Alcides Franciscato

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Alcides Franciscato
Prefeito de Bauru
Período 1 de janeiro de 1969
10 de março de 1973
Antecessor(a) Nuno de Assis
Deputado Federal de São Paulo
Período 12 de março de 1975
a 11 de março de 1979

12 de março de 1979
a 11 de março de 1983

12 de março de 1983
a 11 de março de 1987

Dados pessoais
Nascimento 03 de junho de 1929
Piracicaba
Primeira-dama Lindinha Franciscato
Partido ARENA

PDS

Profissão engenheiro

Alcides Franciscato (Piracicaba em 3 de junho de 1929), é um empresário e político brasileiro.[1] Foi prefeito de Bauru (1969 a 1973) e deputado federal por três mandatos: 1975-1979, pelo ARENA, 1979-1983, pelo PDS, e 1983-1987, pelo PDS. Atual presidente dos Grupos Prata e Cidade.

Um legado da família Franciscato[editar | editar código-fonte]

No dia 3 de junho de 1929 nascia em Piracicaba aquele que se tornaria um dos mais importantes empresários e políticos do país: Alcides Franciscato. Filho de Ângelo Franciscato e de Itália Giovanetti Franciscato e irmão de Alceu, Avany e Ângela Franciscato. Realizou seus estudos no Colégio São José, no Liceu Noroeste e no Colégio Guedes de Azevedo. É Engenheiro agrônomo diplomado pela Escola Superior de Agricultura Luíz de Queiróz da Universidade de São Paulo (USP), em 1953, além de ter se aperfeiçoado em hidráulica do solo nos Estados Unidos, como estagiário-bolsista, em 1954. Foi mecânico de manutenção e motorista de ônibus da frota do pai, a Expresso de Prata, de onde começaremos o relato dessa história de glórias.

Do exemplo do pai para um grande empresário[editar | editar código-fonte]

Alcides Franciscato sempre teve a sua família como exemplo e inspiração. Seu pai, Ângelo Franciscato era filho dos imigrantes italianos Marco Franciscato e Itália Trevisan Franciscato, que chegaram a Piracicaba em 1869, no Distrito de Tanquinho. Trabalhou desde jovem em fábrica de parafusos, aprendeu o ofício de mecânico, trabalhando na FORD de Piracicaba. Sempre sonhador, em 1927 ele adquiriu sua primeira jardineira e passou a fazer o trajeto entre Piracicaba e Rio Claro. Nessa época, com apenas 19 anos de idade, Ângelo era motorista, cobrador e mecânico e era motivado pelo trabalho e seu espírito visionário.

Logo a empresa cresceu e passou a se dedicar à manutenção das jardineiras como garantia de um melhor transporte, além de construir  as carrocerias. Mais tarde, as linhas foram ampliadas, como a Piracicaba-Torrinha e a Jaú-Bocaína, quando Àngelo mudou-se para a cidade de Jaú. 

A partir de 1934, foi implantanda a linha Bauru a Botucatu, passando por Agudos, Lençóis Paulista, Areiópolis, Aparecida e São Manuel. À época com uma única partida, às 9h40 e retorno de Botucatu às 14h. Logo depois a linha passou a operar em cinco horários. Com o sucesso, a empresa se instalou em definitivo para Bauru.

Em 1952, Ângelo dividiu a administração da empresa com seu filho Alcides que passa a se chamar Expresso de Prata Ltda em sociedade com o irmão Alceu. O arrojo e juventude de Alcides Franciscato levaram o Prata até São Paulo. No início dos anos 60, o intercâmbio entre Bauru e Agudos aumentou por conta dos estudantes e comércio. A empresa Expresso de Prata ampliou o atendimento e passou a operar com ônibus modernos e confortáveis.

Desde então, com 90 anos de solidez, o Expresso de Prata  tem sido referência pela elevada exigência na qualidade dos serviços prestados. 

Um novo jornal em Bauru[editar | editar código-fonte]

No aniversário de 71 anos de Bauru, em 1967, foi lançada a primeira edição do Jornal da Cidade (JC). O periódico surgiu para trazer uma nova linha editorial em oposição ao seu principal concorrente, o Diário de Bauru, de Nicola Avallone Jr, o Nicolinha. 

A proposta de montar o JC parte de empresários e políticos. Segundo o próprio jornal, os idealizadores originais, além de Alcides Franciscato (maior acionista), foram Nilson Costa (ex-vereador e um dos mais ferrenhos opositores do então deputado estadual Avallone Jr.), Halim Aidar (empresário na área de pavimentação) e Israel Dias Novaes (deputado federal pela ARENA e o primeiro diretor responsável pelo jornal).

Logo após, outros empresários articulados e influentes passaram a fazer parte da empresa, como Guilherme Ferraz (proprietário de terras e de uma concessionário de caminhões Mercedes Benz) e seu sócio Luiz Carlos Pagani, Nacib Salmen (dono de concessionária de carros Ford), e José da Silva Martha Filho (engenheiro e proprietário da maior construtora de Bauru da época).

Grupo cidade: investimento na comunicação[editar | editar código-fonte]

Para cumprir as estratégias de modernidade e inovação do Jornal da Cidade, era visível o investimento do jornal no setor técnico e infraestrutural. O diário incorporou o discurso de um jornal moderno que, em relação ao Diário de Bauru, possuía significativas diferenças. Destacava-se pela melhor qualidade do papel, maior número de páginas e de anunciantes, diagramação mais leve e ousada. Era menos provinciano no sentido de que não falava somente sobre Bauru, conferindo destaque para matérias sobre assuntos nacionais e internacionais. Durante um certo tempo comprou colunas fixas de jornalistas de prestígio nacional como Nelson Rodrigues (a partir de agosto/1969) e Carlos Castelo Branco (a partir de outubro/1971).

Em 1971, já trabalhava com agência de notícias e rádio-foto; em 1973, implantou uma gráfica com sistema de off-set, auto-intitulando-se o “primeiro jornal do interior” que empregava tal tecnologia. Utilizava a produção de um chargista de destaque, Aucione Torres, e continha prestigiados jornalistas na área de artes, cultura e comportamento.

Na comunicação radiofônica, Alcides Franciscato fez história ao fundar a Rádio Cidade, hoje 96 FM, uma das maiores audiências de Bauru. 

Franciscato e uma nova Bauru[editar | editar código-fonte]

Jovem, dinâmico e sério; Alcides Franciscato logo contou com o apoio de grupos de empresários da cidade. Não demorou para que ele fosse considerado um representante e fosse colocado como candidato ao Executivo no pleito de 1968. Ele incorporou a imagem de um político novo, honesto e trabalhador. Com quase 70% dos votos, o grupo de Franciscato derrotou nas urnas o ex-prefeito e deputado estadual Nicolinha, que buscava voltar à Prefeitura.

No dia da sua posse, pagou cafezinho a todos, contratou um assessor de imprensa, montou um restaurante para os funcionários braçais com oferecimento de refeições. Tudo foi pago pelo empresário. Em seu discurso, Franciscato fez questão de destacar que Bauru precisava caminhar em sentido ao progresso. “Entendemos que a industrialização é o processo mais rápido e objetivo de se conseguir a melhoria do poder aquisitivo de grande parcela de nosso povo, pela mão-de-obra mais farta, redução de desemprego e maior renda per capta“, destacou à época.

A voz do novo em ação[editar | editar código-fonte]

Com o discurso que atribuia a si mesmo as características de um jovem empresário dinâmico e sério, sem preocupações com a política, mas, sim, com a administração racional da Prefeitura Municipal e da cidade, as construções públicas do seu governo são apresentadas como o caminho para a mudança da paisagem urbana de uma nova Bauru que se desenhava.

Sintonizado com as transformações que estavam ocorrendo em sua época e se articulando muito bem politicamente aos governos federal e estadual, Franciscato construiu uma cidade moderna por meio de vários caminhos. Um deles é a transformação de Bauru em uma cidade industrial, outro é a criação de espaços urbanos.

A sua primeira intervenção foi a extensão da já denominada Avenida Nações Unidas e a canalização do Córrego das Flores, entre a Avenida Rodrigues Alves e uma quadra além do cruzamento da Duque de Caxias, dando sequência à primeira fase das obras iniciada durante a gestão do ex-prefeito Avallone Jr (entre a Marcondes Salgado e a rua Constituição). O novo trecho da grandiosa avenida foi concluído em agosto de 1972. Com isso, Franciscato fortaleceu a expansão da cidade para novos sentidos.

Em fins de 1969, é iniciada a construção da Praça do Líbano, onde se realizava a tradicional feira livre. A praça já marcava um rápido processo de mudanças espaciais e paisagísticas evidentes do governo Franciscato. Até então, existiam na cidade apenas três praças que homenageavam grupos étnicos: Itália, Espanha e Portugal.

Fundação do CIPS[editar | editar código-fonte]

Um momento importante do Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips) de Bauru foi em 1970, durante o governo Franciscato, quando a instituição assitencial, com o auxílio de Roberto Previdello, passou a realizar parcerias com a Prefeitura e com o Juizado de Menores na implantação do Centro de Aprendizagem Profissional. Com isso, foram oferecidos cursos semiprofissionalizantes aos alunos regularmente matriculados na rede oficial de ensino, condição esta mantida até os dias de hoje como critério de elegibilidade. Em 2007, a entidade foi considerada como um dos 23 melhores Programas de atendimento social do Estado.

Grandes obras espalhadas por toda a cidade de Bauru e região[editar | editar código-fonte]

O governo de Alcides Franciscato não se restringiu a ações apenas na área da Nações Unidas. Ele ainda projetou, divulgou e lançou o início da obra do viaduto da Avenida Duque de Caxias sobre a Nações Unidas. O seu sucessor na Prefeitura, Luiz Edmundo Coube, é quem constrói e inaugura-o em 1975.

No início da década de 1970, grande parte das ruas que vão do centro para os Altos da Cidade é calçada com paralelepípedos. Franciscato decidiu asfaltar as principais e utilizou as pedras para melhorar as vias do Jardim Bela Vista. A ponte de passagem desse bairro para o centro era apenas pelo viaduto JK, construído por Avallone Jr. Foi então que em janeiro de 1973, no último mês de seu mandato, que inaugurou outro viaduto, batizado de João Simonetti, na continuidade da rua 13 de Maio, passando sobre a linha férrea da Fepasa e o Ribeirão Bauru, terminando na Praça da Bíbllia, também construída neste momento.O viaduto fez parte de um complexo maior de obras projetado por Franciscato: a canalização do Ribeirão Bauru, com a conclusão do primeiro trecho em 1974; e a primeira fase de construção da avenida, inicialmente chamada Brasil e hoje Nuno de Assis.Outra obra foi a ampliação do Viaduto Mauá, ligando o Centro à Vila Falcão.

Homenagem da Associação Sem Limites de Bauru[editar | editar código-fonte]

Em 2017, a Associação Sem Limites, entidade social de Bauru presidida pelo empresário e advogado Edu Avallone, esposo de sua neta Fernanda Franciscato, prestou uma homenagem ao ex-político com uma edição especial do denominado Jornal Sem Limites. Em 10 páginas, são narradas passagens sobre sua vida pessoal, profissional e marcos da trajetória política. É destacado que "assim como fez Franciscato durante seus mandatos públicos, a entidade não mede esforços para a promoção de atividades e programas sociais nas mais diversas áreas com o intuito de promover uma rede de ações espalhadas por toda a cidade". 

Outras atividades[editar | editar código-fonte]

Franciscato também é dono da Viação Expresso de Prata.

Referências