Almaçudi

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Abul Haçane Ali ibne Huceine ibne Ali Almaçudi (Abul Hasan Ali Ibn Husain Ibn Ali Al-Masudi, lit. "Abul Haçane Ali, filho de Huceine, filho de Ali Almaçudi"; Bagdade, cerca de 888 - Cairo, 957), melhor conhecido somente como Almaçudi,[1] foi um estudioso conhecido como o Heródoto-árabe, que combinou história e geografia num tratado de mais de 30 volumes sobre as suas viagens na Europa, Médio Oriente e países do Oceano Índico.

Vida[editar | editar código-fonte]

Almaçudi era descendente de Abdalá ibne Maçude, da tribo dos Mutazilitas, um dos companheiros de Maomé. O seu primeiro livro Muruj-al-Thahabwa al-Ma'adin al-Jawahir ("Searas de ouro e minas de pedras preciosas") foi terminado em Baçorá, em 947, e nele Almaçudi descreveu as suas experiências com judeus, iranianos, indianos, cristãos e dos zanjes ou negros de África. De Basra ele mudou-se para o Cairo, onde escreveu o seu segundo livro, Muruj al-Zaman de trinta volumes, em que ele descreveu detalhadamente a geografia e história dos países que tinha conhecido. A seguir, ele preparou um suplemento, a que ele chamou Kitab al-Ausat, com a lista cronológica dos acontecimentos históricos descritos no anterior. Em 957, ano da sua morte, Almaçudi terminou o seu último livro, Kitab al-Tanbih wa al-Ishraf, que inclui um resumo dos anteriores.

Na sua obra, Almaçudi descreve as terras de Sofala e da importância da mineração e comércio entre o Império Monomotapa e os árabes e indianos que ali se haviam estabelecido. Duma forma científica, Almaçudi tentou identificar as causas do terramoto de 955, além de discutir as características da água do mar Vermelho e outras questões geológicas. Foi igualmente o primeiro autor a descrever os moinhos de vento, que foram inventados pelos muçulmanos de Sijistão.

Almaçudi deixou ainda importantes contribuições para a música: no seu livro Muruj al-Thahab ele fornece informações detalhadas sobre a música árabe antiga, assim como de outros países.

Outro aspeto do ecletismo de Almaçudi é a sua antevisão da teoria da evolução, propondo ligações entre os minerais e as plantas, entre estas e os animais e mesmo entre estes e o homem.

Em seu livro Prados de ouro e minas de gemas (em árabe: مروج الذهب ومعادن الجوهر) de 947, Almaçudi relata as viagem de um jovem nascido em Córdoba de nome Khachkhach junto com seus companheiros por terras além do oceano Atlântico e do mar Mediterrâneo de onde voltaram com grandes riquezas, essa história seria conhecida por todos na Espanha e revela o conhecimento das terras americanas na Península Ibérica muito antes dos tempos de Colombo e Cabral.[2]

Referências

  1. Vasconcellos 1994, p. 263.
  2. Al-Masudi, Abul Hasan; DE MEYNARD, C. BARBIER; COURTEILLE, PAVET DE. Les prairies d'or. [S.l.]: Paris : Impr. Impériale. pp. 257–259 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Vasconcellos, José Leite; Guerreiro, Manuel Viegas; Soromenho, Alda da Silva; Soromenho, Paulo Caratão (1994). Etnografia portuguesa. 2. Lisboa: Impr. Nacional-Casa da Moeda 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]