Abordagem de recuperação

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Abordagem de recuperação refere-se a técnicas que enfatizam e apoiam o potencial de recuperação de um indivíduo com transtorno mental ou dependência química. A recuperação é geralmente vista nessa abordagem como uma jornada pessoal e não como um resultado definido, e envolve o desenvolvimento de esperança, uma base segura sedimentada num senso de autossustentação (self), relacionamentos de apoio, empoderamento, inclusão social, habilidades de enfrentamento e significado.[1]

A recuperação vê os sintomas desses indivíduos como uma continuação da norma e não como uma aberração, rejeitando a dicotomia são-insano.

O conceito[editar | editar código-fonte]

William Anthony, diretor do Centro de Reabilitação Psiquiátrica de Boston, desenvolveu essa definição singular de base da recuperação da saúde mental em 1993 e, segundo ele, a recuperação é profundamente pessoal, um processo único de mudar atitudes, valores, sentimentos, objetivos, habilidades e/ou papéis.[2] É uma maneira de viver uma vida satisfatória, esperançosa e agregadora, mesmo com as limitações causadas pela doença.[2]

A recuperação envolve o desenvolvimento de um novo significado e propósito na vida de alguém, à medida que este se recupera dos efeitos catastróficos das doenças mentais e evolui como indivíduo.[3]

O uso desse conceito em saúde mental surgiu como resultado da desinstitucionalização de pacientes, que foram levados a viver de modo independente na sociedade, e ganhou ímpeto como movimento social em virtude de uma falha percebida pelos serviços sociais ou pela sociedade em si em apoiar adequadamente a inclusão social dessas pessoas, além de estudos demonstrando que muitas delas se recuperavam desse modo.

A abordagem de recuperação agora já é adotada como princípio norteador de políticas de saúde mental ou combate a dependências químicas por vários países do globo. Em muitos casos, estão sendo tomadas medidas práticas para basear os serviços em um modelo de recuperação, embora uma série de obstáculos, preocupações e críticas ainda venham sendo levantadas pelos prestadores de serviços e pelos destinatários dos serviços.

Várias medidas padronizadas foram desenvolvidas para avaliar aspectos da recuperação, embora exista alguma variação entre os modelos criados por profissionais e os originários do movimento de ex-pacientes psiquiátricos.

Referências

  1. Jessica H.L Elm; et al. (2016). «'I'm in this World for a Reason': Resilience and recovery among American Indian and Alaska Native Two Spirit Women». U.S. National Library of Medicine. Consultado em 16 de abril de 2020 
  2. a b Anthony, William. «Toward a Vision of Recovery» (PDF). Center for Psychiatric Rehabilitation. Consultado em 16 de abril de 2016 
  3. Editor do site (2019). «Recovery: Definition & Components». Hamilton County Mental Health & Recovery Services Board. Consultado em 16 de abril de 2020 
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