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A Carolina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A Carolina
Machado de Assis ao leito de sua esposa.
Autor(es)Machado de Assis
IdiomaPortuguês
País Brasil
GêneroPoesia
Lançamento1904

"A Carolina" é um soneto escrito por Machado de Assis à época da morte de sua esposa, Carolina Augusta Xavier de Novais. O soneto é considerado a melhor peça de sua obra poética.[1] Manuel Bandeira afirmara, anos mais tarde, que é uma das peças mais comoventes da literatura brasileira.[2]

Querida! Ao pé do leito derradeiro,
em que descansas desta longa vida,
aqui venho e virei, pobre querida,
trazer-te o coração de companheiro.
 
Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
que, a despeito de toda a humana lida,
fez a nossa existência apetecida
e num recanto pôs um mundo inteiro...
 
Trago-te flores – restos arrancados
da terra que nos viu passar unidos
e ora mortos nos deixa e separados;
 
que eu, se tenho, nos olhos mal feridos,
pensamentos de vida formulados,
são pensamentos idos e vividos.[3]

Referências

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  1. Assis, Machado de. Quincas Borba. p.394. Ediouro Publicações SA, 2003. ISBN 850000584X
  2. Aguiar, Flávio. Murmúrios no espelho. In: ASSIS, Machado. Contos. São Paulo: Ática, 1976, p.110.
  3. Obra completa, Rio de Janeiro, Aguilar, 1959, vol. III, p.313.