Alexandre (apoiante de Focas)

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Alexandre
Morte 602
Nacionalidade Império Bizantino
Religião Catolicismo

Alexandre (em grego: Αλέξανδρος; transl.: Aléxandros; m 602) foi um rebelde bizantino contra o imperador Maurício I (r. 582–602) e um dos principais apoiantes de Focas (r. 602–610). É melhor conhecido por executar o coimperador Teodósio. A principal fonte sobre ele é Teofilacto Simocata.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Soldo de Maurício I (r. 582–602)
Soldo de Focas (r. 602–610)

Alexandre é mencionado pela primeira vez num fragmento de João de Antioquia. O fragmento tem Alexandre e Lílio sendo enviado como embaixadores para o imperador Maurício I (r. 582–602) em Constantinopla. Eles foram aparentemente representantes de Focas e o "exército revoltoso da Trácia", fazendo-os assim rebeldes também.[1] A Crônica Pascoal da o relato cronológico da ascensão de Focas e Leôncia ao trono. Em 23 de novembro de 602, Focas foi coroado imperador por suas tropas fora da capital. Em 25 de novembro, entrou em Constantinopla e foi aceito imperador pela população. Proclamou corridas de bigas em honra de sua elevação e Leôncia foi escoltada pela cidade como sua nova imperatriz. De acordo com a crônica de Teófanes, o Confessor, Leôncia foi oficialmente coroada como augusta em 27 de novembro.[2]

De acordo com a história de Teofilacto Simocata, o novo casal imperial liderou uma procissão através da cidade como de costume. A ocasião festiva foi marcada com renovados conflitos entre Azuis e Verdes, as duas principais facções das corridas de biga. Teofilacto Simocata menciona pela primeira vez Alexandre na ocasião. Alexandre teria sido enviado por Focas para acalmar as facções rivais. Ele apenas conseguiu enfurecer os Azuis, por brigar com o demarca deles, Cosmas. Ele afastou Cosmas com força para fazê-lo cair. Os Azuis insultados começaram a gritar palavras ameaçadoras de rebelião "Vá-se embora! Entenda a situação, Maurício não está morto ainda!".[3] Os Azuis então questionaram a legitimidade do novo imperador. Focas reagiu ordenando a execução de Maurício e seus filhos, que ocorreu antes do final do dia.[2]

A próxima tarefa de Alexandre foi a execução do coimperador Teodósio e Constantino Lardis. Eles eram, respectivamente, o ultimo filho de Maurício e seu companheiro.[1] Parece que teria realizado os assassinatos, mas neglicenciou outra parte significativa do serviço. A cabeça de Teodósio tinha que ser trazida para exibição. Alexandre não retornou com a cabeça, gerando incerteza se Teodósio estava realmente morto.[4] Rumores contemporâneos registram que Alexandre tinha sido subornado por Germano, sogro de Teodósio, para poupar a vida do jovem.[5] Enquanto Teofilacto nega qualquer verdade nestes rumores, Focas aparentemente não. Ele teria então executado Alexandre.[1]

Um registro alternativo da morte de Alexandre é dado por João de Nikiu. "E certas pessoas acusaram Alexandre, que foi um dos chefes - um homem discreto e amado pelos habitantes de Constantinopla, e eles disseram para Focas: 'Este Alexandre está desejoso de te matar e tornar-se imperador em teu lugar'. Agora este Alexandre tinha casado com uma filha de Maurício. E logo a seguir Focas jogou Alexandre e Cudis (= Elpídio?) e outros oficiais na cadeia e enviou para a cidade de Alexandria para serem presos lá. Logo depois, Focas enviou ordens para Justino, o governador de Alexandria, para executar Alexandre e seus companheiros."[6] É provável que João acidentalmente identificou Alexandre com Germano. Os detalhes parecem corresponder Germano melhor que Alexandre.[1]

Referências

  1. a b c d e Martindale 1992, p. 46-47.
  2. a b Garland 1999.
  3. Bury 1889, p. 91.
  4. Olster 1993, p. 57.
  5. Martindale 1992, p. 531-532.
  6. Charles 1916, p. cap. CIII.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John Bagnell (1889). A History of the Later Roman Empire from Arcadius to Irene. 2. [S.l.]: MacMillan & Co. ISBN 1-60520-405-6 
  • Charles, Robert Henry (1916). The Chronicle of John, Bishop of Nikiu. Translated from Zotenberg's Ethiopic Text. [S.l.]: A.M. Hakkert 
  • Martindale, John Robert; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Olster, David Michael (1993). The politics of usurpation in the seventh century. rhetoric and revolution in Byzantium. [S.l.]: A.M. Hakkert