Abraão de Alexandria

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Santo Abraão de Alexandria
Papa de Alexandria
Nascimento desconhecido (século X) em Síria
Morte 978
Veneração por Igreja Ortodoxa Copta
Festa litúrgica 16 de junho
Gloriole.svg Portal dos Santos

Abraão de Alexandria (também Abraão, o Sírio; Síria, século X -?, 978) foi o 62º Papa da Igreja Ortodoxa Copta, de 975 a 978. É considerado um santo pelos coptas.

Vida[editar | editar código-fonte]

Abraão nasceu na Síria. Era um rico mercador que visitou o Egito várias vezes e, finalmente, resolveu fixar residência em Alexandria. Era conhecido por sua bondade, devoção e amor pelos pobres. Após sua ordenação, distribuiu a metade de sua riqueza para os necessitados e usou a outra metade para a construção de igrejas por todo o Egito.

Eleição[editar | editar código-fonte]

Durante o reinado de Al-Muizz, que foi o primeiro governante fatímida do Egito, o governo islâmico era ambivalente no tratamento para com os coptas, alternando simpatia e tolerância com atrocidade e brutalidade. Naquela época, o posto de Papa da Igreja Ortodoxa Copta estava vago há cerca de dois anos. Por fim, os bispos e líderes da comunidade copta reuniram-se na igreja de São Serguis, no Cairo, a fim de escolherem os prováveis candidatos. Enquanto eles estavam reunidos, Abraão, o Sírio, um homem dedicado à religião e à piedade, entrou na igreja, e eles por unanimidade, decidiram elegê-lo. Foi levado então para Alexandria, onde foi consagrado como o 62º Patriarca.[1]

Patriarcado[editar | editar código-fonte]

Imediatamente após tomar posse, Abraão suprimiu a prática de simonia, que havia se tornado um sério problema durante os últimos patriarcados. Voltou então sua atenção para a frequente degradação moral dos arcontes da igreja, que mantinham concubinas, juntamente como suas esposas legais. Foi tão longe a ponto de ameaçá-los com a excomunhão, caso continuassem a violar a santidade do casamento.[1]

A Montanha de Muqattam[editar | editar código-fonte]

O califa fatímida Al-Muizz era conhecido por sua tolerância e interesse em debates sobre assuntos religiosos. Ele tinha um ministro judeu chamado Yaqub ibn Killis, que informou-lhe haver no Novo Testamento uma passagem (conhecida como Jesus exorcizando o garoto) que dizia: «...se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará.» (Mateus 17:20).

Ele mostrou este versículo ao califa e o persuadiu a desafiar o papa a ordenar que a montanha de Muqattam, a leste do Cairo, move-se casa ele tivesse a fé como um grão de mostarda. O califa foi até o papa e perguntou-lhe se tal versículo era verdadeiro. Quando o Papa Abraão afirmou que ser verdade, Al-Muizz desafiou-o a prová-lo,caso contrário os coptas seriam submetido à espada. O Papa pediu-lhe uma moratória de três dias.

A visão da Virgem Maria[editar | editar código-fonte]

Abraão foi imediatamente até a igreja de Santa Maria (Al Mu'allaqah, ou "Igreja Suspensa"), e pediu aos bispos e sacerdotes para que jejuassem e orassem durante aqueles três dias. Antes do terceiro dia se encerrar, o papa, exausto pela dor da longa vigília, cochilou. Conta-se que a Virgem Maria veio a ele em seu sono e perguntou: "O que há com você?" "Minha senhora, você certamente sabe o que está acontecendo", ele respondeu. Então, ela o confortou e disse-lhe que se ele atravessasse o portão de ferro que conduz ao mercado, iria encontrar um homem de um só olho carregando um saco de água. Este seria o homem que iria mover a montanha, disse ela.

O papa saiu às pressas no início da manhã para fazer o que ela lhe dissera e conheceu Simão, o Sapateiro. Perguntou a Simão o que fazia ali nas primeiras horas do dia. Simão respondeu que estava carregando água para levar aos velhos e doentes que não podiam ir até o poço buscar água. Disse-lhe que essa era a sua prática, todas as manhãs, a de levar nas costas um saco de água para os necessitados, antes de ir trabalhar no curtume. Quando o papa explicou a sua finalidade, Simon ficou relutante no início, mas quando lhe foi dito da visão do papa, colocou-se à sua disposição.

O milagre[editar | editar código-fonte]

Os dois reuniram um grande número de fiéis, e seguiram em direção à montanha Muqattam. Ao lado deles estava o califa e seu ministro, que já haviam incitado muitas pessoas contra os coptas. Abraão celebrou uma missa e a multidão cantou após ele o Kyrie eleison (copta para "Senhor, tende piedade"), pedindo a misericórdia divina. Diz-se que eles se ajoelharam três vezes enquanto o papa fazia o sinal da cruz com um gesto largo que se estendeu de uma extremidade a outra da montanha.

A montanha balançou violentamente como se um forte terremoto tivesse atingido a terra. Em seguida, ela começou a se mover para cima. Cada vez que os adoradores levantavam-se de suas orações, a montanha elevava-se um pouco mais. Quando ajoelhavam, ela também vinha para baixo, num sobe e desce. Isto aconteceu três vezes e cada vez que a montanha se elevava, os raios do sol, que estavam por trás dela, atravessavam o espaço que separava a Terra da montanha e se tornavam claramente visíveis para a multidão reunida.

Nesta visão impressionante, Al-Muizz proclamou: "Deus é grande! (Allahu Akbar)" e virando-se para o papa Abraão, disse: "Isto é suficiente para provar que sua fé é verdadeira". Naturalmente, este evento milagroso causou um tumulto entre a multidão. Quando a ordem foi restabelecida, o papa Abraão procurou Simão, que manteve-se escondido atrás do papa durante as orações, mas não foi encontrado.

O califa, que ainda estava tremendo de medo, abraçou o papa calorosamente e isto marcou o início de uma longa amizade entre os dois. O califa perguntou ao papa o que queria como recompensa. Depois de alguma hesitação, o papa pediu permissão para reconstruir ou reformar algumas igrejas, especialmente a de São Mercurius no que é hoje o Cairo Velho. Essa igreja, que foi parcialmente destruída, estava sendo usado como um armazém de açúcar e a igreja histórica de al-Mu'allaqah. O califa ofereceu recursos do Tesouro do Estado para a reconstrução da igreja, mas Abraão recusou-o. "Aquela Igreja que estamos construindo não precisa do dinheiro do mundo e é capaz de ajudar-nos até terminarmos o trabalho", disse Abraão.

O papa também decretou que o período de três dias de moratória que tinha solicitado ao califa, nos quais ele, os bispos e os sacerdotes passaram em oração e jejum, fosse um período regular de jejum a ser observado por todos os coptas a cada ano. Aqueles três dias foram adicionados aos quarenta dias de jejum antes do Natal. Assim, o jejum do Advento passou para quarenta e três dias, com início em 25 de novembro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Abraão de Alexandria
(975 - 978)
Precedido por: Coptic Orthodox Cross.jpg
Papas da Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria
Sucedido por:
Menas II 62.º Filoteu II


Referências

  1. a b Atiya, Aziz S.. 'The Coptic Encyclopedia.'. Nova Iorque: Macmillan Publishing Co., 1991. ISBN 002897025X