A Tragédia da Rua das Flores

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A Tragédia da Rua das Flores
Autor(es) Eça de Queirós
Idioma português
País Portugal Portugal
Editora Branco e Negro
Formato 33 cm
Lançamento 1877
Páginas 346
Cronologia
O Crime do Padre Amaro
O Primo Basílio

A Tragédia da Rua das Flores é um romance de Eça de Queirós escrito em 1877.

O texto foi adaptado, em 1981, para o formato televisão, com Lourdes Norberto e Antonino Solmer nos papeis principais e a direção a cargo de Ferrão Katzenstein. [1].

Em 1982 foi feita uma adaptação teatral que contou com a participação de Simone de Oliveira, Carlos Daniel e Armando Cortêz.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Relata a história do incesto entre uma mãe, Genoveva, e o seu filho Vítor, de 23 anos, o qual abandonou ainda recém-nascido[2].

“Era no Teatro da Trindade, representa-se o Barba Azul. Tinha começado o segundo acto e o Coro de Cortesãos saía, recuando em semícirculos, com os espinhaços vergados, quando, num camarote sobre o balcão, à esquerda, o ranger ferrugento de uma fechadura perra, uma cadeira arrastada, fizeram erguer aqui e além, alguns olhares distraidos. Uma senhora alta, de pé, desapertava devagar os fechos de prata de uma longa capa de seda negra forrada de peles escuras, tinha ainda o capuz descido sobre o rosto e os seus olhos negros e grandes , que as olheiras de um brilho ligeiro, ou desenhadas ou naturais, fazia parecer mais profundas, mais se destacavam num rosto aquilino e oval, levemente amaciado de pó de arroz. (...)”

Tragédia da Rua das Flores (1980)

Personagens[editar | editar código-fonte]

Protagonistas[editar | editar código-fonte]

Lista[editar | editar código-fonte]

  • Genoveva - centro estrutural e força organizadora do romance
  • Tio Timóteo - apaixonou-se por Genoveva
  • Vítor - foi abandonado enquanto bebé pela mãe Genoveva, o apelido é mudado pelo seu pai para Curvelo. É amado e desejado por todas as mulheres.

História e Caracterização de cada personagem[editar | editar código-fonte]

Genovena[editar | editar código-fonte]

Genovena nasceu na Guarda, sendo filha de Maria Silvéria. Casou-se com Pedro da Ega, mas acaba por o abandoná-lo para casar com um emigrante espanhol. Residiu algum tempo no norte de Espanha e nos Pirenéus, vivendo pacatamente como uma verdadeira cortesã europeia, com diferentes homens sucessivamente (como Lord Beltron, entre outros). Entretanto, contrai matrimónio com um velho e petulante senador do III Império, M. Molineux. A queda do bonapartismo fá-la regressar a Portugal, onde se apresenta como Mme. Molineux, já que o senador havia falecido, e acompanhada por Gomes - o brasileiro rico com quem passara a viver.

Aí, envolve-se com Dâmaso, um rico asqueroso, de quem ia extorquindo dinheiro. Contudo, as suas atenções prendem-se em Vítor, um homem novo mas que o destino, pela mão do Tio Timóteo, viria a revelar-lhe ser seu filho. Era uma mulher vistosa, sensual e sedutora. Vítor descreve-a como "uma beleza tão atraente e desejável - um esplendor igual ao da sua pele branca e quente, tão belos movimentos de pálpebras com pestanas tão longas; a linha do pescoço e do seio excedia aquilo que ele observara no peito das estátuas ou das gravuras; e a massa do seu cabelo loiro, parecia-lhe dever ser pesada e doce quando se apanhasse nas mãos".

Genoveva é uma das personagens queirosianas mais realistas. Com imensa densidade psicológica, de personalidade forte e determinada, é aquilo que se pode chamar uma personagem com alma.

Timóteo[editar | editar código-fonte]

Timóteo da Ega perdeu uma perna na Índia, na caça (às galinholas embora dissesse que fora a um tigre, para se impor).

Aí e também em Angola, foi juiz. Trouxe das colónias ideias racistas.

Reformado, vive na Rua de S. Francisco com o seu sobrinho Vítor, a criada Clorinda e o cão, Dick. Além destes, só simpatiza com o coronel Stephenson. Detesta os jornais nacionais e, por isso, lê o "Times". Odeia Sintra e considera Lisboa uma cidade feia e aborrecedora. Tem uma herança de 80 contos e é viúvo.

Educa o sobrinho de um modo invulgar: "Que diabo, há pais, há tios que pregam moralidade! São asnos - eu prego imoralidade. Um rapaz novo, quer-se vivo, empreendedor, com dois ou três bastardos, e duas meninas no convento por paixão".

Opõe-se ao casamento de Vítor com a francesa e, inconscientemente, precipita a tragédia naquele 3º andar da Rua das Flores.

Vítor[editar | editar código-fonte]

Vítor é o protagonista da Tragédia da Rua das Flores, bacharel em Direito, formado em Coimbra, exercia advocacia no escritório do Dr. Caminha.

Com 23 anos era um poeta romântico, republicano, profissionalmente revoltado e descontente. É um burguês apático e ridículo- "sentia-se na vida como um homem errante que só vê diante de si portas fechadas".

Vivia com o tio – Timóteo – na Rua de S. Francisco, 3º andar, em Lisboa (atual Rua Ivens), pois a sua mãe tinha-o abandonado quando tinha apenas dois meses.

Fisicamente apresentava "testa branca, o buço delgado, os cabelos encaracolados".

Envolve-se com Genoveva e propõe-se mesmo fugir com ela para Paris, o que só não acontece porque Genoveva se suicida ao saber, pela boca do tio Timóteo, que Vítor é o filho que ela abandonara.

Vítor é, assim, o exemplo típico do homem em tudo frustrado, destroçado pela fatalidade do destino – o protótipo do "Vencido da Vida".

Personagens secundárias[editar | editar código-fonte]

Lista[editar | editar código-fonte]

  • Maria Silvéria
  • Pedro da Ega
  • Lord Beltron
  • Camilo Serrão
  • Joana
  • Dâmaso Mavião
  • Joaquim Meirinho
  • Mélanie
  • Conde de Molineux
  • Coronel Stephenson
  • Barrão de Markstein

Referências

  1. In Infopédia. «A Tragédia da Rua das Flores». Porto: Porto Editora. Consultado em 14 de dezembro de 2010 
  2. C.I.T.I. Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas. «A Tragédia da Rua das Flores - Resumo». Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Consultado em 14 de dezembro de 2010 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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