Acanthochelys radiolata

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Acanthochelys radiolata
Acanthochelys radiolata
Estado de conservação
Quase ameaçada
Quase ameaçada
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Chelidae
Subfamília: Chelinae
Género: Acanthochelys
Espécie: A. radiolata
Nome binomial
Acanthochelys radiolata
(Mikan, 1820)
Sinónimos
Emys radiolata

Chelodina radiolata
Rhinemys radiolata
Hydraspis radiolata
Platemys radiolata
Platemys gaudichaudii
Hydraspis gaudichaudii
Platemys werneri
Platemys radiolata quadrisquamosa
Platemys quadrisquamosa
Platemys radiolata radiolata

Acanthochelys radiolata (Mikan 1820), conhecido popularmente por cágado-amarelo, é uma espécie endêmica do Brasil de quelônio que ocorre em rios, brejos, restingas e lagoas da Mata Atlântica nos estados Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O nome cágado amarelo deve-se à coloração amarela com manchas negras do plastrão em indivíduos adultos.

Morfologia[editar | editar código-fonte]

O cágado amarelo pode chegar a 20 cm de comprimento de carapaça e apresenta um polimorfismo principalmente quanto a coloração da carapaça e do plastrão.[1] Sua carapaça é achatada e oval com um sulco vertebral, é mais larga na face posterior do que face anterior, variando de coloração entre marrom avermelhada à negra. Os espécimes adultos possuem a primeira e a quinta vertebra mais largas do que alongadas.[2] Na face ventral, o plastrão possui a parte anterior mais larga que a porção exterior e suavemente voltada para cima. Sua coloração é amarela com estrias e manchas que variam de marrom a negro. Quando jovem, os filhotes possuem a coloração do plastrão avermelhado, e à medida que crescem tornam-se amarelados.[3]

A coloração da cabeça e do pescoço pode variar entre amarelo e marrom, em alguns casos sendo pardo. Os dedos dos pés são em posição palmada, e as superfícies anteriores dos membros estão recobertas por grandes escamas. Possuem tubérculos pequenos e pontiagudos distribuídos por toda a coxa. E a cauda curta possui coloração verde oliva. Além disso, possuem barbelos que desempenham função sensorial. Outra característica peculiar destes quelônios, é a coloração branca da íris.[3] [4] [5] [1] [2]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

A espécie é essencialmente carnívora, alimentando-se de vermes, moluscos, insetos, anfíbios aquáticos e peixes. Como outros membros da família Chelidae, o cágado-amarelo possui hábitos noturnos para alimentação.[3]

Habitat[editar | editar código-fonte]

A espécie habita águas de baixa correnteza e represas com fundo lodoso, onde podem optar por ficar enterrados. Por isso, preferem ecossistemas lênticos, ou seja, águas de pouco movimento.[6]

Distribuição geográfica e Estado de conservação[editar | editar código-fonte]

A espécie Acanthochelys radiolata é endêmica do Brasil e está distribuída na Mata Atlântica, nos estados Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.[7] Atualmente, a espécie não consta como ameaçada de extinção na lista de espécies do Ministério do Meio Ambiente, e na IUCN é definida com o status "Quase ameaçada". [8] [9] A Mata Atlântica está em constante ameaça por ações antrópicas como a expansão do mercado imobiliário, agricultura, poluição, queimadas e o desmatamento que ocasionam a perda do habitat e influenciam diretamente na sobrevivência das espécies que ali residem, como o cágado amarelo.[10]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

O acasalamento foi descrito e organizado em três fases: aproximação, perseguição e cópula. Na primeira fase, o macho aproxima-se de outros espécimes diferenciando-os a cloaca. Reconhecida a fêmea, o macho passa a fase de perseguição, no qual a fêmea pode ir para água e nadar em círculos até aceitar a aproximação do macho. Feito o contato, o macho posiciona-se na região dorsal da fêmea utilizando as quatro patas para segurar-se firme até que aconteça a cópula que pode durar até dois minutos.[5]

Após se acasalarem, as fêmeas constroem seus ninhos sob as vegetações. As fêmeas utilizam de folhas para cobrir os ovos e assim protegê-los da luz solar, e que atua como camuflagem. Os ninhos são ovalados, e geralmente chegam próximo as raízes das plantas ao redor.[5]

Em cativeiro a ovipostura ocorreu no período noturno, cerca de 2 à 4 ovos por ovipostura. Os ovos mediam entre 25mm e 28,8mm, e pesavam de 5 a 12 gramas. A incubação dos ovos até o nascimento leva aproximadamente 135 dias. Os filhotes nascem com a coloração avermelhada e a íris negra. A partir dos três primeiros meses de vida, a coloração muda entre o gradiente vermelho, laranja até ficar amarelo. Após os 3 meses, a íris também é clareada, adquirindo a coloração branca. A hipótese é que a coloração vermelha com manchas negras tenha função de proteção contra predadores, pois as manchas conspícuas tornam a forma do animal menos sólida, adquirindo menos destaque no ambiente.[5]

Ectoparasitos[editar | editar código-fonte]

Foi reportado na literatura o ectoparasitismo do carrapato Amblyomma rotundatum Koch, 1844 em um indivíduo de cágado-amarelo. A presença de parasitos é uma das possíveis causas das baixas de populações de quêlonios. Em destaque, os carrapatos são vetores de infecções por protozoários que podem reduzir as concentrações de hemoglobina nos hospedeiros. A espécie Amblyomma rotundatum foi reportada como vetor do protozoário Hemolivia stellata em sapos gigantes. Além disso, as lesões decorrentes da alimentação dos carrapatos criam portas de entrada para infecção de microorganismos. [11]

Referências

  1. a b GARBIN, Rafaela C. et al. Morphological variation in the Brazilian Radiated Swamp Turtle Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820) (Testudines: Chelidae). Zootaxa, [S.L.], v. 4105, n. 1, p. 45-64, 19 abr. 2016.
  2. a b ERNST, C. H. Platemys radiolata. Catalogue of American Amphibians and Reptiles (CAAR), 1983.
  3. a b c MOCELIN, M. A. et al. Reproductive biology and notes on natural history of the side-necked turtle Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820) in captivity (Testudines: Chelidae). South American Journal of Herpetology, 3, n. 3, p. 223-228, 2008.
  4. MURPHY, J. B.; LAMOREAUX, W. E. Mating behavior in three Australian chelid turtles (Testudines: Pleurodira: Chelidae). Herpetologica, p. 398-405, 1978.
  5. a b c d MOLINA, F. d. B. Comportamento e biologia reprodutiva dos cágados Phrynops geoffroanus, Acanthochelys radiolata e Acanthochelys spixii (Testudines, Chelidae) em cativeiro. Revista de Etologia, p. 25-40, 1998.
  6. IVERSON, J. B.; COLLEGE, E. Checklist with distribution maps of the turtles of the world. Paust Print., 1986.
  7. COSTA, H. C.; BÉRNILS, R. S. Répteis do Brasil e suas Unidades Federativas: Lista de espécies. Herpetologia brasileira, 7, n. 1, p. 11-57, 2018.
  8. Brasil Ministério do Meio Ambiente (2014) Portaria MMA nº 445 de 17de dezembro de 2014. Dispõe sobre a "Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção" Acesso em 30 Jan 2021 <https://www.icmbio.gov.br/sisbio/images/stories/instrucoes_normativas/PORTARIA_N%C2%BA_444_DE_17_DE_DEZEMBRO_DE_2014.pdf>
  9. Tortoise & Freshwater Turtle Specialist Group. 1996. Acanthochelys radiolata (errata version published in 2016). The IUCN Red List of Threatened Species 1996: e.T78A97260100. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1996.RLTS.T78A13078282.en. Downloaded on 27 January 2021
  10. BONIN, F. et al. 2006. Turtles of the World. A&C Black Publishers. 2006. 416p
  11. ZORNOSA-TORRES, C. et al. Acanthochelys radiolata. Ectoparasites. Herpetological Review, 50 (3), 2019