Agricultura biodinâmica

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Agricultura biodinâmica é uma forma alternativa de agricultura muito similar com a agricultura orgânica, mas a qual incluí vários conceitos esotéricos elaborados a partir das ideias de Rudolf Steiner (1861–1925).[1] [2] Desenvolvido inicialmente na década de 1920, este foi o primeiro movimento de agricultura orgânica.[3] Ela trata a fertilidade do solo, crescimento das plantas, e os cuidados da pecuária como tarefas ecologicamente inter-relacionadas,[4] [5] [6] enfatizando as perspectivas espirituais e místicas.

A biodinâmica tem muito em comum com outras abordagens orgânicas - que enfatiza o uso de esterco e compostos e exclui o uso de produtos químicos artificiais no solo e plantas. Métodos originais de abordagem biodinâmica incluem do tratamento de animais, culturas e do solo como um sistema único; uma ênfase desde o início do sistemas de produção e distribuição local; seu uso do desenvolvimento tradicional e de novas raças e variedades locais; e o uso do calendário astrológico para a semeadura e plantio.[7] A agricultura biodinâmica usa vários aditivos à base de plantas e minerais como aditivos de compostagem e pulverizações nas plantações; estes são por vezes preparados por métodos controversos, como enterrar chifre de uma vaca enchido com quartzo moído, aos quais atribuem a capacidade de coletar "forças cósmicas no solo", que são criticados por não simpatizantes do movimento por mais parecerem com magia ou simpatia do que com agronomia.[8]

Desde 2011 técnicas biodinâmicas foram usados em 142.482 hectares em 47 países. A Alemanha responde por 45% do total global;[9] resultando em uma média de 1.750 ha por país. Métodos biodinâmicos no cultivo de videiras foram adotados por várias vinícolas de renome.[10] Existem agências de certificação de produtos biodinâmicos, a maioria dos associados são membros do grupo de padronização de biodinâmica internacional Demeter International.

Nenhuma diferença nos resultados benéficos foi cientificamente estabelecida entre técnicas agrícolas biodinâmicos certificadas e práticas agrícolas semelhantes de agricultura orgânicas e agricultura integradas. Os críticos têm caracterizado agricultura biodinâmica como pseudociência com base na falta de evidências fortes para a comprovação da sua eficácia e ceticismo sobre aspectos criticados como sendo um pensamento mágico..[11] [12] [13] [14]

História[editar | editar código-fonte]

A biodinâmica foi a primeira agricultura orgânica moderna.[15] [2] [3] Esta foi desenvolvida no início de 1924 com uma série de oito palestras em agricultura dadas pelo filósofo Rudolf Steiner em Schloss Koberwitz in Silesia, Alemanha, (agora Kobierzyce na Polônia ao sudoestede Wrocław).[16] [17] Estas palestras, são as primeiras presentações de agricultura orgânica,[2] conhecidas, foram realizadas em resposta a um pedido por parte dos agricultores que notaram condições degradadas do solo e uma deterioração da saúde e qualidade de culturas e do gado, resultantes da utilização de adubos químicos.[18] Os cento e onze participantes, menos de metade dos quais eram agricultores, viram de seis países, principalmente Alemanha e Polónia.[2] As palestras foram publicadas em novembro 1924; a primeira tradução para o Inglês apareceu em 1928 como O Curso de Agricultura.[19]

Steiner enfatizou que os métodos que ele propostos deveriam ser testados experimentalmente. Para este propósito, Steiner criou um grupo de pesquisa, o "Círculo de Agricultura Experimental de Fazendeiros e Jardineiros Antroposóficos da Sociedade Antroposófica Geral".[20] Este grupo de pesquisa atraiu, no intervalo 1924-1939, cerca de 800 membros de todo o mundo, incluindo Europa, Américas e Austrália.[20] Outro grupo, a "Associação para a Pesquisa em Agricultura Antroposófica " (Versuchsring anthroposophischer Landwirte), dirigido pelo engenheiro agrônomo alemão Erhard Bartsch, foi formada para testar os efeitos de métodos biodinâmicos sobre a vida e a saúde dos solos, plantas e animais; o grupo publicou um jornal mensal chamado Demeter.[21] Bartsch também foi fundamental no desenvolvimento de uma organização de vendas para os produtos biodinâmicos, Demeter, que ainda existe hoje. A Associação de Pesquisa foi renomeada como Associação Imperial pela Agricultura Biodinâmica (Reichsverband für biologisch-dynamische Wirtschaftsweise) em 1933. Ela foi dissolvida pelo regime Nacional Socialista em 1941. Em 1931, a associação tinha 250 membros na Alemanha, 109 na Suíça, 104 na outra países europeus e 24 fora da Europa. As mais antigas fazendas biodinâmicas são o Wurzerhof na Áustria e na Marienhöhe na Alemanha.[22]


A agricultura biodinâmica é um dos desenvolvimentos das teorias de Rudolf Steiner, junto com a medicina antroposófica e a pedagogia Waldorf.

Conceitos e princípios [esta seção requer referências][editar | editar código-fonte]

Rudolf Steiner (18611925), fundador da Antroposofia, colocou, durante o Congresso de Pentecostes, em 1924, a pedra fundamental do berço do Movimento Biodinâmico, em forma de um ciclo de oito palestras para agricultores. Esse congresso teve lugar no castelo Koberwitz, perto de Wroclaw/Breslau, que hoje abriga a prefeitura de Kobierzyce, Polônia.

O impulso da Agricultura Biodinâmica, sendo uno com a Antroposofia, tem como conseqüência natural à renovação do manejo agrícola, a cura do meio ambiente e a produção de alimentos realmente condignos ao ser humano.

Esse impulso quer devolver à agricultura sua força original criadora e fomentadora cultural e social, força que ela perdeu no caminho à industrialização direcionada à monocultura e à criação em massa de animais fora do seu ambiente natural.

A Agricultura Biodinâmica quer ajudar aqueles que lidam no campo a vencer a unilateralidade materialista na concepção da Natureza, para que eles possam, cada um por si mesmo, achar uma relação espiritual–ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos humanos.

A Biodinâmica quer lembrar todos os homens que: "A Agricultura é o fundamento de toda cultura, ela tem algo a ver com todos".

O ponto central da Agricultura Biodinâmica é o Ser Humano que conclui a criação a partir de suas intenções espirituais baseadas numa verdadeira cognição da Natureza.

Esse quer transformar sua fazenda ou sítio em um organismo em si concluso e maximamente diversificado; um organismo que a partir de si mesmo for capaz de produzir uma renovação. O sítio natural deve ser elevado a uma "espécie de individualidade agrícola".

O fundamento para tal é a integração de todos os elementos ambientais agrícolas como culturas do campo e da horta, pastos, fruticulturas e outras culturas permanentes, florestas, sebes e capões arbustivos, mananciais hídricas e várzeas etc. Caso o organismo agrícola se ordene em volta desses elementos, nasce uma fertilidade permanente e a saúde do solo, das plantas, dos animais e dos seres humanos.

A partida e a continuidade desse desenvolvimento ascendente da totalidade do organismo-empresa é assegurado pelo manejo biodinâmico dos tratos culturais agrícolas e do uso de preparados apresentados pela primeira vez por Rudolf Steiner durante o Congresso de Pentecostes. Trata-se de preparados que incrementam e dinamizam a capacidade intrínseca da planta a ser produtora de nutrientes, seja por mobilização química, transmutação ou transubstanciação do mineral morto ou por harmonização e adequação na reciclagem das sobras da biomassa produzida. Preparados que simultaneamente apóiam a planta a ser transmissor, receptor e acumulador do intercâmbio da Terra com o Cosmo.

Adubar na biodinâmica significa, portanto, aviventar ou vivificar o solo e não apenas fornecer nutrientes para as plantas.

A única preocupação que devemos ter é o que fazer para que isso aconteça. Nesse caso é possível abster-se de tudo que hoje em dia parece ser imprescindível. Na Agricultura Biodinâmica não se usam adubos nitrogenados minerais, pesticidas sintéticos, herbicidas e hormônios de crescimento etc. A concepção do melhoramento biodinâmico dos cultivares ou das raças está em irrestrita oposição à tecnologia transgênica. A ração para os animais é produzida no próprio sítio ou fazenda e a quantidade dos animais mantidos está em relação com a capacidade natural da área ocupada.

O agricultor biodinâmico está empenhado em fazer somente aquilo pelo qual ele mesmo pode responsabilizar-se, a saber, o que serve ao desenvolvimento duradouro da "individualidade agrícola". Isso inclui o cultivo e a seleção das suas próprias sementes como também a adaptação e a seleção própria de raças de animais. Além disso, significa uma orientação renovada na pesquisa, consultoria e formação profissional.

O agricultor biodinâmico aprende, dentro do processo de trabalho, a ser ele mesmo um pesquisador, aprende a participar e transmitir sua experiência a outros e formar dentro do seu estabelecimento um local de formação profissionalizante para gerações vindouras.

Uma renovação desta natureza desperta o interesse das pessoas que vivem nas cidades. Elas ligam-se com esta ou aquela fazenda ou sítio, apóiam e ajudam como podem, tornando-se fieis fregueses. Elas colaboram na formação de mercados regionais tornando-se como associados solidários mútuos. Há iniciativas novas de importância fundamental em toda parte para que a Agricultura possa enfrentar com sua autonomia regional a globalização do mercado mundial. Agricultura não é somente profissão para ganhar dinheiro, mas é principalmente encargo de vida, é vocação.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Lejano RP, Ingram M, Ingram HM (2013). «Chapter 6: Narratives of Nature and Science in Alternative Farming Networks». Power of Narrative in Environmental Networks MIT Press [S.l.] p. 155. ISBN 9780262519571. 
  2. a b c d Paull, John (2011). «Attending the First Organic Agriculture Course: Rudolf Steiner's Agriculture Course at Koberwitz, 1924». European Journal of Social Sciences' [S.l.: s.n.] 21 (1): 64–70. 
  3. a b Vogt G (2007). Lockeretz W, : . Chapter 1: The Origins of Organic Farming. Organic Farming: An International History CABI Publishing [S.l.] pp. 9–30. ISBN 9780851998336. 
  4. Paul Kristiansen and Charles Mansfield, "Overview of organic agriculture", in Paul Kristiansen, Acram Taji, and John Reganold (2006), Organic Agriculture: A global perspective, Collingwood, AU: CSIRO Publishing
  5. Ikerd, John (2010). «Sustainability, Rural». In: Leslie A. Duram. Encyclopedia of Organic, Sustainable, and Local Food ABC-CLIO [S.l.] pp. 347–349. ISBN 0313359636. 
  6. Abbott, L. K.; Murphy, Daniel V. (2007). Soil Biological Fertility: A Key to Sustainable Land Use in Agriculture Springer [S.l.] p. 233. ISBN 140206618X. 
  7. 2015 Biodynamic Lunar and Planetary Calendar; Desmond Ansel Jolly, Isabella Kenfield, California's New Green Revolution: Pioneers in Sustainable Agriculture, University of California Small Farm Program 2008, p. 114; Carl F. Jordan, An Ecosystem Approach to Sustainable Agriculture, Springer 2013, p. 126; Arnaldo Walter and Pedro Gerber Machado, "Socio-Economic Impacts of Bioethanol from Sugarcane in Brazil", in Socio-Economic Impacts of Bioenergy Production Dominik Rutz, Rainer Janssen (eds.) , Springer 2014 ISBN 978-3-319-03828-5 pp. 193-215. p. 208; Board on Agriculture and Natural Resources, Committee on Twenty-First Century Systems Agriculture, Division on Earth and Life Studies, National Research Council, Toward Sustainable Agricultural Systems in the 21st Century, National Academies Press 2010. ISBN 978-0-309-14896-2 p. 21
  8. Treue, Peter (13 March 2002). «Blut und Bohnen: Der Paradigmenwechsel im Künast-Ministerium ersetzt Wissenschaft durch Okkultismus». Die Gegenwart (em German). Frankfurter Allgemeine Zeitung. Arquivado desde o original em 17 April 2003. Consultado em 15 November 2011.  (Translation: "Blood and Beans: The paradigm shift in the Ministry of Renate Künast replaced by science occultism")
  9. Paull, John (2011) "Organics Olympiad 2011: Global Indices of Leadership in Organic Agriculture", Journal of Social and Development Sciences, 1(4):144-150.
  10. Reeve, Jennifer R.; Carpenter-Boggs, Lynne; Reganold, John P.; York, Alan L.; McGourty, Glenn; McCloskey, Leo P. (December 1, 2005). «Soil and Winegrape Quality in Biodynamically and Organically Managed Vineyards». American Journal of Enology and Viticulture (Davis, CA: American Society for Enology and Viticulture) 56 (4): 367–376. ISSN 0002-9254. OCLC 60652537. 
  11. Goode, Jamie (2006-03-01). The science of wine: from vine to glass University of California Press [S.l.] ISBN 978-0-520-24800-7. 
  12. Chalker-Scott, Linda (2004). «The Myth of Biodynamic Agriculture» (PDF). Master Gardener Magazine [S.l.: s.n.] Arquivado desde o original (PDF) em April 15, 2007. 
  13. Smith, D. (2006). «On Fertile Ground? Objections to Biodynamics» (PDF). The World of Fine Wine [S.l.: s.n.] (12): 108–113. 
  14. Kirchmann, Holger (1994). «Biological dynamic farming – an occult form of alternative agriculture?». J. Agric. Environ. Ethics [S.l.: s.n.] 7 (2): 173–187. doi:10.1007/BF02349036. 
  15. Traditional agriculture employed organic practices in the absence of any alternative.
  16. Paull, John (2013) "Koberwitz (Kobierzyce); In the footseps of Rudolf Steiner'", Journal of Bio-Dynamics Tasmania, 109 (Autumn), pp. 7-11.
  17. Paull, John (2013) "Breslau (Wrocław): In the footsteps of Rudolf Steiner", Journal of Bio- Dynamics Tasmania, 110:10-15.
  18. Diver (1999), "Introduction".
  19. Paull, John (2011). «The secrets of Koberwitz: the diffusion of Rudolf Steiner's agriculture course and the founding of biodynamic agriculture». Journal of Social Research & Policy [S.l.: s.n.] 2 (1): 19–29. 
  20. a b Paull, John (2013) A history of the organic agriculture movement in Australia. In: Bruno Mascitelli, and Antonio Lobo (Eds.) Organics in the Global Food Chain. Connor Court Publishing, Ballarat, ch.3, pp.37-61.
  21. Paull, John (2011). «Biodynamic Agriculture: The Journey from Koberwitz to the World, 1924-1938». Journal of Organic Systems [S.l.: s.n.] 6 (1): 27–41. 
  22. Herbert Koepf and Bodo von Plato "Die biologisch-dynamische Wirtschaftsweise im 20.Jahrhundert", Dornach, 2001


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