Alexander Lenard

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Alexander Lenard, também Lénárd Sándor em húngaro, Sándor Lénárd no Brasil, e Alexander Lenard em Dona Emma[1] (Budapeste, Hungria, 9 de março de 1910Dona Emma, 13 de abril de 1972) foi um linguista húngaro.

Notório conhecedor de línguas,conhecia no mínimo 12 idiomas; internacionalmente conhecido como um dos melhores tradutores de latim. Traduziu o livro “Ursinho Pooh” do inglês para o latim,ganhou fama e tornou-se um Best-Seller internacional. Lenard escreveu prosa e poesia, também produziu ensaios musicais, culinários, linguísticos e médicos.Formou-se em medicina, virou um conhecido professor de Universidade de Charleston no tempo que ficou nos Estado Unidos, ele realizava estudos sobre o compositor Johann Sebastian Bach. Era também pintor, poeta, músico, antropólogo, escritor e tradutor.[1]

História de vida[editar | editar código-fonte]

Infância, adolescência e faculdade[editar | editar código-fonte]

Filho do comerciante Jenő Lénárd (1878-1924) e de Ilona Hoffmann (1888-1938). Nasceu em 9 de março de 1910 em Budapeste, capital da Hungria, seu nome é uma homenagem ao avô materno Sándor Hoffmann. Lenard e sua família se mudaram para Harmatos Puszta (Hungria) lá aprendeu a falar húngaro com sua mãe e com os camponeses que viviam na região, também aprendeu o idioma alemão com os avós paternos.[1]

Ainda criança, com apenas 8 anos, Lenard e sua família mudaram-se para a Áustria como fugitivos da Primeira Guerra Mundial. Para Lenard, o dia anterior ao início da Primeira Guerra seria “o último dia feliz” que a humanidade presenciou.[1]

Com o fim da Guerra sua família passou a morar em Klosterneuburg (Áustria). Lenard terminou seus estudos em 1928 na escola secundária de Klosterneuburg. Começou a dar seus primeiros passos como tradutor, tendo um diário onde traduzia poemas do húngaro para o alemão.[1]

Lenard pretendia fazer faculdade, mas antes de se matricular na Universidade de Viena, estava indeciso entre cursar filosofia, psicologia ou biologia, no entanto, optou por medicina. Lenard escolheu fazer medicina pela facilidade em arranjar emprego, pois possuía um conhecido que poderia lhe oferecer um trabalho futuramente.[1]

Lenard viajou muito, foi à Grécia, Dinamarca, Inglaterra e Checoslováquia, também foi à Paris e Istambul, consequentemente teve contato com diversas línguas e culturas, o que contribuiu para seu vasto conhecimento linguístico.[1]

Em 1938 Lenard concluiu o curso de medicina em Viena, sabendo que não poderia ser considerado “ariano” por ser húngaro, acabou mudando-se para Roma.[1]

Vida em Roma[editar | editar código-fonte]

Foi a Roma sem dinheiro, sem amigos, sem falar uma palavra de italiano e com um passaporte turístico de 3 meses. Em Roma, não poderia exercer a função de médico. Viveu durante 12 anos apenas de traduções, e realizando pesquisas sobre a história da medicina para a empresa farmacêutica Ciba, realizou trabalhos acadêmicos para estudantes de medicina. Durante esse tempo, viveu situações de miséria e fome, o medo de ser capturado e ir parar em uma câmara de gás o assombrava  constantemente. Em 1938 conheceu Andrietta Arbório de Gattinara.[2]

Teve que aprender na “marra” a falar italiano e consequentemente

romano. Se escondeu dos horrores da guerra nas grandes bibliotecas do Vaticano, aprendeu a falar latim e a tocar órgão, estudou espanhol, norueguês e holandês, realizou estudos sobre médicos do renascimento e tratamentos hormonais na antiguidade.[2]

Em 1942 passou a viver com Andrietta Arbório de Gattinara, uma antiga conhecida. Andrietta, natural de Milão, foi para Roma estudar filosofia. Lenard se casou com Andrietta em 1950, juntos tiveram um filho chamado Sebastian, que recebeu o nome em homenagem a Bach. Durante a guerra os dois sobreviveram na cidade vivendo apenas da “sopa do papa”, distribuída pelo Vaticano aos famintos.[2]

A partir do segundo semestre de 1944 Lenard começou a trabalhar como médico oficial da United States Claims Services. Em 1948 tornou-se antropólogo chefe da American Graves Registration Service, lavando e medindo e ossos de americanos mortos na Guerra.[2]

Em 1951 a Guerra Fria estava se iniciando, isso fez ferver o território europeu, a ameaça de uma Terceira Guerra era iminente, o medo fez com que Lenard e sua esposa tomassem a decisão de ir morar no Brasil.[2] Em 15 de fevereiro de 1952 pegaram um cargueiro da antiga Organização Nacional de Refugiados, e zarparam para a verde terra do Brasil.[2]

Vida no Brasil[editar | editar código-fonte]

No dia 29 de fevereiro de 1952 Lenard e sua família desembarcam na Ilha das Flores na Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro, e lá ficaram dez dias até que fossem legalizados em sua nova pátria. Partiram para o Paraná. Lenard arranjou um emprego como médico na mineradora de chumbo Plumbum. Além de trabalhar como médico, obstetra e pediatra, acabou virando também professor de matemática, inglês e latim, para as filhas dos engenheiros franceses da mina. Lenard foi despedido por conceder atestados médicos a qualquer operário que se sentisse cansado, e também pelo fato de que incentivava os operários a deixar de trabalhar na mina, pois o chumbo é prejudicial à saúde. Durante os anos de 1953 a 1956 Lenard trabalhou como auxiliar médico do cirurgião Dr. Egberto Silva em São Paulo.[2][3]

Vida em Dona Emma[editar | editar código-fonte]

Com o dinheiro que arrecadou durante o período que trabalhou como auxiliar médico em São Paulo, comprou uma casa em Dona Emma(SC), na localidade de Nova Esperança. Lenard decidiu ir morar em Dona Emma pois a cozinheira da mina de chumbo onde trabalhou ter morado e vivido em Dona Emma, e frequentemente ela falava das belezas do lugar: um vale, repleto de árvores,a apenas 120 quilômetros da cidade de Blumenau[4] , tão tranquilo e bonito.

Em 1955, Alexander participou do programa de televisão chamado “O Céu é o Limite” promovido pela extinta TV Tupi, pondo à prova seus conhecimentos sobre o compositor Sebastian Bach. Por ser grande fã de Bach acabou conquistando o prêmio máximo, e todo o dinheiro (200 mil libras) necessários para melhorar sua casa em Dona Emma.[3]

De 1967 a 1968 lecionou como professor visitante na Universidade de Charleston na Carolina do Sul nos Estados Unidos. Lenard voltou dos Estados Unidos muito debilitado após ter tido uma trombose cerebral , mesmo assim continuo com suas atividades de escritor.[2]

Lenard resolveu cuidar de sua morte pessoalmente, deixou uma Declaração de Última Vontade, apresentado na Comarca de Ibirama, no documento ele expressa a vontade de ser enterrado ao lado de sua casa,entre as árvores que ele mesmo plantou. Em 13 de Abril de 1972 Lenard acaba falecendo após um infarto, e sua vontade é realizada.[3]

Seu sítio tem quatro hectares, fica localizado na localidade de Nova Esperança. Lenard gostava muito de cuidar do jardim, sua casa é cercada por diversos tipos de árvores frutíferas, gostava muito de flores, principalmente as flores exóticas. Sua propriedade  lhe lembrava tanto da infância que  costumava chamar de “uma pequena Hungria em seu quintal”, era seu local de refúgio e paz que . A casa atualmente encontra-se aberta a visitações.

Suas experiências em Dona Emma[editar | editar código-fonte]

Em 1968 um caso curioso aconteceu, Erich Erdstein, um jornalista que trabalhava para polícia em Curitiba, de férias em Dona Emma, suspeitou que Lenard fosse o criminoso nazista Martin Bormann. Enquanto Lénárd se encontrava lecionando nos USA, sua casa foi vasculhada pela polícia que, descobrindo documentos relacionados à medicina, e o quadro de Bach confundido com Hitler, acusou-o de ser Josef Mengele um criminoso doutor nazista que estava foragido naquela época. Comprovado o erro dos zelosos agentes policiais, Lenard publicou em 1970, em Stuttgart,o artigo “Der falsche Mengele”,ou “Como cheguei a ser Bormann e Mengele: um relatório da floresta virgem”, contando o episódio.[5]

The Last Happy Day[editar | editar código-fonte]

The Last Happy Day (O Último dia Feliz sem tradução para o português) é um documentário experimental que retrata Alexander Lénárd, um médico Húngaro é um primo distante do produtor Lynne Sachs.[6]


Sinopse: Em 1938 Lénárd, um escritor com traços judeus fugiu do nazismo para um paraíso seguro em Roma. Pouco depois o exército norte americano contratou Lénárd para reconstruir ossos de soldados americanos[6].

Eventualmente ele se encontrou no sul do  Brasil onde iniciou sua tradução de Winnie the Pooh (Ursinho Puff) para o Latim, um trabalho excêntrico, que o lançou para uma breve fama.O filme de Sachs usa cartas pessoais, imagens abstratas de guerra, filmes pessoais e entrevistas.[6]

 “Uma história fascinante, espontânea  sobre o Holocausto...Um trabalho encantador que não mede esforços para disfarçar uma melancolia implícita”.George Robinson, The Jewish Week.[6]

Contribuições[editar | editar código-fonte]

Alexander Lenard foi médico, escritor, tradutor, pintor, músico, poeta e professor de idiomas. No Brasil, ele ensinou as filhas dos engenheiros franceses a falar em latim, vendo o quanto elas não gostavam de Júlio César, decidiu dar alguma coisa mais interessante para as meninas lerem, em  resposta, ele traduziu Ursinho Pooh de Milne para o latim, isso lhe tomou 7 anos de sua vida.[2]

Em São Paulo mandou imprimir 100 cópias, o que seria a primeira edição de seu livro “Winnie ille Pu”.Um dos livros chegou a Estocolmo onde uma grande editora mandou tirar a segunda edição do livro, foram feitas 2000 cópias para seus contemporâneos, os primeiros mil livros se esgotaram em 15 dias, a produção foi suspensa.Lançaram mais uma edição, foram tiradas 2000 cópias.Uma editora inglesa lançou mais a quarta edição, foram tiradas 3000 cópias, que se esgotaram rapidamente.E finalmente uma editora America lançou a quinta edição,milhares de cópias foram feitas, 60 mil Winnie’s circulavam pelos Estados Unidos.[2] O livro acabou sendo um grande sucesso, tornando-se um Best-Seller que ficou 20 semanas na lista do New York Times.      

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Morando em Dona Emma , Lenard produziu no mínimo 16 obras[4], porém, nenhuma delas foi publicada em português até o ano de 2013. O seu único livro em português O Vale do Fim do Mundo, foi traduzido por Paulo Schiller e publicado no Brasil pela editora COSAC NAIFY em 2013.

O livro trata de crônicas e histórias vividas, contadas ou até  inventadas pelo autor(não se sabe), diversas histórias divertem o leitor, algumas tornam-se até macabras e absurdas. Lenard trata de fatos cotidianos e de suas experiências com as pessoas que viviam em Dona Emma e região.O livro foi publicado primeiramente no exterior, Dona Emma passa a se tornar Dona Irma, o nome dos habitantes é trocado para que ninguém descubra sua real identidade. O curioso é que Internacionalmente as pessoas acham que Lenard na verdade viveu em Dona Irma e isso não foi desmentido até os dias atuais.

A partir de 2010, dois de seus livros originais foram publicados em inglês - The Valley of the Latin Bear (1965), e The Fine Art of Roman Cooking (1966).[2]

Alguns dos trabalhos de Alexander Lenard[7][editar | editar código-fonte]

Nome Data Local em que foi publicado Tipo de texto
Ex ponto 1947 Roma Poesia
Orgelbüchlein 1947 Roma Poesia
De officio medici; contributo alla storia dell'etica medica 1947 Roma Ensaio ou Trabalho Cientifico
Controllo della concezione e limitazione della prole 1947 Roma Ensaio ou Trabalho Cientifico
Ungarische Bauern 1948 Viena Prosa
Ein Händedruck von Goethe 1948 Viena Prosa
99 Famous Chestnut Jam Recipes 1949 Roma Prosa
Die Leute Saagen 1949 Roma Poesia
Andrietta 1949 Roma Poesia
Asche 1949 Roma Poesia
Il Bambino Sano e Ammalato 1950 Roma Ensaio ou Trabalho Cientifico
Partorire senza dolore 1950 Stuttgart Ensaio ou Trabalho Cientifico
Die Kuh auf dem Bast 1963 Stuttgart Prosa
Roemische Kuche 1963 New York Prosa
The Valley of the Latin Bea 1965 New York Prosa
The Fine Art of Roman Cooking 1966 Budapeste Prosa
Völgy a világ végén 1967 Budapeste Prosa
Egy nap a láthatatlan  házban 1969 Budapeste Prosa
Római történetek 1969 Budapeste Prosa
Ein Tag im unsichtbaren Haus 1970 Budapeste Prosa
A római konyha 1989 Budapeste Prosa
Családtörténeteim 2010 Budapeste Prosa

Fotos e desenhos que remetem a vida e o cotidiano de Lenard[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h desconhecido, deconhecido. «Biografia de Alexander Lenard». Mek. Consultado em 27 de maio de 2017 
  2. a b c d e f g h i j k Lenard, Andrietta (11 de maio de 1980). «Em memória de Alexander» (PDF). Consultado em 30 de maio de 2017 
  3. a b c desconhecido, desconhecido (10 a 16 de abril de 2010). «Em busca da memória de Alexander» (PDF). Jornal Vale Norte. Consultado em 20 de maio de 2017  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. a b Kapper, Letícia (10 a 11 de abril de 2010). «Ilustre Cidadão do Mundo» (PDF). Jornal Plural. Consultado em 3 de junho de 2017  Verifique data em: |data= (ajuda)
  5. desconhecido, desconhecido. «Literatura». CRM-SC. Consultado em 4 de junho de 2017 
  6. a b c d Sachs, Lynne. «THE LAST HAPPY DAY». LynneSachs. Consultado em 6 de junho de 2017 
  7. «Works of Alexander Lenard». Mek 

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]