Aldeia de Carapicuíba

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Disambig grey.svg Nota: Para o distrito da qual faz parte, veja Aldeia (Carapicuíba).
Aldeia de Carapicuíba
Arquiteto Padre José de Anchieta
Construção 1580
Geografia
País  Brasil
Cidade Carapicuíba

Aldeia de Carapicuíba é um centro histórico localizado ao sul do município de Carapicuíba, situado no distrito de mesmo nome.

História[editar | editar código-fonte]

Sua fundação oficial é considerada em 12 de Outubro de 1580.

A fim de catequizar os índios e protegê-los da escravidão, o Padre José de Anchieta, segundo transcrevem alguns livros da época, construiu doze aldeias em volta do Mosteiro de São Bento para tirar os índios e padres que lá viviam. Das doze aldeias a única que não foi totalmente destruída é a Aldeia de Carapicuíba, isso se deve ao fato de ser uma aldeia de difícil acesso.

A Aldeia de Carapicuíba, localizada a pouco mais de 20 km do centro de São Paulo e que foi fundada em meados de 1580, abrigou o Padre Belchior Pontes e índios de outras tribos a fim de protegê-los do ataque violento dos bandeirantes, estes liderados por Antonio Raposo Tavares.

Os Guaianases (ou Guaianás), primeiros moradores da Aldeia, abrigaram índios de outras tribos como os Tupis, os Guarulhos, entre outros. Com a chegada desses outros índios, começou a construção das casas, feitas de pau-a-pique e a construção das primeiras ocas da Aldeia.

Como os bandeirantes estavam se aproximando da Aldeia, o Padre Belchior resolveu ir junto com os índios para a Aldeia de Itapecerica, onde poderiam viver seguros, uma vez que esta era ainda mais afastada da capital, portanto de difícil acesso também.

Alguns índios não se conformavam em ter que sair das suas terras, por isso muitos retornavam e eram brutalmente assassinados a fim de servirem como exemplo.

Antes desta ação dos bandeirantes, os índios e padre viviam pacificamente. Foi aí que nasceu uma dança que existe até hoje, a Dança de Santa Cruz, que une cantos católicos e danças indígenas. A dança é uma celebração à Nossa Senhora da Santa Cruz, hoje, padroeira de Carapicuíba. A intenção da festa é abençoar todas as casas da Aldeia e começa com um grupo de dança que roda no sentido horário. A dança começa em frente à igreja da Aldeia e segue até as outras casas, terminando na igreja novamente. A Dança de Santa Cruz ou Sarabaquê compreende três partes: Saudação, Roda e Despedida. A Saudação e Despedida são consideradas sagradas, e a Roda profana. As primeiras têm melodia que lembram os cantos gregorianos, os versos fixos e o tema devocional. São realizadas em frente à Capela, em frente ao Cruzeiro e em seguida em frente a cada casa onde tiver uma cruz. Os instrumentos utilizados pelos componentes são: violas, pandeiros, cuícas e reco-recos. O ritmo é lento e repetitivo e, por esse motivo, ficou conhecido como "15 com 15". A Zagaia é uma variação da dança de Santa Cruz, com maior influência indígena da dança, da música e do cântico, caracterizada por uma grande roda em frente à capela. Durante a dança há alguns intervalos, onde é servida, aos presentes, a tradicional canja de galinha, além do curau e do milho.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Aldeia é um largo marcado pela igreja, presença principal da paisagem urbana. O espaço entre a fachada da igreja e a cruz do adro era considerado sagrado, segundo os jesuítas locais, porque ali "o demônio não tinha o poder de se fazer presente".

Numa das casas ao lado da igreja está a casa da cultura onde se vê o acervo das imagens e objetos indígenas; esculturas que contam a história pelo seu estilo e arte. A igreja da Aldeia de Carapicuíba, segundo historiadores foi construída em 1736 e tinha como orago São João Batista. Atualmente o orago é Santa Catarina de Alexandria onde os devotos e a comunidade local conhecem desde crianças. Nela existe um único altar-mor dom estilo jesuítas muito simples e interessante. O sacrário é de madeira e a porta é muito simples. Os sinos, na parte superior do coro, marcam com seu canto acontecimentos importantes. Bem em frente à porta da igrejinha, se vê a cruz, colocada sobre um alto pedestal de tijolos. Essa visão lembra folclore, religião, família, intenção, missionária da aldeia. Os padres vêm de outros locais para as missas na capela.

Localizada a 2,5 km da Rodovia Raposo Tavares, 30 minutos da cidade de São Paulo, vizinha as cidades de Cotia, Osasco e Barueri, a Aldeia de Carapicuíba foi tombada em 1941, hoje é patrimônio nacional, tida então como único exemplo de antiga aldeia de jesuítas, servindo como memória ao resgate de um capítulo de nossa história da dizimação indígena, destruição cultural e religiosa jesuítica, violência bandeirista e raiz missionária da religião e do folclore nela caracterizada, marca da conquista dos brancos e da perseverança de um povo colonizado e objetificado. Carapicuíba é tesouro de uma realidade encoberta, herança de um povo e guarda para nós um pouco da memória, um pouco da cultura popular num pedacinho de chão, é nossa (possível) consciência de preservação das raízes que os líderes políticos contam como história do Brasil.[2]

O bairro possui o Parque Ecológico Aldeia de Carapicuíba, onde ocorre anualmente na Sexta-Feira Santa a encenação da Paixão de Cristo em um teatro ao ar livre denominado Teatro Arena. No Parque há também vários pontos de lazer, um playground, um lago, e grandes áreas arborizadas em seus arredores, com grande variedade de árvores nativas.

Também é acesso ao Rodoanel Mário Covas, através da Avenida Marginal do Ribeirão, e ao bairro Granja Viana (Cotia), além de fácil acesso a Rodovia Raposo Tavares, através da Estrada da Aldeia.

Galeria de Fotos[editar | editar código-fonte]

Referências