Alfredo Le Pera

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Alfredo Le Pera
Informação geral
Nome completo Alfredo Le Pera
Nascimento 1900
Origem São Paulo, São Paulo (SP)
País Brasil Brasil
Morte 24 de junho de 1935 (35 anos)
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Argentina Argentino
Gênero(s) tango
Período em atividade 1931 a 1935
Outras ocupações jornalista, poeta, letrista, tradutor, musicista
Gravadora(s) CASA VICTOR
Afiliação(ões) Mário Batistella (8 canções), Horácio Arturo Ferrer(2 canções),Carlos Cesar Lenzi (1 canção)e Carlos Gardel (2 canções) e Enrique Discépolo (1 canção)
Página oficial http://www.todotango.com

Alfredo Le Pera (São Paulo, 1900Medellín, Colômbia, 24 de junho de 1935) foi um jornalista, poeta, crítico de teatro, compositor e roteirista ítalo-brasileiro, considerado um dos grandes compositores do Tango . Grande parceiro de Carlos Gardel.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Alfredo Le Pera nasceu no tradicional bairro do Bixiga em São Paulo, e era filho de imigrantes italianos.[1] Mudou-se com seus pais em 1902 para o Uruguai e posteriormente foi para a Argentina, onde trabalhou como jornalista, poeta, compositor e crítico de teatro.

O dia de seu nascimento e seu nome são dados controversos. Ruben Pesce (que escreveu uma biografia do poeta) afirma que seu nascimento ocorreu em 6 de junho de 1900, enquanto Tito Livio Foppa diz que foi em 4 de junho. O Irmão de Alfredo, José Le Pera, diz que ele nasceu em 6 de junho de 1900 e Orlando del Greco, diz 8 de Junho de 1900.

Aparentemente, a certidão dá a data de nascimento 7 de junho às 22:30 horas, e que o seu único nome era Alfredo. Porém, seu irmão José disse que o nome completo era Alfonso de Paula Alfredo Le Pera, e outros deram-lhe como Alfredo Le Pera Sorrentino. Em 1926 Le Pera perdeu a cidadania brasileira por haver se naturalizado argentino, por meio de decreto do então presidente Artur Bernardes.[2]

Alfredo estudou piano no conservatório "La Salvia", com o professor Alfredo de María.

Quando cursava o ensino médio, escreveu um trabalho sobre literatura espanhola que impressionou o professor Vicente Martínez Cuitiño, que apresentou Alfredo aos círculos literários de Buenos Aires, por meio dos quais, o jovem Alfredo teve contato com: José Ingenieros, Alberto Vacarezza e José De Maturana[3].

Como jornalista[editar | editar código-fonte]

Martínez Cuitiño também apresentou Alfredo aos editores do jornal "Última Hora", onde colaborou com artigos sobre peças de teatro. Nesse jornal, também trabalhava Luís César Amadori.

Alfredo ingressou no curso de medicina, mas abandonou no quarto ano, para dedicar-se exclusivamente ao jornalismo, onde continuou a escrever sobre teatro. Trabalhou em outros jornais, além do "Última Hora", como o diário "La Acción" e, posteriormente: "Noticias Gráficas" e "El Telégrafo". Nesse último jornal, teve como colegas: Pablo Suero, Emílio Bastidas e Alberto Ballesteros, e chegou a ser chefe de seção, que teve como subordinado seu amigo Manuel Sofovich[3].

Contribuições ao teatro[editar | editar código-fonte]

Além de atuar como jornalista, a partir de 1923 foi assistente da companhia de teatro: "Los Podestá", durante apresentações no interior do país e produtor executivo da companhia de teatro de Tomás Simari em Buenos Aires, no Teatro de Verano.

Juntamente com Pablo Suero e Manuel Sofovich, escreveu cenas para apresentações de teatro de revista no Teatro Sarmiento. Essas apresentações tiveram Mário Benard como empresário e o maestro Salvador Merico, como diretor de orquestra. Entre os atores estavam: Enrique Santos Discépolo, Bertha, Carmen Lamas e Aida Martínez.

Em 1931, fez uma amizade com o ator Pedro Quartucci, que o levou à direção de um grupo teatral chamado Teatro Cómico durante apresentações em Montevidéu.

Dentre as peças de teatro que ajudou a escrever, merecem destaque:

Primeiros passos como letrista[editar | editar código-fonte]

No final da década de 1930, fez viagens à Santiago (Chile) como secretário de um empreendimento, comandado por Mário Benard, que pretendia divulgar o tango naquela cidade. Dessa companhia também participavam: Carmén Lamas, Tânia e Enrique Santos Discépolo.

Durante uma dessas viagens, Discépolo compôs: "Carillón de la merced", com letra de Alfredo e Discépolo.

Essa canção foi interpretada por Tânia e fez grande sucesso no Chile. Foi gravada pela Odéon e pela RCA-Víctor, interpretada por Ernesto Famá[3].

Contribuições ao cinema[editar | editar código-fonte]

Em 1927, fez uma viagem pela Europa, na qual teve contato com o cinema francês.

Em 1928, voltou a Buenos Aires, onde começou a trabalhar com Leopoldo Torre Ríos na tradução de filmes franceses e alemães.

No final de 1931, iniciou uma nova viagem à Europa para estabelecer contatos que trouxesse a realização de filmagens de produções cinematográficas na Argentina. Durante essa viagem, entrevistou: Alfred Hitchcock, Josephine Baker, René Clair, Gaby Morlay e Marlene Dietrich. Além disso, trabalhou tradutor de filmes em Paris, na Paramount, e em Berlim.

Em setembro de 1932, retornou a Paris para trabalhar [3], juntamente com Mario Battistella, na adaptação do roteiro do filme "Espérame", dirigido por Louis Gasnier, no qual atuaria Carlos Gardel.

Nessa época, Alfredo ajudou, principalmente como letrista, a compor:

  • a rumba: "Por tus ojos negros", musicada pelo cubano Dom Aspiazú e em parceria com o uruguaio Lenzi;
  • a zamba: "Criollita de mis amores" também conhecida como: "Criollita de mis ensueños"; e
  • os tangos: "Estudiante" e "Me da pena confesarlo", musicadas por Gardel e em parceria com Batistella nas letras.

Durante as filmagens de "Espérame", escreveu o roteiro de "Melodía de arrabal", que teria os protagonistas interpretados por Gardel e Império Argentina que faria grande sucesso no público hispano-falante. Nesse filme, Gardel cantou o tango "Melodía de arrabal" e a canção crioula: "Mañanitas de sol", duas obras conjuntas de Alfredo, Batistella e Gardel.

Posteriormente, Gardel atuou nas filmagens media-metragem publicitário: "La casa es seria", no qual Alfredo trabalhou no argumento e nas letras do tango "Recuerdo malevo" e da canção melódica: "Quiéreme".

Em novembro de 1932, terminadas as filmagens em Paris, Alfredo se mudou para Londres, onde trabalhou na tradução de filmes e escrevendo crônicas para jornais de Buenos Aires.

Durante o ano de 1933, cruzou várias vezes o Canal da Mancha para trabalhar como tradutor de filmes em Paris e Londres.

Em abril de 1934, se mudou para Nova Iorque para trabalhar com Gardel que atuaria em filmes gravados naquele país. Também assumiu a vice-presidência da Éxito Corporation, produtora cinematográfica presidida por Gardel[4].

Dentre os filmes que Gardel atuou como protagonista, gravados nos Estados Unidos pela Paramount, que contaram com a contribuição de Alfredo como roteirista e compositor de letras das músicas, podem-se citar:

  • "Cuesta abajo", gravado em Long Island na segunda quinzena de maio de 1934, no qual Alfredo trabalhou no argumento, nos diálogos e na letra das canções. Esse filme teve como diretor Louis Gasnier que desfigurou algumas dos elementos do roteiro escritos por Alfredo;
  • "El tango en Broadway", durante as filmagens, as disputas entre Alfredo e Louis Gasnier se acirraram, o que levou a troca do diretor;
  • "Cazadores de estrellas";
  • "El día que me quieras", a obra de maior sucesso, dirigida por John Reinhardt e que contou com a participação da atriz mexicana Rosita Moreno, Tito Lusiardo e Manuel Pelufo; e
  • "Tango bar", dirigido por John Reinhardt, que contou com a participação de Enrique De Rosas, Rosita Moreno, Tito Lusiardo e Manuel Pelufo.

Dentre as letras compostas nesse período e incorporadas aos filmes, merecem destaque:

  • "Mi Buenos Aires querido";
  • a valsa: "Amores de estudiante"; e
  • "Criollita decí que sí";
  • "Impía";
  • "Por tu boca roja";
  • "Olvido", interpretada por Carlos Spaventa; e
  • a zamba "En los campos en flor", interpretada pela dupla Carlos Spaventa e Roberto Demoia (cubano);
  • "Rubias de New York";
  • "Golondrinas";
  • "Soledad";
  • "Caminito soleado";
  • o tango "Amargura";
  • a canção crioula: "Apure delantero buey";
  • "El día que me quieras";
  • "Sus ojos se cerraron";
  • "Guitarra mía";
  • "Volver";
  • "Sol tropical"; e
  • "Suerte negra".

Alfredo também exerceu funções comerciais na empresa cinematográfica, trabalhando na distribuição das obras[5].

Última viagem[editar | editar código-fonte]

Em março de 1935, partiu de Nova Iorque, integrando a comitiva de Gardel, que visitou diversos países latino-americanos com o intuito de fazer apresentações musicais para promover os filmes de Gardel. Visitaram: Porto Rico, Venezuela, Aruba, Curazao e Colômbia. Também estavam planejadas visitas ao Panamá, Cuba e México, que não se realizaram devido ao acidente de Medellín.

Em 24 de junho de 1935, estava no avião que sofreu o acidente no qual também morreu Gardel[5].

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1920 ele iniciou a crítica de shows para os jornais El Plata, El Mundo, de última hora, de ação e de telégrafo. Em seguida, também começa a escrever peças de teatro.

Por motivos profissionais, ele fez várias viagens a Paris. Ao voltar para Buenos Aires começou a trabalhar na tradução e produção de sub-títulos para filmes mudos, tornando esta tarefa junto com Leopoldo Torres Rios, que mais tarde seria um relevante diretor de cinema argentino.

Trabalhando para a Paramount Pictures como tradutor de textos para filmes mudos, teve contato com Carlos Gardel, graças ao interesse da Paramount de divulgar a carreira de Carlos Gardel internacionalmente. Alfredo Le Pera escreveu uma série de scripts para os filmes Melodia de Arrabal, em 1933, Cuesta Abajo, em 1934, El Tango en Broadway, em 1934, El Dia en Que me Quieras, 1935 e Tango Bar, 1935. Alfredo Le Pera foi o criador das letras de tangos de mais qualidade, respeitando o espírito popular. Foi o artista mais importante na vida de Carlos Gardel, sempre lembrado pelos argentinos.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Parceria entre Alfredo Le Pera e Carlos Gardel[editar | editar código-fonte]

Músicas e letras de Alfredo Le Pera cantadas por Carlos Gardel

  • Amargura (tango)
  • Amores de Estudiante (waltz)
  • Apure, delantero buey (song)
  • Arrabal amargo (tango)
  • Caminito soleado (song)
  • Cheating muchachita
  • Criollita, deci que si (song)
  • Cuesta abajo (tango)
  • El día que me quieras (song)
  • Golondrinas (tango)

  • Guitarra, guitarra mia
  • La criolla
  • La vida en un trago
  • Lejana tierra mia (song)
  • Los panchos en Buenos Aires
  • Melodia de arrabal (tango)
  • Mi Buenos Aires querido (tango)
  • Olvido
  • Por tu boca roja
  • Por una cabeza (tango)

  • Quiereme
  • Recuerdo malevo (tango)
  • Rubias de New York (foxtrot)
  • Soledad (tango)
  • Suerte negra (waltz)
  • Sus ojos se cerraron (tango)
  • Viejos tiempos (tango)
  • Volver (tango)
  • Volvio una noche (tango)

Morte[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Desastre aéreo de Medellín

Alfredo Le Pera faleceu no dia 24 de junho de 1935 em Medellín, na Colômbia. Le Pera integrava a comitiva de Carlos Gardel, com os guitarristas José María Aguilar "O Índio Aguilar", Angel Domingo Riverol e Guillermo Barbieri. O único a sobreviver foi José María Aguilar "O Índio Aguilar" embora com consequências graves que o impediam de seguir com a carreira musical.

Referências

  1. https://spinfoco.wordpress.com/2013/05/27/alfredo-le-pera-um-compositor-de-tango-paulista/
  2. Redação do jornal (16 de janeiro de 1926). «Decretos assignados pelo Sr. presidente da Republica». A Manhã, nº 17/1926 pág. 7. Consultado em 1 de maio de 2016 
  3. a b c d e ALFREDO LE PERA EL GRAN LITERATO DEL TANGO, em espanhol, acesso em 18 de maio de 2017.
  4. ALFREDO LE PERA SEGUNDA PARTE, em espanhol, acesso em 20 de maio de 2017.
  5. a b ALFREDO LE PERA TERCERA PARTE, em espanhol, acesso em 20 de maio de 2017.