Ajuda internacional aos combatentes na Guerra Irã–Iraque

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A ajuda internacional aos combatentes na Guerra Irã-Iraque foi significativa para ambos os países combatentes: tanto o Irã como o Iraque receberam grandes quantidades de armas e outros materiais úteis para o desenvolvimento de armamentos e armas de destruição em massa.

Irã[editar | editar código-fonte]

Os apoiantes estrangeiros do Irã gradualmente passaram a incluir a Síria e a Líbia, através do qual obteve mísseis Scud. Comprou armas da Coreia do Norte e da República Popular da China, principalmente os mísseis anti-navios Silkworm. Também recebeu uma ajuda muito limitada dos Estados Unidos.

Envolvimento dos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Durante os primeiros anos da guerra, o arsenal iraniano foi quase inteiramente de fabricação estado-unidense, o que sobraram das Forças Armadas Imperiais do destronado .

Caso Irã-Contras[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Caso Irã-Contras

O Irã havia adquirido armas e peças para os seus sistemas através de transições secretas de armas a partir da administração de Ronald Reagan, primeiro indiretamente de Israel e depois diretamente. Em troca, se esperava que o Irã persuadisse vários grupos radicais para liberar reféns ocidentais, embora isto não desse resultado algum. Os rendimentos das vendas foram desviados para a Nicarágua, em que se tornou o Caso Irã-Contras.

Inteligência[editar | editar código-fonte]

Antes da revolução de 1979, os Estados Unidos haviam fornecido um serviço de inteligência para o Irã. Em meados de outubro de 1979, a pedido do Departamento de Estado dos Estados Unidos, um agente da CIA foi a Teerã e advertiu ao governo em meados de outubro de 1979, o plano de invasão do Iraque. A cooperação dos EUA nesta área cessou quando a embaixada estado-unidense foi apreendida.[1]

Imagens de satélite[editar | editar código-fonte]

A venda de imagens pela agência United Press International foi citada por um ex-funcionário da organização dos EUA[2]:

Intenção Estratégica[editar | editar código-fonte]

O autor George Crile, em seu livro Jogos do Poder, descreve o envolvimento da CIA na Guerra Irã-Iraque. Em 1985, um analista da CIA, Graham Fuller, havia proposto que os EUA deveriam oferecer a venda de armas ao Irã, como um meio de bloquear a influência soviética na região. Robert Gates, então chefe da CIA, avançou a sugestão, que circulou sob a permissão do diretor da organização William Casey. Uma se(c)ção foi rejeitada pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, George Schultz e o secretário de defesa dos Estados Unidos Caspar Weinberger.[3]

Iraque[editar | editar código-fonte]

O Exército do Iraque foi principalmente equipado com armamento comprado da União Soviética e seus satélites na década anterior. Durante a guerra, comprou bilhões de dólares em equipamentos avançados da França, China, Egito, Alemanha e outros.

Os Estados Unidos venderam o equivalente a mais de 200 milhões de dólares em helicópteros, que foram utilizados pelos militares iraquianos na guerra. Estas foram as únicas vendas militares diretas entre os EUA e o Iraque. Ao mesmo tempo, a CIA começou a secretamente dirigir fontes estratégicas para as forças armadas de Saddam Hussein, "para garantir que o Iraque tenha armas militares suficientes, munições e veículos para evitar a derrota na guerra".[4]

Alemanha, os Estados Unidos e o Reino Unido também forneceram "duplo-uso" da tecnologia que permitiu ao Iraque expandir seu programa de mísseis e radares de defesa.

De acordo com uma cópia não censurada da declaração do Iraque de 11 mil páginas à ONU, que vazou para o Die Tageszeitung e reportado pelo The Independent, o know-how e o material para o desenvolvimento de armas não convencionais foram obtidas a partir de 150 empresas estrangeiras, de países como Alemanha Ocidental, os Estados Unidos, França, Reino Unido e China.[5]

Os principais financiadores do Iraque foram os países ricos em petróleo do Golfo Pérsico, principalmente Arábia Saudita (30,9 bilhões de dólares), Kuwait (8,2 bilhões de dólares) e os Emirados Árabes Unidos (8 bilhões de dólares).[6]

Tabela[editar | editar código-fonte]

País Política externa Apoio para o Iraque Apoio para o Irã
 União Soviética A União Soviética e a Guerra Irã–Iraque Apoio soviético para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque Apoio soviético para o Irã durante a Guerra Irã–Iraque
Estados Unidos Estados Unidos Apoio dos Estados Unidos para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque
Arábia Saudita Arábia Saudita Apoio saudita para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque
Israel Israel Apoio de Israel para o Irã durante a Guerra Irã–Iraque
Singapura Singapura Apoio de Singapura para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque
Itália Itália Apoio da Itália para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque
Reino Unido Reino Unido Apoio do Reino Unido para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque
França França Apoio da França para o Iraque durante a Guerra Irã–Iraque
Coreia do Norte Coreia do Norte Apoio da Coreia do Norte para o Irã durante a Guerra Irã–Iraque

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Steinberg, Dana, The 1980-1988 Iran–Iraq War: A CWIHP [Cold War International History Project] Critical Oral History Conference, Cold War International History Project of the Woodrow Wilson International Project for Scholars, the Middle East Program, and the National Security Archive of George Washington University 
  2. "Exclusive: Saddam key in early CIA plot", by Richard Sale, UPI, April 10, 2003
  3. Engelberg, Stephen (23 de Fevereiro de 1987), «C.I.A. Nominee tied to '85 Memo urging Iran Arms Deals», New York Times 
  4. Statement by former NSC official Howard Teicher to the U.S. District Court, Southern District of Florida. Plain text version
  5. Paterson, Tony. Leaked Report Says German and US Firms Supplied Arms to Saddam The Independent. December 18, 2002.
  6. Iraq debt: non-Paris Club creditors