Alexandre Garcia

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Alexandre Garcia
Porta-voz da Presidência da República do Brasil
Período 1979-1980
Dados pessoais
Nascimento 11 de novembro de 1940 (80 anos)
Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul
Nacionalidade brasileiro
Alma mater Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)
Profissão jornalista

Alexandre Eggers Garcia (Cachoeira do Sul, 11 de novembro de 1940) é um jornalista, apresentador e colunista de política brasileiro, tendo sido porta-voz do último presidente da ditadura militar do Brasil, general João Batista Figueiredo.[1] Atuou no Jornal do Brasil, na extinta TV Manchete e na Rede Globo. Na Globo, onde trabalhou por mais de 30 anos, foi comentarista político do Bom Dia Brasil e apresentador eventual do Jornal Nacional. Teve três filhos, Denise Garcia, administradora de empresas, Julia Nunes Garcia, repórter do SporTV,[carece de fontes?] e Gustavo Nunes Garcia, que faleceu aos 27 anos.[2]

A Gazeta do Povo o listou entre os "dez maiores influenciadores digitais da direita" política no Brasil.[3] Por sua cobertura jornalística durante a Guerra das Malvinas, foi condecorado pela rainha Elizabeth II com a Ordem do Império Britânico.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aos sete anos já atuava como ator infantil na Rádio Cachoeira, em sua cidade natal, emissora em que seu pai, Oscar Garcia, era radialista. Aos quinze anos passou a ser locutor na Rádio Independente de Lajeado. Depois foi para Porto Alegre, onde fez o curso de comunicação social na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Sua carreira jornalística teve início como estagiário na sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre, na editoria de economia. Conciliava seu estágio no jornal, onde especializou-se em Bolsa de Valores com um trabalho no Banco do Brasil. Terminado o estágio, foi contratado pelo Jornal do Brasil deixando o Banco do Brasil.[1]

Em 1973 realizou o primeiro trabalho internacional em Montevidéu, cobrindo como enviado do JB, o fechamento do Congresso uruguaio, quando se instaurou a ditadura naquele país. Depois foi transferido para Buenos Aires, de onde cobriu a crise política argentina durante três anos. Depois de uma reportagem em que denunciou um esquema de corrupção na polícia rodoviária argentina, precisou deixar Buenos Aires às pressas.[1] Retornando ao Brasil no final dos anos 70, Garcia foi trabalhar na sucursal em Brasília. Permaneceu durante dez anos no Jornal do Brasil. Com a eleição de João Figueiredo à presidência da República em 1979, tornou-se secretário de imprensa do governo.[1]

Sua saída do governo foi envolvida em uma polêmica, depois que Garcia foi entrevistado pela revista masculina Playboy, sendo depois convidado também pela concorrente Ele & Ela. Em entrevista concedida em 2006 à revista Brasília em Dia, Garcia afirmou que Said Farhat, na época ministro da Secretaria de Comunicação Social havia respondido com palavras de baixo calão à carta de uma mulher que continha também ofensas ao presidente, e que a revista Veja teve acesso a essa carta do ministro. A revista semanal publicou uma matéria de capa, em que colocava além da carta, uma foto de Garcia na matéria da revista masculina, coberto do tórax para baixo. O título na capa era "Vulgaridade palaciana: enquanto o ministro da Comunicação Social usa palavras de baixo calão em carta, o sub-secretário de Imprensa nacional se deixa fotografar sob os lençóis em uma revista masculina". Segundo Garcia, a situação desencadeou uma crise política entre ele e Farhat e por isso decidiu deixar o governo.[5]

Foi contratado pela TV Manchete em 1983, como jornalista na sucursal em Brasília. Nessa época, como correspondente internacional, cobriu as guerras do Líbano, os desdobramentos da Guerra das Malvinas, a Guerra de Angola e a Guerra da Independência da Namíbia. Retornando ao Brasil no final dos anos 80, foi convidado para trabalhar na redação TV Globo em Brasília.[1]

Em seu início na Globo, Garcia apresentava um quadro de crônicas no programa dominical Fantástico, em que apresentava personalidades da política em situações cômicas. Foi também repórter especial do Jornal Nacional, do Jornal Hoje e do Jornal da Globo. Em 1988, cobriu a promulgação da Constituição de 1988 e as eleições presidenciais de 1989. Antes das eleições, apresentou o programa Palanque Eletrônico junto com Joelmir Beting, com entrevistas dos candidatos à presidência. No segundo turno, foi um dos mediadores nos debates entre os candidatos Lula da Silva e Fernando Collor.[1]

De 1990 a 1995, foi diretor de jornalismo da TV Globo Brasília, período em que cobriu a posse de Fernando Collor e a decretação do Plano Brasil Novo, conhecido como Plano Collor. Com Joelmir Beting, Paulo Henrique Amorim e Lillian Witte Fibe, procurava esclarecer as dúvidas dos telespectadores com relação ao novo plano econômico. O jornalista também cobriu a ECO-92, o processo de impeachment de Fernando Collor, a implantação do Plano Real e as eleições de Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Em 1993, estreou no Jornal da Globo como comentarista político. De 2000 a 2011 apresentou e foi o editor-chefe do telejornal local DFTV - 1ª Edição. Também realizou a cobertura especial das eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010. É autor do livro Nos Bastidores da Notícia, lançado pela Editora Globo em 1990. Chegou a assinar artigos para jornais brasileiros e fazer comentários políticos para oitenta emissoras de rádio. Passou a apresentar o programa Espaço Aberto na GloboNews em 1996. A partir de 2012, o programa passou a se chamar GloboNews Política e depois mudou novamente de nome para GloboNews Alexandre Garcia.[1] No dia 28 de dezembro de 2018, Alexandre deixou a Rede Globo após trinta anos.[6]

Em março de 2020, foi contratado pelo Canal Rural, onde passou a comentar nos programas "Rural Notícias" e "Mercado & Companhia".[7] e em julho de 2020, foi contratado para integrar o time de comentaristas da CNN Brasil.[8]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em comentário na rádio CBN, em maio de 2010, afirmou que o Ministério da Saúde estaria fazendo "uma maluquice" ao estimular a gravidez de mulheres portadoras do vírus HIV. Sua declaração gerou forte protesto dos ativistas de movimentos sociais, que repudiaram publicamente seu comentário.[9]

Em 14 de janeiro de 2016, ao comentar sobre o aumento de 40,88% das vagas para estudantes de escola pública no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (USB), o apresentador afirmou: "Temos que pensar na qualidade do ensino. Aqui em Brasília, é tudo na base do pistolão, do empurrãozinho. A tradução disso são as cotas. Só 67 (dos alunos das escolas públicas) entraram por mérito... Sem a humilhação de receber empurrãozinho."[10] O comentário gerou repercussão negativa, levando estudantes da UnB e sem-teto a protestarem na Rodoviária do Plano Piloto.[11][12][13]

Em 2 de fevereiro de 2017 o apresentador causou polêmica e manifestações online ao publicar em sua conta no Twitter que feminicídio, uma forma de homicídio qualificado,[14] é "invenção de quem pensa que homicídio é matar hômi". O apresentador argumentou: "Mas homicídio não é matar primata do gênero humano, da espécie homo sapiens - não importa o sexo? Ou a biologia já sanciona mulher sapiens?". E ainda indagou: "Então o assassinato de homem vulnerável seria androcídio?" Os comentários geraram críticas nas redes sociais.[15][16]

No dia 27 de julho de 2020, dia da sua estreia, Alexandre Garcia foi alvo de críticas de jornalistas por divulgar informação falsa no "Liberdade de Opinião", no programa "CNN Novo Dia" da CNN Brasil. O jornalista defendeu a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus e usou como exemplo a recuperação do presidente Jair Bolsonaro como "comprovação científica". Ainda no programa, Garcia acusou a imprensa de ter discurso "mandado", por não defender medicamentos com eficiência comprovada. No entanto, segundo o jornalista Lucas Rocha, "Garcia contraria o que é amplamente divulgado por profissionais da imprensa respeitados no país inteiro, que seguem as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e estudos conceituados de grandes instituições".[17]

Referências

  1. a b c d e f g «Alexandre Garcia». Memória Globo. globo.com. Consultado em 18 de janeiro de 2021 
  2. «Filho do jornalista Alexandre Garcia é encontrado morto em Brasília». UOL. 24 de novembro de 2014. Consultado em 11 de maio de 2020 
  3. Folhapress (7 de abril de 2019). «Ranking mostra os 10 maiores influenciadores digitais da direita. Saiba quem são». Gazeta do Povo. Consultado em 13 de julho de 2019. Cópia arquivada em 13 de julho de 2019 
  4. «Garcia e Rezende: coberturas e entrevistas históricas em décadas de jornalismo». 24 de julho de 2020. Consultado em 30 de julho de 2020 
  5. «Testemunha da história». Revista Brasília Em Dia. 26 de agosto de 2006. Consultado em 11 de maio de 2020. Arquivado do original em 17 de fevereiro de 2011 
  6. UOL: Apresentador Alexandre Garcia deixa a Globo após 30 anos
  7. «Alexandre Garcia é o novo comentarista do Canal Rural». Canal Rural. 10 de março de 2020. Consultado em 30 de julho de 2020 
  8. «CNN contrata Alexandre Garcia como comentarista». IG. 20 de julho de 2020. Consultado em 20 de julho de 2020 
  9. «Portal Impresa». Declaração de Alexandre Garcia sobre mães com HIV gera protestos na web. Portalimprensa.uol.com.br 
  10. «40,88% das vagas do PAS em 2016 são de alunos da rede pública». Metrópoles. 13 de janeiro de 2016. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  11. «Estudantes da UnB e sem-teto protestam na Rodoviária contra comentário de Alexandre Garcia sobre cotas». Metrópoles. 19 de janeiro de 2016. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  12. «Abominação ética em Alexandre Garcia, diz aluno da UNB». Jornal GGN. 15 de janeiro de 2016. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  13. «Por comentários preconceituosos, jornalista da Globo é alvo de críticas nas redes». Fórum. 15 de janeiro de 2016. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  14. «Feminicídio: o outro lado de uma mesma moeda». Jus. Abril de 2015. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  15. «Alexandre Garcia provoca polêmica com tuíte sobre feminicídio». Veja. 2 de fevereiro de 2017. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  16. «Alexandre Garcia ironiza o feminicídio e é criticado na internet». Metrópoles. 2 de fevereiro de 2017. Consultado em 25 de Fevereiro de 2020 
  17. Lucas Rocha (27 de julho de 2020). «Alexandre Garcia diz na CNN que Bolsonaro é a "comprovação científica" que a cloroquina dá certo, e gera críticas negativas: "Sujeito que desinforma" — assista». Hugo Gloss. UOL. Consultado em 17 de janeiro de 2021. Cópia arquivada em 7 de outubro de 2020 

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