Eleição presidencial no Brasil em 1985

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, comprometendo a sua verificabilidade (desde setembro de 2017).
Por favor, adicione mais referências inserindo-as no texto. Material sem fontes poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Eleição presidencial no Brasil em 1985
  1978 ← Flag of Brazil.svg → 1989
15 de janeiro de 1985
eleição indireta
Tancredo Neves, 1983.jpg Paulo Maluf em setembro de 2015.jpg
Candidato Tancredo Neves Paulo Maluf
Partido PMDB PDS
Natural de Minas Gerais São Paulo
Companheiro de chapa José Sarney Flávio Marcílio
Votos 480 180
Porcentagem 72,40% 27,30%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

A eleição presidencial brasileira de 1985 foi a última ocorrida de forma indireta, por meio de um colégio eleitoral, sob a égide da Constituição de 1967.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Nos meses anteriores a esta eleição, houve uma intensa mobilização civil de âmbito nacional chamada Diretas Já que queriam eleições diretas em 1985. Havia três pré-candidatos: Paulo Maluf, que seria o candidato do PDS, Ulysses Guimarães, que seria o candidato do PMDB, e Tancredo Neves, que seria o candidato do PP. As eleições nunca aconteceram, Maluf foi mantido candidato pelo PDS, mas o Partido Popular (PP) se incorporou ao PMDB e Tancredo foi escolhido candidato.

Tancredo Neves é saudado por populares em Brasília. Ao fundo, olhando para a câmera, está o então secretário particular de Tancredo, seu neto Aécio Neves (1984).

Durante o ano de 1984, o Partido Democrático Social (PDS), sucessor da antiga ARENA e partido de apoio ao Regime Militar, celebrou uma espécie de eleição primária para escolher seu candidato à Presidência da República nas eleições de 1985. Duas pré-candidaturas então surgiram: a do ex-governador de São Paulo e então deputado federal Paulo Maluf (com o deputado federal cearense Flávio Marcílio para Vice-Presidente) e a do ex-Ministro dos Transportes do Governo Médici, o coronel gaúcho Mário Andreazza (com o ex-governador de Alagoas Divaldo Suruagy para Vice-Presidente). Maluf derrotou Andreazza na Convenção Nacional do PDS, contando com o apoio do ideólogo do Regime Militar, o general Golbery do Couto e Silva, mas encontrou forte oposição de caciques nordestinos, notadamente Antônio Carlos Magalhães, Hugo Napoleão, Roberto Magalhães, entre outros. Estes descontentes, após a vitória de Maluf na eleição primária do PDS, saíram do partido e formaram a chamada Frente Liberal.

A Aliança Democrática foi uma coligação entre o PMDB, o principal partido de oposição ao Regime Militar e os dissidentes do PDS que formavam a Frente Liberal. Esta dissidência acabaria por formar o PFL (atualmente o Democratas). Sarney, ex-presidente do PDS, se filiou ao PMDB, disputando o pleito para vice-presidente. A dissidência foi fundamental para a vitória de Tancredo, já que o TSE, antes do pleito, decidiu que mesmo dissidentes, poderiam votar no candidato de sua preferência. Mesmo sendo indireta, a oposição mobilizou a população em dezenas de comícios em todo o país. No colégio eleitoral, formado por deputados federais, senadores, e delegados de cada Assembleia Legislativa dos Estados. Tancredo recebeu os votos do seu partido, o PMDB, da Frente Liberal do PDS, do PDT, PTB, de 5 dissidentes do PT (que tinha 13 deputados, e expulsou esses deputados, após a eleição). Dois deputados da oposição, um do PDT e outro do PTB, votaram em Maluf.

Candidaturas[editar | editar código-fonte]

Disputavam a sucessão do presidente João Figueiredo, as seguintes chapas:

Candidato(a) a presidente Candidato(a) a vice-presidente Coligação
? Tancredo Neves, 1983.jpg Tancredo Neves (PMDB)
Tancredo de Almeida Neves
Presidente Sarney - Radiobrás.png José Sarney (FL)
José Sarney de Araújo Costa
"Aliança Democrática"
? Paulo Maluf em setembro de 2015.jpg Paulo Maluf (PDS)
Paulo Salim Maluf
Flávio Marcílio (Deputado).jpg Flávio Marcílio (PDS)
Flávio Portela Marcílio
Partido sem alianças políticas

Tancredo Neves[editar | editar código-fonte]

A campanha eleitoral de Tancredo Neves em 1985 foi suportada pela Aliança Democrática, um pacto promovido entre políticos de vários partidos para tentar vencer a eleição presidencial brasileira de 1985, mais especificamente entre a agremiação FL e o PMDB. O pacto foi bem-sucedido, resultando na eleição indireta da chapa TancredoSarney para presidente e vice-presidente da República, respectivamente.

Passada a derrota da emenda pela eleição direta a presidente da República — emenda Dante de Oliveira — a 25 de abril de 1984, diversos setores se mobilizaram para tentar legitimar o colégio eleitoral que se reuniria a 15 de janeiro de 1985. A composição do colégio era a seguinte: PDS, 361; PMDB, 273; PDT, 30; PTB, 14; e PT, 8 votos.[1] O PDS tinha, portanto, maioria absoluta. No partido, três candidatos disputavam a indicação: Paulo Maluf, Mário Andreazza e Aureliano Chaves. O primeiro lançara-se em campanha com métodos polêmicos. O presidente do PDS, José Sarney, propôs a realização de prévias eleitorais. Desautorizado pelo presidente da República, João Figueiredo, o senador maranhense afastou-se do partido, em reunião na qual agentes de Maluf tentaram impor-se pela força, no dia 11 de junho de 1984.[2]

A posição de Figueiredo era vista como resultado do desejo de concretizar proposta de Leonel Brizola, de prorrogação de seu mandato por dois anos, seguida de eleições diretas. Mas Tancredo Neves, governador de Minas Gerais, que disputava com Ulysses Guimarães[3] a indicação do PMDB, mobilizou-se mais rápido, fechando a articulação para viabilizar a sua candidatura.

Logo em seguida à crise do PDS, um grupo formado por Aureliano Chaves, Marco Maciel, Jorge Bornhausen e José Sarney reuniu-se na chamada Frente Liberal e decidiu apoiar Tancredo. A candidatura deste último foi apoiada por todos os governadores do Nordeste (menos Wilson Braga, da Paraíba) e por Antônio Carlos Magalhães e outras lideranças que foram à convenção do PDS — onde Maluf venceu Andreazza por 439 a 350 votos. A 18 de julho,[4] em nome dos dissidentes, Aureliano Chaves formalizou o apoio do grupo a Tancredo e a indicação de José Sarney para compor a chapa como candidato a vice-presidente.

A Aliança Democrática foi lançada em manifesto ("Compromisso com a Nação")[5] no dia 7 de agosto de 1984.[6] A 12 de agosto, na convenção do PMDB, a chapa foi consagrada (Tancredo, 656 a 32, Sarney, 543 a 143).

A candidatura da Aliança Democrática enfrentou os mesmos métodos de Maluf que haviam caracterizado a campanha interna no PDS. Os eleitores “malufavam” sob a suspeita de corrupção ostensiva.[7] O trabalho da Aliança Democrática, no entanto, era de políticos muito experientes, lideranças que haviam passado pelas crises do regime de 1945 e pelos "anos de chumbo". No dia 15 de janeiro de 1985 reuniu-se o colégio eleitoral para eleger o presidente e o vice-presidente da República e o resultado foi exatamente o previsto pela equipe de Tancredo: 380 a 180 votos.

No dia 14 de março, véspera da posse do novo governo, Tancredo Neves foi internado com sintomas de apendicite. No dia 15 de março tomou posse o vice-presidente, José Sarney. Por mais de um mês, alongou-se a agonia de Tancredo, atingido por uma infecção generalizada. No dia 21 de abril, o mais solene de Minas Gerais, o presidente eleito não resistiu. Seu enterro foi o pico da comoção nacional acumulada.

O símbolo da vitória da Aliança Democrática é a presença, na mesa presidencial, do "Compromisso com a Nação". O sucessor de Tancredo Neves, José Sarney, cumpriu grande parte dos pontos daquela proposta, a começar pelas eleições diretas para todos os cargos, legalização dos partidos e convocação da assembleia constituinte, concretizando a transição democrática no Brasil.

Diagrama da origem histórica do partido
Aliança Renovadora Nacional
(ARENA) 1966–1979
Partido Democrático Social
(PDS) 1980–1993
Partido Democrata Cristão
(PDC) 1985–1993
Partido Social Trabalhista
(PST) 1988–1993
Partido Trabalhista Renovador
(PTR) 1985–1993
Frente Liberal
(FL)
Partido Progressista Reformador
(PPR) 1993–1995
Partido Progressista
(PP) 1993–1995
Partido da Frente Liberal
(PFL) 1985–2007
Partido Progressista Brasileiro
(PPB) 1995–2003
Democratas
(DEM) 2007–presente
Partido Progressista
(PP) 2003–presente
Fonte: [8][9]

Resultado[editar | editar código-fonte]

O Presidente João Figueiredo em audiência com Paulo Salim Maluf, em meados de 1980.

No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral reuniu-se e Tancredo Neves foi eleito presidente para um mandato de seis anos com 480 votos (72,4%) contra 180 dados a Maluf (27,3%). Houve 26 abstenções, principalmente de parlamentares do PT, que foram orientados a votar nulo pelo diretório nacional do Partido. Os deputados Bete Mendes, Airton Soares e José Eudes, que votaram na chapa da Aliança Democrática e acabaram sendo expulsos do PT.

Colégio eleitoral de 1985 (número de votos)
Tancredo
  
480
Maluf
  
180

Referências

  1. Ronaldo Costa Couto, História Indiscreta da Ditadura e da Abertura, p. 348.
  2. Idem, p. 352, para narrativa da reunião por José Sarney.
  3. Idem, p. 367.
  4. Idem, p. 360.
  5. Maciel, Marco (julho de 2010). «Revista de informação legislativa». Sítio do Senado. Consultado em 9 de Novembro de 2014 
  6. Paulo Bonavides, "História Constitucional do Brasil", p. 787-793.
  7. Ronaldo Costa Couto, "História Indiscreta da Ditadura e da Abertura", p. 371.
  8. TSE. «Histórico de partidos». Consultado em 26 de outubro de 2016 
  9. Cambraia, Marcio Rodrigo Nunes (outubro–dezembro de 2010). «A Formação da Frente Liberal e a Transição Democrática no Brasil (1984-85)». Revista On-Line LIBERDADE E CIDADANIA. Fundação Liberdade e Cidadania. Consultado em 26 de outubro de 2016