A Igreja do Diabo

A Igreja do Diabo é um conto do escritor brasileiro Machado de Assis, que foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias de 17 de fevereiro de 1883, e posteriormente incluído na coletânea Histórias sem Data em 1884.[1] Trata-se de um conto fantástico, onde o diabo decide fundar sua própria igreja.
Enredo
[editar | editar código]O diabo, desafiando a Deus, decide fundar sua própria igreja onde o que era pecado vira virtude, e o que era virtude vira pecado. Livres para praticar impiedades, a humanidade adere com entusiasmo. Mas se nas religiões tradicionais as pessoas pecavam às escondidas, agora elas praticam o bem furtivamente, sintoma da eterna contradição humana.
TRECHO: O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja, uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.[2]
Análise da trama
[editar | editar código]O conto pode ser caracterizado como uma espécie de fábula, pois possui elementos moralizantes que pretendem dar conta do que o indivíduo pode ou não realizar, das leis divinas que ele deve ou não seguir. A narrativa também escancara a dualidade humana. Enquanto o diabo vê os homens como seres de vontade hipócrita, quando têm a chance de abandonar os ensinamentos divinos, não conseguem. São dicotômicos, possuidores de uma essência que oscila entre vícios e virtudes que fazem parte do seu caráter dúbio. O homem é marcado por vícios e virtudes.[3]
Fonseca Pimentel publicou um livro intitulado "A presença alemã na obra de Machado de Assis", no qual traz duas afirmações relevantes: Machado estava estudando alemão no período de 1883-84; e Goethe era um dos autores mais citados diretamente por Machado. Provavelmente, o leitor notou que o nome do Fausto é citado no conto. Essa é, portanto, a relação intertextual com Goethe.[4]
Adaptações
[editar | editar código]O conto foi adaptado no filme A Comédia Divina, dirigido por Toni Venturi[5][6] O filme foi lançado em 19 outubro de 2017.[7]
Ligações externas
[editar | editar código]- Machado de Assis: Obra Completa. Homenagem aos 100 anos de Machado de Assis. Sítio de internet desenvolvido em colaboração pelo Portal Domínio Público (MEC) e Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Lingüística (NUPILL) da Universidade Federal de Santa Catarina.
Referências
- ↑ Machado de Assis: Histórias sem data. Publicado originalmente pela Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1884.
- ↑ ASSIS, Machado de. A Igreja do Diabo. Disponível em: https://machadodeassis.net/texto/a-igreja-do-diabo/28933 . Acesso em: 26 dez. 2025.
- ↑ Przybyiski, M. P. O Diabo Como Forma De Estabelecimento Do Duplo: Uma Análise De “A Igreja Do Diabo”, De Machado De Assis. Uniletras, Ponta Grossa, v. 30, n. 1, p. 237-251, jan./jun. 2008. Disponível em <https://web.archive.org/web/20090418185517/http://www.uepg.br/uniletras/> DOI:10.5212/uniletras.v30i1.180
- ↑ PIMENTEL, Antônio Fonseca. A presença alemã na obra de Machado de Assis. Rio de Janeiro: São José, 1974.
- ↑ «A Comédia Divina». Rio de Janeiro: Festival do Rio. Consultado em 19 de maio de 2024
- ↑ «Murilo Rosa interpreta Diabo em 'A comédia divina'; assista ao 1º trailer». São Paulo: G1. 5 de julho de 2016. Consultado em 19 de maio de 2024
- ↑ «A Comédia Divina». Brasil: AdoroCinema. Consultado em 19 de maio de 2024
