Academia das Ciências de Berlim

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Academia das Ciências de Berlim
Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften
Fundação 1992
Tipo de instituição academia de ciências, academia nacional, lista de informação
Localização Berlim
Alemanha
52° 30' 50.04" N 13° 23' 39.12" E
Presidente Christoph Markschies
Campus Berlim
BBAW Logo.png
Website oficial

Academia das Ciências de Berlim, anteriormente denominada Preußische Akademie der Wissenschaften e hoje conhecida por Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften, é uma sociedade científica com sede em Berlim.

A BBAW foi consolidada em 1992 por meio de tratado formal entre os governos de Berlim e Brandenburgo, com base em várias academias mais antigas, incluindo a histórica Academia Prussiana de Ciências de 1700 e a Academia de Ciências da Alemanha Oriental da República Democrática Alemã de 1946. Algumas personalidades que já fizeram parte da Academia são: os Irmãos Grimm, Wilhelm e Alexander von Humboldt, Lise Meitner, Theodor Mommsen, Albert Einstein e Max Planck.[1] A BBAW já teve como membros mais de 78 laureados do prêmio Nobel.[1][2]

A BBAW opera vários centros de pesquisa. Os projetos incluem a compilação de grandes dicionários; edição de textos da história antiga, medieval e moderna; e edição da literatura clássica de diversos campos. Exemplos relevantes ​​incluem Inscriptiones Graecae, o Corpus Inscriptionum Latinarum, o Dicionário alemão (alemão: Deutsches Wörterbuch), o Dicionário egípcio antigo (Altägyptisches Wörterbuch), a bibliografia de obras de Alexander von Humboldt e uma edição acadêmica das obras de Ludwig Feuerbach.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Sociedade de Ciências (1700-1752)[editar | editar código-fonte]

As raízes da BBAW remontam à Sociedade Eleitoral de Ciências de Brandemburgo (em alemão: Kurfürstlich Brandenburgische Sozietät der Wissenschaften), fundada em 1700 por Gottfried Wilhelm Leibniz sob o patrono de Frederico I da Prússia. A instituição foi criada com o princípio de unir as ciências naturais e as humanidades, tornando-se um protótipo para outras academias em toda a Europa.[1] A ascensão do campo da física pode ser genealogicamente rastreada até este período da Academia,[3] assim como a matemática europeia moderna.[4]

Academia Real (1752-1918)[editar | editar código-fonte]

Sob o comando de Frederico, o Grande, um patrono entusiasta, a Academia alcançou uma relevância ainda maior. Em 1752, fundiu-se com a Nouvelle Société Littéraire para formar a Academia Real de Ciências (alemão: Königliche Akademie der Wissenschaften). A nova Academia atraiu cientistas e filósofos proeminentes, incluindo Immanuel Kant, que publicou trabalhos que seriam censurados toda a Europa.[5] Embora tenha sido um importante centro durante o Iluminismo, , a Academia não gozava de total liberdade devido ao seu patrocínio que provinha da realeza. Os escritos políticos ali produzidos ao longo do século XVIII argumentavam os méritos das monarquias sobre as repúblicas, alertavam contra a Revolução Francesa e defendiam a Prússia contra acusações de que esta era despótica. No século XIX os irmãos von Humboldt reorganizaram a Academia em linhas mais abertas. Desse modo, proeminentes pensadores críticos como Theodor Mommsen, Friedrich Wilhelm Joseph Schelling e Friedrich Schleiermacher foram membros ativos por muitas décadas[6]

Academia Prussiana (1918-1933)[editar | editar código-fonte]

Com o colapso da monarquia alemã em 1918, a Academia Real foi rebatizada de Academia Prussiana de Ciências (em alemão: Preußische Akademie der Wissenschaften). Durante este período, alcançou fama internacional[7] e seus membros incluíam acadêmicos renomados em suas áreas, como Albert Einstein, Max Planck, Hermann Diels e Ernst Bloch.[8]

Alemanha Nazista (1933-1945)[editar | editar código-fonte]

Durante o período nazista, assim como aconteceu em todas as instituições na Alemanha, a Academia ficou sujeita à "Lei para a Restauração do Serviço Civil Profissional". Como resultado, funcionários judeus e oponentes políticos foram expulsos. Em 1933, Albert Einstein renunciou antes de ser expulso e Max Planck, presidente da Academia na época, foi coagido a apoiar publicamente o socialismo nacionalista. No entanto, apesar da resistência inicial, com o tempo a Academia e muitos de seus cientistas tornaram-se favoráveis aos nazistas. Novos estatutos em 1938 reorganizaram a Academia de acordo com o princípio do Führer, o que fez com que Planck renunciasse à presidência em protesto.[9] O matemático Theodor Vahlen, fundador do movimento anti-semita Deutsche Mathematik, tornou-se então o presidente da Academia[10] No final da guerra, a reputação da Academia foi destruída e muitos de seus cientistas foram estigmatizados. Planck morreu em 1947[9]

História Recente (1946-hoje)[editar | editar código-fonte]

Após a Segunda Guerra Mundial, o que restou da Academia acabou na Zona de Ocupação Soviética. Reaberta pelos russos em 1946 como Academia Alemã de Ciências em Berlim (em alemão: Deutsche Akademie der Wissenschaften zu Berlin), a instituição passou a localizar-se no edifício da Companhia Marítima Prussiana no Gendarmenmarkt em 1949. A Academia foi rebatizada como Academia da Ciências da República Democrática Alemã (em alemão: Akademie der Wissenschaften der DDR) ou AdW em 1972, quando tinha mais de 400 membros e 24 000 funcionários.[7] Após a reunificação da Alemanha, a AdW foi dissolvida em dezembro de 1991 devido ao seu papel controverso no apoio ao regime da Alemanha Oriental. Em agosto de 1992, o BBAW foi reconstituída por um tratado interestadual entre as assembléias representativas de Berlim e Brandenburg usando o modelo original da antiga Academia Prussiana.[9] Atualmente, sua sede está localizada no antigo prédio da AdW, com projetos especiais conduzidos na antiga Academia Prussiana na Unter den Linden. A instituição também tem um terceiro escritório em Potsdam[9]

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

A Academia patrocina projetos diversos projetos interdisciplinares, de longo prazo e com financiamento externo. Isso inclui grandes dicionários de alemão e de línguas estrangeiras; publicações histórico-críticas de textos antigos, medievais e modernos; e edição e interpretação da literatura clássica por estudiosos de diversos campos acadêmicos. Em 2012, a BBAW foi o lar de 47 grandes projetos, os mais notáveis ​​incluem:[2]

  • Projeto de pesquisa Alexander von Humboldt (alemão:Alexander-von-Humboldt-Forschung):a iniciativa de pesquisa concentra-se na correspondência e nos diários de Alexander von Humboldt escritos durante sua famosa viagem à América (1799-1804).
  • Corpus Inscriptionum Latinarum
  • O dicionário de Egípcio Antigo (alemão: Altägyptisches Wörterbuch): Um corpus de 3 000 anos disponível ao público online e continuamente atualizado[11]
  • O Dicionário Alemão (Alemão: Deutsches Wörterbuch), iniciado pelos Irmãos Grimm[12]
  • O Dicionário Goethe (alemão: Goethe-Wörterbuch): Um projeto de história conceitual que interpreta as obras de Goethe, contendo 3,2 milhões de citações e 93 000 entradas
  • Inscriptiones Graecae: coleta e edita todas as inscrições gregas antigas da Europa
  • As Obras Completas de Marx e Engels (alemão: Marx-Engels-Gesamtausgabe)
  • Monumenta Germaniae Historica: publica materiais de referência para a história constitucional do Sacro Império Romano do século XIV
  • Schleiermacher: Edição Crítica das Obras Completas (Alemão: Schleiermacher: Kritische Gesamtausgabe): A edição oficial da correspondência de Friedrich Schleiermacher foi editada pela BBAW desde 1979

Centros de Pesquisa[editar | editar código-fonte]

A Academia estabeleceu vários centros de pesquisa ao longo do tempo, incluindo centros de pesquisa básica, linguagem e história. Cada um busca reunir conhecimentos de vários campos com o objetivo de melhorar a cooperação entre instituições universitárias e não universitárias e estimular a inovação em pesquisa regional e internacional. Em 2012, a BBAW operou três desses centros.[13]

  • Zentrum Grundlagenforschung Alte Welt: um centro de pesquisa de fontes primárias do mundo antigo[14]
  • Zentrum "Preußen-Berlin": O Centro de Pesquisa "Prussia-Berlin", um amálgama de projetos sobre história e cultura Prússia e Berlim
  • Sprache: The Language Research Centre

Medalha Helmholtz[editar | editar código-fonte]

Medalha Helmholtz é um prêmio entregue a cada dois anos pela Academia de Ciências e Humanidades de Berlim-Brandenburgo por contribuições importantes nos campos de humanidades, ciências sociais, matemática, ciências naturais, biologia, medicina e engenharia. É conferido na sessão cerimonial da celebração da academia pelo dia de Leibniz.

Vencedores[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften - Union der deutschen Akademien der Wissenschaften». www.akademienunion.de. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  2. a b «BBAW digital – Berlin-Brandenburg Academy of Sciences and Humanities». www.bbaw.de. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  3. Eckert, Michael (1 de maio de 2009). «The Quantum Ten: A Story of Passion, Tragedy, Ambition and Science». Physics Today (5): 55–55. ISSN 0031-9228. doi:10.1063/1.3141943. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  4. International Conference on Field-Programmable Logic and Applications (11th : 2001 : Belfast, Northern Ireland); Brebner, Gordon; Woods, Roger (2001). Field-programmable logic and applications : 11th International Conference, FPL 2001, Belfast, Northern Ireland, UK, August 27-29, 2001 : proceedings. [S.l.]: Berlin ; New York : Springer 
  5. Aarsleff, Hans (1 de junho de 1989). «The Berlin Academy under Frederick the Great». History of the Human Sciences (em inglês) (2): 193–206. ISSN 0952-6951. doi:10.1177/095269518900200203. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  6. Enderton, H. B. (março de 1999). «The Columbia history of western philosophy, edited by Richard H. Popkin, Columbia University Press, New York1999, xxvi + 836 pp.». Journal of Symbolic Logic (1): 396–396. ISSN 0022-4812. doi:10.2307/2586773. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  7. a b «History of the BBAW» 
  8. The Columbia history of Western philosophy. Richard H. Popkin. New York: [s.n.] 1999. OCLC 52232618 
  9. a b c d Walker, Mark (2008). Nazi science : myth, truth, and the German atomic bomb. New York: Basic Books. OCLC 784885617 
  10. Physics and national socialism : an anthology of primary sources. Klaus Hentschel, Ann Hentschel. Basel: Birkhäuser Verlag. 1996. OCLC 34192524 
  11. «BBAW: Strukturen und Transformationen des Wortschatzes der ägyptischen Sprache. Text- und Wissenskultur im Alten Ägypten - de». aaew.bbaw.de. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  12. Idioms and collocations : corpus-based linguistic and lexicographic studies. Christiane Fellbaum Pbk. ed. New York: London. 2009. OCLC 277203884 
  13. «Centros de Pesquisa BBAW» 
  14. «Startseite — Zentrum Grundlagenforschung Alte Welt». altewelt.bbaw.de. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  15. «Helmholtz medal». Bbaw.de 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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