
Emissora original Rede Globo
Formato de exibição Preto e branco
Transmissão original 7 de julho de 196928 de fevereiro de 1970
Episódios 204
Cronologia
A Grande Mentira
Pigmalião 70

A Cabana do Pai Tomás é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo entre 7 de julho de 1969 e 28 de fevereiro de 1970, em 204 capítulos, substituindo A Grande Mentira e sendo substituída por Pigmalião 70. Escrita por Hedy Maia, Glória Magadan e Walther Negrão, a novela foi baseada no romance Uncle Tom's Cabin, de Harriet Beecher Stowe. Teve direção de Fábio Sabag, Daniel Filho, Walter Campos e Régis Cardoso, produzida em preto-e-branco.[2][3][4]

Produção e exibição[editar | editar código-fonte]

Para a novela, a 6.ª da emissora no horário das 19 h, foram construídos dois estúdios na emissora em São Paulo. Uma embarcação do século XIX foi reproduzida para as gravações e uma colheita de algodão, numa fazenda de Campinas foi antecipada exclusivamente para que o local servisse de locação para a história. Porém, com o incêndio que destruiu parcialmente as instalações da emissora na capital paulista, apenas uma semana após a estreia da novela, a equipe de produção foi obrigada a se transferir para o Rio de Janeiro, onde passou a contar com menos recursos.[5][6]

Fábio Sabag dirigiu os oito primeiros capítulos, mas foi substituído por Daniel Filho, devido a uma séria estafa. Posteriormente Walter Campos e Régis Cardoso entraram na equipe de direção a pedido do ator Sérgio Cardoso. A Cabana do Pai Tomás foi a última novela da Rede Globo inteiramente baseada em textos estrangeiros. A novela subsequente no horário, Pigmalião 70, já retratava a realidade brasileira.[4][6]

Protagonistas[editar | editar código-fonte]

A Cabana do Pai Tomás teve uma recepção tumultuada por parte da imprensa. Isso porque o ator Plínio Marcos, em sua coluna Navalha na Carne no jornal Última Hora, liderou uma campanha de repúdio à escolha de um ator branco para interpretar um negro — Sérgio Cardoso. A opinião geral na classe artística era que Milton Gonçalves deveria fazer o papel. A agência de publicidade Colgate-Palmolive, responsável pelo patrocínio das telenovelas na década de 1960 no Brasil, influenciou diretamente na escolha do ator para o papel principal. A filial estadunidense da agência escolheu Sérgio Cardoso para interpretar o escravo Tomás, sem analisar as implicações que isso poderia ter na mídia brasileira.[3][4] A controvérsia era maior porque a caracterização do ator incluía pintura do corpo, peruca e rolhas no nariz, um caso de blackface.[3][4]

Além de interpretar o escravo Tomás, Sérgio Cardoso também dava vida ao abolicionista Dimitrius, alusão ao protagonista de E o Vento Levou, Rhett Butler; e ao presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln. Na época não havia tecnologia suficiente para mostrar os três personagens contracenando; segundo Régis Cardoso, para compor a imagem, foi necessário gravar com cada um e, em seguida, montar a cena.[4]

A novela fez Ruth de Souza, a Tia Cloé, ser associada como a primeira protagonista negra na televisão brasileira (ou a primeira em telenovelas da Rede Globo). Ruth era amiga de Sérgio Cardoso e foi ele quem a indicou para a direção da novela. "Fui contratada de imediato e protagonizei a história, o que, infelizmente é incomum na carreira de atores negros", afirmou Ruth. Devido ao seu papel de destaque, a atriz chegou a ter problemas com pessoas do elenco: "Algumas atrizes brancas não queriam que o nome delas ficasse atrás do meu nos créditos. Não guardo mágoa, mas acho qualquer tipo de preconceito uma estupidez".[6] Em textos de 2019, o jornalista Nilson Xavier ressalta que Ruth tinha um personagem de destaque na novela, mas que não era necessariamente a protagonista da história — função desempenhada unicamente pelo personagem de Sérgio Cardoso[7] — e que a primeira atriz negra protagonista de uma telenovela brasileira foi Yolanda Braga, em A Cor da Sua Pele (1965) na TV Tupi.[8]

Enredo[editar | editar código-fonte]

A história é completamente inspirada no romance de Harriet Beecher Stowe. Aborda a constante luta travada entre latifundiários e escravos no sul dos Estados Unidos à época da Guerra da Secessão.

O principal personagem é o escravo negro Pai Tomás que, ao lado da esposa Cloé e de outros amigos na mesma condição, enfrenta os fazendeiros à procura de liberdade.

Paralelo às discussões políticas e sociais da trama, há também o romance proibido entre os jovens Pierre Saint Clair e Bárbara Morrison.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator[3][9] Personagem[3][9]
Sérgio Cardoso Pai Tomás / Dimitrius / Abraham Lincoln
Ruth de Souza Cloé
Paulo Goulart Pierre Saint Clair
Miriam Mehler Bárbara Morrison
Milton Gonçalves Hasan (Onça)
Maria Luíza Castelli Ofélia
Turíbio Ruiz Mr. Shelby
Rachel Martins Martha Saint Clair
Felipe Carone Arquibaldo Morrison
Norah Fontes Jessica Morrison
Germano Filho Natanié
Isaura Bruno Betsy
Jonas Mello Jimmy
Jacyra Silva Cassie
Edney Giovenazzi Mr. Legris
Eloísa Mafalda Emily
Renato Master David
Nívea Maria Elisa
Érico Freitas George
Ivete Bonfá Cláudia Grend
Gésio Amadeu Sam
Isabella Cerqueira Eleonora
Luiz Pini Aramis Grend
Lola Brah Andressa Grend
Macedo Neto Rudi
Regina Macedo Ruth
Jorge Coutinho Angelus
Chica Xavier Lica
Haroldo de Oliveira Jonas
Terezinha Cubana Piggy
Midnight Bêbado

Referências

  1. «Discografia de Lyrio Panicali». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 6 de janeiro de 2013 
  2. «Wálter Negrão - Teledramaturgia». Teledramaturgia. Consultado em 6 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 5 de agosto de 2014 
  3. a b c d e «A Cabana do Pai Tomás - Teledramaturgia». Teledramaturgia. Consultado em 6 de janeiro de 2013 
  4. a b c d e «A Cabana do Pai Tomás - Curiosidades». Memória Globo. Consultado em 6 de janeiro de 2013 
  5. «A Cabana do Pai Tomás - Produção». Memória Globo. Consultado em 6 de janeiro de 2013 
  6. a b c «Os 35 anos de 'A Cabana do Pai Tomás'». Paraná Online. Consultado em 6 de janeiro de 2013 
  7. Nilson Xavier (2019). «A TV deveu grandes papeis a Ruth de Souza, sempre escalada para coadjuvantes». Teledramaturgia. Consultado em 23 de abril de 2021 
  8. Nilson Xavier (26 de janeiro de 2019). «Há 15 anos, Globo lançou 1ª protagonista negra em novela e quase nada mudou». UOL. Consultado em 23 de abril de 2021 
  9. a b «Ficha Técnica». Memória Globo. Consultado em 25 de janeiro de 2015