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Grupo Cultural AfroReggae

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Afro Reggae)
Grupo Cultural AfroReggae
TipoOrganização não governamental
Fundação1993
SedeRio de Janeiro, Brasil
Diretor ExecutivoDanilo Costa
Fundador(a)José Júnior

Grupo Cultural AfroReggae é uma organização não governamental fundada em 1993, com a missão de promover impacto social por meio da arte, da cultura e da educação. Voltada especialmente para jovens de favelas e periferias urbanas, a instituição busca ampliar oportunidades para grupos estigmatizados e menos favorecidos, combatendo preconceitos, reduzindo desigualdades e visando a promoção da inclusão produtiva e a mobilidade social.[1]

Nos últimos anos, o AfroReggae passou por um processo de reestruturação programática, com foco na atuação no setor digital da economia criativa. Atualmente, desenvolve iniciativas nas áreas de audiovisual, games e música, com o objetivo de fortalecer comunidades e ampliar o impacto social por meio da inovação e da inserção de jovens no universo tecnológico e criativo.[2]

Em 2025, o Grupo Cultural AfroReggae passou a integrar a coalizão internacional Peace in Our Cities, dedicada à redução da violência urbana e coordenada pelo Center on International Cooperation, da New York University. A entrada ocorreu após representantes da PiOC conhecerem ações desenvolvidas pelo AfroReggae em favelas do Rio de Janeiro, incluindo iniciativas de inclusão digital, educação, cultura e fortalecimento comunitário. A participação na coalizão conecta a organização brasileira a uma rede global de cidades e instituições multilaterais comprometidas com políticas públicas para a construção da paz e prevenção da violência.[3][4]

Ainda em 2025, o Grupo Cultural AfroReggae foi contemplado com o Prêmio Asas, iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro destinada a reconhecer pontos de cultura com forte atuação comunitária no estado.[5] No mesmo ano, a instituição recebeu o Diploma Heloneida Studart, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que distingue pessoas e organizações que se destacam pela promoção de práticas e ações culturais de relevante impacto social.[6]

História

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A organização foi criada por José Pereira de Oliveira Junior que começou sua carreira promovendo festas de funk e reggae no Centro do Rio de Janeiro, tornando-se posteriormente empreendedor social. Com o surgimento do jornal impresso Afro Reggae Notícias, em 21 de janeiro de 1993. Um mês após a chacina de Vigário Geral, começou um trabalho que deu início a uma nova forma de educação e inclusão da favela como parte da cidade.

A ONG iniciou o seu trabalho e inaugurou seu primeiro Núcleo Comunitário de Cultura, atualmente Centro de Cultura Digital Waly Salomão, justamente em Vigário Geral. Inicialmente, o grupo passou a oferecer oficinas de reciclagem de lixo, percussão e de dança afro dentro da favela. O trabalho da instituição se expandiu e alcançou os moradores das favelas de Parada de Lucas, Cantagalo, Complexo do Alemão, da Penha e outros municípios, como Nova Iguaçu.

O AfroReggae passou a desenvolver projetos em áreas pobres, violentas e muitas vezes comandadas pelo tráfico de drogas. Além da atuação nos núcleos, por meio de oficinas, aulas, eventos, entre outros, o grupo também passou a trabalhar na formação de grupos artísticos, programas de televisão, publicações sobre temáticas sociais, entre outros.

José Júnior deixou a função executiva no Grupo Cultural AfroReggae e passou a ocupar o cargo de presidente do conselho da organização, que passou a ser dirigida por um colegiado de diretores. Ele também se tornou CEO e showrunner da AfroReggae Audiovisual, que é um empreendimento independente voltado à produção de conteúdo audiovisual.[7][8]

Em julho de 2024, o AfroReggae concedeu o título de Membro Honorário ao economista Armínio Fraga Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil. A homenagem reconhece o apoio institucional prestado por Fraga às iniciativas da organização e seu compromisso com causas sociais voltadas à inclusão e ao desenvolvimento. A entrega simbólica foi realizada na sede da Gávea Investimentos, no Rio de Janeiro.[9]

Em 2025, o Diretor Executivo Danilo Costa afirmou que a organização passou por uma reestruturação metodológica na última década, com foco na digitalização e na empregabilidade. Segundo ele, “os pilares atuais do AfroReggae são audiovisual, games e música, sempre com o viés digital”, refletindo a adaptação da entidade às novas demandas sociais e tecnológicas.[10]

Nova Atuação Programática

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AfroGames

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O AfroGames é um programa voltado à inclusão digital de jovens de favelas por meio dos esportes eletrônicos e do desenvolvimento de jogos digitais. A primeira unidade foi instalada em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, considerada o primeiro centro de treinamento de eSports dentro de uma favela no Brasil.[11]

O programa expandiu suas atividades para outras regiões, incluindo Centros de Treinamento no Complexo da Maré – nas comunidades de Nova Holanda e Morro do Timbau – e no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde funciona dentro de uma escola municipal.[12] Em 2025, com patrocínio do Guaraná Antarctica por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, o AfroGames transformou uma antiga base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em um novo Centro de Treinamento no Mandela, na região de Manguinhos, Zona Norte do Rio.[13]

O AfroGames oferece trilhas formativas em Criação de Jogos e eSports, além de aulas de inglês técnico.[14]

Como parte de sua metodologia, o AfroGames promove a Copa AfroGames, um torneio de eSports realizado na Arena AfroGames, no Cantagalo, com equipes formadas por alunos do programa. O evento também conta com atrações culturais e participação de equipes convidadas, reforçando o papel da iniciativa como ferramenta de inclusão, formação e protagonismo juvenil.[15]

O programa também realiza a AfroGames Jam, uma maratona de desenvolvimento de jogos voltada aos alunos das turmas de Design e Criação de Jogos. Divididos em equipes, os participantes desenvolvem jogos digitais com foco em temas como sustentabilidade, responsabilidade social e inovação, apresentando os resultados em sessões de pitch para uma banca avaliadora.[16]

Em 2023, o antigo picadeiro do Anfiteatro Benjamin de Oliveira foi transformado na Arena AfroGames, considerada a primeira arena de eSports do mundo situada dentro de uma favela. Localizada no Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, Zona Sul do Rio de Janeiro, o espaço é utilizado para formação de jovens em jogos como Free Fire, Valorant e EA Sports FC, além de sediar eventos como a Copa AfroGames, que inclui competições, shows e atividades culturais.[17][18]

Em agosto de 2025, o AfroGames realizou a 3ª edição da Copa AfroGames, reconhecida como o maior torneio de eSports já sediado em uma favela no Brasil, com mais de 150 jovens competidores e público acima de mil pessoas.[19] O evento foi destacado internacionalmente pelo site Esports Radar como o mais importante realizado em contexto de favela no país.[20]

O AfroGames conquistou reconhecimento internacional ao ser eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como projeto modelo do ano em 2019, em razão de sua proposta de inclusão digital, educação e profissionalização em eSports.[21][22] No Brasil, foi homenageado no Prêmio eSports Brasil pela sua relevância social e pelo impacto de abrir novas perspectivas para jovens de favelas.[23]

Criado em 2022, o Crespo Music é o selo musical do AfroReggae, voltado para a descoberta, produção e valorização de artistas negros e oriundos de favelas e áreas periféricas. A proposta do selo é oferecer suporte técnico e visibilidade profissional a talentos locais, promovendo diversidade e inclusão no mercado fonográfico nacional.[24]

O selo conta com estúdio próprio no Centro de Cultura Digital Waly Salomão, em Vigário Geral, equipado com tecnologia Dolby Atmos, e mantém parcerias com a Virgin Music Brasil (distribuição), a Universal Music Publishing (direitos autorais) e a UBC (apoio institucional).[25]

O catálogo do selo inclui trilhas originais para séries produzidas pela AfroReggae Audiovisual em parceria com a Globoplay, como Arcanjo Renegado e A Divisão. Em 2024, lançou a trilha sonora da terceira temporada de Arcanjo Renegado, com produção de Sany Pitbull & Crespo Music; o tema de abertura, “Mercadores da Fé”, foi composto por MC Aori. Em 2025, lançou a trilha sonora da quarta temporada de A Divisão.[26][27]

Também em 2024, o artista Jefinho, vinculado ao selo, se apresentou na cerimônia de abertura da cúpula internacional Y20, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, representando a favela na principal atividade cultural do fórum de juventude do G20.[28]

Em julho de 2025, a Virgin Music Group realizou uma visita ao estúdio do Crespo Music, em Vigário Geral, acompanhando ensaios e gravações de artistas do casting. A visita contou com a presença de Alessandra Bruno, Country Manager Brasil da Virgin Music Group, reforçando a parceria institucional entre as organizações.[29]

Centro de Cultura Digital Waly Salomão

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No Centro Cultural Waly Salomão, localizado no Parque Proletário de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o AfroReggae deu seus primeiros passos, abrindo caminho para o crescimento da instituição. Waly Salomão, que dá nome ao núcleo, foi grande entusiasta da causa do grupo. Já em 1994, ele dizia que o AfroReggae seria uma potência social e cultural.

Atualmente, o espaço concentra atividades nas áreas de cultura, tecnologia e formação profissional. Ali funcionam o estúdio da Crespo Music — com estrutura de gravação em tecnologia Dolby Atmos —, o Centro de Treinamento do programa AfroGames, e oficinas artístico-culturais voltadas para crianças e adolescentes, como ballet e percussão. Entre 2023 e 2024, as oficinas contaram com apoio da TV Globo, beneficiando 150 jovens com aulas regulares, acompanhamento pedagógico e apoio psicossocial.[30]

Agência Segunda Chance

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Criado em 2008, o principal foco do projeto é empregar ex-detentos, facilitando sua reintegração à sociedade. O projeto ativa o processo de ressocialização dando apoio psicológico e regularização de documentos desde o momento de saída do sistema prisional.[31][32] Essas pessoas são encaminhadas pelo projeto a postos de trabalho e têm seu desempenho no ambiente de trabalho acompanhado pela equipe do Segunda Chance. O projeto promove a inclusão social através da inserção no mercado de trabalho.[33]

A agência recebe candidatos, analisa os currículos, faz uma entrevista inicial e os encaminha às empresas parceiras. Também cabe à instituição supervisionar a performance de cada empregado. Os dados dos candidatos, empresas e vagas são cadastrados em um banco de dados digital. Assim, os encaminhamentos são feitos diretamente no sistema e as empresas recebem por e-mail as fichas dos candidatos encaminhados para as entrevistas.[34]

Desde 2024, a Agência passou a contar com o apoio do Instituto Ação Pela Paz, organização que atua na promoção de direitos e na reintegração de egressos do sistema prisional.[35]

Conexões Urbanas

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O Conexões Urbanas é um projeto sociocultural criado pelo Grupo Cultural AfroReggae em 2001, com o objetivo de promover a valorização da cultura das favelas por meio de grandes eventos artísticos gratuitos realizados dentro das comunidades. A iniciativa busca ampliar o acesso à arte, fortalecer o sentimento de pertencimento e fomentar o protagonismo de moradores locais.

A primeira edição do projeto ocorreu no Morro da Formiga, com a participação de Fernanda Abreu. Ao longo dos anos, o Conexões Urbanas levou artistas como Caetano Veloso, Marisa Monte, Gilberto Gil, O Rappa, Titãs e Cidade Negra a comunidades do Rio de Janeiro, como Vila Cruzeiro, Inhaúma e Vigário Geral.[36]

Em 2007, o projeto celebrou sua 50ª edição com um grande show na Rocinha, que reuniu milhares de pessoas e teve como atração principal a banda Charlie Brown Jr.. A matéria de capa do jornal O Globo destacou que, até aquele momento, o Conexões Urbanas havia passado por dezenas de comunidades cariocas sem registrar nenhum episódio de violência durante as apresentações — um feito inédito e reconhecido inclusive por autoridades de segurança pública.[37]

Conexões Urbanas em Vigário Geral (03.05.2025).

Entre 2024 e 2025, o projeto entrou em nova fase, com edições realizadas em Vigário Geral, Complexo do Caju, Vila do João (Complexo da Maré), Piscinão de Ramos, Vila Vintém e Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Os eventos reuniram artistas como Belo, L7nnon, TZ da Coronel, MC Maneirinho e Marvvila, além de apresentações de artistas da Crespo Music, selo musical do AfroReggae, que abriu os palcos em várias edições.[38][39]

Os eventos do Conexões Urbanas costumam reunir milhares de pessoas e contam com estrutura de palco, iluminação e som profissional, respeitando a dinâmica local.[40]

Atualmente, o projeto conta com o apoio da Ambev, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro, além de outras parcerias institucionais e comunitárias.[41]

Projeto Antenar

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O Projeto Antenar é uma iniciativa do AfroReggae voltada à ampliação da conectividade em áreas urbanas com infraestrutura limitada. A proposta consiste na instalação de antenas de telecomunicações de pequeno porte em residências, permitindo a expansão do sinal de redes móveis em regiões densamente povoadas.[42]

O modelo adotado utiliza estruturas discretas e adaptadas ao ambiente urbano, dispensando o uso de torres tradicionais e facilitando a implantação em locais com limitações físicas e técnicas.[43][44]

Em dezembro de 2023, o projeto recebeu a visita técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que acompanhou a execução das instalações em uma comunidade da zona norte do Rio de Janeiro.[45]

Intercâmbios

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Programa Sociocultural de Cabo Verde

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O Programa Sociocultural de Cabo Verde foi uma iniciativa internacional realizada entre 2013 e 2014, fruto da cooperação entre o Grupo Cultural AfroReggae, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A proposta teve como foco o fortalecimento comunitário por meio da arte, cultura e metodologias de inclusão social, com ações realizadas em três bairros da cidade da Praia: Tira Chapéu, Safende e Achada Grande Frente. O projeto promoveu oficinas de formação em grafite, percussão e circo, além de atividades de acompanhamento psicossocial baseadas em metodologia de risco social e familiar. Foram formados cerca de 70 multiplicadores locais, que passaram a conduzir as ações culturais em suas comunidades ao final do projeto.[46] Como parte do processo de monitoramento, foi aplicado em duas etapas o (IPM), instrumento adotado para mapear privações e vulnerabilidades das famílias atendidas. O projeto foi considerado um caso-piloto bem-sucedido e apontado como referência para futuras ações de cooperação internacional com base em metodologias culturais de impacto social.[47]

Intercâmbio no Reino Unido

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Entre 2006 e 2017, o AfroReggae desenvolveu uma série de intercâmbios culturais e educacionais com instituições britânicas por meio de uma parceria com o People's Palace Projects, ligado à Queen Mary University of London. A colaboração resultou em oficinas, apresentações musicais, programas de formação artística e ações de integração com jovens em situação de vulnerabilidade no Reino Unido.[48] Em 2006, artistas do grupo se apresentaram no Barbican Centre, em Londres, durante a programação “From the Favela to the World”, e ministraram oficinas em escolas de bairros periféricos como Hackney. As atividades incluíram performances conjuntas com estudantes britânicos em espaços como o Centro de Direitos Humanos da Anistia Internacional.[49] A partir de 2015, estudantes da Queen Mary passaram a realizar imersões anuais no Brasil, participando de atividades com o grupo nas comunidades onde atua. A experiência foi viabilizada pelo programa Santander Universidades, com foco em inovação social e troca de metodologias entre os países.[50]

Filmes, Documentários e Livros

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Favela Rising

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Favela Rising é um documentário lançado em 2005, dirigido por Jeff Zimbalist e Matt Mochary, que narra a história da fundação do AfroReggae e as primeiras atividades do grupo em Vigário Geral, no Rio de Janeiro. O filme destaca como a música e a cultura foram utilizadas como ferramentas de transformação social em um ambiente marcado pela violência e a exclusão.[51]

O documentário estreou no Festival de Cinema de Tribeca em 2005, onde recebeu o prêmio de Melhor Novo Documentarista para Zimbalist e Mochary. Também foi premiado como Melhor Documentário no New York Latino Film Festival e como Melhor Documentário de Longa-Metragem no Big Sky Documentary Film Festival. Ao todo, Favela Rising conquistou mais de 25 prêmios internacionais e foi pré-selecionado para o Oscar de Melhor Documentário.[52]

Nenhum Motivo Explica a Guerra

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Nenhum Motivo Explica a Guerra é um documentário lançado em 2006, dirigido por Cacá Diegues e Rafael Dragaud, que retrata a trajetória do AfroReggae, destacando sua atuação em comunidades do Rio de Janeiro marcadas pela violência e exclusão social. O filme mescla cenas de apresentações musicais com depoimentos de integrantes do grupo, abordando como a arte e a cultura foram utilizadas como ferramentas de transformação social.[53]

O documentário foi exibido no Festival do Rio de 2006, na mostra Première Brasil, e posteriormente lançado em DVD, acompanhado de um show ao vivo do AfroReggae. A produção destaca a importância do grupo na promoção da inclusão social por meio da arte e da cultura, evidenciando seu impacto positivo nas comunidades onde atua.[54]

Publicações

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A organização tem publicados dois livros que relatam, com visões diferentes, a trajetória do AfroReggae. O primeiro, intitulado Da Favela para o Mundo, foi escrito por José Junior e apresenta histórias, muitas inéditas, dos primeiros 13 anos de atuação do grupo fundado em Vigário Geral.[55]

O segundo livro, Cultura é Nossa Arma: AfroReggae nas Favelas do Rio, de autoria dos ingleses Damian Platt e Patrick Neate, retrata a vida de pessoas que utilizam a arte, a educação e a cultura para transformar a realidade das comunidades cariocas.[56]

Prêmios e Reconhecimentos

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O AfroReggae recebeu diversas premiações institucionais ao longo de sua trajetória, em reconhecimento ao impacto social de suas ações nas áreas de cultura, juventude, cidadania e direitos humanos:

Prêmio Asas (2025) – concedido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, em reconhecimento à atuação comunitária dos Pontos e Pontões de Cultura do estado.[57]

Diploma Heloneida Studart (2025) – concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em reconhecimento à promoção de práticas e ações culturais de relevante impacto social.[58]

Prêmio CBIC de Responsabilidade Social – Categoria Empresa (2012) – concedido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Construtora Cofix, pelo projeto Empregabilidade.[59]

Prêmio JÓIA JK (2013) – concedido pela Soberana Ordem do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek.

Ordem de Rio Branco (2013) – concedida pelo Ministério das Relações Exteriores, em reconhecimento à atuação de interesse internacional.[60]

Cannes Lions – Leão de Prata (Cyber) (2014) – pela campanha “Tá no Mapa”, na categoria Social: Community Building/Management.[61]

Cannes Lions – Leão de Bronze (PR) (2014) – na categoria Digital & Social – Use of Digital Platforms.[62]

Webby Award (2014) – concedido pela International Academy of Digital Arts and Sciences, pelo projeto “Tá no Mapa”.[63]

Prêmio Nacional de Direitos Humanos – Enfrentamento à Violência (2009) – concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.[64]

Mérito Legislativo da Câmara dos Deputados (2008) – concedido pelo Congresso Nacional.

Prêmio Canto Brasil – Direitos Humanos (2007).

Medalha da Inovação Educacional (2007).

Menção Honrosa – Prêmio UNESCO-Madanjeet Singh pela Promoção da Tolerância e Não-Violência (2006) – concedida pela UNESCO.[65]

Prêmio Ação Social / Pró Social – Meus Prêmios Nick (2006) – concedido pela Nickelodeon.

Medalha Jorge Careli de Direitos Humanos (2006) – concedida pela Fiocruz.[66]

Medalha do Mérito Segurança Pública – Grau Cavaleiro (2006) – concedida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Prêmio Ashoka – Empreendedor Social (Participação Cidadã) (2005) – reconhecendo o AfroReggae como agente de transformação social.[67]

Prêmio Qualidade Brasil (2004) – concedido pela International Quality Service.

Prêmio Itaú-UNICEF (2003) – concedido pela parceria Itaú Social – UNICEF.[68]

Prêmio Inax-Uniting (2003) – concedido pela UNESCO em parceria com a empresa japonesa Inax.

Ordem do Mérito Cultural (2003) – concedida pelo Ministério da Cultura.[carece de fontes?]

Prêmio Stop Racism (2000) – concedido pelo Ministério de Multicultura do Canadá.

Prêmio UNESCO – Juventude e Cidadania (2000) – pela atuação com jovens em áreas de risco.[69]

Prêmio Cultura e Cidadania (1999) – concedido pela Fundação Getulio Vargas.

Prêmio Beija-Flor de Direitos Humanos (1999) – concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Prêmio Orgulho Carioca (1998) – concedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Projetos audiovisuais

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Antes da criação da produtora AfroReggae Audiovisual S.A., em 2016, o Grupo Cultural AfroReggae desenvolveu diversas produções para televisão com foco em temáticas sociais, segurança pública e mediação de conflitos. Os projetos, concebidos enquanto a instituição ainda atuava como ONG, foram exibidos por canais como Multishow e GNT, e buscaram dar visibilidade a vozes marginalizadas, além de promover o diálogo entre atores sociais historicamente em confronto.

Conexões Urbanas (2008–2014)

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Criado e apresentado por José Júnior, o programa estreou em 2008 no canal Multishow e teve sete temporadas.[70] Com formato documental e linguagem de reality, a série retratava visitas a favelas, promovendo discussões sobre cidadania, racismo, sustentabilidade e violência urbana. Ao longo dos anos, o programa se consolidou como uma ponte entre diferentes realidades sociais e lançou a base para a criação da produtora audiovisual do AfroReggae.[71]

Papo de Polícia (2011–2015)

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Exibido também no Multishow, o programa teve cinco temporadas[72] e abordou o cotidiano de agentes das forças policiais, incluindo operações em áreas conflagradas e aspectos pessoais da vida dos profissionais. A temporada final, focada no BOPE do Rio de Janeiro, utilizou câmeras acopladas às armas dos policiais para registrar ações em campo.[73]

Zona Neutra (2013)

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Gravado no anfiteatro do AfroReggae no Morro do Cantagalo, o programa reuniu ex-traficantes, ex-milicianos e autoridades policiais em um debate mediado por José Júnior. O especial foi exibido pelo Multishow em 22 de dezembro de 2013.[74] Com plateia formada por moradores, artistas e especialistas, a proposta era criar um espaço de escuta e convergência entre lados opostos do conflito urbano.

Fui Bandido (2017)

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Idealizada por José Júnior e exibida no Multishow, a série apresentou oito episódios com histórias reais de egressos do sistema prisional que buscaram reconstruir suas vidas fora do crime.[75] A produção contou com direção de Luis Erlanger e teve participação especial de Luciano Huck.[76] Embora exibida em 2017, a concepção e gravação ocorreram ainda sob gestão direta do AfroReggae enquanto ONG.

José Júnior: Entre a Guerra & a Paz (2018)

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Minissérie biográfica exibida pelo Multishow em quatro episódios, com direção de Jorge Espírito Santo. A série retrata a trajetória de José Júnior como mediador de conflitos e fundador do AfroReggae, com depoimentos de personalidades como Luciano Huck e Armínio Fraga.[77]

Paixão Bandida (2013–2014)

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Série documental com duas temporadas exibidas pelo canal GNT. A primeira abordou mulheres que se relacionaram com homens ligados ao crime, e a segunda apresentou histórias de homens que permanecem ao lado de parceiras encarceradas.[78] Com quatro episódios por temporada, a série destacou as dinâmicas afetivas em contextos de criminalidade e encarceramento.

Órfãos da Violência (2014)

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Produzida pelo AfroReggae e exibida pelo GNT, a série documental de quatro episódios acompanhou pessoas que sofreram perdas familiares causadas por ações violentas ou negligência do Estado. Contou com depoimentos de jornalistas como Ana Paula Araújo e Zuenir Ventura, além da autora Glória Perez.[79]

Ações Legadas

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Juventude e Polícia

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O projeto Juventude e Polícia foi desenvolvido em 2004 em Minas Gerais com o objetivo de promover o diálogo entre jovens moradores de comunidades periféricas e profissionais da segurança pública. A iniciativa foi coordenada pelo Grupo Cultural AfroReggae, com apoio da Fundação Ford[80] e da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).[81]

As ações do projeto incluíram a realização de oficinas de arte urbana — como grafite, dança de rua, teatro, música e basquete — ministradas por jovens dentro de batalhões da Polícia Militar, além de encontros de mediação e rodas de conversa entre policiais e moradores das comunidades.[82] A proposta buscava reduzir estigmas mútuos, estimular novas formas de convivência e desenvolver estratégias locais de prevenção da violência.

A experiência foi considerada inovadora por articular segurança pública, arte e inclusão social, sendo documentada em avaliações institucionais. Em sua segunda etapa, o projeto promoveu a capacitação de agentes de segurança pública e consolidou a criação de uma banda formada por policiais e jovens beneficiados.[83]

Prêmio Orilaxé

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O prêmio foi criado em 2000 como parte das comemorações pelos sete anos de atuação da organização. O nome vem do iorubá e significa "a cabeça tem o poder de realização", expressando a ideia de transformação por meio da consciência e da ação.[84]

A premiação tinha como objetivo reconhecer pessoas e instituições que contribuíram significativamente para a justiça social, a valorização da cultura afro-brasileira e os direitos humanos. As categorias contempladas incluíam Jornalismo, Veículo de Comunicação, Fotografia, Cantor, Cantora, Grupo Musical, Tradição Afro-Brasileira, Cultura Popular, Responsabilidade Social, Empreendedor Social, Direitos Humanos e Projeto Social.[85]

A cerimônia de entrega acontecia no Rio de Janeiro e reunia artistas, lideranças sociais e convidados. Em 2012, a 12ª edição teve como tema a diversidade sexual, contou com mais de duas mil pessoas no público e homenageou o rapper Criolo, que recebeu o prêmio das mãos do então deputado estadual Marcelo Freixo.[86]

O projeto foi uma iniciativa voltada ao estímulo do diálogo entre grupos sociais historicamente antagonizados, especialmente policiais e ex-traficantes, em territórios marcados pela violência urbana e pela exclusão social. Criado na década de 2000, o projeto promoveu encontros públicos nos quais esses interlocutores compartilhavam suas trajetórias pessoais e refletiam sobre temas como segurança pública, repressão estatal, sistema prisional, ressocialização e justiça social.

A dinâmica do projeto consistia na realização de debates presenciais, com mediação, em que os participantes — incluindo agentes de segurança e ex-integrantes do tráfico — expunham suas experiências, angústias e dilemas. Esses encontros eram abertos ao público e incentivavam a participação ativa da plateia, promovendo uma escuta empática e a quebra de estigmas recíprocos. Ao propiciar um espaço seguro para a expressão e o confronto de ideias, o Comandos buscava contribuir para a formação de uma consciência crítica e o fortalecimento de alternativas à cultura da violência.

A abordagem adotada pelo projeto tinha forte inspiração em práticas de justiça restaurativa, reconhecendo o potencial transformador do reconhecimento mútuo e do diálogo como instrumentos de construção de novas perspectivas de vida. Os participantes relataram que a iniciativa ajudava a reformular visões de mundo e a reconstruir identidades marcadas por processos de criminalização ou militarização excessiva.

O projeto foi destacado em reportagens e estudos acadêmicos como exemplo de prática inovadora de mediação de conflitos em contextos urbanos complexos. A sua metodologia contribuiu para experiências posteriores do AfroReggae em programas de prevenção à violência, atuação em unidades de polícia pacificadora e projetos voltados à reintegração de egressos do sistema prisional.[87][88]

Cultura de Ponta

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O projeto foi uma iniciativa do Grupo Cultural AfroReggae criada com o objetivo de ampliar o acesso à cultura e à formação artística entre jovens de comunidades periféricas do Rio de Janeiro. Lançado em parceria com o Grupo Light e patrocinado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, o projeto foi viabilizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Criado em meados dos anos 2000, o projeto estruturou-se a partir da realização de 40 encontros temáticos que abordavam diferentes linguagens artísticas e dimensões da economia criativa. As atividades incluíam debates, oficinas, painéis e apresentações culturais voltadas a temas como teatro, dança, música, audiovisual, referências contemporâneas, empreendedorismo social e formação cidadã. Os encontros eram realizados em espaços acessíveis à população, com estrutura profissionalizante e participação de artistas, produtores culturais, gestores públicos e jovens líderes comunitários.

O Cultura de Ponta tinha como diretriz central a ideia de que a arte pode ser uma ferramenta transformadora nas periferias urbanas. Dessa forma, além de promover o contato com diferentes formas de expressão artística, o projeto também buscava estimular o pensamento crítico e o protagonismo juvenil por meio de ações formativas e do intercâmbio cultural. Parte dos jovens beneficiados ingressaram posteriormente em outras iniciativas do AfroReggae ou em redes culturais e acadêmicas do estado.

A proposta foi reconhecida como uma experiência bem-sucedida de articulação entre cultura, educação não formal e desenvolvimento social. Além da Light, a iniciativa teve apoio institucional da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e contou com divulgação em veículos como o portal da própria distribuidora elétrica e da imprensa especializada em políticas culturais.[89][90]

Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanetti

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Também conhecido como Núcleo de Parada de Lucas foi uma das unidades comunitárias do AfroReggae. A história do núcleo remonta ao ano de 2000, quando o AfroReggae passou a oferecer oficinas de informática na Associação de Moradores local, em parceria com o Comitê para a Democratização da Informática (CDI). Essas oficinas representaram os primeiros esforços de aproximação entre a organização e a comunidade, que à época ainda vivia em clima de tensão com o bairro vizinho de Vigário Geral, devido a conflitos entre facções criminosas rivais.

Com o fortalecimento das atividades e o envolvimento crescente dos moradores, o espaço foi oficializado em 26 de novembro de 2006 como Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanetti, homenageando o jovem educador e colaborador do AfroReggae assassinado em 2003. O núcleo passou a concentrar diferentes ações socioeducativas e culturais da organização, com foco na juventude local e na promoção da cidadania.

Entre os projetos implementados no espaço destacam-se as oficinas de capoeira, percussão, teatro, dança e história em quadrinhos, voltadas ao público infantojuvenil, além de ações de mediação comunitária e orientação para jovens em situação de vulnerabilidade. O núcleo também se tornou polo formador de talentos artísticos, tendo sido o local de origem de projetos como a Orquestra AfroReggae, que surgiu das oficinas de música clássica iniciadas em 2005.

Em 2013, o espaço passou a sediar o projeto 8 ao 80, uma iniciativa de inclusão digital com foco intergeracional. O programa oferecia aulas de informática básica e avançada para públicos diversos, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos, contribuindo para o letramento digital e a ampliação das oportunidades educacionais e profissionais dos participantes.

O Centro Lorenzo Zanetti foi reconhecido como um espaço estratégico de transformação social e aproximação entre comunidades historicamente estigmatizadas e oportunidades de educação, arte e desenvolvimento humano.[91]

Além do Arco-Íris

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Foi um projeto voltado à promoção de cidadania, dignidade e inclusão social de pessoas trans em situação de vulnerabilidade, especialmente travestis e mulheres transexuais. A iniciativa oferecia apoio psicológico e jurídico, oficinas de fortalecimento da autoestima, orientação sobre direitos e assistência no processo de retificação do nome civil e documentação.

O projeto se destacou por buscar o enfrentamento à transfobia e pela promoção da visibilidade trans em contextos periféricos, atuando tanto na acolhida direta quanto na mediação com instituições públicas para garantir acesso a direitos básicos. A metodologia adotada envolvia escuta ativa, acompanhamento psicossocial e articulação com redes de proteção.

Referências à iniciativa foram discutidas em eventos acadêmicos e institucionais voltados à equidade de gênero e inclusão, como o debate promovido pela Universidade de Brasília, que mencionou o projeto como exemplo de atuação de base comunitária com impacto positivo na vida de pessoas trans.[92]

Afro Lata

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O Afro Lata foi criado em 1998 como uma banda percussiva formada por jovens de Vigário Geral, com inspiração em grupos como Olodum, Timbalada e Funk'n'Lata. Utilizando instrumentos confeccionados com materiais alternativos — como latas, sucatas e tambores reciclados — o grupo passou a explorar ritmos da tradição afro-brasileira, como maracatu, samba, frevo e ijexá, combinando musicalidade, coreografia e expressão cênica.

As atividades do grupo envolveram não apenas ensaios e apresentações musicais, mas também formação artística em dança, teatro e performance, com o objetivo de ampliar o repertório cultural e fortalecer a identidade dos jovens participantes. Com o tempo, o Afro Lata passou a integrar circuitos culturais da cidade do Rio de Janeiro e se apresentar em eventos públicos e iniciativas sociais.

Em 2012, houve a fusão do Afro Lata com outros dois coletivos percussivos ligados ao mesmo movimento cultural: a Tribo Negra e o Afro Mangue. Essa união deu origem a uma nova fase do projeto, que passou a ser denominado Companhia de Percussão AfroReggae, com proposta de atuação mais ampla e profissional. O grupo passou a trabalhar com a ideia de “espalhar o som da criatividade”, incorporando novos ritmos, figurinos e encenações às suas performances.

O Afro Lata e seus desdobramentos representaram um marco na formação artística de jovens moradores de favelas e contribuíram para a construção de um repertório estético próprio, que dialogava com a cultura afro-brasileira, a sustentabilidade e a afirmação comunitária.[93]

Afro Circo

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O Afro Circo teve início em 1996, na cidade canadense de Montreal, após um encontro entre José Júnior e Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil. Na ocasião, ambos participavam de um seminário sobre movimento popular, o que motivou a articulação de uma parceria com o Jeunesse du Monde, ligado ao Cirque, e com a FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional).

A ideia inicial era levar oficinas de circo para a favela de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, mas houve interesse imediato em atuar também no Cantagalo, Zona Sul carioca, onde o projeto foi primeiramente implementado. A iniciativa foi inicialmente batizada de Levantando a Lona, que mais tarde daria origem a dois grupos distintos: o próprio Afro Circo e o Levantando a Lona.

O primeiro espetáculo, Três Raças, utilizava elementos de circo e teatro para abordar temas relacionados à classe trabalhadora, à questão racial e à identidade cultural brasileira. O amadurecimento artístico do grupo levou à criação de um segundo espetáculo, o Circo Etéreo, já sob o nome Afro Circo, consolidando-se como projeto de formação circense comunitária.

As oficinas incluíam técnicas de malabarismo, acrobacias, trapézio, palhaçaria e teatro físico, promovendo não apenas o aprendizado técnico, mas também a valorização das identidades culturais dos jovens envolvidos. Muitos participantes se destacaram e passaram a atuar profissionalmente em eventos culturais ou como instrutores.

O projeto participou de festivais no Brasil e no exterior e se tornou referência por sua capacidade de unir circo, educação e transformação social, ampliando horizontes em comunidades historicamente marginalizadas. [94]

Makala Música & Dança

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Foi um grupo artístico criado em 2005 na comunidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, com o objetivo de valorizar e difundir expressões afro-brasileiras por meio da percussão e da dança. O grupo foi dirigido por Betho Pacheco, renomado coreógrafo, e surgiu a partir das oficinas culturais realizadas com jovens da comunidade.

O nome "Makala" tem origem no idioma quimbundo, falado em Angola, e significa "carvão", em referência simbólica à ancestralidade negra e à potência transformadora da arte nas periferias urbanas.

O grupo desenvolveu coreografias autorais combinadas a ritmos de matriz africana e afro-brasileira, como o maracatu, o afoxé e o samba-reggae. As apresentações do Makala eram marcadas por força cênica, precisão rítmica e celebração das heranças culturais negras.

Entre os destaques da trajetória do grupo estão sua participação em eventos oficiais dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, na comemoração do Dia Nacional da Cultura no Teatro do Sesi, e sua apresentação internacional no 5º Festival de Cinema Artivist, realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2008.[95]

Trupe de Teatro AfroReggae

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Foi um grupo teatral criado a partir da antiga Trupe da Saúde, iniciativa que surgiu em 1997 com o objetivo de promover ações de conscientização por meio da arte cênica em comunidades periféricas. A proposta inicial incluía temas como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e aleitamento materno, utilizando uma linguagem acessível e culturalmente conectada à realidade dos jovens.

A partir de 2004, o grupo passou a se chamar Trupe de Teatro AfroReggae, consolidando-se como companhia artística com repertório próprio e atuação profissional. Os integrantes da trupe eram, em sua maioria, ex-alunos das oficinas de teatro promovidas em comunidades como Vigário Geral, e muitos passaram a se dedicar exclusivamente à carreira artística.

A trupe participou de diversos festivais nacionais e internacionais, com destaque para sua apresentação em 2008 no Festival Contacting the World, em Liverpool, na Inglaterra, e em Aberdeen, na Escócia. Em 2010, o grupo realizou mais de 200 apresentações em escolas públicas, bibliotecas e centros culturais, consolidando sua atuação como ferramenta de educação e transformação social.[96]

Bloco AfroReggae

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O bloco passou a integrar o carnaval de rua do Rio de Janeiro em 2006, atraindo milhares de foliões ao longo dos anos em desfiles marcados pela diversidade musical e pela valorização da cultura popular. Inspirado por grupos como o Monobloco, Cordão do Bola Preta e Suvaco de Cristo, o bloco também adotou uma versão adaptada para shows, levando a energia do carnaval de rua a palcos e eventos culturais.

Com três vocais, baixo, guitarra, violão, cavaquinho, banjo, teclado e percussão, o repertório incluía clássicos do carnaval brasileiro, além de releituras em ritmos como samba, reggae, funk e rock. Os músicos eram formados por integrantes dos grupos artísticos, instrutores e alunos das oficinas do grupo.

O último desfile ocorreu em 10 de fevereiro de 2024, em Copacabana, com concentração no Posto 5 e cortejo até o Posto 7, na Avenida Atlântica. A apresentação foi conduzida pelo DJ Sany Pitbull e teve como destaques a homenagem ao cantor MC Marcinho, falecido em 2023, e a celebração da parceria com a gravadora Crespo Music.[97]

Referências

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Ligações externas

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