Afro-portugueses

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Portugal Afro-portugueses
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Mario Coluna (1969).jpg
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Nani2012.JPG
Manuel Fernandes 2012-13.jpg
Naide Gomes Doha 2010.jpg
José Bosingwa'13.JPG
População total

Aproximadamente 149 982
(cerca de 1,3% da população portuguesa[1])

Regiões com população significativa
Portugal (principalmente Lisboa, Porto e Faro)
Línguas
Português
Religiões
Predominantemente o catolicismo, islamismo sunita e as minorias irreligiosas.
Grupos étnicos relacionados

Pardos, afro-americanos, afro-argentinos, afro-chilenos, afro-cubanos, afro-latino-americanos, afro-peruanos, afro-caribenhos, afro-jamaicanos, afro-costa-riquenhos, afro-uruguaios

Os afro-portugueses são os cidadãos portugueses com ascendência negro-africana.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

A maioria dos afro-portugueses migraram ou são descendentes das pessoas provindas das antigas colónias africanas portuguesas (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) e em números muito pequenos originários dos outros países da África subsariana. Essas comunidades chegaram a Portugal após a independência das colónias africanas, em 1974-75, e principalmente após o crescimento económico português na segunda metade da década de 1980. Estes não devem ser confundidos com a população maioritariamente europeia branca nascida em Portugal, que "retornaram" a partir das mesmas colónias, imediatamente após a sua independência — os chamados retornados (colonos portugueses e descendentes dos colonos portugueses nascidos nas ex-colónias africanas que mudaram-se para Portugal após a independência das mesmas e na segunda metade da década de 1980, também estão incluídos nesta categoria).

Devido à atual lei da nacionalidade portuguesa que privilegia o jus sanguinis, a maioria dos africanos negros em Portugal mantêm a sua nacionalidade de origem. De facto, a lei da nacionalidade de 1959 foi baseada no princípio do jus soli, as alterações feitas em 1975 e 1981 mudaram-a para uma lei do jus sanguinis, assim basicamente negando a possibilidade da naturalização não só dos migrantes da primeira geração, mas também dos seus filhos e netos (só muito recentemente, precisamente em 2006, esta situação foi alterada, mas ainda salientando o jus sanguinis). Existem afro-portugueses com nacionalidade portuguesa, mas seus números não são conhecidos, já que não há estatísticas oficiais em Portugal relativas a raça ou etnia.

A chegada destes negros-africanos em Portugal, juntamente com a sua dificuldade de acesso a cidadania tem aumentado a partir da década de 1970, com os processos de discriminação étnica e racial na sociedade portuguesa (além dos africanos, também visando os brasileiros e ciganos). Este é o resultado dos múltiplos fatores, desde institucionais e jurídicos a socioculturais (a construção das diferenças étnicas e raciais estereotipadas), residenciais (com a concentração dos imigrantes negros nos guetos degradados) e económicas (o perfil profissional e educativo pouco qualificado dos migrantes). Estes processos de discriminação foram concomitantes com o fortalecimento de uma visão étnica e racista da identidade nacional portuguesa, mesmo nas gerações mais jovens, juntamente com um reforço paralelo da identidade negra nos imigrantes africanos, superando até mesmo as origens nacionais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «QUADRO I.5: Estrangeiros com Permanência Regular em Portugal (1999-2006)» (PDF). Observatório das Migrações. Consultado em 10 de dezembro de 2016