Abat Oliba

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Abat Oliba
Nascimento 971
Besalú
Morte 30 de outubro de 1046 (75 anos)
Abadia de São Miguel de Cuixá
Progenitores Pai:Oliba Cabreta
Ocupação abade, padre católico, escritor
Título conde
Religião Igreja Católica

Abate Oliba (Besalú ou Cornellà de Conflent, 971 - Santo Miquel de Cuixà, o Conflent, 30 de outubro de 1046) foi um abate benedicto, conde de Berga e Ripoll (998-1002), bispo de Vic (1018-1046) e abade da Santa Maria de Ripoll e Santo Miquel de Cuixà (1008-1046). Ademais, fundou o Mosteiro de Montserrat e restaurou as cidades de Manresa e Cardona. Oliba foi uma das figuras com mais influência e relevância do seu tempo, na gerência da cultura catalã e um grande impulsor da arte românica.

Família[editar | editar código-fonte]

Terceiro filho do conde Oliba Cabreta de Cerdanya e Besalú e da sua mulher Ermengarda de Empúries e portanto besnét do conde de Barcelona Guifré o Pilós. Teve três irmãos grandes, Bernat Tallaferro de Besalú, Guifré II de Cerdanya e Adelaida, bem como um irmão pequeno, Berenguer (posteriormente bispo de Elna). Teve também uma germanastra, de nome Ingilberga.

Oliba, conde[editar | editar código-fonte]

No ano 971 nasce a Besalú ou a Cornellà de Conflent[1] o terceiro filho do conde Oliba Cabreta, no se da família mais prominent da Cataluña do século X, a qual ostentava a hegemonia dos comtats de Urgell, Cerdanya, Besalú, Osona, Manresa e Girona.[2]

No ano 988 o conde Oliba Cabreta toma os hábitos e retira-se a Montecassino com Romualdo de Ravena, a quem conheceu a Cuixà.

Oliba passou a exercer, juntamente com os seus irmãos e a sua mãe Ermengarda de Vallespir, as funções comtals sobre a totalidade do património familiar. Assim enquanto o seu irmão Bernat herdava Besalú e Guifré o de Cerdanya, Oliba recebeu os de Berga e Ripoll.

Entre os anos 988 e 1002, Oliba foi conde de Berga e Ripoll, se bem esteve associat ao seu irmão Guifré nos anos 993-994 sobre os domínios da Cerdanya, o Conflent e o Capcir.

Oliba, monge e abate[editar | editar código-fonte]

O agosto de 1002, quando tinha 31 anos, renunciou aos comtats, cedendo o comtat de Ripoll ao seu irmão Bernat e o de Berga a Guifré, e internou na ordem benedictí ao monestir de Ripoll.

No ano 1008, depois da morte de abade Seniofré, Oliba foi escolhido abade. Pouco meses depois, naquele mesmo ano, foi escolhido abate do Monestir de Abadia de São Miguel de Cuixá. Oliba inicia um seguido de acções para promover uma disciplina mais austera nos seus monestirs.[3]

A fama de abate-a fez que no ano seguinte, 1009, também o nomeassem abate de Santo Martí do Canigó e outros monestirs acolhessem o seu estilo de governação, como os monestirs de Santo Feliu de Guíxols e o de Santo Sadurní de Tavèrnoles.

Oliba dedica muito dos seus esforços a defender os bens e direitos das igrejas a cargo seu dos ataques senyorials. No ano 1011 teve audiência ao Vaticà e obteve do papa Sergi IV um seguido de butlles para os seus monestirs. Estas butlles papals tinham um poder importante: o Papa, representando de Deus à terra, afirmava que os monestirs e as terras da sua propriedade ficavam sob a protecção de Santo Pere do Vaticà e uma agressão contra o monestir era uma agressão contra a autoridade do Papa.

Santa Maria de Ripoll[editar | editar código-fonte]

A Cataluña de finais do século X, ao #ser zona fronterera entre o islão e a cristiandat aconteceu um importante núcleo cultural, o acesso directo à ciência árabe e o importante prestígio que acumulavam os scriptoria dos monestirs catalãos colocaram a cultura catalã como capdavantera em Europa.

De entre todos, o scriptorium catalão mais importante foi o de Ripoll. O papa Silvestre II introduziu em Europa a numeració árabe e o conceito de zero, bem como o astrolabi graças aos conhecimentos adquiridos a Ripoll. A biblioteca de Ripoll foi, na época de Oliba, o qual chega a triplicar o número de volumes sob o seu mandato, junto com a de Bobbio, uma das mais importantes de toda a cristiandat.

Sob o mandato de Oliba o monestir padeceu grandes modificações arquitectòniques. Oliba fez construir um deambulatori ao redor do presbiteri com três absidioles, fazeis alçar um cimbori sobre o altar maior e edificou a cripta da Nativitat; a capella da Trinitat e os dois campanars llombards (dos quals tão só se'n conserva um).

Santo Martí do Canigó[editar | editar código-fonte]

O monestir de Santo Martí do Canigó foi fundado pelo irmão de Oliba, o conde Gifré II de Cerdanya-Conflent. Gifré tomou uma velha igreja à falda do Canigó e converteu-a num cenobi importante. No ano 1009 já tinha acontecido basílica e a sua comunidade era formada por monges procedentes de Cuixà, fato que converteu a Oliba abate da comunidade até o 1014 em que a comunidade já teve suficientes monges para nomear um abate de entre eles.

Oliba, bispo[editar | editar código-fonte]

No final de 1017, com a intervenção decisiva da condessa Ermesinda de Carcassona, da qual Oliba restou como bom amigo e conselheiro, foi nomeado bispo auxiliar de Vic. À morte do bispo Borrell de Osona no ano seguinte, 1018, Oliba é nomeado bispo.

Uma das primeiras acções que trouxe a termo como bispo foi dar apoio ao seu irmão Bernat Tallaferro na expulsão do cenobi do convento de São João das Abadessas. O monestir, fundado por Guifré o Pelós cem anos dantes, era um dos monestirs femininos mais importantes da época. Bernat acusou o abadessa Ingelbrega, germanastra dele e Oliba, e o resto de monjas de ter uma conduta deshonesta. Bernat, com Oliba e um grupo de prohoms apresentou o caso ao Papa Bento VIII o qual decretou a expulsão das monjas do cenobi e ordenou que no monestir se instalassem monges, nomeando abate o filho de Bernat, Guifré. A intenção de Bernat de criar o Bisbat de Besalú foi seguramente o motivo último desta acusação contra as monjas de Santo Joan. Finalmente no ano 1017 Bernat conseguiu que se formasse o Bisbat de Besalú, com todo, a vida do dedo bisbat foi efémera, já que desapareceu ao chefe de três anos, o 1020, à morte do mesmo Bernat, o qual morreu afogado nas águas do rio Ródano.

Pouco depois do episódio de Santo Joan das Abadesses, Oliba foi reclamado como mitjancer pela condessa Ermesinda, viúva de Ramon Borrell, verso um alou de Ullastret que reclamava para se o conde Hug E de Empúries. Hug trouxe a julgamento a condessa. Os juízes sentenciaram em favor de Ermessenda, confirmando a propriedade da alou a esta. Meses mais tarde Hug ocupou militarment Ullastret e Oliba foi voltado a gritar para exercer de mitjancer neste conflito. Finalmente a condessa de Barcelona ficou-se a propriedade da alou.

A catedral de Santo Pere de Vic[editar | editar código-fonte]

Oliba impulsionou a construção da nova sede do bisbat de Osona, a catedral de Santo Pere. A sede construída por Oliba foi enderrocada para acolher uma nova sede de estilo neoclàssic ao século XVIII. Felizmente conservaram-se os dois elementos mais importantes da antiga sede: O campanar, de estilo romànic llombard de 46 metros de alçada, e a cripta, situada sob a absis principal, de planta semicircular e dividida em três naves sustentadas por colunas com capitells de estilo califal.

A fundação do monestir de Montserrat[editar | editar código-fonte]

No ano 1025 Oliba fundou o monestir de Montserrat ao lado da existente igreja, de Santa Maria século XIII. Até o ano 1409 o monestir de Montserrat dependeu de Ripoll.

Por tal de poder fundar o monestir Oliba teve de lutar por tal de conseguir recuperar a titularitat da montanha. Ano atrás a Conta Sunyer, filho de Guifré o Pelós, tinha cedido a montanha e as igrejas a abate-a Cesari, o fundador da igreja de Santa Cecília. Mediante uma butlla, obtida por Oliba, pelo papa Sergi, o 1011, onde se afirmava que a montanha era propriedade do monestir de Ripoll, Oliba tentou a recuperar. Com todo, os condes de Barcelona não atenderam as suas petições.

No ano 1022 Oliba, já como bispo, voltou a reclamar à corte comtal de Barcelona a propriedade da montanha. O 29 de junho Ermessenda e Berenguer Ramon E foram a Ripoll para confirmar pessoalmente a propriedade do monestir de Ripoll sobre a montanha. Oliba enviou vários monges de Ripoll para Santa Maria de Montserrat com a ordem de formar um cenobi directamente dependent de Ripoll. Assim a fundação da abadia de Montserrat se situa no ano 1025.

Restauração de Manresa e Cardona[editar | editar código-fonte]

No ano 1003 Manresa fica destruída e os seus habitantes feitos prisioneiros por tropas sarraïnes comandades por Abd-a o-Malik. A cidade restou em runes durante anos. Enquanto os condes catalãos impulsionavam a construção de castelos defensivos ao longo da linha do Llobregat, Oliba também participou activamente na construção de castelos defensivos à fronteira do seu bisbat, desde Calaf até Queralt.

No ano 1020, Oliba implica-se pessoalmente na reconstrução de Manresa. Junto com os condes de Barcelona e outros nobres, viajou à cidade e confirmou por escrito a dotação e o património da cidade.

Num ano dantes Oliba participou num processo semelhante a Cardona. Oliba instigà ao Vescomte de Osona Bermon que restaurasse a canònica de Santo Vicenç.

Assembleias de Paz e trégua[editar | editar código-fonte]

A formação do novo sistema feudal, deixou-se sentir com bastante em Cataluña. A partir da década de 1020-1030 disputa-las entre nobres intensificam-se. Os nobres actuavam arbitràriament dentro dos seus territórios e a situação de rapinya e espoli dos nobres sobre os pagesos, os quais passaram de ser homens livres a serfs, e contra a igreja e as suas posses trouxe a Oliba a propor uma estratégia com a intenção de limitar as lutas feudals.

Oliba interveio numerosas vezes como mediador entre disputa-las dos nobres, tentando a concòrdia entre os contendents. Assim, a banda de o, já mencionat, conflito entre Hug de Empúries e Ermessenda, também intervém nos conflitos entre Hug E de Empúries e Gausfred II de Rosselló (1018?); Entre Ermessenda e Berenguer Ramon E (1021), posteriormente à proclamació da Paz e a Trégua de Deus, também intervém como mediador entre a mesma Ermessenda e o seu neto Ramon Berenguer E (1040) e entre este e o vescomte Udalard de Barcelona e, o irmão deste, o bispo Guislabert de Barcelona o 1044.

Toda esta acção pacificadora se concreta no estabelecimento da Paz e a Trégua de Deus. No ano 1022 Oliba, acompanhado pelo bispo Berenguer de Gurb, propõe a trégua de Deus num sínode celebrado em Elna. A proposta é proclamada por Oliba no ano 1027 e ratificada numa assembleia que teve lugar a Toluges.

A paz de Deus estabelecia o direito de refúgio que a igreja oferecia dentro do templo e às sagreres. A trégua de Deus proibia as acções bèl·liques durante um tempo determinado. Inicialmente a trégua de Deus iniciava-se sábado o @vespre até o final de domingo. A paz e a trégua de Deus foram ampliando-se em diferentes sínodes como os de Vic de 1030 e 1033, neste último, presidido por Oliba, estendeu-se a proibição das acções bèl·liques de quintas-feiras a domingo, e a protecção amparava os pagesos e os seus domicílios, sob pena de excomunió.[4]

Referências

  1. Ponsich, 1995.
  2. Novembro 2008. ISSN 1695-2014  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. Generalitat de Catalunya. Romànic Obert (ed.). Web http://www.romanicobert.cat/web/guest/fitxa/-/fr/abat_oliba?p_r_p_564233524_buscadorSearchHistorialId=3&_rom_fi_WAR_patmapaportlet_posicion=0  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. Teresa-Maria Vinyoles, Història medieval de Catalunya, p.50-51