Abasgos

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Soldo de Justiniano (r. 527–565)

Abasgos (em georgiano: აბაზგები; transl.: Abazgebi; em grego: Αβασγοί; transl.: Abasgoí; em latim: Abasgi) foram uma das antigas tribos que habitaram o oeste da Geórgia, no auto-proclamado Estado da Abecásia. A etnicidade dos abasgos é ainda motivo de disputa entre os estudiosos, com as historiadores dividindo-se entre uma origem abecaz[1] e uma origem georgiana. Os abasgos são mencionados pela primeira vez nas obras dos autores latinos Plínio, o Velho e Estrabão. Segundo Arriano, o Reino de Abásgia, o país desta tribo, era cliente do Império Romano no século II e os romanos nomearam seus reis.[2]

Pelo século IV, os abasgos enfrentaram a pressão dos apsílios no sul e foram obrigados a migrar para norte e estabelecer seu reino em torno da cidade de Sebastópolis (moderna Sucumi).[2] No século VI historiador bizantino Procópio de Cesareia descreveu os abasgos como um povo guerreiro e pagão que cultuava três divindades e que forneceu muitos eunucos à corte imperial de Constantinopla.[3] Ele também afirmou que Abásgia tornar-se-ia vassala do Reino de Lázica, um Estado cliente do Império Bizantino sob o imperador Justiniano (r. 527–565), e os reis lazes passaram a nomear seus soberanos.[2]

Em data desconhecida durante o século VI, por intermédio dos missionários bizantinos, Abásgia foi cristianizada. Pela mesma época, os abasgos apoiaram os lazes em suas guerras contra o Império Bizantino e o Império Sassânida pela hegemonia no país (cf. Guerra Lázica). Em 550, aderiram à revolta generalizada deflagada no Cáucaso contra a autoridade bizantina, e nomearam Opsites e Esceparnas como seus reis em detrimento do imperador Justiniano. Os abasgos seriam derrotados, contudo, pelos generais João Guzes e Uligago, que foram enviados pelo comandante supremo Bessas.[2] No confronto, a fortaleza rebelde Traqueia foi tomada e arrasada.[4][5]

Em 572/573, com a eclosão duma revolta armênia liderada por Bardanes III Mamicônio e apoiada pelo imperador Justino II (r. 565–578) contra o Império Sassânida do Cosroes I (r. 531–579), abasgos, lazes e alanos enviaram tropas para auxiliar os armênios.[6][7] No início do século VII, o Império Bizantino separou Abásgia e Lázica e estabeleceu controle direto sobre a primeira. Essa província recém-fundada englobava territórios dos apsílios, sanigos e misimianos e seu nome foi empregado para referir-se à moderna Abecásia, bem como a Geórgia Ocidental em geral.[2]

Referências

  1. Allen 1932, p. 28.
  2. a b c d e Mikaberidze 2015, p. 54.
  3. Olson 1994, p. 6.
  4. Martindale 1992, p. 651; 1389.
  5. Greatrex 2002, p. 118.
  6. Greatrex 2002, p. 149-150.
  7. Salia 1983, p. 112.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Allen, William Edward David (1932). A History of the Georgian People: From the Beginning Down to the Russian Conquest in the Nineteenth Century. [S.l.]: Taylor & Francis. ISBN 978-0-7100-6959-7 
  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Mikaberidze, Alexander (2015). Historical Dictionary of Georgia. [S.l.]: Rowman & Littlefield. ISBN 1442241462 
  • Olson, James Stuart; Pappas, Lee Brigance; Pappas, Nicholas Charles (1994). An Ethnohistorical Dictionary of the Russian and Soviet Empires. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 0313274975 
  • Salia, Kalistrat (1983). History of the Georgian nation. [S.l.]: N. Salia