Abdul Rashid Dostum

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Abdul Rashid Dostum
Vice-presidente do Afeganistão
Período 29 de setembro de 2014 a 19 de fevereiro de 2020
Presidente Ashraf Ghani
Antecessor(a) Yunus Qanuni
Sucessor(a) Amrullah Saleh
Dados pessoais
Nome completo Abdul Rashid Dostum
Nascimento 25 de março de 1954 (67 anos)
Josjã,  Afeganistão
Nacionalidade afegão e uzbeque
Partido MINA
Ocupação Militar e político
Serviço militar
Lealdade  Afeganistão
Serviço/ramo Exército Nacional do Afeganistão
Anos de serviço 1978-presente

Abdul Rashid Dostum (Josjã, 25 de março de 1954) é um militar e político afegão, de etnia uzbeque, ocupou a vice presidência do Afeganistão de 2014 a 2020, é o atual líder do Movimento Islâmico Nacional. Foi também ex-combatente na luta pró-soviética durante a invasão da URSS ao país[1], e ex-membro do Conselho de líderes da Frente Nacional do Afeganistão.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Dostum nasceu em 25 de março de 1954 em Josjã, na fronteira tríplice entre o Afeganistão, Turcomenistão e o Uzbequistão. De origem humilde, ele recebeu uma educação tradicional básica em sua aldeia. Sendo forçado a sair da escola ainda jovem, ele começou a trabalhar em uma empresa de fornecimento de gás natural.

Na década de 1970 começou a se destacar entre os trabalhadores da refinaria de petróleo e gás, participando de movimentos políticos que os defendiam e militavam em ideais comunistas. Devido à nova política comunista dos governos afegãos dessa década, ele alistou-se no exército afegão em 1978.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Recebeu instrução militar básica em Jalalabad. Em seguida, passou para um esquadrão na área rural de Sheberghan sob o comando do Ministério de Segurança Nacional.

Durante o início da Guerra do Afeganistão, Dostum, como general de destaque, passou a comandar um grupo de milicianos que apoiava o exército da União Soviética, atuando em províncias do nordeste do país, onde combatia os mujahidins, no período em que o governo afegão era apoiado pela União Soviética.

Devido a sua experiência militar nos combates contra os mujahidins o grupo o qual comandava passou formalmente a ser a 53ª Divisão de Infantaria do Exército do Afeganistão subordinado diretamente ao presidente Mohammad Najibullah. Comandando, depois, outras unidades militares apoiando o exército da União Soviética presente em seu país.

Apoio ao mujahidin[editar | editar código-fonte]

Após a retirada soviética, a República Democrática do Afeganistão continuou a lidar com ataques dos mujahidin. O governo continuou a receber apoio financeiro e em armas da União Soviética por muitos anos e conseguiu melhorar seu desempenho, mas sofreu um golpe duro quando Rashid Dostum, um de seus principais generais, passou para o lado dos mujahidin.

Desentendimentos entre os mujahidin[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Civil Afegã (1992-1996)

Após tomar o poder, a união dos mujahidin desfez-se e começou um período de lutas entre si. Gulbuddin Hekmatyar foi apontado como o responsável por um devastador ataque de foguetes contra Cabul, e Dostum começou a atacá-lo. Este último juntou suas forças às de Hekmatyar e os combates destruíram grande parte de Cabul, enquanto que o país foi dividido conforme as suas etnias. Em 1994, formou-se o movimento dos talibãs no sul do país, com apoio paquistanês, o qual rapidamente obteve vitórias contra Dostum e o comandante tajique Ahmad Shah Massoud; em 1996, os talibãs tomaram a capital e criaram o Emirado Islâmico do Afeganistão.

Frente Islâmica Unida para a Salvação do Afeganistão (ou Aliança do Norte)[editar | editar código-fonte]

Após a queda de Cabul, Dostum e Massoud uniram-se para formar a Frente Islâmica Unida para a Salvação do Afeganistão (ou Aliança do Norte). A Aliança do Norte e suas tropas permaneceram na cidade de Mazar-e-Sharif.[2] mostrando força contra os talibãs. Neste ponto do país ele teria dito que tinha uma força de mais de 50.000 homens que os apoiavam com aviões e tanques. Ele tornou aquela região do país uma região independente, de fato, do governo talibã. Porém, naquele período subsequente, os talibãs continuaram a avançar contra a Aliança até controlar 95% do território afegão. Dostum viu-se forçado a abandonar o Afeganistão após a rendição ao general Abdul Malik Pahlawan e fugir para a Turquia em 1996. Massoud continuou sob o comando da Frente Unida e foi assassinado em 9 de setembro de 2001 num atentado suicida feito por apoiadores dos talibãs.

Exílio na Turquia[editar | editar código-fonte]

Permaneceu na Turquia até 1997 quando retornou ao Afeganistão e retomou o comando da Aliança do Norte junto com Massoud em Mazar-e-Sharif. Porém, o grupo Talibã retomou a região após intensos combates e Dostum fugiu novamente para a Turquia.

Após a perda constante de território pelos talibãs feita pela Aliança do Norte, sob o comando de Massoud e com o apoio da coalizão liderada pelos Estados Unidos, e que estabeleceu uma nova república sob o comando do presidente Hamid Karzai, Dostum percebeu que poderia voltar para seu país para ajudar Massoud e, em outubro de 2001, logo após o assassinato de seu amigo, ele retomou o comando da Aliança do Norte.

Queda dos Talibãs[editar | editar código-fonte]

Os talibãs constituíram então um movimento de resistência em algumas regiões e no dia 24 de novembro de 2001 cerca de 300 soldados do Talibã depuseram suas armas e se renderam a Dostum e, finalmente, houve o controle efetivo do país pelo presidente Hamid Karzai. No entanto, o Talibã permaneceu influente na porção meridional do país e com frequência usam o território paquistanês como refúgio.

Trajetória políticas[editar | editar código-fonte]

Depois que os Talibãs perderam o poder administrativo Dostum se envolveu em combates com Atta Muhammad Nur, líder do povo tajique, para manter o controle da região de Mazar-e-Sharif. Após a intervenção do presidente Karzai houve o cessar-fogo entre Dostum e Atta. Ele então resolveu entrar para o parlamento afegão e em seguida se tornou o Ministro da Defesa no governo de Karzai. Como ministro, Dostum escapou de um atentado no dia 20 de maio de 2003 e voltou a se refugiar na Turquia.

Em 16 de agosto de 2009 ele retornou para o Afeganistão e apoiou Hamid Karzai em sua reeleição presidencial. Vitorioso, Karzai manteve a influência de Dostum em seu governo e nas eleições presidenciais de 2014 ele se lançou como vice-presidente ao lado de Ashraf Ghani.

Legado do apoio dos Estados Unidos na história do Afeganistão[editar | editar código-fonte]

Foram 13 anos de guerra, o país viu um novo governo afegão ascender ao poder, líderes se constituíram e gradualmente as tropas dos aliados ocidentais, sob o comando dos EUA, começaram a se retirar da missão principal de combater os rebeldes islamitas e assumir uma posição de apoio às autoridades afegãs a lutar contra os jihadistas. Em dezembro de 2014 os americanos encerraram formalmente sua participação como um dos principais protagonistas da guerra, dando ao governo local a responsabilidade de seguir com a guerra. Enquanto isso, a violência se intensificava por todo o país e, devido a isso, o presidente americano Barack Obama decidiu manter parte do efetivo de seu exército no apoio às tropas afegãs.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Big fish among the Afghan warlords». The Washington Times. 12 de outubro de 2008 
  2. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome afghanistan
Ícone de esboço Este artigo sobre um político é um esboço relacionado ao Projeto Biografias de Políticos. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.