Alfredo Brañas

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Alfredo Brañas
Nascimento 11 de janeiro de 1859
Carballo
Morte 21 de fevereiro de 1900 (41 anos)
Santiago de Compostela
Sepultamento Panteão de Galegos Ilustres
Cidadania Espanha
Alma mater Universidade de Santiago de Compostela
Ocupação escritor, político, economista, jornalista, jurista
Religião Catolicismo
Causa da morte gripe

Alfredo Brañas Menéndez (Carballo, 11 de janeiro de 1859 - Santiago de Compostela, 21 de fevereiro de 1900) foi um escritor e ideólogo do regionalismo galego do século XIX.

Filho de um registrador da propriedade, passou a infância em Cambados. Entre 1869 e 1873 estudou o segundo grau em Compostela, e posteriormente estudou direito na Universidade de Santiago de Compostela. Após o falecimento de seu pai consegue terminar seus estudos graças à mãe de um amigo que lhe pagou a carreira. Enquanto estudava, começou a escrever na imprensa, e o jornal compostelano El Porvenir dirigido por Antonio Toledo Quintela, foi o primeiro no que colaborou.

Em 1878 ao remate dos seus estudos, regressou a Cambados e trabalhou numa notaria. Em 1881 voltou para Santiago para colaborar no novo jormal de Antonio Toledo Quintela, El Libredón, e começou a exercer de advogado e a participar nos círculos católicos-tradicionalistas da cidade e a escrever poesia em castelhano, e em menor medida em galego. Entre 1884 e 1885 foi secretário geral da USC. Em 1885 escreveu El Principio Fundamental del Derecho, no que recopilava e resumia as lições que dera esse ano para poder optar a uma praça de professor auxiliar, que conseguiria. Entre 1885 e 1887 dirigiu o El Libredón. Depois começaria colaborando com o seu sucessor, El Pensamiento Galaico, mas abandonaria-o pelo posicionamento político Carlista declarado do jornal.

Em 1887 obteve por concurso a cátedra de direito natural da Universidade de Oviedo, ali publica Fundamentos del Derecho de propiedad e em 1888 marcha de novo para Santiago ao obter a cátedra de economia política dessa cidade.

Em 1889 publicou em Barcelona El Regionalismo. Estudio sociológico, histórico y literario, que seria aceita pelo galeguismo como um referente. Em 1890 foi homenageado em Santiago, que implicou a primeira reunião de todos os galeguistas num ambiente de unidade e constituiu o ponto de partida da mobilização regionalista. A obra também obteve grande repercussão entre o regionalismo catalão.

Brañas foi vereador em Santiago entre 1890 e 1891, e em 1890 participa na criação da Asociación Regionalista Gallega e escreve no seu porta-voz, La Patria Gallega, no que Brañas fala pela primeira vez da Galiza como nacionalidade. Participa nos Jogos Florais de Tui de 1891, nos que pela primeira vez num discurso público emprega o galego. Nesse mesmo desaparece a ARG, após um confronto entre o setor liberal de Manuel Murguía e o católico tradicionalista de Brañas. Porém, em Julho de 1892 Brañas e vários dos seus seguidores acodem à homenagem a Murguía por ocasião da sua nomeação como bibliotecário da USC e dela surge a encomenda a Brañas de redigir as Bases generales del regionalismo y su aplicación a Galicia. Nestas Bases, apresenta um modelo prático de descentralização, influenciado pelas Bases de Manressa. Em 1893 participa na mobilização com o restante dos regionalistas contra do translado que capitania geral da Corunha para Leão.

Viaja à Catalunha como mantedor dos Jocs Florals de Barcelona em 1893, e já antes publicara artigos comparando os regionalismos galegos e catalães nas publicações barcelonesas La Renaixença ou La España Regional.
Em 1894 publica Historia Económica e um Curso de Hacienda Pública em 1896, e nesse ano estréia o drama La Voz de la Sangre y la Voz de la Patria.

Foi um dos fundadores do Ateneo Leão XIII (1896) em Santiago e o Círculo Católico de Obreros, seguindo as diretrizes do papa Leão XIII na sua encíclica Rerum Novarum.

A crise do 98 vai provocar um certo arrefecimento das suas posições regionalistas e seu achegamento ao carlismo.

Brañas falece em 1900, à idade de 40 anos. Seu corpo foi transladado ao Panteão de Galegos Ilustres, onde jaz numa tumba com a seguinte inscrição:

O regionalismo de Brañas baseava-se num catolicismo e um historicismo tradicionalista que lhe serve para reclamar as liberdades antigas, ao mesmo tempo que arremete contra a industrialização, o liberalismo e o capitalismo, reclamando a volta aos grêmios. Para Brañas, Galiza e Catalunha são as duas regiões que mais trabalham pela sua independência e liberdade, mas no caso galego abandonado "aos seus próprios esforços, vítima do desprezo e do esquecimento a que a condenam seus filhos espúrios, e apesar desta angustiosa situação, erguese-se com nobre altivez e luta corajosamente pela sua perdida independência".

No regionalismo de Brañas é admitida a existência de uma "nação espanhola", concebida como "pátria grande"; pela contra, para Murguía, Galiza podia ser uma nação completa, ao contar com uma história, língua e tradições próprias.

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