Abertura 1812

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Execução da Abertura 1812, acompanhada por canhões em 2005 no Clássicos Espetaculares, no Rod Laver Arena, Melbourne, Austrália.

A Abertura Solene Para o Ano de 1812 é uma obra orquestral de Pyotr Ilyich Tchaikovsky comemorando o fracasso da invasão francesa à Rússia em 1812 e a subsequente devastação do "Grande Armeé" de Napoleão. A obra é também conhecida pela sua sequência de tiros de canhão que é, em alguns concertos ao ar livre, executada com canhões verdadeiros.

História[editar | editar código-fonte]

A Abertura 1812 foi composta para a abertura da Exposição Universal das Artes, realizada em Moscou em 1882. Foi comissionada a Tchaikovsky pelo diretor dos Concertos da Sociedade Imperial Russa, Nicolay Rubinstein.

A abertura da exposição coincidiu com a consagração de uma nova catedral, erigida para comemorar o fracasso da invasão de Napoleão Bonaparte à Rússia, em 1812.

Napoleão era um general temido e o exército francês era considerado imbatível. Em 1812, a França invadiu a Rússia na tentativa de forçar o Czar Alexandre I da Rússia a entrar no delicado sistema de alianças de Napoleão e, mais especificamente, aderir ao Bloqueio Continental. Todavia, a Campanha da Rússia terminou na retirada do exército francês. Complicações da campanha, como por exemplo o alongamento das linhas de suprimento e a presença de um exército imperial russo cada vez maior e melhor preparado, resultaram na destruição do exército, que de 600.000 homens, foi reduzido a 40.000. Alguns russos consideraram que houvera uma ‘intervenção divina' a favor da Rússia.

Embora não gostasse desse tipo de encomenda, Tchaikovsky a aceitou e começou a trabalhar em uma obra que celebrasse simultaneamente os 70 anos da vitória russa sobre Napoleão e o primeiro aniversário da coroação do tsar Alexandre III.

Nesse estágio de sua vida, ele era apoiado por Nadejda von Meck, uma senhora milionária que lhe encomendara algumas músicas em 1876. A senhora von Meck foi um grande apoio para ele, estabelecendo-lhe uma renda anual que permitiu certa tranquilidade no dia a dia, com liberdade de escolha de composições. Ela estabeleceu a condição de que jamais deveriam se encontrar.

No entanto, eles se correspondiam frequentemente, até 1890, quando um mal entendido levou a um rompimento dessa relação.

Características[editar | editar código-fonte]

Entre outras peças do autor, como a Marcha Eslava, esta é uma obra de caráter fortemente nacionalista, composta no ano de 1880, para a comemoração da vitória russa sobre as tropas Napoleônicas.

A composição baseia-se num antagonismo entre a inicial vitória francesa e a posterior revanche russa. A França é musicalmente representada pelo tema de La Marseillaise, hino da Revolução Francesa. A posterior vitória russa no mês seguinte, é representada por um diminueto do hino czarista Deus Salve o Czar e é seguido pelo sonoro e clássico troar de canhões. Assim, encerra-se a contraposição entre as duas vitórias - de início, a francesa, representada pela La Marseillaise, e no final, pelo triunfo russo, retratado pelo hino czarista.

A obra contrapõe o hino da Rússia e o hino da França, com fragmentos do folclore russo e temas religiosos. A Abertura 1812 começa com um coro inspirado no hino ‘Deus ajude vosso povo’, da Igreja Ortodoxa Russa.

Após a Revolução do sovietes e a consequente extinção do hino czarista, a obra sofreu modificações, sendo o tema original substituído pelo coro final da ópera Ivan Susanin, de Mikhail Glinka, cujo nome original é "A Vida pelo Tsar", modificação também realizada por ordem do regime soviético.

Em sua forma completa, a peça é executada por coro, orquestra sinfônica e banda militar com o auxílio de peças de artilharia e carrilhão. Em execuções em salas fechadas, costuma-se substituir os canhões por tímpanos (tambores), a fim de se obter um efeito semelhante ao do disparo das peças.

A Abertura 1812 é fonte de inspiração para releituras, como no caso de Igor Buketoff, que na segunda metade da década de 1960 (1965-70) fez diversas modificações, tanto no coro inicial, quanto outras alterações instrumentais. Ela é tributada na canção "2112 da Rússia".

A Abertura 1812, de Tchaikovsky.

Instrumentação[editar | editar código-fonte]

A Abertura 1812 foi escrita para ser interpretada por uma orquestra composta por:

Canhões

Para o concerto da estréia, previa-se execução na praça em frente ao Kremlin, com orquestra, banda de metais, coro e canhões que deveriam disparar 16 tiros, acionados pelo regente, além dos sinos das torres do Kremlin, e os da nova catedral do Cristo Salvador.

Possibilidade de plágio[editar | editar código-fonte]

Em sua estrutura, a "abertura 1812" é um pouco semelhante à Marcha Solene Brasileira para Orquestra e Banda Militar com Canhão, composição do norte-americano Louis Moreau Gottschalk, de 1869, que já se utilizava das mesmas estruturas que Tchaikovsky aproveitaria. Gottschalk, falecido no Rio de Janeiro no mesmo ano de lançamento de sua composição, não pôde reclamar uma possível acusação de plágio de sua obra, já que Tchaikovsky só lançaria a sua versão 11 anos depois.

Entretanto, Giuseppe Sarti já havia utilizado canhões no Te Deum que escreveu em 1789 para o Príncipe Grigori Alexandrovich Potyomkin (Prínicpe Potemkin) .