Alexandre de Jerusalém

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Disambig grey.svg Nota: Para outros santos de mesmo nome, veja Santo Alexandre (desambiguação).
Alexandre de Jerusalém
Bispo da Capadócia
Mártir
Nascimento século II em Capadócia
Morte c. 251 (ou 249) em Cesareia Marítima, Síria Palestina
Veneração por Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 18 de março (Igreja Católica)
29 de maio e 25 de dezembro (Igreja Ortodoxa)
Gloriole.svg Portal dos Santos

Alexandre de Jerusalém (m. 249[1] ou 251[2][3]) foi um clérigo do século III que esteve ativo nas províncias orientais do Império Romano. Nativo da Capadócia, mudou-se em data desconhecida para Alexandria, onde estudaria ao lado de Orígenes. Tempos depois iria para sua cidade natal, onde tornar-se-ia bispo.

Foi preso durante a perseguição aos cristãos deflagada por Sétimo Severo (r. 193–211) e permaneceu na prisão até o reinado de Caracala (r. 211–217). Em 211/212, durante uma visita a Jerusalém, foi nomeado bispo-coadjutor e em 213, com a morte de Narciso (r. 211–213), foi feito bispo hierosolimita, função que exerceu até sua morte durante a Perseguição de Décio (r. 249–251). É atualmente venerado como mártir e santo pelas Igrejas Ortodoxa e Católica.[2]

Vida[editar | editar código-fonte]

Áureo de Décio (r. 249–251)

Alexandre nasceu em alguma cidade de nome desconhecido da Capadócia. Em data desconhecida foi enviado para Alexandria, onde foi educado primeiro por Panteno e então por seu sucessor Clemente; nessa época conheceria Orígenes. Mais adiante, foi selecionado como bispo de sua cidade natal. Por volta de 204, durante a perseguição aos cristãos de Sétimo Severo (r. 193–211), foi preso[4] e assim permaneceria até o início do reinado de Caracala (r. 211–217).[2][5]

Por esta época, seu antigo meste Clemente, que havia sido expulso de Alexandria, levou consigo uma carta à Igreja de Antioquia na qual Alexandre parabenizava Asclepíades por sua nomeação como bispo antioqueno; alegadamente Alexandria teria dito que as notícias da nomeação "iluminaram" as correntes às quais estava atado. Após sua libertação, peregrinou para Jerusalém, onde o bispo hierosolimita Narciso, que teria 116 anos de idade e estava com dificuldades de exercer suas funções, nomeou-o bispo-coadjutor em 211/212.[2]

Sua translação da sé capadócia à Jerusalém, bem como sua nomeação como bispo-coadjutor, são as mais antigas registradas e tiveram de ser ratificadas pelos bispos palestinos reunidos num concílio.[2] Após a morte de Narciso em 212, Alexandre tornar-se-ia bispo hierosolimita e seu episcopado durou de 213 a 249/251.[1][3][4] Durante seu episcopado, Alexandre notabilizou-se pela construção duma grande biblioteca teológica em Jerusalém, que ainda existia quando Eusébio de Cesareia, seu principal biógrafo, escreveu sua História Eclesiástica e da qual teria feito uso considerável.[2]

Foi Alexandre que ajudou Orígenes, até então um leigo, durante a disputa com bispo alexandrino Demétrio (r. 189–231). Se sabe que Alexandre convidou Orígenes para visitar a Palestina em 217. Quando a pregação de Orígenes em Cesareia e em Jerusalém enfureceram Demétrio, Alexandre e Teoctisto de Cesareia escreveram uma carta para ele defendendo Orígenes e, por volta de 229, o ordenaram presbítero. Por conta disso, Orígenes foi banido de Alexandria e se refugiou com os bispos da Palestina, que, inclusive, ajudaram-no a fundar uma escola teológica em Cesareia (veja Biblioteca Teológica de Cesareia Marítima).[4]

Finalmente, durante o imperador Décio (r. 249–251) e, a despeito de sua idade, ele, juntamente com diversos outros religiosos (inclusive Orígenes), foi levado como prisioneiro para a Cesareia Marítima. Sua Vida afirma que sofreu muitas torturas, mas sobreviveu a todas. Quando as bestas selvagens foram trazidas para devorá-lo na arena, algumas lamberam seus pés. Cansado e desgastado pelos sofrimentos, morreu na prisão em 249/251.[5] Ele foi um dos biografados por Jerônimo em sua obra De Viris Illustribus (Sobre Homens Ilustres - capítulo 62)[6]

Obras[editar | editar código-fonte]

Eusébio preservou alguns fragmentos de uma carta escrita por ele para os antinoitas, outra escrita para os antioquenos,[7] uma terceira para Orígenes[7] e uma outra, escrita em conjunto com Teoctisto de Cesareia, para Demétrio de Alexandria.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Alexandre de Jerusalém
(211/213 - 249/251)
Precedido por: PatriarchsCross.svg
Lista sucessória dos patriarcas de Jerusalém
Sucedido por:
Narciso 34.º Mazabanis


Referências

  1. a b «Greek Orthodox and Latin Patriarchs of Jerusalem» (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2016 
  2. a b c d e f Thurston 1990, p. 626.
  3. a b «Lista de patriarcas de Jerusalém» (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2016 
  4. a b c «A História da Igreja de Jerusalém» (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2016 
  5. a b Wace 1911.
  6. Jerônimo século V.
  7. a b c Eusébio século IV, VI.11.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Eusébio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  • Jerônimo (século V). «62». De Viris Illustribus. [S.l.: s.n.] 
  • Thurston, Herbert J.; Attwater, Donald (1990). Butler's Lives of the Saints. Westminster, Marilândia: Christian Classics 
  • Wace, Henry; Piercy, William C. (1911). «Alexander, bp. of Jerusalem». Dictionary of Christian Biography and Literature to the End of the Sixth Century. Londres: John Murray, Albemarle Street, W.