Albertina Sisulu

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Albertina Sisulu
Nascimento Nontsikelelo Thethiwe
21 de outubro de 1918
Tsomo
Morte 2 de junho de 2011 (92 anos)
Joanesburgo
Cidadania África do Sul
Cônjuge Walter Sisulu
Filho(s) Max Sisulu, Lindiwe Sisulu, Zwelakhe Sisulu
Ocupação obstetriz, política

Nontsikelelo Albertina Sisulu (nascida Thethiwe) (Tsomo, 21 de outubro de 1918Joanesburgo, 2 de junho de 2011) foi uma enfermeira e ativista sul-africana contra o apartheid, esposa do também ativista Walter Sisulu, chamada de "mãe da nação" da África do Sul.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era filha mais velha de Bonilizwe e Monikazi Thethiwe, que tiveram outros quatros filhos e moravam no distrito de Tsomo do Transkei; sua mãe durante a sua gestação fora vitimada pela pandemia da gripe espanhola e, apesar da letalidade para gestantes, sobreviveu mas ficou com a saúde bastante fragilizada, razão pela qual a filha muitas vezes teve que cuidar dos irmãos.[1]

Após a família se mudar para Xolobe, Nontsikelelo veio ali a cursar o primário numa escola presbiteriana e recebeu o nome de batismo Albertina; muito inteligente, destacou-se nos estudos mas, forçada a cuidar dos irmãos, acabou por atrasar dois anos o que fez com que, mais tarde, apesar de passar em primeiro lugar num concurso para uma bolsa de estudos, fosse preterida; os religiosos da sua escola protestaram em um jornal e isto fez com que o padre Bernard Huss da Missão Católica local lhe oferecesse uma bolsa de quatro anos no Mariazell College - evento comemorado em sua aldeia.[1]

Assim, entrou no Mariazell College em 1936 e concluiu o curso em 1939; ali ela se converteu ao catolicismo e cogitou tornar-se freira; ela entretanto foi desaconselhada em seguir o ministério religioso pelo padre Huss pois assim não poderia ajudar a família; ele então a orientou para estudar enfermagem pois assim receberia um salário.[1]

Em janeiro de 1940 ela foi aceita como estagiária num hospital de Joanesburgo, e se mudou para lá; ali experimentou o racismo pela primeira vez já que sua aldeia natal não tinha muitos brancos, no tratamento com as colegas de profissão que eram brancas. A discriminação foi mais patente durante o atendimento às vítimas de um grave acidente numa estação rodo-ferroviária e a direção do hospital não permitiu que os pacientes negros fossem atendidos no setor branco e quando, em 1941, sua mãe faleceu, negaram-lhe licença para assistir o funeral.[1]

Naquele mesmo ano uma prima lhe apresentou a Walter Sisulu; ele era, ainda, primo de duas de suas maiores amigas: Rosabelle e Evelyn Mase; ela então começou a participar de reuniões políticas, e em 1944 ela se formou e veio a se casar com ele a 15 de julho, tendo por padrinhos Evelyn e seu esposo, Nelson Mandela.[1]

O casal morava em Soweto, onde em 1945 nasceu o primeiro filho, Max Vuyisile; em 1947 o casal decidiu que ele se dedicaria exclusivamente à política, no Congresso Nacional Africano e Albertina passou a ser o arrimo da família; em 1949, com o seu apoio, Walter foi eleito Secretário-Geral do CNA; em 1943 a instituição passara a aceitar mulheres, e em 1948 (ano de instalação da política segregacionista do apartheid) a Liga Feminina foi formada, Albertina dela fazendo parte e tendo intensa atividade política nos anos seguintes: ocupou cargos de liderança no CNA, participou da Federação de Mulheres da África do Sul (FEDSAW), foi uma das organizadoras da marcha das mulheres contra a lei do passe e do movimento contra a educação inferior dispensada à maioria negra, de forma que ela e o esposo foram presos várias vezes.[1]

Em 1954 ela obteve diploma de parteira, e foi contratada pela municipalidade nesta profissão. Recebeu mais tarde uma ordem de restrição do governo, que a impedia de maiores deslocamentos, que perdurou dezoito anos até 1981 - sendo a mulher que mais tempo sofreu essa penalidade.[1]

Walter e Mandela fundaram o braço armado do CNA, chamado Umkhonto we Sizwe, na década de 1960; em 1963 ele ingressou na clandestinidade e, em represália, ela foi a primeira mulher detida sob a nova lei que dava ao governo direito de prender suspeitos por até 90 dias sem formalizar acusação; seu filho Zwelakhe também fora detido. Durante o cárcere, fizeram com que ela acreditasse que os filhos estavam doentes e que o marido tinha sido morto. Walter fora, naquele ano, condenado à prisão perpétua no Julgamento de Rivonia.[1]

Ela viria a ser novamente presa e mantida em solitária em 1981 e 1985; em 1983 ela fora eleita co-presidenta da Frente Democrática Unida e em julho de 1989, um mês após o governo concedeu-lhe um passaporte e ela saiu do país, visitando a Europa e Estados Unidos onde se encontrou com líderes como Margaret Thatcher e George H. W. Bush; em outubro Walter foi libertado da prisão na Ilha Robben e o casal participou como deputados no período de transição que marcou o fim do apartheid.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j «Albertina Nontsikelelo Sisulu». South African History Online. Consultado em 17 de março de 2021. Cópia arquivada em 17 de março de 2021