Abraão de Alexandria

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Santo Abraão de Alexandria
Papa de Alexandria
Nascimento século X em Síria
Morte 978
Veneração por Igreja Ortodoxa Copta
Festa litúrgica 16 de junho
Gloriole.svg Portal dos Santos

Abraão de Alexandria (também Abraão, o Sírio; Síria, século X -?, 978) foi o 62º Papa da Igreja Ortodoxa Copta, de 975 a 978. É considerado um santo pelos coptas.

Vida[editar | editar código-fonte]

Abraão nasceu na Síria. Era um rico mercador que visitou o Egito várias vezes e, finalmente, resolveu fixar residência em Alexandria. Era conhecido por sua bondade, devoção e amor pelos pobres. Após sua ordenação, distribuiu a metade de sua riqueza para os necessitados e usou a outra metade para a construção de igrejas por todo o Egito.

Eleição[editar | editar código-fonte]

Durante o reinado de Almuiz Aldim Alá, que foi o primeiro governante fatímida do Egito, o governo islâmico era ambivalente no tratamento para com os coptas, alternando simpatia e tolerância com atrocidade e brutalidade. Naquela época, o posto de Papa da Igreja Ortodoxa Copta estava vago há cerca de dois anos. Por fim, os bispos e líderes da comunidade copta reuniram-se na igreja de São Serguis, no Cairo, a fim de escolherem os prováveis candidatos. Enquanto eles estavam reunidos, Abraão, o Sírio, um homem dedicado à religião e à piedade, entrou na igreja, e eles por unanimidade, decidiram elegê-lo. Foi levado então para Alexandria, onde foi consagrado como o 62º Patriarca.[1]

Patriarcado[editar | editar código-fonte]

Imediatamente após tomar posse, Abraão suprimiu a prática de simonia, que havia se tornado um sério problema durante os últimos patriarcados. Voltou então sua atenção para a frequente degradação moral dos arcontes da igreja, que mantinham concubinas, juntamente como suas esposas legais. Foi tão longe a ponto de ameaçá-los com a excomunhão, caso continuassem a violar a santidade do casamento.[1]

A Montanha de Muqattam[editar | editar código-fonte]

O califa fatímida Almuiz Aldim Alá era conhecido por sua tolerância e interesse em debates sobre assuntos religiosos. Ele tinha um ministro judeu chamado Iacube ibne Quilis, que informou-lhe haver no Novo Testamento uma passagem (conhecida como Jesus exorcizando o garoto) que dizia: «...se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará.» (Mateus 17:20).

Ele mostrou este versículo ao califa e o persuadiu a desafiar o papa a ordenar que a montanha de Muqattam, a leste do Cairo, move-se casa ele tivesse a fé como um grão de mostarda. O califa foi até o papa e perguntou-lhe se tal versículo era verdadeiro. Quando o Papa Abraão afirmou que ser verdade, Almuiz Aldim Alá desafiou-o a prová-lo,caso contrário os coptas seriam submetido à espada. O Papa pediu-lhe uma moratória de três dias.

A visão da Virgem Maria[editar | editar código-fonte]

Abraão foi imediatamente até a igreja de Santa Maria (Al Mu'allaqah, ou "Igreja Suspensa"), e pediu aos bispos e sacerdotes para que jejuassem e orassem durante aqueles três dias. Antes do terceiro dia se encerrar, o papa, exausto pela dor da longa vigília, cochilou. Conta-se que a Virgem Maria veio a ele em seu sono e perguntou: "O que há com você?" "Minha senhora, você certamente sabe o que está acontecendo", ele respondeu. Então, ela o confortou e disse-lhe que se ele atravessasse o portão de ferro que conduz ao mercado, iria encontrar um homem de um só olho carregando um saco de água. Este seria o homem que iria mover a montanha, disse ela.

O papa saiu às pressas no início da manhã para fazer o que ela lhe dissera e conheceu Simão, o Sapateiro. Perguntou a Simão o que fazia ali nas primeiras horas do dia. Simão respondeu que estava carregando água para levar aos velhos e doentes que não podiam ir até o poço buscar água. Disse-lhe que essa era a sua prática, todas as manhãs, a de levar nas costas um saco de água para os necessitados, antes de ir trabalhar no curtume. Quando o papa explicou a sua finalidade, Simon ficou relutante no início, mas quando lhe foi dito da visão do papa, colocou-se à sua disposição.

O milagre[editar | editar código-fonte]

Os dois reuniram um grande número de fiéis, e seguiram em direção à montanha Muqattam. Ao lado deles estava o califa e seu ministro, que já haviam incitado muitas pessoas contra os coptas. Abraão celebrou uma missa e a multidão cantou após ele o Kyrie eleison (copta para "Senhor, tende piedade"), pedindo a misericórdia divina. Diz-se que eles se ajoelharam três vezes enquanto o papa fazia o sinal da cruz com um gesto largo que se estendeu de uma extremidade a outra da montanha.

A montanha balançou violentamente como se um forte terremoto tivesse atingido a terra. Em seguida, ela começou a se mover para cima. Cada vez que os adoradores levantavam-se de suas orações, a montanha elevava-se um pouco mais. Quando ajoelhavam, ela também vinha para baixo, num sobe e desce. Isto aconteceu três vezes e cada vez que a montanha se elevava, os raios do sol, que estavam por trás dela, atravessavam o espaço que separava a Terra da montanha e se tornavam claramente visíveis para a multidão reunida.

Nesta visão impressionante, Almuiz Aldim Alá proclamou: "Deus é grande! (Allahu Akbar)" e virando-se para o papa Abraão, disse: "Isto é suficiente para provar que sua fé é verdadeira". Naturalmente, este evento milagroso causou um tumulto entre a multidão. Quando a ordem foi restabelecida, o papa Abraão procurou Simão, que manteve-se escondido atrás do papa durante as orações, mas não foi encontrado.

O califa, que ainda estava tremendo de medo, abraçou o papa calorosamente e isto marcou o início de uma longa amizade entre os dois. O califa perguntou ao papa o que queria como recompensa. Depois de alguma hesitação, o papa pediu permissão para reconstruir ou reformar algumas igrejas, especialmente a de São Mercurius no que é hoje o Cairo Velho. Essa igreja, que foi parcialmente destruída, estava sendo usado como um armazém de açúcar e a igreja histórica de al-Mu'allaqah. O califa ofereceu recursos do Tesouro do Estado para a reconstrução da igreja, mas Abraão recusou-o. "Aquela Igreja que estamos construindo não precisa do dinheiro do mundo e é capaz de ajudar-nos até terminarmos o trabalho", disse Abraão.

O papa também decretou que o período de três dias de moratória que tinha solicitado ao califa, nos quais ele, os bispos e os sacerdotes passaram em oração e jejum, fosse um período regular de jejum a ser observado por todos os coptas a cada ano. Aqueles três dias foram adicionados aos quarenta dias de jejum antes do Natal. Assim, o jejum do Advento passou para quarenta e três dias, com início em 25 de novembro.

{{{nome}}}
(975 - 978)
Precedido por: Coptic Orthodox Cross.jpg
Papas da Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria
Sucedido por:
Menas II 62.º Filoteu II


Referências

  1. a b Atiya, Aziz S. (1991). The Coptic Encyclopedia.. Nova Iorque: Macmillan Publishing Co. ISBN 002897025X