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Agonista (farmacologia)

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(Redirecionado de Agonista (bioquímica))

Em bioquímica e farmacologia, um agonista é uma substância que possui afinidade por um receptor e, ao se ligar a ele, induz uma mudança conformacional capaz de ativar sua via de sinalização, resultando em uma resposta biológica mensurável. Em geral, os agonistas mimetizam a ação de ligantes endógenos fisiológicos, produzindo efeitos semelhantes ou, em alguns casos, até mais intensos.

Por outro lado, um antagonista é uma molécula que se liga ao mesmo receptor, porém não o ativa. Sua ação consiste em inibir, impedir ou reduzir a resposta de um agonista endógeno ou exógeno, seja competindo pelo sítio de ligação ou interferindo em etapas subsequentes da sinalização celular.

Etimologia

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O termo “agonista” deriva do grego agonistés, que significa “combatente”. Na farmacologia, utiliza-se essa analogia para designar moléculas que ativam receptores e desencadeiam uma resposta biológica.

Tipos de agonistas

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Efeitos do agonista e do agonista parcial na ativação de receptores hipotéticos.

Um agonista inverso causa uma ação oposta à do agonista.

Os receptores no organismo são ativados ou inibidos pela ação de ligantes endógenos, como hormônios e neurotransmissores, ou por ligantes exógenos, como fármacos. A interação entre o ligante e o receptor desencadeia ou modula uma via de sinalização celular, resultando em uma resposta biológica específica.

Um agonista endógeno para um determinado receptor é um composto naturalmente produzido pelo corpo e que se liga a esse receptor, ativando-o. Por exemplo, o agonista endógeno para receptores de serotonina é a serotonina, e o agonista endógeno para receptores de dopamina é a dopamina.[1]

Um agonista fisiológico é uma substância que cria a mesma resposta biológica sem contudo se ligar ao mesmo receptor.

Um superagonista é um composto capaz de produzir uma resposta máxima superior à dos agonistas endógenos, para determinado receptor, tendo portanto uma eficácia de mais de 100%. Isso não significa necessariamente que seja mais potente do que o agonista endógeno, mas permite uma comparação com a máxima resposta capaz de ser produzida dentro da célula após a ligação com o receptor.

Um agonista pleno (ou total) é um ligante que possui alta eficácia, sendo capaz de causar uma mudança conformacional no receptor e ativá-lo ao máximo e produzir a resposta biológica máxima possível do sistema. Exemplos incluem o isoproterenol, agonista pleno dos receptores β-adrenérgicos, e a morfina, agonista pleno dos receptores opioides μ.

Já os agonistas parciais — como buspirona, aripiprazol, buprenorfina ou norclozapina — apresentam eficácia reduzida, pois geram uma pequena mudança conformacional que não é capaz de gerar a resposta máxima, e por isso, geram respostas mais brandas. Essa característica é explorada clinicamente, como no uso da buprenorfina para o tratamento da dependência de opioides, oferecendo menor risco de euforia e dependência devido ao seu teto de efeito.[2][3][4]

Ver também

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Referências

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  1. Goodman & Gilman Manual of Pharmacology and Therapeutics. (11th edition, 2008). p 14. ISBN 0-07-144343-6
  2. Goodman & Gilman Manual of Pharmacology and Therapeutics. (11th edition, 2008). p 14. ISBN 0-07-144343-6
  3. KATZUNG, Bertram G.; TREVOR, Anthony J.Farmacologia Básica e Clínica. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2017.
  4. RANG, H. P. et al.Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.