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Acordo de cessar-fogo de Lusaca

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 Nota: Para o acordo de paz angolano de 1994, veja Protocolo de Lusaca.
Lusaka (Zâmbia) ao entardecer

O Acordo de Cessar-Fogo de Lusaca tentou encerrar a Segunda Guerra do Congo através de um cessar-fogo, da libertação dos prisioneiros de guerra e pelo envio de uma força internacional de paz sob os auspícios das Nações Unidas. Os chefes de Estado de Angola, República Democrática do Congo, Namíbia, Ruanda, Uganda, Zâmbia e Zimbábue assinaram o acordo em Lusaca, Zâmbia, em 10 de julho de 1999. [1][2]

Negociação

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Os representantes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, da Organização da Unidade Africana e das Nações Unidas se encontraram em Lusaka e redigiram o acordo de cessar-fogo de 21 a 27 de junho de 1999. Os Ministros da Defesa e das Relações Exteriores das partes em conflito se encontraram de 29 de junho a 7 de julho para discutir o acordo.[1]

O presidente zambiano Frederick Chiluba desempenhou um papel importante na assinatura do acordo em seu papel como Presidente da Iniciativa Regional para a Paz na República Democrática do Congo.[1]

Termos do tratado

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As partes concordaram em interromper todas as operações militares dentro de 24 horas após a assinatura do acordo no Artigo I, cláusula 2, seção c. O Artigo I proibia qualquer movimento militar ou a transferência de armamentos para o campo de batalha e apelava a todas as nações para que respeitassem os direitos humanos e protegessem os civis. O Artigo III libertou todos os prisioneiros de guerra na cláusula 8 e deu à Cruz Vermelha Internacional a tarefa de ajudar os feridos na cláusula 9. A cláusula 11 solicitou a implantação de uma força de manutenção da paz das Nações Unidas de acordo com o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas.[3] O documento também solicitou que a OUA estabelecesse uma força temporária de manutenção da paz para combater grupos militantes até que a força da ONU chegasse.[2] Mwesiga Laurent Baregu e Chris Landsberg da Academia Internacional da Paz criticaram esta disposição em 2003, dizendo que a OUA havia sido sobrecarregada e a SADC estava melhor equipada para lidar com o fardo.[1]

Implementação

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O Secretário-Geral das Nações Unidas emitiu um relatório recomendando a implantação de uma missão de observação na RDC em 15 de julho de 1999. O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou seu apoio a uma missão de paz em 23 de julho. O Movimento de Libertação do Congo (MLC) assinou o acordo em 1 de agosto. Cinco dias depois, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 1258, implantando pessoal de ligação militar nas capitais dos signatários do acordo de cessar-fogo e estabeleceu uma Comissão Militar Conjunta para supervisionar sua implementação. O grupo rebelde Reagrupamento Congolês para a Democracia (RCD) assinou o acordo em 31 de agosto. O Conselho de Segurança estabeleceu a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUC) na Resolução 1273, aprovada em 5 de novembro, para 15 de janeiro de 2000. A Resolução 1279, aprovada em 30 de novembro, estendeu o mandato até 1 de março de 2000.[4]

Referências

  1. a b c d Laurent Baregu, Mwesiga; Chris Landsberg (2003). From Cape to Congo: Southern Africa's Evolving Security Challenges. [S.l.]: International Peace Academy. 214 páginas 
  2. a b «DR Congo: Lusaka Ceasefire Agreement». ReliefWeb 
  3. «Chapter VII Action with Respect to Threats to the Peace, Breaches of the Peace, and Acts of Aggression». United Nations. Consultado em 7 de janeiro de 2008. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2009 
  4. Government Accounting Office (GAO) (2000). U.N. peacekeeping executive branch consultations with Congress did not fully meet expectations in 1999-2000. [S.l.: s.n.] p. 51 

Ligações externas

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