A História Real - Trama de uma Sucessão

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A história real: trama de uma sucessão é um livro escrito pelos jornalistas Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, sobre os bastidores da eleição presidencial brasileira de 1994. O livro foi possível graças à extensa pesquisa realizada pelos autores nos arquivos de diversos jornais e revistas, principalmente no banco de dados da Folha de S.Paulo, jornal para o qual trabalhavam à época, e também graças a diversas entrevistas, feitas a partir de janeiro de 1994, com diversos personagens da política brasileira.

A meta dos autores era escrever um "livro de momento", que seria lançado logo depois da abertura das urnas. A grande maioria dos entrevistados só assentiu com a publicação das entrevistas depois de finalizada a eleição presidencial, com o vencedor já definido.

Capítulos[editar | editar código-fonte]

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Apresentação[editar | editar código-fonte]

Uma introdução ao livro, que relata as dificuldades enfrentadas pelos jornalistas na busca dos furos e fatos essenciais que compuseram o livro.

A profecia do Papa[editar | editar código-fonte]

Trata da trajetória política de Fernando Henrique Cardoso, e de como acabou assumindo o Ministério da Fazenda durante o governo do presidente Itamar Franco. O PSDB temia que uma má atuação de FHC no comando da Fazenda manchasse a imagem do partido, recém saído da fornada da redemocratização.

Projeto PT 2000[editar | editar código-fonte]

Neste capítulo os autores descrevem a trajetória política do candidato Lula, desde o nascimento no miserável sertão pernambucano até o início da campanha presidencial de 1994. O título deste capítulo faz alusão a um projeto secreto elaborado pela alta cúpula petista para consolidar o partido como um dos maiores do país nos tempos vindouros, amaciando os radicais e expandindo seus poderes.

Entre Deus e o Diabo[editar | editar código-fonte]

Discorre sobre a possível união de PT e PSDB numa chapa única para as eleições de 1994, o que acabou não vingando, e também das tentativas inúteis de Fernando Collor de Mello de atrair o PSDB para formar uma das bases de seu governo.

O gosto da revanche[editar | editar código-fonte]

Tal capítulo faz referência ao regozijo petista em ver Collor de Mello expurgado da Presidência da República, depois da ríspida campanha eleitoral que marcou o embate entre os dois, que conteve manobras espúrias utilizadas pelo comitê de campanha de Collor e manipulação da Rede Globo nos debates televisionados.

Inflação e renúncia[editar | editar código-fonte]

A narração volta um pouco no tempo para trazer um fato inédito aos leitores: uma reunião presidencial convocada por José Sarney em 7 de dezembro de 1989, parte final de seu mandato, para discutir sua possível renúncia, como forma de estabilizar a economia do país. A reunião, feita a portas fechadas, só veio à tona anos depois, e como se sabe, não levou a cabo suas intenções. Outro ponto abordado pelo capítulo é a formação da equipe econômica de apoio ao novo Ministro da Fazenda, FHC. A junção de Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan, Pérsio Arida e André Lara Resende à equipe foi fundamental para os planos tucanos de debelar a inflação.

Rumo ao precipício[editar | editar código-fonte]

Relata-se aqui as mudanças bruscas de temperamento de Itamar Franco, vice que assumiu a presidência após a queda de Collor, mudanças estas que balançavam Brasília freqüentemente, rolando cabeças de políticos e desestabilizando o cenário econômico nacional. Conta-se também como a equipe econômica da Fazenda deu os primeiros passos na elaboração do Plano Real, que implementaria uma nova moeda no país. O criador e principal desenvolvedor da idéia não foi FHC, mas Edmar Bacha, que compunha a equipe da Fazenda. Já nesta época o PSDB começava a manejar o plano em seu favor, prevendo uma mudança brusca do cenário da sucessão presidencial, que apontava Lula como o grande favorito, e já tramando o nome de FHC como um dos possíveis candidatos tucanos.

Plano da mosca azul[editar | editar código-fonte]

Mosca azul é uma referência a uma antiga lenda. Diz-se que a picada da mosca azul inocula nas pessoas doses concentradas de ambição do poder. Machado de Assis já publicara inclusive um poema com tal título. Neste capítulo se narra a guinada do PSDB à direita, quando os tucanos se uniram ao PFL para a aprovação de um fundo de emergência no Congresso Nacional, que abriria caminho para o lançamento antecipado da nova moeda: o Real. Depois de lançada a moeda, e ter recebido a maioria dos créditos por tal feito, Fernando Henrique Cardoso abandonou o posto de Ministro da Fazenda e se candidatou à Presidência da República, em aliança com o conservador PFL.

Crise da calcinha[editar | editar código-fonte]

Crise da calcinha foi um escândalo, devidamente alardeado pela imprensa, que envolveu o presidente Itamar Franco e a vedete Lilian Ramos, quando foram fotografados juntos no sambódromo do Rio de Janeiro, durante o desfile de carnaval de fevereiro de 1994, ele ligeiramente afoito, e ela vestindo uma minissaia, mas com o sexo à mostra. Tal crise desencadeou um rebuliço no Exército Brasileiro, e culminou com o corte de algumas cabeças, mantendo-se, contudo, Itamar no cargo.

Arroz à PFL[editar | editar código-fonte]

Já unidos numa chapa presidencial, PFL e PSDB ainda precisavam escolher um vice. Suas escolhas recaíram sobre Marco Maciel, tradicional político nordestino pefelista que compunha a ARENA, e que puxaria muitos votos da região nordeste do país. Relatam-se também neste capítulo as "aulas" recebidas por FHC para a campanha, dadas por experientes pefelistas, já que FHC não era muito dado ao contato com o povo. Aprendeu a manipular emoções e sair em carreatas com a ajuda dos políticos do PFL.

Mister Da Silva[editar | editar código-fonte]

Neste capítulo são mostradas as estratégias petistas para a campanha eleitoral de 1994. Muitos confrontos internos, envolvendo radicais e liberais tumultuaram o PT e tornaram o caminho de Lula não tão fácil quanto parecia. No início de 1994, os grupos de poder do país não se perguntavam acerca do próximo presidente, mas de como seria o já certo mandato de Lula no Planalto, tanta era a sua dianteira frente aos outros candidatos.

Guerra de mitos[editar | editar código-fonte]

Conta a jornada impetrada pelos marqueteiros da chapa PSDB-PFL em construir um mito ao redor de Fernando Henrique Cardoso. Nizan Guanaes afirmava que era preciso formar um mito como o de Collor, que inflamou o povo com seu discurso de caça aos "marajás". O mito de FHC seria o do Real, do candidato que enfrentou o dragão da inflação e levaria o país para uma próxima jornada de crescimento econômico e prosperidade. Contrastavam eles com o mito de Lula, mais palpável, de um retirante pobre que chegou à liderança de um partido político.

Pesadelo e susto[editar | editar código-fonte]

Momentos finais da campanha eleitoral. O PT tomara um susto com a guinada do candidato tucano. Aloizio Mercadante é escolhido às pressas para ser o novo vice-presidente na chapa petista, depois de um escândalo envolver o anterior. Os tucanos firmam o nome de Marco Maciel como vice. O PT traça a estratégia de atacar o plano Real, não prevendo as funestas conseqüências disto. Atacavam um plano claramente interesseiro, maaas que passou uma mensagem de esperança para a população, que via a inflação baixar a galopadas. Já nos últimos instantes da campanha, vem à tona o escândalo da parabólica, envolvendo o novo Ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, e em seguida as tentativas desesperadas de Lula e aliados em reverter a desvantagem nas pesquisas eleitorais.

A história real[editar | editar código-fonte]

Um retrospecto da campanha e dos dois candidatos, feita já diante da vitória tucana no primeiro turno das eleições.