Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota

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Alfredo
Duque de Edimburgo
Duque de Saxe-Coburgo-Gota
Reinado 22 de agosto de 1893
a 30 de julho de 1900
Predecessor Ernesto II
Sucessor Carlos Eduardo
Duque de Edimburgo
Reinado 24 de maio de 1866
a 30 de julho de 1900
Predecessor Guilherme Frederico
Sucessor Filipe, Duque de Edimburgo
 
Nascimento 6 de agosto de 1844
  Castelo de Windsor, Windsor, Berkshire, Reino Unido
Morte 30 de julho de 1900 (55 anos)
  Castelo de Rosenau, Coburgo, Ducado de Saxe-Coburgo-Gota, Império Alemão
Sepultado em 4 de julho de 1900, Cemitério da Família Ducal, Coburgo, Baviera, Alemanha
Nome completo Alfredo Ernesto Alberto
Esposa Maria Alexandrovna da Rússia
Descendência Alfredo, Príncipe Hereditário
Maria de Saxe-Coburgo-Gota
Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota
Alexandra de Saxe-Coburgo-Gota
Beatriz de Saxe-Coburgo-Gota
Casa Saxe-Coburgo-Gota
Pai Alberto de Saxe-Coburgo-Gota
Mãe Vitória do Reino Unido
Brasão

Alfredo Ernesto Alberto (em inglês: Alfred Ernest Albert; Windsor, 6 de agosto de 1844Coburgo, 30 de julho de 1900), foi o terceiro duque de Saxe-Coburgo-Gota tendo exercido o seu título entre 1893 e 1900. Era também um membro da família real britânica, o quarto filho da rainha Vitória do Reino Unido, e de seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Foi proclamado Duque de Edimburgo, Conde de Kent e Conde de Ulster de acordo com as leis do Reino Unido a 24 de maio de 1866. Ele sucedeu ao seu tio paterno Ernesto II como duque de Saxe-Coburgo-Gota no Império Alemão a 23 de agosto de 1893.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Alfredo com o irmão Alberto Eduardo, futuro rei Eduardo VII

Alfredo nasceu em 6 de agosto 1844 no Castelo de Windsor. A sua mãe era a monarca britânica em exercício, a rainha Vitória. O seu pai era Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o filho mais novo do duque Ernesto I de Saxe-Coburgo-Gota. Como filho da monarca, ele recebeu o tratamento de "Sua Alteza Real o príncipe Alfredo" à nascença, e estava em segundo lugar na linha de sucessão ao trono atrás do seu irmão, o Príncipe de Gales. Ele era conhecido na família como Affie.[1]

Alfredo foi batizado pelo arcebispo da Cantuária, William Howley, na capela privada do Castelo de Windsor a 6 de setembro de 1844. Os seus padrinhos foram o seu tio-avô maternal, o Duque de Cambridge (representado pelo seu filho, o príncipe Jorge de Cambridge); a sua tia paternal, a Duquesa de Saxe-Coburgo-Gota (representada pela sua avó materna a Duquesa de Kent); e o meio-irmão da rainha Vitória, o Príncipe de Leningen (representado pelo Duque de Wellington).[2]

Alfredo manteve-se em segundo lugar na linha de sucessão do trono britânico desde o seu nascimento até ao dia 8 de janeiro de 1864, quando o seu irmão mais velho, Eduardo e a sua esposa, Alexandra da Dinamarca, tiveram o seu primeiro filho, o príncipe Alberto Vítor. Nessa altura, Alfredo ficou em terceiro lugar na linha de sucessão e foi descendo na mesma à medida que o seu irmão ia tendo mais filhos.

Entrada na Marinha Real[editar | editar código-fonte]

Alfredo em 1856

Em 1856, quando Alfredo tinha 12 anos, foi tomada a decisão de que ele deveria entrar para a Marinha Real, algo que ia de encontro com os desejos do príncipe. Foi assinado um acordo separado para ele, com o tenente Sowell. Alfredo passou num exame de admissão especial em julho de 1858 e foi designado cadete naval do navio HMS Eurylaus com 14 anos de idade.[3] Em julho de 1860, enquanto servia neste navio, Alfredo visitou a Colónia do Cabo e deixou uma boa impressão junto dos colonos e dos chefes nativos.[4]

Depois da abdicação do rei Oto I da Grécia, Alfredo foi escolhido para o suceder, mas o governo travou os planos para a sua ascensão a este trono em grande medida porque a rainha Vitória se opôs à ideia. Ela e o seu marido queriam que Alfredo fosse o sucessor do ducado de Saxe-Coburgo.[5]

O príncipe Alfredo, manteve-se, assim, na marinha, e foi promovido a tenente a 24 de fevereiro de 1863, servindo sob as ordens do Conde Gleichen no HMS Racoon, e a capitão a 23 de fevereiro de 1866, sendo, mais tarde, nomeado comandante da fragata HMS Galatea.[6] Lorde Charles Beresford afirmou que o príncipe tinha "uma grande capacidade natural para organizar uma frota" e constatou que este "poderia ser um almirante de combate de primeira classe."[7]

Duque de Edimburgo[editar | editar código-fonte]

Nas celebrações do aniversário da rainha Vitória a 24 de maio de 1866, o príncipe foi proclamado duque de Edimburgo e conde de Ulster e Kent, com um rendimento anual de 15 mil libras garantido pelo parlamento. Ele ocupou o seu lugar na Casa dos Lordes a 8 de junho.[4][8]

Viagens[editar | editar código-fonte]

O duque de Edimburgo em Sydney por volta de 1868. Fotografia de Montagu Scott.

Enquanto ainda era comandante do Galatea, o duque de Edimburgo iniciou em Plymouth a 24 de janeiro de 1867 a sua viagem à volta do mundo. A 7 de junho de 1867, deixou Gibraltar. Em 16 de julho de 1867 foi recebido no Rio de Janeiro pelo Conde d'Eu. Tendo desembarcado na ponte do Arsenal de Guerra na Baía da Guanabara, seguiu para o Palácio de São Cristóvão e em seguida ao Paço Imperial, na Praça XV onde recebeu uma comitiva de súditos de Sua Majestade Britânica residentes no Rio de Janeiro.

A sua viagem alcançou o cabo da Boa Esperança a 24 de julho. Nesse dia fez uma visita real à Cidade do Cabo depois de atracar em Simon's Town, um pouco mais cedo do que o previsto. A sua viagem terminou quando atracou em Glenelg, no sul da Austrália, a 31 de outubro desse ano. Como foi o primeiro membro da família real britânica a visitar a Austrália, foi recebido com grande entusiasmo. Durante a sua estadia de quase 5 meses, ele visitou Adelaide, Melbourne, Sydney, Brisbane e Tasmânia. [4] Várias instituições australianas receberam o nome do duque em sua honra, entre elas a escola privada Prince Alfred College em Kent Town, o Alfred Hospital em Melbourbe e o Royal Prince Alfred Hospital em Sydney.

Em 12 de março de 1868, durante a segunda visita de Alfredo a Sydney, este foi convidado por Sir William Manning, o presidente da Sydney Sailors' Home, para um piquenique no subúrbio de Clontarf para angariar fundos a sua instituição. Durante o evento, Alfredo foi alvo de uma tentativa de assassinato. O duque foi atingido nas costas por uma bala disparada por Henry James O'Farrell.[9] O disparo de O'Farrell deu origem a uma luta violenta, durante a qual um transeunte, William Vial, conseguiu retirar-lhe a arma e outro, George Thorne foi atingido no pé por um segundo disparo. Vários transeuntes ajudaram a controlar a situação e a travar O'Farrell, que foi brutalmente agredido antes da chegada da polícia, que o prendeu no local.[10]

Henry James O'Farrell, um imigrante irlandês, tentou alegar que tinha alvejado Alfredo por ordem da Irmandade Republicana Irlandesa, mas a organização veio a público dizer que esta afirmação era falsa. O'Farrell tinha sido internado num asilo no ano anterior e, tanto a sua defesa como o próprio Alfredo tentaram pedir clemência ao juiz por insanidade do réu, mas este chegou a uma sentença em apenas dois dias. Henry James O'Farrell foi enforcado em 21 de abril de 1868 e o episódio deu origem a uma onda de antipatia por irlandeses na Austrália que resultou em ataques a a negócios e casas de irlandeses.[11]

A bala atingiu o duque à direita da coluna vertebral, um ferimento grave, mas que não foi fatal. Nas duas semanas seguintes, Alfredo foi tratado por seis enfermeiras formadas por Florence Nightingale, uma equipa liderada por Lucy Osburn, que tinha chegado à Austrália no mês anterior.[9]

Na noite de 23 de março de 1868, as pessoas mais influentes de Sydney votaram na criação de um edifício que prestasse homenagem ao testemunho e à gratidão sentida pela comunidade com a recuperação de Alfredo. Isto levou a um abaixo-assinado público que pagou o Royal Prince Alfred Hospital.[12]

Chegada do HMS Galatea ao Victoria Harbour, Hong Kong em 1869

O duque de Edimburgo recuperou rapidamente dos seus ferimentos. Conseguiu tomar o comando do seu navio e regressar a casa em inícios de abril de 1868. Este atracou em Spithead, no Hampshire, a 26 de junho de 1868, depois de uma ausência de 17 meses.

Alfredo visitou o Havai em 1869 e passou algum tempo com a família real local. Foi também o primeiro membro da família real britânica a visitar a Nova Zelândia, tendo chegado à então colónia em 1869 no HMS Galatea. Alfredo foi ainda o primeiro príncipe europeu a visitar o Japão em 4 de setembro de 1869. Ele teve uma audiência com o imperador Meiji, na altura ainda adolescente, em Tóquio. Numa carta enviada à sua mãe, a rainha Vitória, Alfredo falou da sua visita ao Japão: "Não sei bem como descrever este país. É tudo tão novo e peculiar que me sinto um pouco atordoado."[13]

A viagem seguinte do duque foi à Índia, onde chegou em dezembro de 1869. Ele foi o primeiro príncipe a visitar a Índia, o Ceilão (atualmente o Sri Lanka) e Hong Kong, onde parou no caminho. Os regentes nativos da Índia acolheram o duque com grande entretenimento durante os três meses que ele lá passou.[4] No Ceilão, Alfredo foi recebido com uma enorme festa organizada apor Charles Henry de Soysa, o homem mais rico do país, a pedido dos britânicos que lá residiam. A festa teve lugar na sua residência privada que passou a chamar-se Alfred House em sua honra. Há relatos de que o duque de Edimburgo comeu em pratos de ouro e talheres de ouro com joias.[14][15][16]

Potenciais noivas[editar | editar código-fonte]

Alfredo na sua juventude

Em 1862, a rainha Vitória escreveu uma carta à sua filha mais velha, onde manifestava a vontade de que Alfredo se casasse com a princesa Dagmar da Dinamarca. Ela escreveu: "Ouvi dizer que o imperador da Rússia ainda não desistiu da intenção de pedir a Alix ou a Dagmar para o filho dele. Ficaria com muita pena se fosse tomada alguma decisão pela Dagmar antes de a veres porque assim ia haver menos hipóteses para o Affie." Porém, Vitória acabou por desistir desta ideia devido às tensões entre a Alemanha e a Dinamarca devido aos territórios disputados de Schleswig-Holstein, principalmente porque Alfredo era o herdeiro de Coburgo. Ela escreveu à sua filha, Vitória: "No que diz respeito à Dagmar, não quero que a guardem para o Affie. O imperador que fique com ela." Dagmar acabou por se casar com Alexandre III e foi imperatriz da Rússia.[17]

A rainha Vitória chegou a ponderar casar Alfredo com a grã-duquesa Olga Constantinovna da Rússia. Ela escreveu à sua filha Vitória: "É uma pena a filha encantadora da Sanny ser ortodoxa grega, ela ia ser tão boa." Em 1867, a rainha Vitória disse à sua filha mais velha: "Pensei e esperava conseguir a querida Olga, que agora está casada com o rei Jorge." [18]

Noivado e casamento[editar | editar código-fonte]

A grã-duquesa Maria Alexandrovna e o príncipe Alfredo por volta da altura em que se conheceram. 1868.

Primeiro encontro e negociações[editar | editar código-fonte]

Durante uma visita à sua irmã, a princesa Alice, em agosto de 1868, Alfredo conheceu aquela que viria ser a sua esposa, a grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia. Esta era a segunda filha do czar Alexandre II da Rússia e da sua esposa Maria de Hesse e do Reno. Na altura, Maria tinha 14 anos e Alfredo tinha 24. A princesa Alice estava casada com o primo direto de Maria e a grã-duquesa estava a visitar os seus parentes maternos em Jugenheim.[19]

A viagem de Alfredo pelo mundo com a Marinha Real fez com que ele estivesse afastado durante dois anos. Maria e Alfredo voltaram a encontrar-se em 1871, quando Alexandre II e a sua esposa estavam novamente de visita aos seus parentes em Heiligenberg. Maria, agora com 17 anos, tinha acompanhado o czar, a sua esposa e os seus dois irmãos mais velhos. Alfredo também estava de visita com o príncipe e a princesa de Gales. Durante esse verão, Maria e Alfredo começaram a sentir alguma atração um pelo outro e passaram os seus dias a passear e a falar. Tinham em comum a sua paixão pela música: Alfredo era um violinista amador entusiasta e Maria tocava piano.[20] Apesar de terem manifestado vontade de se casarem, não foi anunciado qualquer noivado e Alfredo regressou à Inglaterra. Os pais do casal opunham-se à união. Alexandre II não queria perder a sua filha, a quem era muito apegado.[21] Ele disse que a sua filha era demasiado jovem para união e sugeriu que o casal devia esperar pelo menos um ano antes de tomar qualquer decisão.[19] O czar também não queria ter genro britânico devido à antipatia que se sentia na Rússia pelo país depois da Guerra da Crimeia.[22] A czarina achava os costumes ingleses peculiares e que os britânicos eram um povo frio e hostil. Ela estava convencida de que a sua filha não seria feliz naquele país. No entanto, em julho de 1871, começaram as negociações para o casamento, mas foram travadas em 1872.[22]

Foto de noivado do príncipe Alfredo e de Maria Alexandrovna, 1873.

A rainha Vitória também se opunha à união. Nunca tinha havido nenhum casamento entre a família britânica e os Romanov e ela previu que haveria problemas devido à religião ortodoxa de Maria e ao facto de ter sido criada na Rússia. A rainha considerava que a Rússia tinha uma atitude "hostil" em relação ao Reino Unido. Vitória também desconfiava dos avanços dos russos em direção à Índia.[22] Assim, a rainha ficou consternada quando soube que as negociações oficiais tinham sido retomadas em janeiro de 1873. Havia rumores em São Petersburgo de que Maria Alexandrovna se tinha comprometido com o príncipe Golitsyn, o ajudante de campo do czar, e que a sua família estava ansiosa para ela assentar.[21] Alfredo não acreditou nos rumores e estava preparado para lutar para casar com a mulher que amava. Assim, a rainha Vitória engoliu o orgulho e não disse nada. Ambas as mães continuaram à procura de outros companheiros para os filhos, mas Alfredo e Maria recusaram-nos a todos. Quando a czarina não conseguiu encontrar um príncipe alemão aceitável para a sua filha, foi organizado um encontro com a czarina, Maria e Alfredo em Sorrento, na Itália, em meados de abril.[22] A reunião não correu como se esperava porque Maria ficou doente e Alfredo esteve pouco tempo com ela.[21] Naquele ano, houve uma disputa entre o Reino Unido e a Rússia pela fronteira no Afeganistão. Os ministros da rainha acharam que um casamento podia ajudar a amenizar a tensão entre os dois países, nem que fosse só pelo facto de os dois monarcas serem obrigados a entrar em contacto um com o outro.[23]

Em junho de 1873, o czar Alexandre II juntou-se à sua mulher e filha em Ems e Alfredo foi convidado para se encontrar com eles em Jugenheim.[21] Alfredo chegou em inícios de julho.[22] Em 11 de julho, ele pediu Maria Alexandrovna em casamento e ela aceitou.[22] Alfredo tinha quase 29 anos e ela tinha 19. Alfredo enviou um telegrama para a sua mãe: "Eu e a Maria ficámos noivos hoje de manhã. Não consigo exprimir a minha felicidade. Espero que nos dês a tua bênção."[22] A rainha deu os parabéns ao filho, mas confessou no seu diário: "Não conheço a Maria e sei que ainda podem haver muitas dificuldades, por isso a minha opinião e sentimentos são bastante confusos." Quando a rainha deu a notícia à sua filha mais velha, a princesa Vitória, disse simplesmente: "O homicídio está feito." [24]

A união anglo-russa teve a sua primeira crise uma semana depois do noivado. A rainha Vitória pediu ao czar para levar Maria à Escócia para que ela pudesse conhecer a sua futura nora. Alexandre II recusou. A czarina sugeriu que o encontro se realizasse antes em Colónia. A rainha descreveu a situação como "simplesmente impertinente... Eu, que estou no trono há quase mais vinte anos do que o imperador da Rússia e que sou a rainha no poder, tenho de responder a correr a qualquer chamada dos poderosos russos, como se fosse uma princesinha qualquer." [24] Vitória também tomou a decisão impopular de recusar a oferta do czar de fazer o príncipe de Gales coronel de um regimento russo e ao exigir que se realizasse um casamento anglicano em São Petersburgo para além da cerimónia ortodoxa. No entanto, Maria Alexandrovna estava ansiosa pelo casamento: "Estou tão feliz por ser dele. Sinto que o meu amor por ele cresce todos os dias e sinto paz e uma felicidade indiscritíveis e uma impaciência infinita por ser toda dele."[25]

Casamento[editar | editar código-fonte]

O casamento do príncipe Alfredo com a grã-duquesa Maria Alexandrovna no Palácio de Inverno. 23 de janeiro de 1874.

Alfredo foi o único filho da rainha Vitória que não se casou no Reino Unido.[26] Ele chegou a São Petersburgo para o casamento em 4 de janeiro de 1874 e ficou alojado no Palácio de Inverno.[27] Os restantes convidados britânicos chegaram em 18 de janeiro. O casamento foi celebrado com muito esplendor na Grande Igreja do Palácio de Inverno em 23 de janeiro de 1874. A rainha Vitória não pôde estar presente e foi representada na cerimónia pelo seu filho mais velho, o príncipe de Gales acompanhado pela sua mulher, a princesa de Gales e irmã da futura czarina, Maria Feodorovna da Rússia. A filha mais velha de Vitória e o seu marido, Frederico, também estiveram presentes.[22]

O casamento teve duas partes. A cerimónia ortodoxa foi a primeira e foi realizada pelos metropolitas de São Petersburgo, Moscovo e Kiev na Capela Imperial.[28] Os grão-duques Vladimir, Aleixo e Sérgio e o irmão do noivo, o príncipe Artur, duque de Connaught e Strathearn seguraram à vez nas coroas de ouro por cima das cabeças da noiva e do noivo.[26] Maria usou um diadema brilhante e um manto de veludo vermelho com uma bainha de pele de arminho e ramos de murta enviado pela rainha Vitória. Alfredo usou o uniforme da Marinha Real.[24] O czar esteve pálido ao longo de toda a cerimónia e no fim disse: "É pela felicidade dela, mas a luz da minha vida apagou-se." [24] Seguindo a tradição ortodoxa, o casal bebeu vinho três vezes de um cálice e a cerimónia terminou com o casal a dar as mãos por baixo da estola do padre. Depois, os noivos e os convidados dirigiram-se para o Salão Alexandre, onde Arthur Stanley, o Deão de Westminster realizou a cerimónia anglicana. Às duas cerimónias seguiu-se um banquete no palácio. A famosa cantora de ópera Adelina Patti cantou para os convidados e a noite acabou com um baile no Salão de São Jorge.[29]

Uma vez que o casamento se realizou fora do Reino Unido, os súbditos ingleses não demonstraram o mesmo entusiasmo de outros casamentos reais, mas realizaram-se na mesma festas de bairro.[26] Para comemorar a ocasião, uma pequena padaria inglesa confecionou as bolachas Maria, hoje em dia muito populares, com o nome da grã-duquesa.[30] A rainha Vitória usou a Ordem de Santa Catarina no vestido e fez um brinde ao jovem casal.

Os membros da corte inglesa que viajaram para São Petersburgo ficaram impressionados com a grandiosidade das celebrações, festas e entretenimento que marcaram o casamento. O major-general Sir Howard Elphinstone realçou que, numa sala, foi servida uma ceia a quinhentas pessoas distribuídas por cinquenta mesas com "palmeiras e plantas exóticas... usadas em tamanha escala que o palácio tinha o aspeto de uma estufa... o calor era quase insuportável e várias senhoras saíram do salão de dança num estado de desmaio." [27] Lady Augusta Stanley resumiu o casamento em três palavras: "Mas que dia."

Alfredo e Maria passaram a noite de núpcias no Palácio de Alexandre em Tsarskoe Selo.[31] Alexandre II tinha reservado uma suite nupcial luxuosa no rés-do-chão na esperança de que esta persuadisse o casal a ficar na Rússia. No entanto, após uma curta lua-de-mel em Tsarskoe Selo, Alfredo e Maria deixaram a Rússia e foram viver para a Inglaterra. Alexandre II nunca perdeu a esperança de que eles regressariam um dia e a suite ficou reservada para o casal durante duas décadas. Em 1894, esta tornou-se no quarto do último czar da Rússia e da sua mulher, Nicolau II e Alexandra, o sobrinho de Maria e a sobrinha de Alfredo.[32]

Vida na Inglaterra[editar | editar código-fonte]

O grão-duque Aleixo, o czar Alexandre II, a grã-duquesa Maria Alexandrovna e o príncipe Alfredo, duque de Edimburgo em maio de 1874

O duque e a duquesa de Edimburgo chegaram a Inglaterra em 7 de março de 1874. A cidade de Windsor foi decorada em sua honra com bandeiras do Reino Unido e da Rússia e Maria foi recebida com entusiasmo por uma multidão. A rainha Vitória estava à espera do casal na Estação South-Western e registou a sua chegada no seu diário: "Abracei a querida Maria e dei-lhe vários beijos carinhosos. Estava bastante nervosa e a tremer com tanta expectativa... A Maria é muito simpática, tem uma cara agradável, pele linda e uns olhos azuis lindos... Ela fala inglês muito bem."[27] Vitória gostou da sua nora e elogiou-a bastante nos seus diários, tendo notado que ela "não tem medo nenhum do Alfredo e espero que tenha uma boa influência nele." [33]

O duque e a duquesa de Edimburgo fizeram a sua entrada pública em Londres no dia 12 de março. Milhares de pessoas saíram à rua para acompanhar o percurso da nova princesa inglesa desde a Estação de Paddington até ao Palácio de Buckingham.[29] Alfredo e Maria instalaram-se em Clarence House, onde a duquesa construiu uma capela ortodoxa. Para além de Clarence House, o casal tinha uma propriedade no campo, Eastwell Park, perto de Ashford no Kent, onde Alfredo organizava caçadas.[32] O czar e o filho, o grão-duque Aleixo, visitaram Maria em maio de 1874.[27]

O casamento de Alfredo e Maria não foi feliz, e a noiva era considerada demasiado arrogante pela sociedade londrina.[27]

Ela insistia em ser elevada a um nível superior do que a Princesa de Gales (a futura rainha Alexandra) porque ela e o seu pai, o czar, consideravam a família desta (a família real dinamarquesa) inferior à sua. A rainha Vitória recusou aceder à exigência e garantiu a sua posição atrás da Princesa de Gales. Sendo assim, o seu pai, enviou-lhe a, então considerável, quantia de 100 mil libras como um dote, mais um pagamento anual de 28 mil libras.[34]

Além disso, a duquesa nunca se adaptou à corte inglesa e não gostava da família do marido (com a exceção dos seus irmãos mais novos, Leopoldo e Beatriz). A sua relação com a sogra também se foi deteriorando e Maria passava grande parte do seu tempo a viajar e a visitar o seu país natal.[22]

Alfredo foi um marido ausente devido à sua carreira na marinha. O casal foi-se afastando ao longo dos anos e não tinham muito em comum, para além da paixão por música e os filhos. Alfredo era reservado, taciturno, mal-humorado, temperamental e bebia muito. Em meados da década de 1880, ele tinha-se tornado alcoólico.[24] O duque era descrito como "mal-educado, melindroso, obstinado, sem escrúpulos, leviano e infiel." A duquesa não gostava das atitudes do marido, mas não desistiu do seu casamento e escondia os problemas conjugais dos filhos para lhes dar um ambiente feliz.[24]

Carreira na marinha[editar | editar código-fonte]

Alfredo em uniforme

O Duque de Edimburgo dedicou-se totalmente à sua profissão, mostrando uma grande competência nos seus deveres e uma capacidade tácita naval fora do comum.[35] Ele permaneceu em Malta vários anos e a sua terceira filha, Vitória Melita, nasceu lá a 10 de novembro de 1876.[36] Alfredo, foi subindo na carreira tendo sido promovido a cargos mais importantes ao longo dos anos. Como Almirante da Frota, comandou a frota do canal e a frota mediterrânica. Também foi comandante-chefe em Devonport, Plymouth. Ele sempre deu grande importância aos seus deveres oficiais e era mais eficiente como almirante.[35]

Percy Scott escreveu nas suas memórias que “como comandante-chefe, não havia, na minha humilde opinião, ninguém como o Duque de Edimburgo. Ele comandava uma frota de uma forma magnifica e introduziu muitas melhoras nos sinais e nas manobras.” Ele “dava uma grande atenção á artilharia.” “O navio mais bonito que alguma vez vi foi o Alexandra (o navio comandado pelo duque de Edimburgo). Informaram-me que foram gastas 2000 libras pelos oficiais em decoração.” [37]

Alfredo adorava música e teve um papel determinante na criação da Royal College of Music, inaugurada em 1882.[4] Ele era um violinista aficionado, mas não tinha muita aptidão para tocar. Numa festa organizada por um dos seus irmãos, um dos convidados convenceu-o a tocar o violino. Sir Henry Ponsonby escreveu: "O violino estava desafinado e o barulho era abominável." [38]

Duque de Saxe-Coburgo-Gota[editar | editar código-fonte]

Com a morte do seu tio, Ernesto II, a 22 de agosto de 1893, a regência do ducado de Saxe-Coburgo-Gota caiu nas mãos do Duque de Edimburgo, já que o Príncipe de Gales tinha renunciado ao seu direito de sucessão. Assim, Alfredo teve de abdicar do seu salário de 15 mil libras por ano da Casa dos Lordes e deixar o seu lugar no Conselho Privado, mas manteve o rendimento de 10 mil libras anuais que lhe foi concedido quando se casou para manter Clarence House como sua residência em Londres.[39]

No princípio, olhado com alguma frieza por ser estrangeiro, Alfredo foi ganhando popularidade aos poucos. Na altura da sua morte, em 1900, ele tinha conseguido obter uma boa opinião da generalidade dos seus súbditos.[4]

Alfredo era um colecionador aficionado de peças em vidro e cerâmica. A sua coleção, que valia aproximadamente meio milhão de marcos, foi exibida pela sua viúva em Veste Colburgo, uma grande fortaleza perto de Boburgo.

Fim da vida[editar | editar código-fonte]

O único filho do Duque, Príncipe Herdeiro Alfredo, envolveu-se num escândalo com a sua amante e alvejou a si próprio em janeiro de 1899, a meio das celebrações do 25º aniversário de casamento dos seus pais. Ele sobreviveu, mas os seus pais envergonhados enviaram-no para Merano para recuperar. O Príncipe Herdeiro morreu aí duas semanas depois, a 6 de fevereiro.[40]

O Duque de Saxe-Coburgo-Gota morreu devido a um cancro na garganta a 30 de julho de 1900, na Schloss Rosenau, a sua casa de Verão fora de Coburgo. Foi enterrado no mausoléu da família ducal no cemitério público de Glockemberga na Alemanha.[41] Sucedeu-lhe como Duque o seu sobrinho, o príncipe Carlos Eduardo, filho do seu irmão mais novo, príncipe Leopoldo, uma vez que o seu irmão seguinte e o seu filho renunciaram aos seus direitos de sucessão.[42]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Alfredo e Maria tiveram seis filhos. Um deles era natimorto e os outros cinco chegaram à idade adulta:[43]

O duque e a duquesa de Edimburgo com os seus cinco filhos e com o príncipe Jorge de Gales, o príncipe Maximiliano de Baden e o grão-duque Ernesto Luís de Hesse em Coburgo, 1890
Nome Nascimento Morte Notas
Prince Alfred of Saxe Coburg Gotha.jpg Alfredo 15 de outubro de 1874 6 de fevereiro de 1899 Príncipe hereditário de Saxe-Coburgo-Gota desde 22 de agosto de 1893; sem descendência
Queen Mary of Romania 2.jpg Maria 29 de outubro de 1875 18 de julho de 1938 casada a 10 de janeiro de 1893 com Fernando I da Romênia; com descendência
Vitoria Melita.JPG Vitória Melita 25 de novembro de 1876 2 de março de 1936 casada primeiro com Ernesto Luís, Grão-Duque de Hesse; com descendência. Divorciada, foi casada depois com o grão-duque Cyrill Vladimirovich da Rússia; com descendência
Princess Alexandra of Hohenlohe.jpg Alexandra 1 de setembro de 1878 16 de abril de 1942 casada com Ernesto II, Príncipe de Hohenlohe-Langemburgo; com descendência.
Filho natimorto 13 de outubro de 1879 13 de outubro de 1879
Beatriceedinburgh1884.jpg Beatriz 20 de abril de 1884 13 de julho de 1966 casada com o infante de Espanha Afonso, Duque da Galliera; com descendência

Referências

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Alfredo do Reino Unido
Casa de Saxe-Coburgo-Gota
Ramo da Casa de Wettin
6 de agosto de 1844 – 30 de julho de 1900
Precedido por
Ernesto II
Coat of Arms of Alfred, Duke of Saxe-Coburg and Gotha.svg
Duque de Saxe-Coburgo-Gota
22 de agosto de 1893 – 30 de julho de 1900
Sucedido por
Carlos Eduardo


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