Acordos de Argel (2015)

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O Acordo de Argel foi assinado em 15 de maio e 20 de junho de 2015 em Bamako - após negociações em Argel - entre a República do Mali e a Coordenação dos Movimentos de Azawad (CMA), uma aliança de grupos armados rebeldes tuaregues e árabes agrupando o Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA), o Alto Conselho para a Unidade de Azawad (HCUA), uma ala do Movimento Árabe de Azawad (MAA), a Coalizão do Povo para Azawad (CPA) e uma ala da Coordenação dos Movimentos e Frente Patriótica de Resistência (CM-FPR2).

Contexto[editar | editar código-fonte]

Em 2013, um primeiro acordo de paz, o Acordo de Ouagadougou foi assinado entre o governo maliano e os rebeldes independentistas tuaregues. Mas em 17 e 21 de maio de 2014, os combates foram retomados em Kidal entre os rebeldes e o exército maliano. O último é derrotado e perde o controle de Ménaka, Andéramboukane, Anéfis e Kidal[1][2][3].

Em 22 de maio, negociações são realizadas em Kidal com a mediação de Mohamed Ould Abdel Aziz, presidente da Mauritânia e da União Africana. Chegou-se a um acordo de cessar-fogo entre o governo maliano e os grupos armados nortistas para retornar ao acordo preliminar de Ouagadougou. Os rebeldes, no entanto, mantêm suas posições em Kidal e Menaka.[4][5]

Assinatura[editar | editar código-fonte]

Em 19 de fevereiro, o governo maliano e os rebeldes da Coordenação dos Movimentos de Azawad validam um novo documento de cessação de hostilidades à medida que as negociações para um acordo de paz continuam em Argel.[6] Em 1 de março, um acordo de mediação é proposto pela Argélia, o documento é assinado pelo governo maliano e pelos grupos lealistas, mas representantes da Coordenação dos Movimentos de Azawad hesitam e requerem tempo antes de assinar o texto por causa da hostilidade de uma grande parte da base do movimento rebelde para um texto que não prevê autonomia nem federalismo para o norte do Mali.[7][8][9][10][11][12][13][14][15][16] Finalmente, em 10 de abril, a Coordenação dos Movimentos de Azawad anuncia que se recusa a assinar o acordo tal como se encontra.[17][18][19]

Em 27 de abril, o Grupo de Autodefesa Tuaregue Imghad e Aliados e os lealistas do Movimento Árabe de Azawad assumem o controle da cidade de Ménaka. Isso provoca novos combates entre os rebeldes e as milícias lealistas. No entanto, a Coordenação dos Movimentos de Azawad rubricou o Acordo de Argel em 14 de maio[20], mas recusou-se a assinar o texto.[21] No dia 15 de maio, em Bamako, enquanto combates ocorrem no mesmo dia nas proximidades de Ménaka, o acordo de paz é assinado pelo governo maliense e por grupos lealistas, bem como por vários países e organizações em nome da mediação internacional: Argélia, Burkina Faso, Mauritânia, Níger, Nigéria, Chade, União Africana, ONU, CEDEAO, Organização para a Cooperação Islâmica, União Europeia e França, mas sem a presença dos representantes da Coordenação dos Movimentos de Azawad.[22][23][24][25]

Finalmente, a Coordenação dos Movimentos de Azawad, sob pressão da comunidade internacional, assinou o acordo em 20 de junho em Bamako. O texto é assinado pelo representante da Coordenação dos Movimentos de Azawad, Sidi Brahim Ould Sidati, líder dos rebeldes do Movimento Árabe de Azawad.[26][27][28]

Referências

  1. AFP : Au Mali, Kidal et Ménaka sous contrôle des rebelles
  2. RFI : Chassé de Kidal, le gouvernement malien décrète un cessez-le-feu
  3. Jeune Afrique : Bilal Ag Acherif : "C'est l'armée malienne qui a attaqué le MNLA"
  4. RFI : Mali: trois groupes armés à Kidal acceptent un accord de cessez-le-feu
  5. AFP : Mali: les groupes armés à Kidal acceptent un cessez-le-feu avec Bamako
  6. RFI : Mali: une déclaration signée à Alger lors des négociations de paix
  7. RFI : Accords inter-maliens à Alger: la CMA demande du temps
  8. Le Point avec AFP : Mali : un "accord de paix et de réconciliation" signé à Alger
  9. RFI : Mali: manifestations à Kidal contre les accords en vue à Alger
  10. «Le Monde : Accords de paix d'Alger : une dernière chance pour le Mali»  por Jean-Philippe Rémy.
  11. RFI : Mali: accord d'Alger, un mois pour convaincre
  12. RFI : Mali: comment le projet d'accord de paix est-il perçu sur le terrain?
  13. RFI : Mali: les discussions continuent dans le Nord autour de l’accord d’Alger
  14. RFI : Accord d’Alger: l’interminable indécision des groupes du nord du Mali
  15. RFI : Mali: poursuite des discussions à Kidal sur l'accord d'Alger
  16. RFI : Nord du Mali: le texte de l'accord ne changera pas, prévient la médiation
  17. MNLAMOV : La CMA déclare ne pas pouvoir parapher l'accord en son état actuel
  18. RFI : Nord du Mali: la CMA ne paraphera pas le projet d’accord de paix
  19. RFI : Nord du Mali: la médiation fait pression et fixe une date de signature
  20. RFI : Nord du Mali: les groupes armés ont paraphé l'accord de paix d'Alger
  21. «Le Figaro : Mali : un accord de paix très fragile pour le Nord»  por David Baché.
  22. Le Point avec AFP : Le Mali signe la paix, mais sans les Touaregs
  23. MNLAMOV : la CMA informe qu'aucun de ses membres n'est présent à la cérémonie de signature à Bamako
  24. RFI : Mali: signature de l'accord de paix, sans les principaux groupes rebelles
  25. Libération : «La situation au Mali a empiré»
  26. «L'accord de paix pour le nord du Mali officiellement ratifié»  RFI, 20 de junho de 2015.
  27. «Accord de paix au Mali: scènes de fraternisation entre anciens ennemis»  RFI, 21 de junho de 2015.
  28. «Mali: les défis de la mise en œuvre de l'accord de paix»  RFI, 21 de junho de 2015.