Abdalá ibne Moáuia

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Abdalá ibne Moáuia
Nacionalidade Califado Omíada
Etnia Árabe
Progenitores Pai: Moáuia
Ocupação Imame
Religião Islamismo

Abdalá ibne Moáuia (em árabe: عبدلله بن معاویه; transl.: Abdallah ibn Mu'awiya , lit. "Abdalá, filho de Moáuia"; fl. 744–746/7) foi um líder alida que liderou uma rebelião contra o Califado Omíada em Cufa e depois Pérsia.

Vida[editar | editar código-fonte]

Descendência e ascensão[editar | editar código-fonte]

Investidura de Ali

Abdalá ibne Moáuia foi o bisneto do irmão de Ali, Jafar ibne Abi Talibe. Após a morte do neto de Ali, Abu Haxim, em 703, a posição de líder da causa alida estava vago, e vários candidatos disputaram-a: um grupo alegou que Abu Haxim havia transferido seus direitos para o abássida Maomé ibne Ali, enquanto outra facção queria proclamar Abdalá ibne Amir Alcindo como o próximo imame. O último, contudo, provou-se insatisfatório, e Abdalá ibne Moáuia foi escolhido. Abdalá reivindicou não apenas o imamato, mas alegou que, segundo K. V. Zetterstéen, "tanto a divindade quanto a função profética foram unidas nele, pois o espírito de Deus havia sido transferido de um imame para outro e havia finalmente vindo para ele". Consequentemente, seus apoiantes adotaram o conceito de reencarnação e rejeitaram a ressurreição do morto.[1]

Rebelião e morte[editar | editar código-fonte]

Dirrã do califa Maruane II (r. 744–750)

Em outubro de 744, Abdalá e seus apoiantes rebelaram-se em Cufa, e juntaram-se a outros simpatizantes alidas (especialmente zaiditas), tomou controle da cidade e expulsou seu governador. A reação do governador do Iraque, Abdalá ibne Omar ibne Abdalazize, contudo, foi rápida, e ele marchou sobre Cufa. Muitos dos cidadãos desertaram os alidas, mas o contingente zaida lutou com determinação suficiente para permitir a retirada de Abdalá de Cufa, primeiro para al-Madaim e então para Jibal.[1]

Apesar de sua derrota em Cufa, voluntários que opuseram-se ao regime omíada continuou a se bandear para o seu estandarte, incluindo reminiscências dos carijitas derrotados por Maruane II (r. 744–750) e alguns apoiantes abássidas. Tomando vantagem dos tumultos da Terceira Fitna e a crescente Revolução Abássida no Coração, que debilitaram o governo omíada, ele conseguiu estender seu controle sobre grandes porções da Pérsia, incluindo grande parte de Jibal, Avaz, Fars e Carmânia. Ele estabeleceu sua residência primeiro em Ispaã e então em Estachar.[1]

Finalmente, Maruane II enviou um exército sob Amir ibne Dubara contra Abdalá. As forças alidas foram totalmente derrotadas em Marw al-Shadhan em 746/747, e seu governo sobre a Pérsia colapsou. Abdalá escapou para o Coração, onde o líder abássida Abu Muslim executou-o. Alguns de seus apoiantes recusaram-se a acreditar que falecera, e acreditaram que retornaria como o Mahdi, formando a seita conhecida como Janaíta. Outros, os chamados "haritidas", acreditavam que ele reencanou na pessoa de Ixaque ibne Zaide ibne Harite al-Ansari.[1]

Referências

  1. a b c d Zetterstéen 1987, p. 26-27.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Zetterstéen, K. V. (1987). «Abd Allāh b. Muʿāwiya». In: Houtsma, Martijn Theodoor. E.J. Brill's first encyclopaedia of Islam, 1913–1936, Volume I: A–Bābā Beg. Leida: BRILL. ISBN 90-04-08265-4