Al-Musta'sim

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Al-Musta'sim Billah
39º e último Califa Abássida em Bagdá
HulaguInBagdad.JPG
Hulagu (esq.) aprisiona o califa al-Musta'sim em sua sala de tesouros para matá-lo de inanição.
Séc. XV. Iluminura medieval do "Le Livre des Merveilles".
Governo
Reinado 12421258
Antecessor Al-Mustansir I
Sucessor Extinto califado em Bagdá
Al-Mustansir II, no Cairo
Dinastia Abássida
Vida
Nome completo al-Musta'sim-Billah Abu-Ahmad Abdullah bin al-Mustansir-Billah
المستعصم بالله أبو أحمد عبد الله بن المستنصر بالله
Nascimento  ?
Morte 20 de fevereiro de 1258
Pai Al-Mustansir I

Al-Musta'sim Billah foi o último califa abássida a reinar em Bagdá, iniciando em 1242 e terminando com a sua morte na invasão mongol no Cerco de Bagdá em 1258.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Um dinar cunhado sob o califado de al-Musta'sim.

Al-Musta'sim é lembrado por sua oposição à ascensão de Shajar al-Durr ao trono egípcio durante a Sétima Cruzada. Ele enviou uma mensagem de Bagdá aos mamelucos no Egito que dizia: "Se você não tem homens aí, digam-nos que enviaremos alguns."[1] Porém, al-Musta'sim teve que enfrentar a maior ameaça ao Califado Abássida desde a sua fundação em 632, a invasão das hordas do Império Mongol que, sob o khan Hulagu, já tinha exterminado qualquer resistência na Transoxiana e no Grande Coração. Em 1255/56, as forças de Hulagu forçaram os abássidas a emprestarem-lhe exércitos para a campanha contra Alamut.

Em 1258, Hulagu invadiu os já reduzidos domínios abássidas, que na época consistia pouco mais do que é hoje o Iraque e a Síria. Em seu avanço contra Bagdá, Hulagu enviou várias colunas simultaneamente em direção à cidade e a cercou. O califa foi iludido por promessas de seu vizir de que os mongóis poderiam ser derrotados literalmente pelas mulheres da cidade lhes atirando pedras e, por isso, fez o pior que poderia ter feito: nada. Ele não convocou seus exércitos para defender Bagdá contra o maior exército mongol já reunido - um em cada dez mongóis foi recrutado - e nem tentou negociar com Hulagu. Ao invés disso, ele enviou ameaças vazias ao general mongol.

Bagdá foi então invadida e saqueada em 10 de fevereiro de 1258. O califa foi preso e morto por Hulagu logo depois. Acredita-se que os mongóis, sem querer derramar "sangue real", enrolaram o califa num tampete o pisotearam até a morte com seus cavalos[2] . Alguns de seus filhos também foram massacrados e um dos que sobreviveu foi enviado como prisioneiro para o Império Mongol e historiadores mongóis relatam que ele se casou, teve filhos, mas nunca mais teve papel algum na história do islão daí em diante.

"As Viagens de Marco Pólo"[3] relata uma história diferente. Ao encontrar o grande tesouro que o califa preferiu preservar do que gastar na defesa da cidade, Hulagu teria trancado-o ali sem comida ou água dizendo-lhe "coma de teu tesouro o quanto quiseres já que és tão apaixonado por ele".

Califado no Cairo[editar | editar código-fonte]

Os sultões mamelucos posteriormente apontaram Al-Mustansir II (um bisneto de Al-Mustarshid) como califa abássida no Cairo, mas estes eram ainda mais simbólicos do que os já marginalizados califas de Bagdá. Mesmo assim, eles mantiveram o título por mais 250 anos e, fora a tarefa cerimonial da instalação dos novos sultões, estes califas não tiveram importância nenhuma.

Quando os otomanos conquistaram o Egito em 1517, o último califa abássida do Cairo, Al-Mutawakkil III, foi levado à Constantinopla e o sultão otomano Selim I se autoproclamou califa.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Al-Musta'sim
Nascimento: 1213 Morte: 1258
Precedido por:
Al-Mustansir I
Califas abássidas
1242–1258
Suspenso
Próximo detentor do título:
Al-Mustansir II
como Califa abássida no Cairo

Referências

  1. Al-Maqrizi, p.464/vol1
  2. Frater, Jamie. Listverse.Com's Ultimate Book of Bizarre Lists. Canada: Ulysses Press, 2010. 400 p. ISBN 9781569758175.
  3. Yule-Cordier Edition

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Al-Maqrizi, Al Selouk Leme'refatt Dewall al-Melouk, Dar al-kotob, 1997.