Alberto Youssef

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Alberto Youssef
Youssef depõe durante CPI Mista da Petrobras no Senado do Brasil, 2014 (Geraldo Magela/Agência Senado)
Nome completo Alberto Youssef
Nascimento 6 de outubro de 1967 (50 anos)
Londrina, Paraná
Brasil
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Empresário, doleiro
Alberto Youssef
Crime (s) lavagem de dinheiro[1]
Pena 3 anos em regime fechado (em razão da delação premiada)[1]
Situação cumprindo pena em regime aberto [2]

Alberto Youssef (Londrina, 6 de outubro de 1967)[3] é um doleiro e empresário brasileiro que ficou conhecido após o escândalo do Banestado.[4] Em 2014, teve seu nome ligado ao eventos investigados pela Operação Lava Jato, escândalo que está sendo investigado e que envolve a Petrobras,[5][6] Foi preso em março de 2014, por crimes de lavagem de dinheiro relacionados aos casos do Banestado e da Operação Lava Jato, iniciando o cumprimento de pena de três anos em regime fechado.[7]

Em 2016 teve o nome envolvido no escândalo da Transposição do rio São Francisco, investigado a partir de um desdobramento da Lava Jato, pela Operação Vidas Secas.[8]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Youssef é filho de Kalim Youssef, imigrante libanês, e Antonieta Youssef, brasileira.[9][10] Quando pequeno, vendia salgados nas ruas de Londrina. Quando ainda adolescente, virou sacoleiro, trazendo mercadorias do Paraguai para revender no Brasil, sendo detido cinco vezes com muamba.[5] Foi acusado de comprar em Ciudad del Este produtos encomendados e enviava-os pelos correios aos clientes. Na década de 90 Youssef teve ainda uma casa de câmbio na rua Pará, em Londrina.[3]

Youssef é casado com Joana D'Arc Fernandes da Silva Youssef. Durante o matrimônio, manteve relacionamentos extraconjugais com a doleira Nelma Kodama, condenada a 18 anos de prisão por diversos crimes de corrupção,[11] por nove anos até 2009, e com Taiana Camargo, modelo que realizou ensaio para a revista masculina Playboy Brasil em janeiro de 2015, entre 2010 e 2014,[12] e pelos quais enfrenta processo de separação e divórcio por parte de sua esposa.[13]

Escândalos[editar | editar código-fonte]

Banestado[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Escândalo do Banestado

Em 2002 veio à tona o caso do Banestado, onde o banco foi privatizado, sendo comprado pelo Itaú. O Banestado serviu para enviar irregularmente para o exterior US$ 30 bilhões. Era Youssef que administrava as contas CC5 (de não residentes) que eram utilizadas para essas remessas. Youssef foi condenado e admitiu ter movimentado US$ 5 milhões ilegalmente.[14] Ainda em 2002, Youssef foi flagrado acompanhando um pagamento total de R$ 39,6 milhões da Companhia Paranaense de Energia (Copel) numa agência do Banco do Brasil em Curitiba. Segundo o Ministério Público (MP) do estado do Paraná e da Procuradoria Geral do Estado, os recursos se referiam à compra de créditos de ICMS de uma empresa falida, a Óleos e Vegetais Paraná S/A (Olvepar). A transação teve autorização de Ingo Henrique Hubert, então secretário da Fazenda. Youssef e outros envolvidos foram denunciados pelo MP por formação de quadrilha.[14]

Petrobras[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Lava Jato

Em 2014 foi divulgado que várias empresas receberam pagamentos de Youssef em nome da Petrobras, investigadas pela Operação Lava Jato. Empresas receberam dinheiro desviado da Refinaria Abreu e Lima, e a Polícia Federal afirmou que parte do dinheiro era destinado ao pagamento de propinas para políticos do PP, políticos de outros partidos, e agentes públicos,[15] Entre os políticos que podem estar envolvido no recebimento de dinheiro é Gleisi Hoffmann, que o doleiro diz ter dado R$ 1 milhão para a campanha ao senado em 2010. Gleisi e o marido, Paulo Bernardo, negam.[3]

Youssef estava internado em um hospital após sentir-se mal[16][17] e no dia 26 de outubro de 2014, segundo turno das eleições, surgiu boatos que Youssef estaria morto,[18] entretanto os boatos horas depois foram desmentidos.[19]

Durante a delação premiada que o doleiro foi submetido, segundo o Procurador-Geral da República, o advogado de Youssef, vazou informações que o réu declarou que Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema de corrupção, fato relatado posteriormente também por outro delator.[20] De acordo com o governo o vazamento foi para influenciar as eleições realizadas em outubro.[21] O Partido dos Trabalhadores pediu acesso à delação premiada do doleiro, mas foi negado por Teori Zavascki, ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do segredo de justiça.[22]

Transposição do rio São Francisco[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Vidas Secas

Condenação[editar | editar código-fonte]

Youssef foi condenado por corrupção passiva na ação penal dos desvios da Petrobras. A pena de Alberto Youssef nesta ação seria de 8 anos e 4 meses de reclusão. Entretanto, devido ao acordo de delação premiada, ele cumprirá 3 anos em regime fechado, ainda que sobrevenham condenações em outros processos e unificações, salvo em quebra de acordo. A pena do doleiro já é descontada desde quando foi preso, no dia 17 de março de 2014.[1]

Referências

  1. a b c Fernando Castro, Adriana Justi, Thais Kaniak e Bibiana Dionísio (20 de julho de 2015). «Justiça Federal condena réus ligados à empreiteira Camargo Corrêa». G1. Consultado em 2 de setembro de 2015 
  2. «Alberto Youssef passa para o regime aberto no aniversário da Lava Jato». Paraná. 17 de março de 2017 
  3. a b c «Alberto Youssef, de sacoleiro a "doleiro bomba"». Gazeta do Povo. 9 de novembro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  4. Amaury Ribeiro Jr (12 de fevereiro de 2003). «Envolvimento de Alberto Youssef no caso Banestado». ISTOÉ. Consultado em 13 de fevereiro de 2015 
  5. a b «Quem é Alberto Youssef, o doleiro suspeito no governo e na Petrobras». clicrbs. 26 de abril de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  6. «Justiça afasta policial federal envolvido com Alberto Youssef». O TEMPO. 19 de novembro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  7. «Youssef ficará preso por três anos em regime fechado». Gazeta do Povo. Consultado em 11 de janeiro de 2016 
  8. «PF investiga desvio de R$ 200 mi da transposição do São Francisco». G1. Globo. 11 de dezembro de 2015. Consultado em 9 de julho de 2016 
  9. José Casado. «Youssef enviou R$ 1 bilhão para o exterior». O Globo. O Globo. Consultado em 11 de janeiro de 2016 
  10. Juiz Federal Segio Fernando Moro (17 de setembro de 2014). «Sentença da 13ª Vara Criminal de Curitiba» (PDF). Conjur. Consultado em 11 de janeiro de 2016 
  11. «Na CPI, doleira canta Roberto Carlos para explicar relação amorosa com Youssef». Fausto Macedo. Consultado em 11 de janeiro de 2016 
  12. «"Youssef criou o meu filho", afirma ex-amante do doleiro». Último Segundo. iG. Consultado em 11 de janeiro de 2016 
  13. Jornal O Tempo (17 de novembro de 2014). «Ex-diretor deu roteiro de prisões». Jornal O Tempo. Consultado em 11 de janeiro de 2016 
  14. a b «Do Banestado ao mensalão, a longa ficha corrida de Youssef». O Globo. 8 de abril de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  15. «Youssef pagou dívida em nome de estatal, diz empresário». A Tarde. 29 de outubro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  16. «Doleiro Alberto Youssef tem quadro cardiológico estável, diz hospital». G1. 27 de outubro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  17. «Doleiro Alberto Youssef deixa hospital em Curitiba». UOL. 29 de outubro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  18. «'Meu pai está bem', diz filha do doleiro Alberto Youssef, internado no PR». Folha de S.Paulo. 26 de outubro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  19. Alessandra Alves (26 de outubro de 2014). «Boato nas redes sociais diz que Youssef está morto; Polícia Federal desmente». Estado de Minas. Consultado em 19 de novembro de 2014 
  20. «'Veja': doleiro diz que Dilma e Lula sabiam de tudo». O Globo. 23 de outubro de 2014. Consultado em 20 de novembro de 2014 
  21. Redação da CartaCapital (17 de novembro de 2014). «"Queriam interferir no processo eleitoral", diz procurador-geral». CartaCapital. Consultado em 15 de dezembro de 2014 
  22. «STF nega ao PT o acesso à delação premiada do doleiro Alberto Youssef». Correio Braziliense. 31 de outubro de 2014. Consultado em 19 de novembro de 2014 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]