Academia de Polícia Militar do Barro Branco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox important.svg
Foram assinalados vários aspectos a serem melhorados nesta página ou secção:
Academia de Polícia Militar do Barro Branco
Brasao Academia da PMESP.png
Brasão
País  Brasil
Estado  São Paulo
Corporação Polícia Militar do Estado de São Paulo
Subordinação Diretoria de Ensino e Cultura
Missão "Promover com excelência as atividades de ensino aos integrantes da Polícia Militar que se preparam para o exercício do Oficialato, tendo por referência a ciência pedagógica, a técnica policial e as relações humanas."[1]
Sigla APMBB
Criação 1910
Marcha Canção da APMBB[2]
Cores Azul, branco e vermelho[3]
              
História
Guerras/batalhas Revolução Constitucionalista de 1932
Logística
Efetivo ~ 100 militares
Discentes ~ 680 cadetes
Comando
Comandante Cel PM Celso Luiz Pinheiro
Sede
Guarnição São Paulo
Bairro Jardim Barro Branco
Endereço Avenida Água Fria, 1.923
Internet Página oficial

A Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB) é uma Academia de polícia da Polícia Militar do Estado de São Paulo localizada na capital do estado.

Sua missão oficial é "Promover com excelência as atividades de ensino aos integrantes da Polícia Militar que se preparam para o exercício do Oficialato, tendo por referência a ciência pedagógica, a técnica policial e as relações humanas." [1]

A APMBB trabalha na formação de profissionais de Segurança Pública, sendo que já passaram, por seus bancos escolares, personalidades notáveis da sociedade brasileira, como o Dr. Moisés Sjamboc, professor da USP e criador da Fuvest, o desembargador Álvaro Lazarini, ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral, o sr. Luiz Antonio Fleury Filho, ex-governador do Estado de São Paulo e atual Deputado Federal, além de diversos secretários de Estado e inúmeros outros desembargadores, juízes, promotores de justiça, procuradores e vereadores.

Origens[editar | editar código-fonte]

A história da APMBB, remonta ao ano de 1910, com a implementação do Curso Literário e Científico trazido pela Missão Militar Francesa, que chegou em São Paulo em 28 de março de 1906, contratada pelo então Governador do Estado Jorge Tibiriçá, com o propósito de ministrar instrução à tropa da Força Pública.[4]

1913
Foi criado o Corpo Escolar, compreendendo o Curso Geral para inferiores e Curso Complementar para Alferes e Tenentes.[5]

1924
O Corpo Escolar passa a denominar-se Centro de Instrução Militar (CIM), voltado para a formação de Oficiais e Praças, pois reunia todos os Cursos de Formação em sua localidade.[5]

1940
Teve início no Barro Branco, a construção do novo aquartelamento do CIM, sendo as obras concluídas em 1944.[5]

1950
O CIM transformou-se em Curso de Formação de Aperfeiçoamento, CFA, designação que conservou até 1969, quando, foi destinado exclusivamente a formar e especializar Oficiais.[5]

1970
Com a fusão entre Força Pública e Guarda Civil, após reestruturação de currículos, passa a denominar-se Academia de Polícia Militar. Mais recentemente, por força do Decreto nº 11.241, de 09 de março de 1978, esta Academia, por tradição, e por assim já ser conhecida, passou a denominar-se Academia de Polícia Militar do Barro Branco – APMBB – sendo consagrada uma instituição voltada à formação do Oficial em nível superior.[5]

1985
Com a criação do Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, a Academia passa a destinar-se exclusivamente a formar Oficiais e a especializá-los em cursos e estágios específicos.[5]

Cadete Ruytemberg Rocha. Falecido em 1932, durante a revolução constitucionalista.

1996

Foi firmado entre a Academia do Barro Branco e a Fundação Universitária para o Vestibular – FUVEST, contrato de parceria para a realização da prova de seleção para ingresso no Curso de Formação de Oficiais, passando a integrar um dos Cursos do Vestibular desta Instituição.[5]

2010

A realização das provas passou a ser de responsabilidade da Fundação VUNESP.[5]

Participação da APMBB na revolução de 1932[editar | editar código-fonte]

Com a eclosão da revolução constitucionalista em 1932, o então CIM-Centro de Instrução Militar (atualmente APMBB) foi totalmente deslocado para a frente de batalha atuando em todas as frentes. Como resultado das batalhas houve o falecimento do cadete Ruytemberg Rocha, então aluno do 2º ano do Curso de Formação de Oficiais.[6]

Cadete Ruytemberg Rocha[editar | editar código-fonte]

O cadete Ruytemberg Rocha tinha na data da revolução 24 anos de idade e quando do início das hostilidades foi deslocado para o Batalhão Marcílio Franco, que atuaria na frente sul, na divisa entre os estados de SP e do Paraná. Na madrugada do dia 27 de julho de 1932, o cadete Ruytemberg Rocha acabou morto com um tiro na cabeça, logo após ter saltado da trincheira em que estava. Como resultado deste fato o cadete se tornou um símbolo dos valores de um cadete da APMBB, existindo hoje em dia um núcleo de preservação da história da revolução que carrega seu nome, além de uma condecoração militar em sua honra.[6] [7]

Concorrência[editar | editar código-fonte]

Atualmente a APMBB é uma das mais concorridas instituições de ensino superior no Brasil.


Estatísticas de admissão
  2015[8] 2014[9] 2013[10] 2012[11]
Inscrições
15.308
11.430
12.094
11.149
Admissões
240
220
220
120
Taxa de admissão
1,56%
1,92%
1,81%
1,07%


Carreira dos Oficiais da PMESP[editar | editar código-fonte]

Ao ingressar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, o percurso a ser traçado é tão longo quanto o das praças, porém é detentor de maiores responsabilidades e de um empenho de igual proporção para que se almeje o grau máximo de seu respectivo quadro.

Após o ingresso na APMBB, o policial recebe o título de Aluno Oficial do 1º Ano do Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Nos anos seguintes, até o terceiro ano de curso, novas incumbências recaem sobre o aluno. Contudo, quanto à nomenclatura, apenas o nome muda, isso sendo somente quanto ao ano em que o Aluno está no Curso de Bacharelado (1º ano, 2º ano, 3º ano), mas ainda assim, tendo precedência sobre os anos mais novos.

Ao término do curso, o aluno galga então o título de Aspirante a Oficial e permanecerá com esse título até o fim do estágio como Aspirante.

Em seguida, terminado o estágio probatório, o Aspirante é promovido por merecimento intelectual a 2º Tenente e permanecerá neste ponto exercendo funções administrativas e de administrador do policiamento operacional pelo período mínimo de 3 anos, conquistando em seguida o posto de 1° Tenente.

Alunos do Curso de Formação de Oficiais da APMBB

Com o passar do tempo, o 1º Tenente passa a assumir mais funções, realizar novos cursos de pós graduação para atingir o posto de Capitão. Ao atingir tamanho grau, o mesmo torna-se Comandante de Companhia e assim assume a responsabilidade de comandar todo um efetivo de tenentes e praças, buscando suprir todas as necessidades dos mesmos, buscando recursos, incentivando-os na realização de seus objetivos e unindo-os com os da população, garantindo a satisfação do público interno e externo.

Após decorridos alguns anos, ele poderá, caso o Capitão tenha uma conduta ilibada, digna de enaltecimentos e efusivos elogios, ele poderá realizar o Mestrado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, no qual ele aprenderá novas técnicas, novas formas de atuação e novas funções, funções estas pertencentes ao próximo grau da escala hierárquica, a de Major. Alcançado o posto de Major, este será detentor de novas habilidades e maiores responsabilidades as quais o elegerão como Coordenador Operacional dos Batalhões e permitirá que ele os assuma por curtos períodos de tempo quando da ausência do Tenente Coronel, o próximo posto a ser descrito, o de Comandante do Batalhão.

Como fora dito, o Tenente-Coronel é Comandante dos batalhões e é nele que se concentram as chamadas de decisões finais e as cobranças feitas pelo mais alto escalão da Polícia Militar. Chegando em tal posto, ele ainda possui mais um degrau a ser escalado que é o de Coronel, porém este grau somente será conseguido mediante a realização do Doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, em que ele aprenderá as funções que emanam da função de Coronel. Além de ser pré-requisito ter realizado o supracitado curso, o cargo de Coronel só pode ser ocupado mediante indicação do Comandante Geral da Polícia Militar, este que é o grau supremo da instituição policial militar e que é escolhido pelo Comandante Antecessor em conjunto com o Secretário de Segurança Pública e o Governador do Estado.

Em 2016, o salário de um Aluno-Oficial no primeiro ano do curso é de R$2.946,54.[12] [13] Após formado, na graduação de Aspirante-a-Oficial o salário se eleva a R$6.100,62[12] [13] e ao final da carreira, no posto de Coronel o salário atual é de R$16.372,05.[12] [13]

Formação[editar | editar código-fonte]

Com uma grade curricular que ultrapassa 6.200 horas/aula, a Academia de Polícia Militar do Barro Branco busca por meio de variadas técnicas de ensino aliadas as mais diversas metodologias de aprendizagem, formar indivíduos capazes de exercerem de maneira profissional, íntegra, eficiente, legal, ética e moral as funções advindas do oficialato, as quais vão ao encontro com a ideologia de suprir as necessidades sociais e resguardar o interesse público de manutenção da ordem pública.

Alunos-oficiais, na cerimônia de formatura, em 2007.



Tal objetivo é desenvolvido através da excelência, já vista na organização do corpo docente que, desde o período de formação dos profissionais de segurança pública, conta com especialistas da própria área de segurança, bem como de profissionais do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Técnico-Científica e outras áreas de conhecimento, como filosofia, sociologia, informática e administração.

A escolha dos docentes civis se faz através de concurso público, no qual os melhores classificados passam por entrevistas e realizam palestras a fim de que se possa mensurar o grau de conhecimento dos mesmos e assim verificar, dentre eles, quais que melhor se encaixam no perfil de futuro instrutor do cadete. 

Por meio de diversas etapas de testes, das quais mais notoriamente o vestibular da FUVEST, o indivíduo que conquistou sua vaga dentro do limite de vagas estabelecidos, passa então por uma árdua fase de adaptação, onde será testada sua capacidade de resistência à frustração, sua força de vontade, sua destreza, sua coragem ao se deparar com novos desafios e ainda seu companheirismo ao ver-se lado a lado com pessoas as quais terá de conviver pelo resto de sua carreira.

Transcorrido o período de adaptação, iniciam-se as aulas, que ministradas pelos docentes acima mencionados, terão como enfoque a especialização do cadete, nutrindo-o com o embasamento jurídico necessário para a realização de suas futuras funções como Oficial da Polícia Militar.

Cadete da APMBB em policiamento, no Grande Prêmio do Brasil, de Fórmula 1, em 2004.

O embasamento jurídico ensinado aos alunos é variado, no que tange a utilização de diversos doutrinadores de elevado renome no meio jurídico nacional e internacional , além de cientistas políticos os quais fornecem diversas linhas de raciocínio a serem discutidas a fim de gerar no aluno o espírito crítico, necessário para o estabelecimento funcional do contato social com as diversas camadas da sociedade.

Além de todo o conteúdo jurídico, é cadete aprende sobre a estrutura da instituição Polícia Militar, a fim de que o mesmo entenda o seu papel dentro da instituição e quais as eventuais possibilidades de melhoria o futuro comandante pode fornecer para a evolução de toda a milicia bandeirante.

Tendo então o conhecimento teórico, jurídico e organizacional, o cadete passa a ter contado com aulas práticas de policiamento, aplicando, assim, todo o conhecimento adquirido em aulas temáticas e em simulações do cotidiano social, procurando dirimir eventuais dúvidas a fim de evitar a má realização de suas atividades futuras.

Ainda é visto em tais aulas que todos os procedimentos ministrados possuem seu próprio

ordenamento previsto pela administração pública, mais nitidamente na Polícia Militar, o que traz um alto grau de segurança na atuação e na condução e desenrolar das aulas práticas observadas.

A procura pela perfeição atravessa os limites educacionais e transcorre o domínio pessoal do aluno, o qual passa por diversos estágios de convívio social, sendo sempre observado por seus superiores, os quais determinam quais são os traços mais fortes do respectivo indivíduo, buscando sempre salientar os pontos a serem corrigidos e aqueles traços positivos que precisam ser mais bem incorporados.

Ao término, temos então o objetivo final de toda essa fonte de sabedoria, que é o nascer de um novo comandante, o qual buscará de forma incessante lutar através da lei, da moral e da ética, assegurar a todos a ordem e a justiça.


Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Assim como em outras escolas militares, a APMBB já foi citada na mídia em denúncias de maus-tratos aos alunos, bem como já foi acusada de promover através de seus treinamento a violência policial, com pouco ou nenhum treinamento em Direitos Humanos. Em todos os casos a Instituição de ensino superior negou as práticas e nenhuma denúncia chegou a ter comprovação judicial ou administrativa.[14] [15]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b APMBB. «Missão.». APMBB - ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO BRANCO. Consultado em 14/03/2015. 
  2. http://www.polmil.sp.gov.br/unidades/apmbb/index.asp?Tela=hino
  3. http://www.aopm.com.br/noticia/35/254/o-pavilhao-da-apmbb-ostenta-as-cores-da-franca.html
  4. «APMBB - ACADEMIA DE POL�CIA MILITAR DO BARRO BRANCO». www.polmil.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-04.  replacement character character in |titulo= at position 24 (Ajuda)
  5. a b c d e f g h Cabral, Sandhra (Abr-Jun 2014). «História» (PDF). AFAM em revista. AFAM. Consultado em 2016-05-02. 
  6. a b «Núcleo Cadete Ruytemberg Rocha». nucleocadeteruytembergrocha.xpg.uol.com.br. Consultado em 2016-05-04. 
  7. «Promotor é homenageado com colar ‘Cadete PM Ruytemberg Rocha’». www.apmp.com.br. Consultado em 2016-05-04. 
  8. «Divulgado resultado final da etapa de prova escrita e redação» (PDF). folhadirigida.com.br. 2015-09-30. Consultado em 2016-05-02. 
  9. «Barro Branco: edital neste semestre para 240 vagas». folhadirigida.com.br. Consultado em 2016-05-02. 
  10. «Barro Branco: "A principal função dos oficiais é o gerenciamento"». folhadirigida.com.br. Consultado em 2016-05-02. 
  11. «1º lugar em concurso para oficial da PM mudou tática após ser reprovado». g1.globo.com/. Consultado em 2016-05-02. 
  12. a b c «Ciaf divulga tabela completa de vencimentos com base na Lei Complementar 1249/2014». APMDFESP. Consultado em 2016-05-02. 
  13. a b c «Insalubridade vai a R$ 634,78 a partir de 1º de março – Cabos e Soldados». www.cabosesoldados.com.br. Consultado em 2016-05-02. 
  14. «Formação da PM é baseada em abusos, dizem policiais | EXAME.com». Exame. Consultado em 2016-05-04. 
  15. «Revolta no Barro Branco – desumanidade e assédio moral desencadeiam depressão e suicídio de cadete; que nem sequer pode ser velado pelos colegas de academia». Jornal Flit Paralisante. 2016-04-28. Consultado em 2016-05-04.