Alberto da Cunha Melo

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Alberto da Cunha Melo
Nome completo José Alberto Tavares da Cunha Melo
Nascimento 8 de abril de 1942
Jaboatão dos Guararapes, PE
Morte 13 de outubro de 2007 (65 anos)
Recife, PE
Nacionalidade brasileiro
Principais trabalhos O cão dos olhos amarelos
Prémios Prêmio ABL de Poesia (2007)

Alberto da Cunha Melo, cujo nome completo era José Alberto Tavares da Cunha Melo (Jaboatão dos Guararapes, 08 de abril de 1942Recife, 13 de outubro de 2007) foi um escritor, jornalista e sociólogo brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Maria José Veloso de Melo e Benedito Cunha Melo, descobre na literatura a sua maior vocação, muito supostamente como reflexo do ofício poético exercido pelo seu pai, além do próprio avô, Alberto Tavares da Cunha Melo; tendo despontado no cenário recifense em 1966, com a publicação de Círculo Cósmico – apesar de revelado à imprensa somente um ano mais tarde, pelo crítico César Leal.

Àquela época, destacava-se entre aqueles com os quais fundara o Grupo de Jaboatão, que, entre 1979 e 1984, aglutinou diversos artistas e intelectuais, para a recepção crítica da produção artístico-cultural-científica de seus componentes, tratando-se, também, de um movimento editorial. O que contribuiu para sua integração, enquanto poeta, à Geração 65, tributária da Geração 45 e avessa às vanguardas formais[1]

Simultaneamente, desenvolveu um tralhado de igual modo destacável enquanto sociólogo e jornalista, atuando onze anos, em virtude da primeira ocupação, na Fundação Joaquim Nabuco; e, da segunda, enquanto editor do Commercio Cultural, do Jornal do Commercio (Recife/PE), e da Revista Pasárgada, além de colaborador da coluna Arte pela Arte, do Jornal da Tarde (São Paulo/SP), e da coluna Marco Zero, da Revista Continente Multicultural.

Não por acaso, foi o maior incentivador do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco nos anos 1980[2], bem como Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores (Secção Pernambuco / UBE-PE), entre 1983-1984, primeira gestão da entidade após a sua reorganização, com o início da abertura política no Brasil; e, por duas vezes, Diretor de Assuntos Culturais da Fundação do Patrimônio e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE). Além de ter ingressado na Academia de Letras e Artes do Nordeste.

Morto em 2007, o inventário e a curadoria de sua obra foram assumidos pela viúva, Cláudia Cordeiro Tavares da Cunha Melo, a quem o poeta legou toda a sua obra em testamento público.

Obra[editar | editar código-fonte]

Surgido em 1966 no cenário literário recifense, Alberto da Cunha Melo, que experimentou relativo anonimato — devido, em parte, a sua modéstia excessiva enquanto escritor, noutra, às circunstâncias de produção e circulação da escrita no país, pouco favoráveis à instituição da literatura como prática social —, deve à Cláudia Cordeiro Tavares da Cunha Melo, hoje sua viúva, o inventário e a curadoria da própria obra, a qual abrange, de acordo com a mesma, os títulos abaixo descritos, considerando-se aqueles publicados em língua portuguesa[3].

  • Círculo Cósmico. Recife: UFPE, separata da revista Estudos Universitários, 1966.
  • Oração pelo Poema. Recife: UFPE, separata da revista Estudos Universitários, 1969.
  • Publicação do Corpo. In: Quíntuplo. Recife: Aquário/UM, 1974.
  • A Noite da Longa Aprendizagem. Notas à Margem do Trabalho Poético. Recife: 1978-2000. v. I, II, III, IV, V; manuscritos.
  • Dez Poemas Políticos. Recife: Pirata, 1979.
  • Dez Poemas Políticos. Recife: Pirata, 1979, segundo clichê.
  • Noticiário. Recife: Pirata, 1979.
  • Poemas à Mão Livre. Recife: Pirata, 1981.
  • Soma dos Sumos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983.
  • Poemas Anteriores. Recife: Bagaço, 1989.
  • Clau. Recife: Imprensa Universitária da UFRPE, 1992.
  • A Rural também Ensina a Semear a Poesia. Recife: Livro 7, 1992; folheto de cordel – divulgação do lançamento do livro Clau.
  • Carne de Terceira com Poemas à Mão Livre. Recife: Bagaço, 1996.
  • Yacala. Recife: Gráfica Olinda, 1999.
  • Yacala. Natal: EDUFRN, 2000, edição fac-similar, prefácio de Alfredo Bosi.
  • Meditação sob os Lajedos. Natal/Recife: EDUFRN, 2002.
  • Dois Caminhos e uma Oração. São Paulo: A Girafa, 2003.
  • O Cão de Olhos Amarelos & Outros Poemas Inéditos. São Paulo: A Girafa, 2006.
  • Marco Zero: Crônica. Recife: CEPE, 2009.
  • Cantos de Contar: Recife: Editora Paés, 2012.

Esse último lançado para celebrar os 70 anos do nascimento do escritor, ocasião em que Cordeiro não apenas noticiou a tradução/publicação italiana de Oração pelo Poema (1966)[4], conforme referência a seguir, mas, a reunião de sua poesia em uma edição da Record (2016)[5]

  • Orazione per il Poema. Tradução de Katia de Abreu Chulata. Itália: BESA, 2012. Edição bilíngue.

Simultaneamente as suas primeiras publicações, sua participação no Grupo de Jaboatão, que, entre 1979 e 1984, tratou-se, também, de um movimento editorial, aglutinando diversos artistas e intelectuais, contribuiu para integrá-lo, enquanto poeta, à Geração 65, tributária da Geração 45 e avessa às vanguardas formais Concretismo e Poema Práxis, submetendo-o, no influxo desse contexto sócio-histórico-literário, a determinados modelos ou referências literárias (a poesia parnasiana e árcade e os movimentos neovanguardistas, escrevendo sob todas essas tendências)[6].

Foram quatro décadas de efetiva produção literária (1966-2006) e, durante este período, vários livros publicados, a maioria sob a tiragem mínima de 150 a 1000 exemplares, sem projeção nacional, como o próprio autor observa, em seus últimos anos, e já consagrado pela crítica especializada, ao participar de uma entrevista coletiva sobre a sua vida e obra[7], realizada por alguns dos estudiosos mais representativos no âmbito da literatura, dentre os quais, Ivan Junqueira.

E se somente cinco anos após a sua morte, o Jornal Rascunho[8] apresentou-lhe ao Brasil como o poeta cuja obra deveria ultrapassar as margens do rio Capibaribe, ainda que não dispusesse como traço diferenciador a originalidade; antes, isso coube a Alfredo Bosi e a Bruno Tolentino, mas, com uma empolgadura justificada, de acordo com tais críticos literários, pelo plano formal de conteúdo e de expressão próprios da poesia albertiana.

Hoje, a sua obra, distribuída em fases com variações singularizadoras, é investigada por Cláudia Cordeiro que, há mais de duas décadas, observando a escrita de Alberto da Cunha Melo, sob as categorias da unidade e da coerência, já propunha, em 2003[9], o seu estudo à luz do conceito de Poesia-Resistência, estabelecido por Alfredo Bosi — algo fundamental para a identificação das formas e dos eventos próprios da poesia de Alberto da Cunha Melo e, por efeito, ao leitor que lhe desejasse compreender a estética e a mensagem genuínas.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • 2003: 4º lugar no Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira[10], hoje Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa[11], com o livro "Meditação sob os Lajedos" (EDUFRN, 2002).
  • 2007: 1º lugar no Prêmio ABL (Academia Brasileira de Letras) de Poesia[12], com o livro "O Cão de Olhos Amarelos & Outros Poemas Inéditos" (A Girafa, 2006).

Fortuna crítica[editar | editar código-fonte]

BARBOSA FILHO, Hildeberto. Alberto da Cunha Melo, grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura. In: MELO, Alberto da Cunha. O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. São Paulo: A Girafa, 2006. p. 259-267.

BOSI, Alfredo. Uma estranha beleza. In: MELO, Alberto da Cunha. Dois caminhos e uma oração. São Paulo: A Girafa Editora; Recife: Instituto Maximiano Campos, 2003. p. 161-163.

CORDEIRO, Cláudia. Faces da resistência na poesia de Alberto da Cunha Melo. Recife: Bagaço, 2003.

DOURADO, Érica Roberto. Ressonâncias épicas em Ycala, de Alberto da Cunha Melo. 2015. 139 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas.

FARIA, Norma Maria Godoy. Metapoesia e profecia em Alberto da Cunha Melo. 2006. Dissertação (Mestrado em Letras) – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.

MOLITERNO, Isabel de Andrade. Imagens, reverberações na poesia de Alberto da Cunha Melo: uma abordagem estilística do texto. 2007. 208 f. Tese (Doutorado em Letras) – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.

RAMOS, Cristiano. Deserto particular. Jornal Rascunho, Curitiba, n. 151, nov. 2012. p. 10-11.

SILVA, Diego Pereira da. A rebelião silenciosa da poética albertiana em O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. 2016. 19 f. Artigo (Licenciatura em Letras) – Departamento de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Universidade do Estado da Bahia, Euclides da Cunha.

TOLENTINO, Bruno. Posfácio. In: MELO, Alberto da Cunha. Dois caminhos e uma oração. São Paulo: A Girafa Editora; Recife: Instituto Maximiano Campos, 2003. p. 341-347.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

  • Troféu do III Savoyar – Escritor destaque do Ano – Bar Savoy – fevereiro 2002.
  • Diploma Mauro Mota – Escritor do Ano - Conselho Estadual de Cultura – março 2002.
  • Homenagem 60 Anos - Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes – abril 2002.
  • Medalha Gilberto Freyre - União Brasileira de Escritores – Secção Pernambuco – julho 2002.
  • Medalha do Sesquicentenário - Biblioteca Pública Estadual – agosto 2002.
  • Comenda Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira (post mortem) - Recife - Pernambuco, 18 de maio de 2008.

Referências

  1. SILVA, Diego Pereira da. A rebelião silenciosa da poética albertiana em O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. 2016. 19 f. Artigo (Licenciatura em Letras) – Departamento de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Universidade do Estado da Bahia, Euclides da Cunha.
  2. CARPEGGIANI, Schneider. JC OnLine, Recife, 19 nov. 2000. A poesia que não admite qualquer tipo de aprisionamento.
  3. CORDEIRO, Cláudia. Obras do autor [Alberto da Cunha Melo]. In: MELO, Alberto da Cunha. Cantos de contar. Recife: Editora Paés, 2012. p. 157-159.
  4. GUEDES, Diogo. Alberto da Cunha Melo devidamente homenageado. Jornal do Commercio, Recife, 02 set. 2002. Disponível em: <http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2012/09/02/alberto-da-cunha-melo-devidamente-homenageado-54663.php>. Acesso em: 12 nov. 2016.
  5. ENCONTRO celebra 50 anos de livro de Alberto da Cunha Melo. Jornal do Commercio, Recife, 07 abr. 2016. Disponível em: <http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2016/04/07/encontro-celebra-50-anos-de-livro-de-alberto-da-cunha-melo-230022.php>. Acesso em: 12 nov. 2016.
  6. SILVA, Diego Pereira da. A rebelião silenciosa da poética albertiana em “O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos”. 2016. 19 f. Artigo (Licenciatura em Letras) – Departamento de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Universidade do Estado da Bahia, Euclides da Cunha.
  7. CORDEIRO, Cláudia (Org.). A mais longa e única entrevista coletiva concedida por Alberto da Cunha Melo. In: MELO, Alberto da Cunha. Cantos de contar. Recife: Editora Páes, 2012. p. 109-155.
  8. RAMOS, Cristiano. Deserto particular. Jornal Rascunho, Curitiba, n. 151, nov. 2012. p. 10-11.
  9. CORDEIRO, Cláudia. Faces da resistência na poesia de Alberto da Cunha Melo. Recife: Edições Bagaço, 2003.
  10. PRÊMIO Portugal Telecom de Literatura anuncia vencedores amanhã. Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 nov. 2003. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u38488.shtml>. Acesso em: 12 nov. 2016.
  11. COM estrutura diferente, Prêmio Portugal Telecom muda nome para Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa. Revista Brasileiros, São Paulo, 09 jun. 2015. Disponível em: <http://brasileiros.com.br/2015/06/com-estrutura-diferente-premio-portugal-telecom-vira-oceanos-premio-de-literatura-em-lingua-portuguesa/>. Acesso em: 12 nov. 2016.
  12. ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. ABL divulga ganhadores dos Prêmios ABL 2007 e Afrânio Coutinho. ABL, Rio de Janeiro, 18 jul. 2007. Disponível em: <http://www.academia.org.br/noticias/abl-divulga-ganhadores-dos-premios-abl-2007-e-afranio-coutinho>. Acesso em: 12 nov. 2016.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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