Fortaleza de São João Baptista de Ajudá

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Fortaleza de São João Baptista de Ajudá ou de Fidá
Tipo Forte
Estilo dominante Renascimento
Início da construção  ?
Fim da construção  ?
Proprietário inicial  ?
Função inicial Militar
Proprietário atual República de Benim
Património da Humanidade
Critérios (iv)
Geografia
País Benim
Cidade Ouidah
Coordenadas 6° 21' 33.1" N 2° 5' 25" E
Geolocalização no mapa: Benim
Fortaleza de São João Baptista de Ajudá ou de Fidá está localizado em: Benim
Fortaleza de São João Baptista de Ajudá ou de Fidá
Fortaleza de Ajudá em 1886

A Fortaleza de São João Baptista de Ajudá, também conhecida como Feitoria de Ajudá ou simplesmente Ajudá, localiza-se na cidade de Uidá, na costa ocidental africana, atual República de Benim.

História[editar | editar código-fonte]

Bartholomew Roberts captura embarcações no porto de Ajudá (1722).
Planta do forte francês de Ajudá (1747).
Francisco Félix de Sousa (antes de 1849).

As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos africanos. É desse período que data a ascensão do antigo reino de Daomé e a importância de sua capital, Abomei (ou Abomé).

Ao final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) determinou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, erguer uma fortificação na povoação de Ouidah, para proteger os embarques de escravos (1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo do comerciante brasileiro de escravos José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da capitania da Bahia, mediante a cobrança de um imposto sobre os escravos africanos desembarcados na cidade do Salvador.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico se alterou, oferecendo produtos manufaturados europeus, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais itens fossem transportados em navios provenientes do Brasil.

Em janeiro de 1722 o pirata Bartholomew Roberts ("Black Bart") penetrou no seu porto e capturou todas as onze embarcações ali fundeadas.

Em 1844 ao Governador da Província de São Tomé e Príncipe, José Maria Marques «pesou-lhe como a bom português, que aquele forte estivesse abandonado, e mandou um oficial para comandá-lo e um presbítero para administrá-lo na parte espiritual».[1]

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, que passaram a ser defendidos pelas guarnições das fortificações antes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar permanentemente a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se uma colónia francesa a partir de 1892, obtendo independência em 1 de agosto de 1960, quando se transformou em República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de julho do mesmo ano. Sem condições para oferecer resistência, o governo de Oliveira Salazar ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades do Daomé, vindo as suas dependências a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim (1967).

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo os trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

A grande descendência deixada por um dos escrivães da fortaleza no século XIX, Francisco Félix de Souza, inspirou um romance do escritor britânico Bruce Chatwin intitulado O Vice Rei de Ajudá. Espalhados atualmente por toda a África, os De Souza têm dado várias figuras de destaque ao Benim. Uma das grandes avenidas de Cotonou, a capital económica, chama-se Avenida Monsenhor De Souza.

Relação de Directores, Governadores, Administradores e Intendente da Praça[editar | editar código-fonte]

Início Fim Nome Observações
1680  ???? Jacinto de Figueiredo e Abreu Director de São Tomé e Príncipe, instruído pelo Governador de São Tomé e Príncipe a erguer e estabelecer um forte na povoação africana de Hweda (Whydah, Ouidah ou Oiudá).
 ???? 1721 Abandonado pelas forças portuguesas
1721 1728 Francisco Pereira Mendes Director, restabelece e rebaptiza o Forte de São João Baptista de Ajudá, subordinado ao Estado do Brasil até 1821
1728 1743 João Basílio Director; desde 1730 o Forte encontra-se sob o governo da Companhia de Cacheu e Cabo Verde
1743 1746 Pe. Martinho da Cunha Barbosa Director
1746 1746 Francisco Nunes Pereira Director, usurpou as funções
1746 1746 Frei Francisco do Espírito Santo Director interino
1746 1751 Filipe José de Gouveia Director, 1.º Mandato
1751 1751 Luís Coelho de Brito Director
1751 1759 Tenente Teodósio Rodrigues da Costa Director
1759 1759 Almoxarife António Nunes de Gouveia Director interino
1759 1762 Capitão Félix José de Gouveia Director
1764 1767 José Gomes Gonzaga das Neves Director
1768 1781 Bernardo de Azevedo Coutinho Director
1782 1797 Francisco António da Fonseca e Aragão Director, em exercício até 22 de Julho de 1784 (1745 - ????)
1797  ???? Capitão Manuel Bastos Varela Pinto Pacheco Director
1805 1844 Francisco Félix de Sousa, Chachá I Director, em exercício até 1818. Comerciante de escravos nascido em Salvador, na Bahia (1754 - 1849); entre 7 de Setembro de 1822 e 1844 o Forte encontra-se sob a soberania do Brasil
1844 1845 Segundo-Tenente (Alferes) Joaquim José Libânio Governador (???? - 1845); morreu em funções
1845 4 de Maio de 1849 Francisco Félix de Sousa, Chachá I Governador
1849 18?? Tenente ... Quaresma Governador
1851 1851 Alferes Francisco Celestino Ellenperk (Elerpech) Governador
1851 1852 Isidoro Félix de Sousa, Chachá II Governador, filho de Francisco Félix de Sousa, Chachá I (1802 - 1858)
1852 1853 Segundo-Tenente (Alferes) João Justino da Costa Governador
1853 Maio de 1857 Escrivão José Pinheiro de Sousa, o Itaparica Governador, a título pessoal
Maio de 1857 Novembro de 1858 Francisco "Chico" Félix de Sousa, Chachá III Governador, filho de Francisco Félix de Sousa, Chachá I (1824 - 1880)
Junho de 1859 18 de Abril de 1861 Cláudio de Lancastre Governador
18 de Abril de 1861 6 de Março de 1865 Cedido pelo soberano do Daomé a Líderes Missionários Franceses e ocupado por Missionários Franceses até à sua expulsão; a 23 de Fevereiro de 1865 o Forte foi reclamado por Portugal; subordinado aos Governadores de São Tomé e Príncipe
1865 1868 Segundo-Tenente (Alferes) José Maria Borges de Sequeira Governador, sujeito à autoridade de Francisco Félix de Sousa, Chachá III
1868 1869 Segundo-Tenente (Alferes) Vital de Bettencourt e Vasconcelos Corte-Real do Canto Governador (c. 1820 - 1870)
1869 1872? Abandonado pelas forças portuguesas
1872 187? Alferes António Joaquim da Fonseca Governador
187? 1878 Tenente Augusto Frutuoso de Figueiredo de Barros Governador (1851 - 1921)
1878 1879 Alferes Lourenço da Rocha Governador
1879 1881 Tenente António José Machado Governador (1852 - ????)
1881 1883  ? Governador
1883 1885 Tenente Fernando Gonçalves Governador
1885 1885 Tenente Bernardo Francisco Luís da Cruz Governador, não chegou a tomar posse
1885 1885 Tenente José Gomes de Sousa Governador
1885 1886 Tenente Francisco Rego Governador
1886 1887 Major António Domingues Cortez da Silva Curado Governador (1849 - 1904)
1887 1888 Alferes Manuel Francisco Rodrigues Guimarães Governador
1888 1888 Capitão Vicente da Rosa Rolim Governador, 1.º Mandato (1848 - 1940)
1888 1890 Alferes Manuel José Ferreira dos Santos Governador, 1.º Mandato
1890 1890 Alferes Carolino Acácio Cordeiro Governador
1890 1893 Capitão Vicente da Rosa Rolim Governador, 2.º Mandato (1848 - 1940)
1893 189? Alferes Manuel José Ferreira dos Santos Governador, 2.º Mandato
1897 1898 Tenente ... de Campos Governador
1898  ???? Tenente ... Nunes de Aguiar Governador
1900 190? Tenente António Mendes da Costa Governador
190? 1905 Tenente João de Deus Pires Governador, 1.º Mandato
1905 1906 Alferes Joaquim Luís de Carvalho Governador
1906 1909 Tenente João de Deus Pires Governador, 2.º Mandato
1909 1911 Tenente Sebastião Lousada Governador
1911 1911 Tenente Cândido João de Barros Governador
1911 1912 Alferes Guilherme Spínola de Melo Governador (1876 - 19??)
1912 1913  ? Eduardo Germack Possollo Governador (1886 - 19??)
1913 191? Capitão Vicente da Rosa Rolim Governador, 3.º Mandato (1848 - 1940)
191? 1918  ? Governador
1918 1918 Capitão Vicente da Rosa Rolim Governador, 4.º Mandato (1848 - 1940)
1919 1920  ? José Bento de Oliveira Viegas Governador
1921 1928 Tenente Viriato Henrique dos Anjos Garcez Governador
1928 1931 Capitão Joaquim Sinel de Cordes Governador
1932 1938 Capitão Miguel Maria Pupo Correia Governador, 1.º Mandato
1938 1941 Capitão José Pimenta Segurado de Avelar Machado Governador (1893 - 1941); morreu em funções
1941 1942 Dr. Jean Louis Bourjac Governador auto-proclamado, sem o reconhecimento de Portugal
1942 1944 Segundo Oficial da Curadoria dos Serviçais e Colonos José Aníbal de Vasconcelos e Sá Guerreiro Nuno Governador interino, 1.º Mandato (1899 - 19??)
1944 1946 Capitão Carlos Alberto de Serpa Soares Governador (1908 - 1983)
1946 1946 Segundo Oficial da Curadoria dos Serviçais e Colonos José Aníbal de Vasconcelos e Sá Guerreiro Nuno Governador, 2.º Mandato (1899 - 19??)
1946 1951 Capitão Miguel Maria Pupo Correia Governador, 2.º Mandato
1951 1954 Administrador de Circunscrição de 3.ª Classe António João Teles Pereira de Vasconcelos Pimentel Administrador
1954 1956 Administrador de Circunscrição de 1.ª Classe Ernesto António Pereira Enes Administrador (c. 1910 - 19??)
1956 1 de Agosto de 1961 António Agostinho Saraiva Borges Intendente; o Forte foi ocupado e anexado pelo Daomé (Benim); a anexação foi formalmente reconhecida por Portugal em 1975

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LOPES, Edmundo Correia. S. João Baptista de Ajudá. Lisboa : Edições Cosmos, 1939. Cadernos Coloniais, n.º 58.
  • MENDONÇA, João de. Colónias e Possessões Portuguesas. Lisboa, 1877.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Portugal no Golfo da Guiné: Breve Escorço. Lisboa, 1995.[2].
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Ensino e Religião em São João Baptista de Ajudá na Costa da Mina. Ancara, 1996.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. África Equatorial Portuguesa : Assunção e Efectivação do Protectorado Daomeano e dos Novos Domínios da Coroa-Zomai. Ancara, 1996.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. São João Baptista de Ajudá Face ao Conflito Franco-Daomeano de 1892. Ancara, 1998.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Queda da residência de São João Baptista de Ajudá. Ancara, 1998.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Marcos Fundamentais da Presença Portuguesa no Daomé. Lisboa : Universitária, 1999.[3]
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Singularidade de São João Baptista de Ajudá e do Protector na Faixa Litorânea do Daomé no Contexto do Ultramar Português. Lisboa, 2008.[4]
  • Fortress of Saint John the Baptist of Whydah

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. MENDONÇA, João de. Colónias e Possessões Portuguesas. Lisboa, 1877.
  2. Tese de mestrado em Estudos Africanos, Universidade Técnica de Lisboa, 1995.
  3. Prefácio de Pedro Soares Martínez.
  4. Tese de doutoramento em História Institucional e Política Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa, 2008.