Abraão II de Ifríquia

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Abraão II
Emir aglábida de Ifríquia
Dinar de ouro de Abraão II; emitido em 899. Museu Nacional das Antiguidades e das Artes Islâmicas, Argel
875-902
Antecessor(a) Abul Garanique
Sucessor(a) Abdalá II
Descendência Abdalá II
Casa Aglábida
Nome completo
‏ أحمد بن محمد بن الأغلب بن إبراهيم بن الأغلب , أبو إسحاق
Nascimento 27 de junho de 850
Morte 23 de outubro de 902 (52 anos)
Pai Abul Ibraim Amade
Religião Islamismo

Abu Ixaque Ibraim ibne Amade, Ibraim II ou Abraão II (em árabe: ‏ أحمد بن محمد بن الأغلب بن إبراهيم بن الأغلب , أبو إسحاق‎; transl.: Aḥmad ibn Muḥammad ibn al-Aġlab ibn Ibrāhīm ibn al-Aġlab, Abū Isḥāq; 27 de junho de 85023 de outubro de 902)[1] foi um emir aglábida de Ifríquia (atual Tunísia e Argélia Oriental) de 875 até à sua morte.[2]

Sucedeu ao seu irmão Abul Garanique (Maomé II), que morreu após reinar onze anos,[2] herdando um reino depauperado pela peste de 874. Apesar disso, o seu reinado é próspero. Em 876 manda erigir a nova cidade de Raqqada perto de Cairuão e desenvolve a agricultura pondo em prática um sistema moderno de irrigação. Todavia, o declínio da dinastia aglábida começa durante o seu reinado. Este assiste a alguns sucessos militares: em 878 os Aglábidas conquistam Siracusa[3] e em 902 terminam a conquista da Sicília.[4]

Abraão II abandona Cairuão, até então a capital de Ifríquia, e instala-se em Tunes com o seu governo a 12 de setembro de 894. Para esse efeito, manda construir a casbá no local onde ainda hoje se encontra.[5] A cidadela situa-se a alguns metros da almedina de Tunes, da qual está separada por um cemitério e fortificações. A estadia de Abraão em Tunes foi marcada por numerosos assassinatos. O soberano voltou a Cairuão em 896. A ausência foi aproveitada pelos habitantes de Tune para enviarem queixas fundamentadas a Bagdade, a capital do Califado Abássida. Estas queixas contribuem para que o califa decida exigir a abdicação de Abraão a favor do seu filho Abdalá II. Abraão lança-se então numa guerra contra os Bizantinos e morre numa batalha durante a invasão da Calábria.

No campo da arte e arquitetura, destacam-se os trabalhos de embelezamento levados a cabo na Grande Mesquita de Cairuão durante o reinado de Abraão II.[6]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Ibn Abi Dhiaf 1990, p. 147.
  2. a b Ibn Abi Dhiaf 1990, p. 140.
  3. Terrasse 2001, p. 54.
  4. Grenon 2008, p. 50.
  5. Ibn Abi Dhiaf 1990, p. 145.
  6. Mahfuz 2003, p. 164.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ibn Abi Dhiaf (1990), Présent des hommes de notre temps. Chroniques des rois de Tunis et du pacte fondamental (em francês), Tunes: Maison tunisienne de l'édition 
  • Mahfuz, Fawzi (2003), Architecture et urbanisme en Ifriqiya médiévale : proposition pour une nouvelle approche (em francês), Tunes: Centre de publication universitaire 
  • Ronart, Stephan; Ronart, Nandy (1972), Lexikon der Arabischen Welt. Ein historisch-politisches Nachschlagewerk, ISBN 3-7608-0138-2 (em alemão), Zurique: Artemis Verlag 
  • Terrasse, Michel (2001), Islam et Occident méditerranéen : de la conquête aux Ottomans (em francês), Paris: Comité des travaux historiques et scientifiques 
  • The Encyclopaedia of Islam. New Edition (em inglês), 3, Leida: Brill, p. 982